Pai Air celebra cerimônia para Iroko

postado por Cleidiana Ramos @ 2:23 PM
1 de setembro de 2012

Cerimônia será realizada amanhã à 9 horas. Foto: Welton Araújo/ Ag. A TARDE/ 01.09.2008

Amanhã, domingo, dia 2,  às 9 horas, tem a cerimônia em homeangem ao orixá Iroko que é realizada anualmente no Departamento de Polícia Técnica (DPT).

A cerimônia será realizada pelo babalorixá do Pilão de Prata, Air José. Os participantes devem ir de branco.

A reverência a Iroko era presidida pela ebomi Cidália Soledade, falecida em março deste ano. Ebomi Cidália era filha de Iroko a quem foi consagrada por Mãe Menininha do Gantois.


Cinquenta anos do Pilão de Prata

postado por Cleidiana Ramos @ 2:22 PM
8 de fevereiro de 2011

Articulista faz registro da história do Pilão de Prata. Foto: Fernando Vivas | Ag. A TARDE

Jaime Sodré

Sentimento de orgulho leva-nos a registrar a trajetória de famílis negras que descendem de núcleos familiares africanos, das mais variadas procedências, todas dignas. À dolorosa situação compulsória na condição de escravos, somava-se a quebra do vínculo comunitário e familiar. Famílias negras, algumas núcleos das religiões de matriz africana, povoaram com dignidade a cidade do Salvador. Entre estas, registramos as famílias Alaketu, Asipá, Alakija. Esta introdução conduz-nos ao nosso assunto: a família Bangbosé, a trajetória do Làjoumim e do Ilê Odô Ogê, que remonta às origens do candomblé no Brasil.

Personalidades como iyá Detá, iyá Kalá e Iyá Nassô implantaram a liderança feminina na formação do culto de base africana em Salvador, associadas a líderes masculinos como babá Asipá, Bangbosé Obitikô (Rodolfo Martins Andrade), que trouxera em sua companhia o seu Òsú em seu Orí, o fundamento do culto a Xangô.

Destacado integrante do reino de Oyó, Bangbosé era o acólito que carregara o oxé, instrumento associado ao poder do orixá Xangô. Conhecedor dos ritos do candomblé, Obitikô era a presença que possuía o embasamento fundamental na consolidação deste culto. Associado aos conhecimentos de iyá Nassô e Marcelina Obatossí entre outras, Bangbosê torna-se um dos patronos do candomblé na nova África-Brasil.

Do Iyá Omin Asé Airá Intilé na Barroquinha, Ilê Asé Nassô Oká, a Casa Branca, nasce o Terreiro Làjoumim, em 1941, cuja direção competente e generosa caberia a Caetana América Sowzer, nobre herdeira da tradição e do axé Bangbosé.

A reverendíssima iyá Caetana, Mãe dos Olhos D´Água, filha de Felisberto Américo Sowzer, Oguntosi, instrutor da sua disciplina religiosa, esta, transmitida por seu bisavô, Làjoumim assumira a continuidade da tradição Bangbosé, tendo como antecessores Maria Andrade Sangôbiyí, a filha dileta de Obitikô, e Felisberto Benzinho, respeitado babalaô. É no terreiro de Felisberto Benzinho, no Luiz Anselmo, que cresce a promissora Làjoumim, a Mãe dos Olhos D´Água, mãe Caetana, com sensibilidade e clarividência nata para elucidação dos enigmas religiosos, por isso muito respeitada. Elegante, em uma nobreza legítima, gosto requintado, refletido em suas roupas, verdadeira “alta costura” do candomblé, e nos objetos que refletem a nobreza típica do seu orixá.

A fertilidade do Terreiro Làjoumim procriou o Ilê Odô Ogê, o Pilão de Prata, tendo na sua lidernça, o gentilíssimo e competente babalorixá Air José de Souza, de Oxaguian, filho de Tertuliana Souza de Jesus, Tibúsè. Sobrinho querido de mãe Caetana, responsável por sua iniciação, pai Air é um legítimo seguidor da família Bangbosê, nos seus ritos e tradição.

Pai Amilton Costa cedeu-lhe o terreno, no qual Pai Air segue a sua missão instalando o Pilão de Prata. Com os estímulos dos irmãos da Casa Branca e o incentivo de mãe Caetana, a direção do Làjoumim ficaria a cargo da sua sobrinha, iyalaxé Haydée, filha dileta de Xangô.

Embora separados pelo espaço geográfico, o Pilão de Prata, situado no Alto do Caxundé, na Boca do Rio, e o Làjoumim, localizado na Rua Xisto Bahia, na Vasco da Gama, formam uma grande família, digna da sua tradição. Pai Air empregou os seus esforços na instalação do Memorial Làjoumim, uma justa homenagem a mãe Caetana no seu primeiro axexê. Localizado no Pilão de Prata, o memorial é composto de objetos refinados, elementos associados ao bom gosto de Mãe Caetana.

Para apoio às virtudes intelectuais dos fiéis do candomblé e da comunidade, pai Air construiu a Biblioteca Làjoumim, inaugurada em 2000, na cerimônia dos sete anos de falecimento de mãe Caetana. Coube também a ele a criação da Sociedade de Presevação do Asé Bangbosé, encarregada da administração do patrimônio material, cultural e religioso do Làjoumim e Pilão de Prata. Reformas no entorno do terreiro culminam com a instalação de um monumento a mãe Caetana. São cinquenta anos de resistência do legado religioso africano. O Ilê Odô Ogê é referência e orgulho do povo da Bahia e do axé.

Jaime Sodré é professor universitário, doutorando em HIstória Social e religioso do Candomblé


Pilão de Prata festeja seu cinquentenário

postado por Cleidiana Ramos @ 1:26 PM
26 de janeiro de 2011

Pai Air comanda o Pilão de Prata que está comemorando 50 anos. Foto: Fernando Vivas| Ag. A TARDE

Amanhã, o Ilê Odo Ojê, mais conhecido como Terreiro Pilão de Prata, situado no Alto do Caxndê, Boca do Rio, inicia um seminário comemorativo aos seus 50 anos.

A bela e signficativa Casa comandado pelo nobre babalorixá Air José, guardião da tradiçaõ da família Bamboxê Obitikô, tem uma extensa programação formada por palestras, rodas de conversa, lançamento de livros e homenagens.

Confiram abaixo a programação:

Amanhã, quinta-feira

19:00 – Abertura Oficial do Evento pelo Presidente da Sociedade de Preservação do Axé Bangbose
19:30 – Inauguração da Placa Comemorativa aos 50 anos.
20:00 – Lançamento de livro
21:00 – Apresentação Cultural do Cortejo Afro

Sexta-feira

13:30 – Inscrições
14:00  – Roda de Conversa
Moderadora: Professora-Doutora Vanda Machado
15:00 – Intervalo
15:30  – Mesa Redonda: Poder, liderança e prestigio: a participação da familia Bangbose na organização das Religiões de Matriz Africana no Brasil.
Professora-Doutora Lisa Earl (Universidade Federal da Bahia)
Professor-Doutor Julio Braga ( Universidade Estadual de Feira de Santana)
Babalorixá Manoel do Nascimento Costa (Sítio do Pai Adão)
Coordenador: Professor-Doutor Vilson Caetano (Universidade Federal da Bahia)
17:30 – Exibição de Documentário sobre o Terreiro

Sábado

9:30 – Mesa Redonda: Os diferentes Brasis que os africanos inventaram: em torno dos modelos afro-brasileiros construídos no século XIX
Professor-Doutor Ubiratan Castro ( Universidade Federal da Bahia)
Professor Jaime Sodré (  Universidade do Estado da Bahia)
Professora-Doutora Yeda Pessoa de Castro (Universidade do Estado da Bahia)
Coordenador:  Professor-Doutor Hélio Santos
11:00 – Intervalo
11:30 -  II Roda de Conversa
Moderadora:  Ekede Sinha ( Engenho Velho)
14:30 -  Homenagem dos Alabês ao Cinquentenário do Ilê Odo Ojê
16:00 -  Entrega dos Troféus  “Minha Vida é Orixá”
17:00 – Homenagem aos 50 anos e Encerramento


Balaio de Ideias:O Dia de Oxoguian: para a festa não ter fim…

postado por Cleidiana Ramos @ 1:21 PM
26 de janeiro de 2011

Vilson Caetano relata características de Oxaguiã. Foto: Fernando Amorim | Ag.A TARDE| 22.09.2006

Vilson Caetano

Oguian, ou simplesmente Oxoguian, é um dos orixás mais emblemáticos do candomblé. Sobre ele também recai uma série de segredos rituais guardados pelos terreiros, embora muitas coisas já se tenham escrito. Acredita-se que Oxoguian liga-se à música e, como os orixás Xangô e Oxun, adora festas, razão pela qual ele recebe musicas especiais nas nações ijexá e fon, reinos africanos que emprestaram seus nomes a ritmos.

Anteriormente já mencionamos que Oxun combinou os sons, formou as notas e inventou a música. De acordo com uma de suas histórias, ela teria dançado pela primeira vez na presença do rei e fez todo o mercado lhe acompanhar. Teria sido por este motivo que Iya Caetana, filha de Oxun, a fim de agradar Oxoguian, certa ocasião, enviou clarins para  homenagear o orixá de sua amiga Massi, então Iyalorixá do Engenho Velho, ato que vem se popularizando nos terreiros de candomblé de todo o  Brasil.

Os mitos afro-brasileiros sobre este ancestral nos permitem perceber que Oguian liga-se a comida. A sua festa é o ponto culminante do  chamado Ciclo das Águas, representado pelos inhames novos presenteados pela terra após um período de dificuldades. Oxoguian, assim, é o dono do pão. É ele quem garante o nosso sustento de cada dia representado pelas raízes.

Oxoguian em momentos de crise representa a estabilidade; em ocasiões de guerras, a estratégia; na tristeza é a alegria, no fim é o recomeço.

Oxoguian é o orixá do renascimento. Tudo que forma um ciclo se mantém graças a ele. Este é o motivo pelo qual no dia a ele consagrado se realiza uma pequena procissão. Ele representa a volta para a casa, a estabilidade dos grupos que até então vagavam sem destino.

Oxoguian põe um ponto final no fim e inaugura aquilo que é infinito, pois diante dele tudo é recomeço. Está explicado o porquê, após a sua festa, a liturgia afro-brasileira passa a celebrar os orixás considerados civilizadores como Exu, Ogun, Ode, Ossain e Obaluaiyê.

Oxoguian realiza a passagem entre os chamados ancestrais fundadores da humanidade e aqueles que se ligam à fixação dos primeiros reinos. Este fato é ilustrado na história que diz que Oxoguian saiu pelo mundo a fim de expandir a sua cidade e ao retornar transformou Ejigbô numa grande cidade.

Desta maneira, Oguian liga-se a vários ancestrais. De acordo com suas histórias, ele teria passado em Irê, a terra de Ogun e graças à sua inteligência idealizou armas forjadas pelo ferreiro dos orixás. A amizade entre o povo de Ejigbô foi tanta que Ogum, certa ocasião, se ofereceu para ir à frente de uma batalha lutar pelo povo de Oguian que na volta foi aclamado senhor.

Diz-se também que o orixá que adora inhames é amigo inseparável de Oyá, com quem anda sem pisar no chão, levado pelo vento que lhe conduz a todos os lugares.

Com o orixá Xangô, coluna central do culto reorganizado no Brasil pelos iorubas e seus descendentes, Oguian se relaciona como outrora os reinos de Ejigbô e Ifon estavam ligados à Oyó, fato relembrado pelo pilão, instrumento de vital importância para a fixação dos grupos na terra.

O pilão como o ferro ilustra uma nova etapa da história da humanidade. A partir dele, pode-se falar em comidas mais elaboradas, preparar  a farinha e conservar melhor os  alimentos. Se o pilão é o centro do mercado, a mão de pilão é o instrumento que repete o movimento que liga o céu à terra, garantindo a nossa permanência através da comida, do pão dado em forma de presente por Oxoguian.

Oxun é verdadeiramente o coração de Oguian. Ela dança também para ele. É Oxun quem vai a frente das mulheres da terra de Ijexá que inventaram um tipo de tambor apenas tocado por elas. Instrumento na sua origem feminino como as cabaças, cujo som remete ao mesmo produzido na vida uterina.

Oxun teria ensinado estes sons para a humanidade, escutando a sua própria barriga. Oxoguian como já falamos, relaciona-se também com os orixás caçadores e caçadoras. Daí a sua relação com Oxossi, considerado líder e cabeça da grande caçada.

Mantém relações também com Ewá, ilustrada  através de uma das passagens míticas mais emblemáticas. Ewá, aquela que tem o poder de transformar-se em qualquer coisa, lhe teria salvo da morte, garantindo assim a continuidade do ciclo da vida.

O orixá que carrega todas as armas, ora caçador, ora rei, ora a guerra, mantém relações também com Iyá ori, conhecida como   Iyemanjá, pois ela é responsável pelo equilíbrio. Iyemanjá é o principio ancestral do significado. Em outras palavras, o mundo só é inteligível, graças àquela que mantém as nossas cabeças.

Por fim, Oguian relaciona-se a Oxalá e todos os ancestrais que representam o começo da humanidade. Talvez tenha sido por isso que os africanos quando reorganizaram o seu culto no Brasil, lhe aproximaram tanto destes, a ponto de em alguns momentos ser confundido com eles.

Oxoguian anda através de passos mais rápidos, determinados. A guerra,a prontidão, o alerta nunca lhe precedem, pois ele é a própria luta, relembrada num de seus títulos de pronúncia mais evitada:  “Baba lorogun”, literalmente “pai da guerra”.

No último domingo, o Terreiro Pilão de Prata celebra a sua principal festa. A casa fundada a meio século cobre-se de azul e branco para homenagear Oxoguian, ancestral a quem o Babalorixá Air José foi consagrado por Tia Massi e sua tia consangüínea Caetana Bangbose.

Este ano, os clarins introduzidos por Mãe Caetana na Casa Branca, soaram mais fortes, pois a casa chamada Ilê Odô Ogê,  completa cinqüenta anos. Segundo o Pai Air, são cinquenta anos de dedicação aos orixás. Cinqüenta anos de gratidão a Oxun. Cinqüenta anos de compromisso com o axé Bangbose.

São cinquenta anos que convidam a comunidade a refletir não sobre os anos que passaram, mas sobre a sua trajetória de vida. Assim, a celebração é de toda casa. Afinal, durante este meio século de história, o maior patrimônio constituído foram as pessoas que em torno do Pilão se reúnem para reafirmar o compromisso de nunca interromper esta festa, garantindo assim a eterna alegria de Oxoguian, verdadeiramente orixá do sorriso.

Vilson Caetano é pós-doutor em antropologia e professor da Ufba


Balaio de Ideias: Odun Adorin de Pai Air de Oxaguiã

postado por Cleidiana Ramos @ 8:22 PM
24 de setembro de 2010

Artigo celebra os 70 anos de Pai Air. Foto: Fernando Vivas |Ag. A TARDE| 09.12.2004.

Vilson Caetano

No último dia 20 de setembro completou 70 anos de vida o Babalorixá Air José Sousa de Jesus,  que recebeu de sua Iyalorixá e tia consangüínea, Caetana Souwzer, o nome carinhoso de Aizinho. Pai Air como é conhecido pelas pessoas é filho de Tertuliana Sousa de Jesus e neto de Felisberto Sowzer,  último Babalawo que a cidade de Salvador teve notícias. Benzinho como era conhecido era homem letrado, falava fluentemente inglês e nas suas viagens feitas, sobretudo ao Rio de Janeiro iniciou várias pessoas. Todavia, a sua maior contribuição para as religiões de matriz africana no Brasil foi a sistematização do método advinhatório chamado Bara ou Merindilogum.

Como filho de Ogun, Benzinho reuniu  dezesseis caminhos chamados Odus com suas respectivas histórias e preparou cadernos posteriormente divulgados ora desconhecendo ou ignorando a sua participação nos mesmos. Felizberto Souwzer era filho de Julia Martins Andrade, tia Júlia, filha consangüínea de Rodolpho Martins Andrade, Bangboxe Obiticô, o jovem trazido por uma das sacerdotisas que estava à frente do Candomblé do Engenho Velho para ajudar a sistematização do culto a Xangô.

Tio Bangboxe participou da iniciação de Eugênia Anna dos Santos, Mãe Aninha, que em 1910 criou o Ilê Axe Opô Afonjá, hoje centenário. Acredita-se também que o Tio Bangboxe também esteve presente na ocasião da estruturação do  Sítio do Pai Adão em Pernambuco. Pai Air é assim, herdeiro da tradição de sua família, da extensa família de Xangô entrada no Brasil com os primeiros yorubás chegados entre final do século XVIII e meados do século XIX vindos do reino de Oyó recém destruído pelos povos vizinhos.

Pai Air desde cedo sentiu essa responsabilidade. Iniciado ainda quando criança por três mulheres de Oxun, fato que lembra com orgulho, começou desde cedo acompanhar a sua tia e Iyalorixá, Mãe Caetana.  Em 1961 no alto do Caxundé, atual bairro da Boca do Rio, sobre uma duna, quando na região havia apenas poucas casas de taipa cobertas com folhas de coqueiro ou de zinco,Pai Air  com apenas 21 anos de idade concretizou um sonho que completará no próximo ano, cinqüenta anos:  o Ilê Odô Ogê. Uma casa dedicada a Oxoguian, ancestral a quem foi consagrado, a Oxun e a Xangô.

De patrimônio arquitetônico, artístico, histórico  e imaterial inquestionável, o Terreiro Pilão de Prata, como é conhecido,  foi tombado pelo Instituto de Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC) no ano de 2004. Além de um acervo bibliográfico sobre as religiões de matriz africana, a casa com recursos próprios mantém um Memorial e instalações prontas para serem implantadas oficinas voltadas à comunidade.

Foi o primeiro terreiro a instalar o bosque sagrado, um espaço onde se cultiva algumas plantas rituais que estão em estágio de desaparecimento. Considerado sempre a frente de seu tempo Pai Air é sempre reportado pelo seu bom gosto, requinte, estilo, amor e carinho com que trata os Orixás que sempre quando se refere, faz questão de lembrar: “os Orixás são a minha vida.”

Pai Air é um homem extremamente metódico, acompanhá-lo exige disciplina. É também um homem de poucas palavras, de passos firmes, mas silenciosos, razão pela qual está sempre surpreendendo, até quando se coloca alguém para vigiá-lo. Esse é um dos principais motivos porque, dificilmente, seus filhos conseguem organizar festas surpresas.

Pai Air, não obstante o seu significado para as religiões de matriz africana no Brasil, é muito simples. Várias vezes o ouvi afirmar: “se a pessoa chega até aqui ela não pode sair sem ouvir uma palavra”. Quanto a outras tradições religiosas, Pai Air sempre lembra: “não conheço candomblé, o que sei é aquilo que Mãe Caetana me ensinou”. Com os ensinamentos de sua Mãe de quem nunca se separou, Pai Air segue dizendo: “Orixá para mim é a água que eu bebo, o ar que eu respiro e os olhos que eu enxergo. Oxun para mim é tudo. Ela é a minha maior riqueza”.

Este ano, as comemorações do seu aniversário foram também modestas. Pai Air recebeu  telefonemas e agradeceu aos orixás pela extensa família de santo e amigos que conseguiu acumular durante estes anos, anos de todos os dias dedicados aos Orixás. Isso porque ele sabe que a cada ano que se dobra, a responsabilidade aumenta, agora ele cuida do mundo como Oxoguian e Oxun que toma conta de nós como a galinha protege os pintinhos debaixo de suas asas.

E para que melhor presente do que ter o mundo todo desejando que Iyemanjá transforme os anos que virão em algo  incontável como as areias da praia? Acredito que esse é o desejo de todos e todas que compõem  as extensas famílias do terreiro do Luis Anselmo fundado por Tia Júlia atualmente sobre a liderança de Tia Irenea Sowzer;  do candomblé do Engenho Velho; da casa de Mãe Caetana, chamada Lajuomim e do terreiro Pilão de Prata, casa fundada sobre a proteção do Orixá que desde os primórdios tomou para si a responsabilidade de cuidar do mundo.

Vilson Caetano é doutor em antropologia