Saudades do Mestre Bira Gordo

postado por Cleidiana Ramos @ 7:59 PM
22 de janeiro de 2013

Professor Ubiratan Castro deixou saudade. Foto: Eduardo Martins / Ag. A TARDE/ 17.11.2004

Falar de amigos que deixam este mundo é complicado . O susto, a tristeza e, por fim, a rendição ao que não se pude mudar levam dias e até meses para deixar de incomodar. E é assim que me sinto em relação à perda do professor Ubiratan Castro de Araújo, o nosso Bira Gordo, como ele permitia e até gostava que o chamassem.

Eu estava em Iaçu, de férias, quando recebi a má notícia. Coube a minha colega de profissão e amiga, Maíra Azevedo, a gentileza de me avisar para que não soubesse de outra forma mais brusca, como a Internet. A forma que achei de retribuir a gentileza de Maíra foi fazer o mesmo por outra pessoa. No caso, o professor Albergaria, colega e amigo de Bira. Foi uma das poucas vezes em que vi a “galhofice” de Albergaria fazer uma pausa, mas como ele mesmo diz: “É assim mesmo…. tem coisas que a gente não pode mudar”.

O tom de Albergaria pode ser traduzido em vários sentidos. Um deles é que partiu com o professor Bira mais um pedaço da Bahia inteligente, culta e que sabia das suas dores e prazeres sem perder a altivez. O professor sabia muito sobre história e economia da escravidão, mas sempre fazia questão de ressaltar os mecanismos da resistência a ela.

Bira foi uma das pessoas mais inteligentes que tive o prazer de conhecer em minha trajetória como jornalista. Entrevistá-lo era o mesmo que estar em uma aula de erudição. Mas  sua fala de historiador, formado em uma das mais importantes universidades do mundo, a Sorbonne, nada tinha de arrogância intelectual.

Teorias e análises ganhavam cor, sabor e multifaces. Qualquer conceito complexo tinha nome de gente do povo e de elemento da cultura baiana facilmente absorvido pelo ouvinte. E tudo com muito bom humor. E faço questão de frisar isso não para ser entendido como estereótipo. E nem poderia, pois o humor de Bira Gordo era fino, sagaz e tinha uma certa malícia na medida certa.

Quando nos encontrávamos ele jamais esquecia o apelido que o professor Albergaria inventou por conta da minha predileção pela cor rosa: Afro Barbie. Depois da minha obrigação religiosa ele passou a me chamar apenas de “iaô”. Após a saudação era o momento de me dar uma informação preciosa, sempre em defesa do povo negro.

Numa hora, o objetivo era destacar a participação negra na Guerra da Independência ou porquê o caboclo e a cabocla são tão importantes. Em relação a essa última ele me dizia que guardava uma certa má vontade: “É que ela foi feita para representar Catarina Paraguaçu e tirar de cena o caboclo que representava o povão”, completava.

Em outra era para entender porquê estavam querendo expor de novo, no acervo do Instituto Médico Legal Nina Rodigues, as peças de candomblé, capturadas no período da perseguição religiosa. Após a ligação em que expliquei o que estava apurando para uma matéria, o professor, como presidente da Fundação Pedro Calmon, foi um dos protagonistas da ação que levou o governo a não permitir a exposição e doar o acervo ao museu da Ufba.

Jamais vou esquecer uma aula que ele deu no Teatro XVIII sobre História da Bahia. Eu estava lá como repórter de um especial sobre o 2 de Julho porque o tema da aula era o mesmo de uma matéria que ia fazer para o caderno. Foram duas horas de palestra para uma plateia formada por jovens de 15 a 17 anos que ouviram atentamente sem sair da sala ou fazer barulho. Era uma amostra do seu dom de cativar o ouvinte.

E os artigos? Sempre que a gente pedia, ele atendia . Às vezes a gente abusava, mesmo sabendo que ele estava ocupado, mas o professor dava um jeitinho e mandava o texto. Um dos mais interessantes foi o artigo em que ele contou sobre a sua experiência como Rei Momo aos sete anos. Foi para a primeira edição da nossa cobertura especial de Carnaval inspirada em O Papão há nove anos. Assim que recebi o texto comecei a rir. Liguei para ele e rimos mais. Liguei para Albergaria e voltamos a gargalhar.

E o conto que inclui o  livro Sete Histórias de Negro sobre como uma das suas tias é salva da fome por uma festa de Omolu? Até hoje brinco com alguns amigos sobre o Departamento de Investigação da Vida Alheia (Diva) que ele cita no texto simplesmente delicioso.

É, portanto, caso de realmente sentir muita saudade. Mas o que a ameniza um pouco é perceber que o professor Bira é alguém que a gente sempre vai lembrar dessa forma: com leveza e ciência das lições que ele deixou. Que Olorum o tenha em boa paz! Axé!


Homenagem a Iroko no DPT

postado por Cleidiana Ramos @ 4:43 PM
31 de agosto de 2010

Homenagem a Iroko começa amanhã. Foto: elton Araújo | AG. A TARDE | 01.09.2008

Amanhã, começa a comemoração em homenagem a Iroko que é realizada anualmente no Departamento de Polìcia Técnica (DPT). A homenagem é feita porque na sede do órgão fica uma gameleira, árvore que, no candomblé, é tida como a morada do orixá. A parte religiosa do evento é coordenada pela Ebomi Cidália Soledade, que é consagrada a Iroko.

A programação de amanha será aberta às 14h30, no Instituto Médico Legal Nina Rodrigues  (IML) pelo diretor do DPT, Raul Barreto Coelho Filho. Em seguida será feita pelo médico Eraldo Moura Costa uma palestra em homenagem a Maria Theresa de Medeiros Pacheco, médica legista falecida em maio deste ano. Maria Theresa foi responsável pelo início da comemoração em honra a Iroko quando dirigia o DPT.

Em seguida o doutor em História Ubiratan Castro de Araújo vai falar sobre a relação entre as árvores e o candomblé, seguido pela professora Arani Santana que enfocará o papel da mulher na religião afro-brasileira.

Na quinta-feira, a partir das 9 horas, haverá a cerimônia aos pés de Iroko, coordenada pela Ebomi Cidália. Vale lembrar que o traje é branco.


Aviso aos navegantes

postado por Cleidiana Ramos @ 7:11 PM
13 de agosto de 2010

Vou estar fora de Salvador durante alguns dias por conta de trabalho. A viagem, dessa vez, vai me impossobilitar de manter as atualizações aqui no Mundo Afro, mas em uma semana estarei de volta e as novidades, artigos e outras linguagens do blog também.  Mas deixo aqui uma bela história escrita pelo professor Ubiratan Castro de Araújo, dividida em duas partes. Confiram.


Homenagem a Obaluaê e São Roque

postado por Cleidiana Ramos @ 7:11 PM
13 de agosto de 2010

Conto do professor Ubiratan Castro de Araújo resgata a religiosidade afro-brasileira. Foto: Haroldo Abrantes| AG. A TARDE|12.11.2009

Este mês de agosto é rico em diversidade de festas religiosas. Por conta da associação entre São Roque, que vai ser festejado na próxima segunda-feira, com Obaluaê, título para o orixá Omolu que governa e controla principalmente as doenças de pele, são várias as reverências para esta divindade da nação ketu e semelhantes na nação angola como Kavungo e Azoany da jeje.

Como homenagem estou publicando aqui, dividida em duas partes, uma história deliciosa, das muitas narradas, pelo professor Ubiratan Castro de Araújo no livro Sete Histórias de Negro, publicado em 2006, ampliado com  Histórias de Negro, lançado no ano passado.

Desde a primeira vez em que li o conto numa das edições da revista da Fundação Cultural Palmares fiquei encantada e ri muito. O estilo leve e cheio de humor do professor é inconfundível. Lendo, parece que a gente o está ouvindo falar.

Por isso achei que esta era uma boa homenagem a Obaluaê, a quem o professor Bira tem a sua cabeça consgarada. Atotô!

E atenção professores: vale como suporte didático para aplicação da Lei 11.645/08, que reformou a Lei 10.639/3 estabelecendo, além do ensino de História da África e Cultura Afro-Brasileira, a  História e Cultura Indígenas.


Visitante Indesejado(Conto do Livro Sete Histórias de Negro-II)

postado por Cleidiana Ramos @ 7:11 PM
13 de agosto de 2010

No santuário de São Lázaro e São Roque em Salvador duas tradições religiosas se encontram: candomblé e catolicismo. Foto: Xando Pereira|Ag A TARDE| 05.08.2002

Ubiratan Castro de Araújo

Outro caso doloroso era o da Tia Zefinha. Nossa tia-avó tinha mais de 80 anos, a mais velha da família. Ela era magrinha, de cabelos lisos e grisalhos, penteados em uma rodilha presa por longos grampos, atrás da cabeça. Exímia costureira, tinha o dom de transformar roupa velha em roupa nova. Costurava para fora, mas também costurava em domicílio. Por força de sua profissão, passava longas temproadas nas casas das brancas da Barra. Justiça seja feita, ela sempre foi fascinada pela Casa Grande. Nascida ainda no tempo da escravidão, absorveu todos os preconceitos contra os negros. Ela discriminava ostensivamente as irmãs, sobrinhas e sobrinhos netos de pele mais escura.

Racismo à parte, era uma velhinha fascinante. Viúva sem filhos, desenvolveu a arte de contar histórias da carochinha e histórias do tempo antigo, o tempo da escravidão. A pequena loja de subsolo em que morava, na Rua do Desterro, era um verdadeiro baú de preciosidades. Para as meninas, as grande tentações eram as caixinhas de costura, muito arrumadinhas, delicadamente enfeitadas, cheias de miudezas. Também faziam sucesso as antigas revistas de moda, em sua maioria francesas, com fotos de manequinas e “debuxos” de vestidos. Par aos meninos, a paixão eram livros de contos de fadas e a fabulosa coleção dos fascículos de uma revista chamada Eu Sei Tudo, tradução brasileira da Que Sais-je? Ela também guardava uma coleção completa do Tesouro da Juventude.

Era uma velha sábia. Mesmo asism Bernardo a perseguia. Desde a morte de seu marido, o marceneiro João Guarani, criou uma relação de clientela com uma família da Barra.  Pssava dias e mais dias remontando, encurtando e ajustando velhas roupas a novas modas e a novos corpos. O pagamento variava sempre em função da sorte do dono da casa, no jogo. Segundo O DIVA, a casa dele vivia sempre aberta à jogatina. Até a honra da filha foi jogada na mesa do carteado. Apesar de tudo, nunca lhe faltou o sustento, nem a pose de rico. Para Tia Josefina, faltava.

Muito orgulhosa, ela jamais pedia nada, apenas recolhia-se à sua casinha. Os parentes procuravam visitá-la com frequência para detectar os sinais da visita de Bernardo. De vez em quando, ela era sequetrada por algum sobrinho, para a alegria das crianças. Quando menos se esperava, ela fugia, sempre alegando o chamado de sua vasta freguesia. Um outro caso provocava uma verdadeira guerra fria na assembléia feminina, as simpatizantes dos russos comunistas contra as fascinadas habituês do cinema americano.

João da Cruz era um grnade militante sindicalista, membro filiado e dirigente do Partido Comunista. Era um negro alto, cabelo cortado à escovinha. Orador de verve tão empolgante quanto o Padre Sadoc, se admitirmos a verdade sociológica que Stalin representava para um o que Jesus Cristo representava para o outro. Estava sempre à frente da greves do sindicato e dos comícios e pichações de paredes organizadas pelo Partido. Nos anos da Aliança Nacional Libertadora, era o intrépido lançador de galinhas pintadas de verde nos comícios dos integralistas. Por sua militância, era um homem marcado pelo Dops e conhecido de todos os secretas do bairro.

A segurança para tanto arrojo era a certeza que o Partido cuidava do sustento e do bem estar de sua mulher e de sua filha, nas eventualidades de prisão ou de cladestinidade. Pois bem, essa não era a experiência de sua mulher Alzira e de sua filha Olga.

Lá um dia, João da Cruz sumiu de casa. Isto aconteceu logo depois do bate-boca entre Juraci e Prestes no Congresso Nacional. O presidente Dutra aproveitou a oportunidade para cassar o registro do Partido Cominista. Iniciava-se um novo ciclo de perseguições, que incidiram imediatamente sobre João, que era muito visado. Logo no primeira dia, apareceu um companheiro de partido, de codinome Berto. Disse que fora designado para dar assistência à família de João. Falou, falou, falou. Para não perder a viagem, foi logo dando uma entradas meio ousadas para o lado de Alzira, que o repeliu na tampa.

– Onde já se viu? Procurar ousadia com a mulher de um revolucionário! Não sou eu que vou dar o pretexto a nenhum burguês reacionário chamar meu marido de corno!

– Que é isso camarada! Você entendeu mal. E nunca mais apareceu.

Também os vizinhos e conhecidos se afataram, com medo de ficarem visados. Os investigadores de política, conhecidos como secretas, vigiavam permanentemente a casa, de tal forma que mãe e filha se sentiam em prisão domiciliar.

Um visitante conseguia furar o bloqueio policial: Bernardo. Nos três primeiros dias, acabaram-se o feijão, a farinha e a carne do sertão. sobrou um pouco de café e um saco demilho-alho, bom de fazer pipoca. E durante sete dias elas tomaram chafé com pipoca. Olguinha choramingava muito.

– Atotô, meu pai Omolu, não me abandone!

Em um sábado de manhã, bateram na porta. Era Pezão, filho de Abigail, a irmã mais velha de Alzira. Tinha vindo da feira de São MIguel, onde comprara os aviamentos para uma obrigção de orixá. Ele foi logo comentando:

- Cadê Tio João? Não estou gostando nada da cara de vocês. Vocês estão de Bernardo?

As duas não disseram nem que sim, nem que não. Sorrindo sem jeito, não escondiam a vergonha.

Pezão foi embora muito constrangido. Lá pelas 4 horas da tarde, ele apareceu de novo.

– Minha mãe está precisando de ajuda, pra festa de Omolu. Ela sabe que Tio João não gosta de Candomblé, mas ele nem está aí, não é? Olhe, minha tia, lá na roça não tem luxo não. É comida braba. Tem o Sobe-e-desce! É água, carne de sertão, quiabo e abóbora, subiu, desceu, comeu!

Olguinha riu muito. Alzira juntou os panos, pegaram o bonde do Retiro e deixaram Bernardo sozinho em casa.

Na minha infância, nunca tive medo de diabo nem de inferno. Medo mesmo era de Bernardo. Por isto, saía das rezas muito confiante e vitorioso. Afinal, quando o francês  São Roque se juntava com o nagô Omolu, botavam o tal Bernardo pra correr.

Ubiratan Castro de Araújo é doutor em História, membro da Academia de Letras da Bahia (ALB) e diretor da Fundação Pedro Calmon


Visitante Indesejado (Conto do livro Sete Histórias de Negro- I)

postado por Cleidiana Ramos @ 7:10 PM
13 de agosto de 2010

Conto faz referência a Obaluaê, divindade que tem seus "tabuleiros" levados às ruas de Salvador em agosto. Foto: Haroldo Abrantes| AG. A TARDE| 5.8.2010

Ubiratan Castro de Araújo

As rezas eram uma folia. A novena de São Roque da Tia Do Carmo rivalizava-se com a trezena de SAnto Antônio da Tia Nininha. Cada noite de reza tinha um padrinho que financiava o mingau. Tia Do Carmo era viciosamente prmissiva. Antes mesmo da reza, ela liberava generosos canecos de mungunzá para a garotada. Tia Nininha era, em oposição, opressivamente mandona. No Santantônio dela, quem não berrasse com fé: -Glo-ri-ô-ôso Sant-an-tant-tô-nio, não tinha direito a mingau.

Depois da reza, tias, parentas e vizinhas, se reuniam para o salutar exercício de resenha da vida alheia. Elas cortavam, costuravam e bordavam desventuras, fraquezas e malfeitos de amigos e de inimigos. Só os presentes escapavam, esquanto aí estivessem. Para não serem entendidas, ou mesmo por pudor e superstição, usavam palavras e expressões estranhas ao nosso vocabulário. Ao invés de “botar chifre no marido”, elas falavam “serrar as canelas”. Por isso, todas as vezes que eu entrava na casa do vizinho, ficava olhando para as canelas dele, intrigado com a falta de cicatrizes. Dos frescos, dizia-se que eram “falsos ao corpo”. Os órgãos sexuais tinham nomes diferentes. O feminino era conhecido como “a perseguida” e o aparelho masculino completo era denominado de “berloques de São Brás”.

Quando uma sobrinha grávida entrava na roda, todas riam muito e exclamavam:

– Menina, comeu feijão azedo!

A assembléia do DIVA ( Departamento de Investigação da Vida Alheia) ficava triste, quando o assunto era a visita de Bernardo à caasa de um parente ou conhecido.

– Bernardo está na casa de fulano há três dias.

Todas tremiam.

Bernardo era o substitutitvo da palavra que não se podia pronunciar: fome. Este era o grande terror de todas as famílias. Ela era epidêmica, como na crise de 1929. Ela era sazonal, no tempo do paradeiro, meses em que não se exportava cacau em Salvador. Ela era terrível em momentos de doença e morte nas famílias.

Bernardo também andava mancomunado com os maus procedimentos. Maridos cachaceiros, que se desempregavam para cair na gandaia, deixavam a família aos cuidados do Bernardo. Homens mulheristas, espécies de mulherengos militantes, gastavam o dinheiro com as raparigas e não levavam pra casa senão seus próprios “berloques”. Nestes casos, algumas não se continham e saía o palavrão:

– Pica pura dá gastura!

Alguns casos mereciam atenção especial. As frequentes viitas de Bernardo à casa do Tio Bené eram o motivo de debates apaixonados. Esta era a principal bandeira de luta do temido PCC, o Partido Contra Cunhadas. A culpada de tudo era Vilma, coitada. Era uma mulher muito educada, muito atenciosa com todos,  mas chegada a dindinha, ou seja, preguiçosa. Ela, a cunhada, tinha transformado o valoroso ex-sargento do Corpo de Bombeiros. Ela o obrigou a dar baixa da Bomba, porque chorava o tempo inteiro, com medo que o seu amado se acidentasse em algum incêndio. Tudo fingimento, diziam as militantes do PCC. O que as cunhadas não podiam esconder era o grande carinho que um demonstrava pelo outro. Eles formavam um belo casal. Ambos de boa altura, de pele bem escura e lustrosa, cabelo preto, bem liso como o dos cabolcos, eram da qualidade que o povo chama de Cabo Verde. Mas nem isso escapava da língua das cunhadas.

–De que adianta tanto amor sem responsabilidade?

-Fizeram 10 filhos que não podem criar.

–E, mais a mais, Bené não se compreende que é preto–dizia a feroz tia Nininha. Pensa que está em Roliúde pra viver de romance….

Depois de trabalhar com a sogra, em uma barraca de comida, no Mercado Modelo, tio Bené voltou a viver do seu ofício de carpinteiro, trabalhando em domicílio. Levantava cumieiras, consertava móveis, repregava assoalhos e escadas. Sua fraqueza era a clientela. Trabalhava para um público pobre e de renda instável. Recebia muitos calotes e os fregueses demoravam de pagar. Esta incerteza o tornava um cliente indesejado para os agiotas. A única salvação eram as irmãs.

De vez em quando aparecia uma prima, meio excitada e muito envergonhada, chamava minha mãe no canto, e murmurava:

– Tia, Bernardo está lá, há dois dias.

Essa notícias colocava a família em xeque. Como descobrir sobra em um orçamento tão regrado e todo comprometido? A solução mais frequente era a gavetinha da máquina Singer. Parecia mesmo que a única utilidade das costurinhas que minha mãe fazia era socorrer os irmãos.

Aquelas visitas dóiam muito. Havia um sentimento de revolta e solidariedade com os queridos primos, que não podia se manifestar por meio de nenhum gesto ou atitude pública. Afinal, os vizinhos não deviam perceber nada. Aquilo era um segredo de família. Ficava também, um sentimento de culpa. Porque eu era tão gordo e os meus primos recebiam tantas visitas de Bernardo?

Ubiratan Castro de Araújo é doutor em História, membro da Academia de Letras da Bahia (ALB) e diretor da Fundação Pedro Calmon


Parabéns ao professor Bira

postado por Cleidiana Ramos @ 10:27 AM
20 de abril de 2010

O professor Bira está sendo homenageado hoje em Brasília. Foto:Eduardo Martins | Ag. A TARDE 17.11.2004

O retorno do Mundo Afro já traz uma ótima notícia:  o doutor em História e atual diretor geral da Fundação Pedro Calmon, Ubiratan Castro de Araújo está recebendo em Brasília a comenda da Ordem do Rio Branco. A condecoração é concedida pelo Conselho da Ordem do Rio Branco, órgão do Ministério das Relações Exteriores. A entrega será feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O objetivo da condecoração é homenagear pessoas que realizaram ações importantes em prol da sociedade brasileira. O professor Ubiratan Castro dispensa muitas apresentações. Além do seu saber imenso ele é uma grande figura e merece todas as homenagens possíveis.


Celebração para Iroko

postado por Cleidiana Ramos @ 3:29 PM
1 de setembro de 2009

Como já virou tradição, tem reverência para o Iroko que vive no Departamento de Polícia Técnica (DPT). A celebração acontece sob o comando da ebomi Cidália Soledade, que é consagrada a esta divindade.  Amanhã, às 9 horas vai acontecer a palestra A Natureza Sagrada e as Migrações Verdes- África/Brasil que será feita pelo doutor em História, professor e presidente da Fundação Pedro Calmon, Ubiratan Castro de Araújo.

A palestra será no auditório Maria Theresa de Medeiros Pacheco, localizado na sede do DPT, situado no início da Avenida Centenário, trecho mais próximo do Dique do Tororó, na saída do Vale dos Barris.

Acima tem um vídeo da “enciclopédia do Candomblé”, como o professor Jaime Sodré chama a ebomi Cidália, falando com o carinho e a emoção que lhe é característica ao abordar o candomblé e, especialmente,  o seu orixá.  O vídeo foi feito por Lindiwe Aguiar.         


Hoje tem lançamento do livro de Bira

postado por Cleidiana Ramos @ 9:44 AM
24 de agosto de 2009
Lançamento de Histórias de Negro é hoje, na ALB . Foto: Marco Aurélio Martins | AG. A TARDE

Lançamento de Histórias de Negro é hoje, na ALB . Foto: Marco Aurélio Martins | AG. A TARDE

Desculpem pelo atraso em dar a notícia, mas  tive uma semana, aqui no jornal,  super corrida, especialmente a sexta-feira. Mas, hoje, a partir das 18 horas, na Academia de Letras da Bahia (ALB),em Nazaré, ali pertinho da sede do Ministério Público, acontece o lançamento de Histórias de Negro, o novo livro do professor Ubiratan Castro de Araújo.

O livro está fantástico,com uma narrativa leve e cheia de humor, marcas registradas do professor. Já falei aqui no Mundo Afro sobre o conteúdo do livro. Confiram aqui.