Ministro do Senegal recebe título de cidadão de Salvador

postado por Cleidiana Ramos @ 2:25 PM
11 de agosto de 2009
Amadou Lamine Faye vai se tornar cidadão de Salvador.  Fernando Amorim|AG. A TARDE

Amadou Lamine Faye vai se tornar cidadão de Salvador. Fernando Amorim|AG. A TARDE

Amanhã, o ministro da Diáspora do Senegal, Amadou Lamine Faye, vai receber o título de cidadão de Salvador. O ministro de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Edson Santos, participa da solenidade a partir das 19 horas na Câmara Municipal em um dia especial: a data em que aconteceu a Revolta dos Búzios, movimento também conhecido como Conjuração Baiana e Revolta dos Alfaiates. 

A Revolta dos Búzios, ocorrida em 1798 em Salvador, defendeu bandeiras como o fim da escravidão e a instalação da República. Os líderes Manoel Faustino dos Santos, João de Deus do Nascimento, Luiz Gonzaga das Virgens e Lucas Dantas, todos negros, estão entre os principais ativistas do movimento.

Autora do projeto para concessão do título, a vereadora Olívia Santana (PCdoB), destaca a importância dos laços entre  Senegal e Brasil.

“Levas de senegaleses foram trazidos para o Brasil, principalmente para Salvador. A nossa intenção é fazer esse  irmanamento entre a capital baiana e a Ilha de Goré, no Senegal,  e assim garantir que políticas de relações comerciais, culturais e educacionais possam acontecer entre as duas cidades, com impactos positivos para ambas”, disse.

O novo cidadão soteropolitano, Lamine Faye, é jornalista e escritor. Como ministro ele atua na assessoria para elaboração de políticas do governo senegalês para uma melhor integração com países da diáspora, caso do Brasil.  

Além das suas atividades políticas, Faye lançou a revista bilingue- que circula também em Salvador- Destin de L´Afrique (Destino da África)-, que tratou do Carnaval e de outra manifestações de matriz africana na Bahia. Ele também realizou um documentário sobre a capital da Bahia e o Colóquio da Unegro, realizado aqui no ano passado em comemoração aos seus 20 anos.


III Fesman é adiado

postado por Cleidiana Ramos @ 11:29 AM
4 de agosto de 2009
Presidente do Senegal, Abdoulaye Wade, veio a Salvador em companhia de Lula lançar o III Fesman em maio. Foto: AFP PHOTO|Evaristo Sa

Presidente do Senegal, Abdoulaye Wade, veio a Salvador em companhia de Lula lançar o III Fesman em maio. Foto: AFP PHOTO|Evaristo Sa

O III Festival Mundial de Artes Negras (III Fesman) foi realmente adiado. Esta possibilidade  já havia sido noticiada aqui. A informação está no site da Fundação Palmares.  

A notícia foi confirmada pelo presidente do Senegal, Abdoulaye Wade, durante o último Conselho dos Ministros do Senegal. O período inicialmente previsto era de 1º a 14 de dezembro deste ano. As novas datas ainda não foram anunciadas.


Fesman pode ser adiado

postado por Cleidiana Ramos @ 3:58 PM
23 de julho de 2009

 

A festa de lançamento do Fesman em Salvador contou com a participação de  Lula e do presidente do Senegal, Abdoulaye Wade. Foto: Luciano da Matta| AG. A TARDE

A festa de lançamento do Fesman em Salvador contou com a participação de Lula e do presidente do Senegal, Abdoulaye Wade. Foto: Luciano da Matta| AG. A TARDE

Há indícios de que o III Festival Mundial de Artes Negras (III Fesman) pode não acontecer em dezembro deste ano como foi anunciado, inclusive com lançamento do evento em Salvador no mês de maio.

O problema para a realização do Fesman ainda este ano  é o atraso nas obras de infraestrutura. O teatro que vai abrigar o evento, por exemplo, não está concluído.  Não há confirmação oficial nem do Senegal, país sede, nem do governo brasileiro. O Brasil é convidado de honra. 

A imprensa senegalesa já vem publicando declarações de Abdoulaye  Wade, presidente do Senegal,  sobre a possbilidade de adiamento. Oitenta países devem participar do Fesman. 

 


Mobilização pelo Fesman na França

postado por Cleidiana Ramos @ 12:02 PM
27 de junho de 2009
Salvador sediou lançamento do II Fesman. Brasil é convidado de honra. Foto: Luciano da Matta| AG. A TARDE

Salvador sediou lançamento do II Fesman. Brasil é convidado de honra. Foto: Luciano da Matta| AG. A TARDE

Recebi, via a Agência Afro Latina e Euro Americana de Informação (Alai), a notícia de que negros radicados ou nascidos na França prometem fazer um protesto na próxima terça-feira em Paris.

Eles estão denunciando as dificuldades encontradas, por falta de apoio governamental, para formar o o comitê de representação da França no III Festival de Música e Arte Negra (III Fesman) que vai acontecer em Dacar, no Senegal em dezembro.  Vale lembrar que o Senegal passou um longo período sob colonização francesa. Confiram abaixo o texto do  manifesto que vai ser distribuído:

Uma flagrante falta de consideração. Pacificamente, vamos nos mobilizar!!!

O Festival Mundial de Artes Negras acontecerá em Dakar de 1° a 14 de dezembro de 2009. Este evento é mais que um festival que vai além de todas as disciplinas que contemplam: literatura, moda, pintura, fotografia, música, dança, artes tradicionais, teatro, cinema, ciências e pesquisas, tecnologia.

Ele é, sobretudo, uma oportunidade rara para nós africanos mostrarmos nossa capacidade de união, de impormos respeito e nos fazer escutar. Todos nós queremos o Renascimento Africano. Esse é o tema do Fesman 2009.

O Fesman convidou 80 países para enviar uma delegação de artistas, dentre os quais a França. Mas, até agora, nenhuma delegação tem sido organizada na França e isto é inadmissível. Todos sabemos que a França tem uma das populações mais importantes da comunidade da diáspora africana da Europa.

Por exemplo, o Brasil (país convidado de honra), já tem uma delegação de 600 pessoas e nós, artistas e intelectuais negros da França, sequer fomos comunicados pelo governo da França, do convite recebido.

Consideramos que todos esses artistas de origem africana morando na França merecem muito mais respeito.

O governo senegalês está se encarregando de levar 30 artistas. A única coisa que se pede ao Ministério da Cultura é escolher os representantes da França para o Fesman.  Nossa voz precisa ser escutada e respeitada. Nossa cultura é rica demais, antiga demais, profunda demais para ser tratada dessa maneira.

O Ministério da Cultura tem a atribuição de representar todas as culturas. Nossos livros estão nas bibliotecas, nossas obras de arte nos museus, mas quem são os homens e as mulheres que estão por trás dessa cultura?


Celebração do Fesman

postado por Cleidiana Ramos @ 11:40 AM
27 de maio de 2009

Quem não participou da festa de lançamento em Salvador do III Festival Mundial de Artes Negras (Fesman), na noite da  última segunda-feira no Teatro Castro Alves (TCA) pode conferir aqui um vídeo gravado pela reportagem da Web TV A TARDE.  

Tem, inclusive, parte do show que reuniu vários artistas do Senegal e da Bahia e foi uma espécie de aperitivo do que vai acontecer em dezembro na cidade de Dacar, Senegal.   


Brasil afinado com a África Negra

postado por Cleidiana Ramos @ 3:35 PM
26 de maio de 2009
Lula e Wade exibem poster com a foto dos dois na Porta do Nunca Mais na Ilha de Goré feita em 2005. Foto: Luciano da Matta| AG. A TARDE

Lula e Wade exibem poster com a foto dos dois na Porta do Nunca Mais na Ilha de Goré feita em 2005. Foto: Luciano da Matta| AG. A TARDE

Num discurso bem humorado- o do presidente Abdoulaye Wade do Senegal foi formal- Lula deu uma tarefa ao ministro da Cultura Juca Ferreira, que é o responsável pela organização da participação brasileira no III Fesman: quer o envolvimento de todos os setores do movimento negro organizado.

O motivo? A resposta está num trecho  do discurso feito pelo presidente brasileiro: “Temos que ir além da demonstração das manifestações artísticas “.

O discurso do presidente senegalês completa o raciocínio de Lula: “No Fesman vamos fazer uma reafirmação da África do ponto de vista da política, cultura e como potência econômica”.

Ficou também patente no evento a  boa aceitação que o governo Lula tem em países da África negra. Embora a aproximação com o continente não seja uma ação nova do governo brasileiro, a política de relações exteriores de Lula tem feito ações bem mais específicas em relação à África, principalmente na área de educação, caso da ajuda técnica para a implantação da universidade pública de Cabo Verde ou acordos em relação a petróleo com Angola.

A boa imagem que o Brasil- inclusive vai participar do Fesman como país homenageado- tem conquistado sobra no discurso dos líderes africanos. No evento de ontem no TCA, por exemplo, o próprio Wade cobriu o colega brasileiro de elogios e disse que Lula é “um dos maiores políticos dos tempos modernos”.

Claro que do ponto de vista de governo as ações são ainda poucas diante do que poderiam ser, mas é um começo.           


Aquecendo para o III Fesman

postado por Cleidiana Ramos @ 3:06 PM
26 de maio de 2009
Show de música e dança marcou lançamento do III Fesman em Salvador. Foto: Luciano da Matta| AG. A TARDE

Show de música e dança marcou lançamento do III Fesman em Salvador. Foto: Luciano da Matta| AG. A TARDE

Um espetáculo maravilhoso marcou o lançamento do III Festival Mundial de Artes Negras (Fesman), em Salvador. O festival vai acontecer em dezembro na cidade de Dacar, no Senegal.

A festa foi no Teatro Castro Alves (TCA) para convidados. A restrição foi mesmo uma pena. Fiquei imaginando um evento como aquele num local mais amplo, aberto ao público, mas normalmente é assim quando há envolvimento de chefes de Estado e, no caso em questão, havia dois: Lula e o presidente do Senegal, Abdoulaye Wade.

Confesso para vocês que só pude assistir um pouquinho, mas valeu a pena. Explico-me: estava trabalhando no apoio da cobertura da visita de Lula e, portanto, tive que voltar para a redação de A TARDE às pressas, a tempo das informações que estava acompanhando entrarem na edição de hoje. Fazer jornal não é brincadeira, meu povo!

Claro que também o longo discurso do presidente Wade- 35 minutos!- atrasou mais um pouco a cerimônia que já começou naqueles moldes do marca para 20h30 para começar 21 horas.

O resultado é que quando as primeiras atrações subiram ao palco foi por volta das 22h45. Ainda assim consegui ver a belíssima apresentação de músicos senegaleses, uma das perfomances do Balé Folclórico da Bahia e uma canção de Gilberto Gil- um lamento inspirado na história da Ilha de Goré, de onde os africanos partiam rumo à escravidão ( por isso lá tem um monumento chamado Porta do Nunca Mais).

Mas o compromisso com a informação do que mais rolou por lá está aqui de pé por conta da valiosa contribuição de Meire Oliveira, minha colega repórter de A TARDE , que também acompanha estes temas ligados à identidade negra e religiosidade. Meire teve  a sorte de ir  para o TCA como convidada.

Passo então ao relato do que Meire me disse: o show ocorreu mesmo no estilo “confraternização” concebido pelo secretário estadual de Cultura, Márcio Meirelles- neste caso de volta à sua posição de homem de teatro. Foi Meirelles quem também dirigiu o espetáculo em conjunto com o talentoso Zebrinha.

Assim os artistas ficaram sentados juntos num palco montado perto das primeiras fileiras do TCA. O palco principal ficou reservado para os números de dança que contou, além do Balé Folclórico da Bahia, com o Balé do Senegal e também para a apresentação de um grupo percussivo de lá.

No mais show de Lazzo, Margareth Menezes, com Carlinhos Brown, como sempre, roubando a cena. Foi ele quem protagonizou um duelo de percussão com um músico senegalês já no finalzinho da noite.

Meire me disse que o encerramento foi emocionante: Filhos de Gandhy nas escadarias, acompanhados pela percussão do Ilê Aiyê, do Cortejo Afro, dos grupos senegaleses e todo mundo se abraçando, enfim, bem no espírito do que se espera do III Fesman: um reencontro dos povos da África negra com as suas diásporas espalhadas pelo mundo.


Saudações, África

postado por Cleidiana Ramos @ 5:08 PM
25 de maio de 2009
Dia de celebrar tantas heranças, como a cultural. Foto: Fernando Vivas| AG. A TARDE

Dia de celebrar tantas heranças, como a cultural. Foto: Fernando Vivas| AG. A TARDE

Hoje,quando a África é tema de comemorações por ser o seu dia, nós, chamados de afro-brasileiros, somos bem mais descendentes de aficanos como prefere a sábia ebomi Cidália Soledade.

Isso porque ao reafirmamos esta descendência, a  ancestralidade ganha um contorno ainda mais nítido. Se estamos aqui é porque temos algo de gente que nasceu, pisou e fez até onde pôde o que hoje é  Angola, Gana, Moçambique, Nigéria, República do Benim, Senegal, Togo e tantos outros solos que abrigaram os povos que a brutalidade da escravidão arrastou para cá sem considerar nomes ou outros detalhes.

O que sabemos é dessa história de resistência que fez cada um de nós chegar até aqui com esse compromisso de celebrar e eternizar esta bela herança da forma como acharmos ou for possível. Assim, viva a África.