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Balaio de Ideias: Vem aí o dia da mentira. Aproveitem!

postado por Cleidiana Ramos @ 1:37 PM
30 de março de 2011

 

Ilustração: Bruno Aziz

Maria Stella de Azevedo Santos

No artigo passado falei sobre a guerra, o que me fez lembrar do seguinte pensamento: “Em tempos de guerra, a verdade é tão importante que precisa ser guarnecida por uma escolta de mentiras”. Infelizmente, não sei dizer quem foi o pensador desta pérola, mas creio que uma pessoa que é capaz de falar tamanha sabedoria, nunca se incomodaria que fizéssemos uso dela. Pensar é como puxar o fio de uma meada, um pensamento leva a outro, e foi assim que me lembrei do popular dia da mentira– Primeiro de Abril.

As “pegadinhas” do dia Primeiro de Abril são engraçadas, mas existem mentiras desastrosas, que são ditas com a “impura” intenção de chocar, de denegrir a imagem do outro, de conflituar um grupo ou, simplesmente, de se autovalorizar. É preciso ter muito cuidado com o hábito de mentir, pois pode revelar um distúrbio psiquíco, chamado mitomania, para o qual se faz necessária muita comprensão por parte daquele que convive com quem possui este vício. Mentiras há, no entanto, que são inevitáveis, podemos até chamá-las de caridosas, por exemplo: uma pessoa que está com uma doença grave e nos pergunta se está muito decaída, é natural dizermos que não, com a intenção de amenizar o sofrimento dela.

Se existe um dia consgrado à mentira, algum valor ela tem. Não há registro histórico garantido sobre como e porquê surgiu este dia. Dizem ser uma homenagem ao “bobo da corte”, uma personagem designada para distrair o rei e sua corte. Entretanto, o bobo da corte não mente, ao contrário, ele diz verdades em forma de piadas, que no Candomblé chamamos de sotaque. Toda corte, toda comunidade possui um bobo. Afinal, as verdades ditas por ele servem para que a autoridade máxima possa ser criticada e assim não se perca, por vaidade e orgulho, na utilização do poder que lhe foi conferido.

Não podemos e não devemos falar tanto em mentira sem homenagear sua “irmã gêmea”, a verdade. Todavia, de que verdade devemos falar? Se são tantas! Exu, orixá que faz questão de nos mostrar, através de gracejos picantes, aquilo que na maioria das vezes não queremos ver, fez dois amigos compreenderem que a verdade, além de outros motivos, depende do ângulo pelo qual ela seja vista.

Conta um conhecido mito que dois grandes amigos se vangloriavam de que ninguém seria capaz de separá-los. Exu, conhecedor das fragilidades das amizades, resolveu mostrar-lhes esta verdade universal. Usando seu famoso gorro, que tem um lado vermelho e outro preto, começou a pasar por entre os dois, a todo minuto,sem nem mesmo pedir licença. Incomodado com tal atitude, um dos amigos disse: – “Que homem mal educado, este de gorro vermelho”. O outro amigo retrucou: –”Mal educado, sim, mas o gorro dele é preto”.

Foi o suficiente para a discussão começar. Um insistia que era vermelho e o outro teimava que era preto. A amizade acabou ali. E Exu saiu satisfeito, não por ter simplesmente criado uma intriga, mas porque através daquela intriga (que Ele sabia que o tempo de encarregaria de desfazer),Ele encontrou um meio de mostrar que muitos problemas são criados porque alguns homens ainda não entenderam que uma das cracterísticas da verdade é a de depender do ângulo pelo qual ela é vista.

Mesmo sendo muitas as verdades, podemos dizer, de maneira redudante, que a verdadeira verdade é aquela que cada um crê. Religiosamente falando, a verdadeira crença é, então, aquela em que cada um acredita. Pois, assim como a verdade pode ser vista por diferentes ângulos, diferentes pontos de vista, são diversas as crenças religiosas, as quais divergem geralmente nos ritos, símbolos…mas nunca na essência.

No Candomblé (pelo menos o que eu professo), a verdade é sempre estimulada e até mesmo exigida, mas nem por isso deixamos de “curtir” as mentiras saudáveis, usadas para nos fazer rir, até mesmo porque a alegria, consequentemente o riso, é uma das melhores formas de vivenciar o sagrado. Sendo assim, vamos brincar muito e fazer nosso País se encher de risos no dia Primeiro de Abril. Este é o meu desejo, já que sou Odé Kayode- Caçador que traz alegria.

Maria Stella de Azevedo SAntos é Iyalorixá do Ilê Axé Opô Afonjá
            


Balaio de Ideias: A Guerra Nossa de Cada Dia

postado por Cleidiana Ramos @ 4:08 PM
23 de março de 2011

Mãe Stella faz reflexões sobre a guerra. Foto: Diego Mascarenhas | Ag. A TARDE 09.07.2010

Maria Stella de Azevedo Santos

Quem conseguiu driblar a morte e viveu para poder assistir a virada do século, não deixa de se assustar com as constantes ameaças de guerra. Muitos destes sobreviventes sentiram, de forma mais leve ou mais intensa, as conseqüências da primeira e da segunda guerra mundial, sem falar da guerra fria entre as duas maiores potências do século vinte, que deixava nossos corações realmente congelados de medo, a perguntar: será que o mundo se acabará com uma explosão atômica? Não, o mundo não acabou!

O homem continua a assistir não apenas ameaças de conflitos armados, mas também guerras realmente concretizadas. Uma análise mais profunda, no entanto, demonstra que o instinto guerreiro faz parte da natureza de todo ser vivo: no reino vegetal, presenciamos quando uma planta ataca a outra para sugar sua seiva; no reino animal, os animais lutam para demarcar seus espaços e conquistar parceiros; no reino hominal, os conflitos apresentam causas e conseqüências com maior nível de complexidade. A sobrevivência é a causa intrínseca  de todas as lutas.

O homem guerreia para que seu corpo físico sobreviva. Ao mesmo tempo, busca incessantemente a paz, visando à imortalidade de sua alma. A alma que, para se manter encantada como os Encantados, necessita possuir elevadas virtudes, as quais conduzem à aquisição de axé – poder espiritual, que propicia o alcance da sublime sabedoria, que por sua vez se utiliza do bem e da verdade para conduzir o homem pelo caminho da paz. Digo caminho porque creio ser a paz não uma condição, mas uma busca, que se existe enquanto instinto, com certeza existe de fato. E se digo ser a paz uma busca, porque coloco-me como guerreira da paz, preparando meus filhos espirituais para serem também guerreiros fortalecidos pela fé, capazes de enfrentar grandes desafios e superar muitos obstáculos.

É comum se falar muito mal da guerra e, acima de tudo, temê-la. Se a guerra existe é porque ela é necessária, por mais estranho que isto possa parecer quando dito por uma religiosa. Entretanto, o Candomblé enxerga a guerra como algo tão natural e necessário, que a tem como um de seus dogmas, fazendo um ritual específico para este assunto, o Olorògún – Ritual para o Senhor da Guerra, através do qual os Omorixás -“Filhos de Santo” – são treinados para serem guerreiros da paz. É quando eles aprendem, entre outras coisas, a não começarem uma guerra que não tenham condições de terminar, nem parem no meio do caminho, pois correm o risco de serem atingidos pela negatividade.

A preparação de um bom guerreiro da paz implica, a princípio, na existência interior desse desejo. A partir daí o treino começa. Ele precisa adquirir algumas virtudes a fim de vencer “A Guerra Nossa de Cada Dia”. Para qualquer guerreiro, a maior de todas as virtudes é a coragem. É ela que impulsiona para a superação da inércia e, principalmente, do medo de ser julgado e condenado pelos deuses e homens.

Para um guerreiro da paz, a coragem sem a benevolência gera crueldade, que quando usada com o intuito de ganhar ou manter o poder sobre os outros,  apresenta conseqüências extremamente desastrosas. O poder do guerreiro da paz é o poder sobre si mesmo! Tudo o que foi dito acima nos leva a perguntar: afinal, qual é a verdadeira guerra santa? Depois de muito estudo da Filosofia Yorubá e de muita reflexão sobre o tema, creio que posso dizer: a verdadeira guerra santa é aquela que destrói o que precisa ser destruído, a fim de construir o que precisa ser construído. E, assim, a vida se mantém em eterno movimento.

Maria Stella de Azevedo Santos é Iyalorixá do Ilê Axé Opô Afonjá


Lições de Mãe Stella

postado por Cleidiana Ramos @ 3:55 PM
23 de março de 2011

Pessoal: curtam aí acima um belíssimo artigo escrito por Mãe Stella de Oxóssi, ialorixá do Ilê Axé Opô Afonjá. Como já havia dito aqui ela está escrevendo a cada 15 dias, sempre às quartas, na página de Opinião (Pg. 3) do jornal A TARDE.

É uma iniciativa histórica, pois é a primeira vez que alguém da mais alta hierarquia do candomblé escreve com a regularidade de articulista em A TARDE. Aproveitem, pois os textos estão muito bons. Esse foi o segundo publicado. 


Balaio de Ideias:O Dia de Oxoguian: para a festa não ter fim…

postado por Cleidiana Ramos @ 1:21 PM
26 de janeiro de 2011

Vilson Caetano relata características de Oxaguiã. Foto: Fernando Amorim | Ag.A TARDE| 22.09.2006

Vilson Caetano

Oguian, ou simplesmente Oxoguian, é um dos orixás mais emblemáticos do candomblé. Sobre ele também recai uma série de segredos rituais guardados pelos terreiros, embora muitas coisas já se tenham escrito. Acredita-se que Oxoguian liga-se à música e, como os orixás Xangô e Oxun, adora festas, razão pela qual ele recebe musicas especiais nas nações ijexá e fon, reinos africanos que emprestaram seus nomes a ritmos.

Anteriormente já mencionamos que Oxun combinou os sons, formou as notas e inventou a música. De acordo com uma de suas histórias, ela teria dançado pela primeira vez na presença do rei e fez todo o mercado lhe acompanhar. Teria sido por este motivo que Iya Caetana, filha de Oxun, a fim de agradar Oxoguian, certa ocasião, enviou clarins para  homenagear o orixá de sua amiga Massi, então Iyalorixá do Engenho Velho, ato que vem se popularizando nos terreiros de candomblé de todo o  Brasil.

Os mitos afro-brasileiros sobre este ancestral nos permitem perceber que Oguian liga-se a comida. A sua festa é o ponto culminante do  chamado Ciclo das Águas, representado pelos inhames novos presenteados pela terra após um período de dificuldades. Oxoguian, assim, é o dono do pão. É ele quem garante o nosso sustento de cada dia representado pelas raízes.

Oxoguian em momentos de crise representa a estabilidade; em ocasiões de guerras, a estratégia; na tristeza é a alegria, no fim é o recomeço.

Oxoguian é o orixá do renascimento. Tudo que forma um ciclo se mantém graças a ele. Este é o motivo pelo qual no dia a ele consagrado se realiza uma pequena procissão. Ele representa a volta para a casa, a estabilidade dos grupos que até então vagavam sem destino.

Oxoguian põe um ponto final no fim e inaugura aquilo que é infinito, pois diante dele tudo é recomeço. Está explicado o porquê, após a sua festa, a liturgia afro-brasileira passa a celebrar os orixás considerados civilizadores como Exu, Ogun, Ode, Ossain e Obaluaiyê.

Oxoguian realiza a passagem entre os chamados ancestrais fundadores da humanidade e aqueles que se ligam à fixação dos primeiros reinos. Este fato é ilustrado na história que diz que Oxoguian saiu pelo mundo a fim de expandir a sua cidade e ao retornar transformou Ejigbô numa grande cidade.

Desta maneira, Oguian liga-se a vários ancestrais. De acordo com suas histórias, ele teria passado em Irê, a terra de Ogun e graças à sua inteligência idealizou armas forjadas pelo ferreiro dos orixás. A amizade entre o povo de Ejigbô foi tanta que Ogum, certa ocasião, se ofereceu para ir à frente de uma batalha lutar pelo povo de Oguian que na volta foi aclamado senhor.

Diz-se também que o orixá que adora inhames é amigo inseparável de Oyá, com quem anda sem pisar no chão, levado pelo vento que lhe conduz a todos os lugares.

Com o orixá Xangô, coluna central do culto reorganizado no Brasil pelos iorubas e seus descendentes, Oguian se relaciona como outrora os reinos de Ejigbô e Ifon estavam ligados à Oyó, fato relembrado pelo pilão, instrumento de vital importância para a fixação dos grupos na terra.

O pilão como o ferro ilustra uma nova etapa da história da humanidade. A partir dele, pode-se falar em comidas mais elaboradas, preparar  a farinha e conservar melhor os  alimentos. Se o pilão é o centro do mercado, a mão de pilão é o instrumento que repete o movimento que liga o céu à terra, garantindo a nossa permanência através da comida, do pão dado em forma de presente por Oxoguian.

Oxun é verdadeiramente o coração de Oguian. Ela dança também para ele. É Oxun quem vai a frente das mulheres da terra de Ijexá que inventaram um tipo de tambor apenas tocado por elas. Instrumento na sua origem feminino como as cabaças, cujo som remete ao mesmo produzido na vida uterina.

Oxun teria ensinado estes sons para a humanidade, escutando a sua própria barriga. Oxoguian como já falamos, relaciona-se também com os orixás caçadores e caçadoras. Daí a sua relação com Oxossi, considerado líder e cabeça da grande caçada.

Mantém relações também com Ewá, ilustrada  através de uma das passagens míticas mais emblemáticas. Ewá, aquela que tem o poder de transformar-se em qualquer coisa, lhe teria salvo da morte, garantindo assim a continuidade do ciclo da vida.

O orixá que carrega todas as armas, ora caçador, ora rei, ora a guerra, mantém relações também com Iyá ori, conhecida como   Iyemanjá, pois ela é responsável pelo equilíbrio. Iyemanjá é o principio ancestral do significado. Em outras palavras, o mundo só é inteligível, graças àquela que mantém as nossas cabeças.

Por fim, Oguian relaciona-se a Oxalá e todos os ancestrais que representam o começo da humanidade. Talvez tenha sido por isso que os africanos quando reorganizaram o seu culto no Brasil, lhe aproximaram tanto destes, a ponto de em alguns momentos ser confundido com eles.

Oxoguian anda através de passos mais rápidos, determinados. A guerra,a prontidão, o alerta nunca lhe precedem, pois ele é a própria luta, relembrada num de seus títulos de pronúncia mais evitada:  “Baba lorogun”, literalmente “pai da guerra”.

No último domingo, o Terreiro Pilão de Prata celebra a sua principal festa. A casa fundada a meio século cobre-se de azul e branco para homenagear Oxoguian, ancestral a quem o Babalorixá Air José foi consagrado por Tia Massi e sua tia consangüínea Caetana Bangbose.

Este ano, os clarins introduzidos por Mãe Caetana na Casa Branca, soaram mais fortes, pois a casa chamada Ilê Odô Ogê,  completa cinqüenta anos. Segundo o Pai Air, são cinquenta anos de dedicação aos orixás. Cinqüenta anos de gratidão a Oxun. Cinqüenta anos de compromisso com o axé Bangbose.

São cinquenta anos que convidam a comunidade a refletir não sobre os anos que passaram, mas sobre a sua trajetória de vida. Assim, a celebração é de toda casa. Afinal, durante este meio século de história, o maior patrimônio constituído foram as pessoas que em torno do Pilão se reúnem para reafirmar o compromisso de nunca interromper esta festa, garantindo assim a eterna alegria de Oxoguian, verdadeiramente orixá do sorriso.

Vilson Caetano é pós-doutor em antropologia e professor da Ufba


Protesto contra a intolerância religiosa

postado por Cleidiana Ramos @ 7:25 PM
27 de outubro de 2010

Pessoal: o texto abaixo está circulando em várias redes sociais, inclusive de insituições com reconhecida luta contra a intolerância religiosa. Por isso achei importante divulgar aqui no Mundo Afro. Esse tipo de ocorrência não pode ser admitida em um país democrático, ainda mais se parte de uma representação do Estado, como é a polícia.

ILHÉUS – URGENTE

RACISMO – INTOLERÂNCIA RELIGIOSA VIOLÊNCIA CONTRA MULHER – ABUSO DE AUTORIDADE-TORTURA

Sábado dia vinte e três de outubro de 2010, por volta das 14:00 hora, um pelotão da Polícia Militar da Bahia, invadiu o assentamento D. Helder Câmara, em Ilhéus, levando a comunidade de trabalhadores e trabalhadoras rurais a viverem um momento de terror, tortura e violência racial.

Os fatos: Ao ser questionado pela coordenadora do assentamento e sacerdotisa (filha de Oxossi) Bernadete Souza, sobre a ilegalidade da presença do pelotão da polícia na área do assentamento, por ser este uma jurisdição do INCRA – Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária e, portanto, a polícia sem justificativa e sem mandato judicial não poderia estar ali. Menos ainda, enquadrando homens, mulheres e crianças, sob mira de metralhadoras, pistolas e fuzil, o que se constitui numa grave violação de direitos humanos.

Diante deste questionamento, o comandante alegando “desacato a autoridade”  autorizou que Bernadete fosse algemada para ser conduzida à delegacia. Neste momento o orixá Oxossi incorporou a sacerdotisa que algemada foi colocada e mantida pelos PMs Júlio Guedes e seu colega identificado como “Jesus”, num formigueiro onde foi atacada por milhares de formigas provocando graves lesões, enquanto os PMs gritavam que as formigas eram para “afastar satanás”.

Quando os membros da comunidade tentaram se aproximar para socorrê-la um dos policiais apontou a pistola para a cabeça da sacerdotisa, ameaçando que se alguém da comunidade se aproximasse ele atirava. Spray de pimenta foi atirado contra os trabalhadores. O desespero tomou conta da comunidade, crianças choravam, idosos passavam mal.

Enquanto Bernadete (Oxossi)  algemada, era arrastada pelos cabelos por quase 500 metros e em seguida  jogada  na viatura, os policiais numa clara demonstração de racismo e intolerância religiosa, gritavam “fora satanás”! Na delegacia da Polícia Civil para onde foi conduzida, Bernadete ainda incorporada bastante machucada foi colocada algemada em uma cela onde havia homens, enquanto policias riam e ironizavam que tinham chicote para afastar “satanás”, e que  os Sem Terras fossem se queixar ao governador e ao presidente.

A delegacia foi trancada para impedir o acesso de pessoas solidárias a Bernadete, enquanto os policias regozijavam-se – relatando aos presentes que lá no assentamento além dos ataques a Oxossi (incorporado em Bernadete) também empurraram Obaluaê manifestado em outro sacerdote atirando o mesmo nas maquinas de bombear água. Os policias militares registraram na delegacia que a manifestação dos orixás na sacerdotisa Bernadete se tratava de insanidade mental.

A comunidade D. Hélder Câmara exige Justiça e punição rigorosa aos culpados e conclama a todas as Organizações e pessoas comprometidas com a nossa causa.

Contra o racismo, contra a intolerância religiosa, contra a violência policial, contra a violência à mulher, pela reforma agrária e pela paz.

Projeto de Reforma Agrária D. Hélder Câmara
Ylê Axé Odé Omí Wá


Gantuá- a estrela mais linda

postado por Cleidiana Ramos @ 10:17 AM
26 de julho de 2010

Professor Jaime destaca homenagem da Unesco ao Gantois. Foto: Margarida Neide | Ag. A TARDE| 04.03.2001

Jaime Sodré

Desde tempos pretéritos que a humanidade escolhera a Natureza como objeto de culto, temendo ou adorando-a. Refiro-me a África Ancestral, quando no Vale do Rift, no Lago Turkawa no Quênia, garganta de Olduvai na Tanzânia, Haddar e Vale do Ouro na Etiópia, e Taung, Makapansgat, na agora familiar África do Sul, o homem e a mulher põem-se de pé e fé na religiosidade primária.

Para Elikia M’Bokolo: “estamos hoje mais autorizados a dizer de maneira mais radical que a questão da anterioridade africana se impõe no próprio cerne dos processos de hominização”, logo, África berço da humanidade. O caráter de preservação da religiosidade de base africana, característica de humanização, decorre da longevidade e ações de resistência nos enfretamentos das pretensões expansionistas do Islã, evangelizadoras do catolicismo e do protestantismo.

Processos sincréticos, como solução estratégica de sobrevivências, foram experimentados. E tudo chegou sobrevivente nos tumbeiros. Os primeiros bantos implementaram o “calundu”, “tataravô” do modelo atual do Candomblé, prestando assistência e serviço religioso até mesmo ao branco colonizador-opressor, com rezas, unguentos, garrafadas, etc. mesmo sob olhar repressor das autoridades.

Mais tarde, essas manifestações religiosas eram realizadas já em ambiente residencial, discreto, nas “lojas” dos africanos livres, fazendo as obrigações iniciáticas em casas localizadas no centro histórico. A forma estruturada do Candomblé, como hoje conhecemos, como síntese de contribuição banto, gege e nagô, teve o seu modelo original nas ações “das tias” Iya Kalá, Iya Detá e Iya Nassô, inaugurando o famoso Candomblé da Barroquinha, matriz de muitos outros, a exemplo da Casa Branca, do Ilê Axé Opô Afonjá que completa 100 anos de existência, e do terreiro da nossa Mãe Menininha.

Os esforços dessas sacerdotisas conseguiram preservar, em um sentido profundo, o que existia de fundamental de suas raízes religiosas. Assim, no século XIX, viu-se inaugurar a implementação de um complexo cultural afro, na forma de egbé, agora já expulsos do centro da cidade para espaços chamados “terreiros”, onde se consagram os cultos das divindades africanas e de ancestrais ilustres, os égun. Esses terreiros adquiriram caráter especial através de identificação em forma de nações, e ultrapassam os limites territoriais, vencendo preconceitos e ameaças, interagindo com a comunidade baiana, expandindo-se. Resistência e fé passaram a ser o compromisso.

Agora, com aliados ilustres, podemos saber sobre a trajetória vitoriosa desta matriz religiosa. Bons hábitos fazem quem lê jornal e, melhor ainda, a coluna de July. Local onde circula, de forma respeitosa e elegante, as notícias do povo-de-santo. O terreiro do Gantuá é noticia com o título Unesco.

O Egbé Oxóssi, Ilê Axé Iya Omin Iyamassê, comunidade religiosa fundada no Alto do Gantuá, no início do século XIX, pela Iyalorixá Maria Julia Figueiredo inaugurando uma linhagem com D. Pulquéria da Conceição Nazaré, D. Maria dos Prazeres Nazaré e a “estrela mais linda” Mãe Menininha do Gantuá, seguindo-se Mãe Creuza e Mãe Carmem, preservam a tradição e a seriedade dos seus ritos.

Em Dezembro de 2002, o Ministério da Cultura homologa o tombamento do terreiro como bem histórico nacional. “Deu na coluna de July” e aqui no Mundo Afro que a Iyalorixá Mãe Carmem fora homenageada pela Unesco com a Medalha dos Continentes I, entregue pelo presidente do Conselho Executivo do Benin para a Unesco, embaixador Olabiyi Babalola Joseph Yai, um amigo da Bahia, em reconhecimento a este terreiro que tem Oxóssi como patrono, comprometido com o diálogo intercultural e que não efetua ações de proselitismo, nem distinções negativas para com outros segmentos religiosos de concepções diversas.

Jaime Sodré é historiador, professor universitário e religioso do candomblé


Okê Arô!

postado por Cleidiana Ramos @ 1:39 PM
3 de junho de 2010

A Casa Branca é um dos terreiros que inicia hoje seu ciclo de festas. Foto: Arquivo A TARDE

Hoje os terreiros Casa Branca do Engenho Velho da Federação, Gantois e Ilê Axé Opô Afonjá começam os seus ciclos de festas. As homenagens são para Oxóssi, senhor das matas, o rei dos caçadores e, portanto, provedor da sua comuidade e o que proporciona fartura.

Não tenho aqui comigo o calendário das festas, com os seus horários exatos, mas o Afonjá, que fica em São Gonçalo do Retiro, costuma começar o rito mais cedo, ali por volta das 19h30. Casa Branca (Avenida Vasco da Gama) e Gantois (Alto do Gantois, Federação) por volta das 21 horas.

São festas abertas ao público, mas atenção com algumas regras: sempre escolham cores claras para vestir; não é permitido o uso de bebidas alcóolicas e a movimentação dentro do barracão deve seguir as regras das Casas que, normalmente, no caso destas três não permitem registros fotográficos. É de bom tom desligar o celular como, geralmente, se faz em qualquer cerimônia; homens e mulheres ficam em espaços diferentes no barracão. Dúvidas podem ser tiradas com os ogãs que ficam sempre a postos para orientar visitantes.

No mais é apreciar a beleza destas festas e saudações ao grande Oxóssi: Okê Arô!

Tradição— Oxóssi na Bahia foi associado, no encontro entre candomblé e catolicismo, com São Jorge. Não se sabe ao certo porque estas três casas irmãs — o Gantois e o Afonjá foram fundados por sacerdotisas egressas da Casa Branca — iniciam seu calendário festivo com honras a esse orixá. Casa Branca e Afonjá, inclusive, tem com patrono Xangô.

Uma das explicações, formulada pelo professor Valdir Freitas de Oliveira, é que na procissão de Corpus Christi, importantíssima para a cidade e a primeira realizada após a fundação de Salvador, em 1549,  São Jorge tinha um lugar de destaque. O seu andor vinha à frente.

Além disso, esse era um dia, talvez, de razoável folga na labuta de quem era escravo. Por ser um dos mais importantes dias santos (nesta festa os católicos celebram o sacramento da Eucaristia, que acreditam, é a presença do próprio Jesus em forma de comida na hóstia consagrada que desfila pelas ruas levada por um sacerdote) havia, para os escravos e também libertos uma melhor tranquilidade para celebrar na linguagem da crença inspirada na África.         


Salve São Jorge!

postado por Cleidiana Ramos @ 1:07 PM
23 de abril de 2010

Devotos festejam São Jorge, o santo guerreiro. Foto: Wilton Junior |AG. Estado

Hoje é dia de São Jorge, o santo guerreiro que, apesar de ter tido o seu culto retirado do calendário obrigatório da Igreja Católica, ganha cada vez mais devotos.

A posição da Igreja Católica em relação a São Jorge e outros santos aconteceu em 1969. A ideia da institutição foi permitir que ficassem com festas obrigatórias apenas os santos que tinham dados biográficos com certa segurança histórica.

Costumo brincar que um dos grandes símbolos de São Jorge- a vitória sobre o dragão- acabou atrapalhando sua permanência entre o primeiro escalão dos santos, afinal não há comprovação da existência deste animal.

Apesar da decisão da Igreja, tudo que já havia sido consagrado para São Jorge e outros santos que tiveram as suas festas tornadas opcionais continuou, mas a tradição no catolicismo é não fazer novas dedicações.

Em Salvador a única paróquia dedicada a São Jorge fica no Jardim Cruzeiro e, independentemente da sua posição na liturgia católica, a igreja costuma ficar lotada de devotos.

São Jorge é considerado um santo guerreiro, capaz de ajudar seus seguidores em demandas dificeis.

Na Bahia, no encontro religioso entre candomblé e catolicismo ele foi associado a Oxóssi, divindade do candomblé ketu que é provedor da comunidade, pois domina as técnicas da caça e reina nas matas. No candomblé angola uma divindade com caraterísticas semelhantes é Mutalambô.


Festa no Terreiro Santa Bárbara

postado por Cleidiana Ramos @ 2:10 PM
3 de novembro de 2009
Terreiro liderado por Pai Valdemir festeja Gongobira e Dandalunda. Foto: Fernando Vivas| AG. A TARDE

Terreiro liderado por Pai Valdemir festeja Gongobira e Dandalunda. Foto: Fernando Vivas| AG. A TARDE

Este final de semana é especial para o Terreiro Santa Bárbara, localizado em Lauro de Freitas. No sábado a partir das 20 horas, tem festa para Gongobira, uma divindade do candomblé angola que é parecida com  Oxóssi da nação ketu.

Já no domingo completam-se os 25 anos do presente em homenagem a Dandalunda que é depositado pela comunidade do terreiro nas águas da Lagoa do Abaeté. O cortejo vai sair às 9 horas . O Santa Bárbara está reabrindo após mais um ano de luto por conta da morte de Mãe Dazinha, que era a mãe-pequena da Casa.

As festas de Pai Valdemir são famosas pela beleza. Quem quiser saber como chegar ao terreiro Santa Bárbara é só ligar para 3379-3412.             


Afro Imagem 1: O Tributo de Margareth

postado por Cleidiana Ramos @ 8:06 PM
17 de setembro de 2009
Foto: Uran Rodrigues| Divulgação

Foto: Uran Rodrigues| Divulgação

Margareth Menezes mostrou ontem, no Teatro Castro Alves (TCA), porque é chamada de rainha do afro pop. No show em homenagem a Mãe Stella de Oxóssi, como se diz aqui na Bahia, ela “jogou as cajá”. Maravilhoso para quem, como eu, estava lá, pois, além da bela voz e energia de Margareth, o show contou com a participação de Tatau.


Afro Imagem 2: Homenagens para Mãe Stella

postado por Cleidiana Ramos @ 8:05 PM
17 de setembro de 2009

 

Foto: Uran Rodrigues | Divulgação

Foto: Uran Rodrigues | Divulgação

Mãe Stella recebeu como um dos presentes pelos seus 70 anos de iniciação religiosa o show de Margareth Menezes, realizado ontem à noite. A programação comemorativa, inciada na semana passada, incluiu a concessão do título de doutor honoris causa da Uneb à ialorixá do Ilê Axé Opô Afonjá, inauguração de praça com seu nome nas dependências do terreiro e uma grande festa em homenagem a Oxóssi que é o orixá ao qual ela foi consagrada por Mãe Senhora de Oxum.    


Margareth canta para festejar Mãe Stella

postado por Cleidiana Ramos @ 2:59 PM
14 de setembro de 2009
Rainha do afro pop faz homenagem à ialorixá Mãe Stella de Oxóssi. Foto: Eduardo Martins | AG. A TARDE

Rainha do afro pop faz homenagem à ialorixá Mãe Stella de Oxóssi. Foto: Eduardo Martins | AG. A TARDE

Programão na próxima quarta-feira: a partir das 21 horas tem o show 70 anos Oxóssi, Gbà Mi O – numa tradução aproximada para o português: ” Oxóssi nos abeçoe e proteja”. No comando vai estar a rainha do afro pop, Margareth Menezes.

O show é uma homenagem aos 70 anos da iniciação religiosa de Mãe Stella de Oxóssi, ialorixá do Ilê Axé Opô Afonjá.

A festa vai acontecer no Teatro Castro Alves (TCA) e é organizado pela Sociedade Cruz Santa do Axé Opô Afonjá. A entrada custa R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).

Para aquecer vai aí um vídeo do show de  Margareth no Festival de Verão 2004. Ela começa com uma canção do Ilê Aiyê que homenageia Oxóssi.  


Festa para Mãe Stella

postado por Cleidiana Ramos @ 5:00 PM
8 de setembro de 2009
Mãe Stella festeja 70 anos de iniciação no candomblé. Foto: Xando Pereira | AG. A TARDE

Mãe Stella comemora 70 anos de iniciação no candomblé. Foto: Xando Pereira | AG. A TARDE

A comunidade do terreiro Ilê Axé Opô Afonjá está em festa: sua líder religiosa, Mãe Stella de Oxóssi, comemora os 70 anos de iniciação religiosa.

A programação festiva começa na próxima quinta, às 9h30, quando a ialorixá vai receber o título de doutora  honoris causa pela Uneb. Mãe Stella já tem um título deste tipo outorgado pela Ufba.

No sábado pela manhã acontecerá, no terreiro, a inauguração da praça Mãe Stella e à noite uma grande festa para Oxóssi. Os festejos estão sendo organizadas pela Sociedade Cruz Santa do Axé Opô Afonjá, a representação civil do terreiro.

Mãe Stella foi consagrada no candomblé aos 14 anos pela célebre Mãe Senhora de Oxum que comandou o Afonjá por 30 anos. Ela assumiu o terreiro em 1976, sucedendo Mãe Ondina, tornando-se a quinta yalorixá da Casa que no próximo ano vai celebrar o seu centenário de fundação.

O Afonjá foi reconhecido como patrimônio do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Além das suas atividades religiosas, o terreiro desempenha ações sociais com destaque para a escola Eugênia Anna dos Santos, que se tornou referência na aplicação da Lei 10.639/03, que estabelece o ensino de História da África e Cultura Afro-Brasileira. A legislação foi modificada no ano passado pela 11.645/08 para também incluir o ensino de História e Cultura Indígenas.

Mãe Stella tem dividido a sua experiência religiosa no candomblé por meio de livros, como E daí aconteceu o Encanto, escrito em parceria com Cléo Martins, Meu Tempo é Agora, Oxóssi o Caçador de Alegrias, Owé- Provérbios e Epé Laiyé- Terra Viva, lançado este ano e voltado para o público infanto-juvenil.        


Okê Arô, Oxóssi!

postado por Cleidiana Ramos @ 10:03 AM
10 de junho de 2009
Casa Branca, Gantois e Afonjá celebram Oxóssi. Fotos: Lúcio Távora e Xando Pereira | AG. A TARDE

Casa Branca, Gantois e Afonjá celebram Oxóssi. Fotos: Lúcio Távora e Xando Pereira | AG. A TARDE

Amanhã,quinta-feira, tem festa para Oxóssi nos terreiros Casa Branca, Gantois e Opô Afonjá.

Estas três casas que tem uma parte da sua história relacionada- Gantois e Afonjá foram fundados por sacerdotisas e sacerdotes ligados à Casa Branca, considerado o mais antigo terreiro de nação ketu do Brasil- iniciam seu calendário litúrgico anual com esta festa.

Não se tem um consenso sobre o porquê da festa de Oxóssi destas Casas acontecer no Dia de Corpus Christi.

Para alguns estudiosos, a solenidade da data dava uma certa liberdade aos escravos ( o candomblé é originado de cultos africanos )  o que lhes permitia, junto aos libertos, fazer uma grande festa.

Em Corpus Christi, os católicos celebram a presença de Jesus na hóstia consagrada, daí o nome da festa que, traduzindo para o português é o dia do “Corpo de Cristo”.

Esta é a única ocasião do ano em que a Eucaristia, outro nome da hóstia consagrada, sai às ruas em procissão. Para os católicos Jesus segue ali no ostensório- aquele objeto que tem ornamentação final que lembra os raios do sol (Jesus é o sol da humanidade para os católicos). Um dos dogmas da Igreja é exatamente o de que ao ser consagrados pelas palavras e imposição das mãos do padre durante a  missa o pão (a hóstia) se torna o corpo de Jesus e o vinho o seu próprio sangue.

Esta minha longa explanação sobre a festa católica é só para mostrar o quanto de solenidade este dia guarda.

Para outros estudiosos, como neste dia o primeiro andor que vinha à frente da procissão de Corpus Christi era o de São Jorge com quem Oxóssi foi associado está  explicada esta relação entre as duas festas.

Oxóssi é rei de Ketu, senhor das matas e dono da arte da caça. Por isto mesmo é o provedor da comunidade que protege. Asism sua festa celebra também a prosperidade o que  não deixa de ter relação com a festa católica, afinal Jesus, nas formas de pão e vinho, é também alimento.  

A festa do Gantois está marcada para as 19 horas, a do Afonjá para as 19h30 e a da Casa Branca para as 21 horas.

Para quem está pensando em ir algumas dicas: é bom chegar um pouco mais cedo, pois são festas que costumam reunir muita gente. Outra coisa: é sempre bom estar atento às regras do terreiro. Cada Casa tem a sua própria tradição, mas algumas coisas são gerais:

1.Vá com uma roupa em tom claro e evite o preto, pois não se usa essa cor em uma cerimônia de candomblé.

2.Na maioria dos terreiros não é permitido registro de imagens do ritual. Na dúvida procure um ogã da Casa e pergunte.

3. Trata-se de uma cerimônia religiosa, portanto desligue o celular ou deixe no modo silencioso ou vibratório. Se precisar realmente falar ao telefone saia do barracão, que é o salão onde é realizada a festa.

4.Um dos pilares do ritual é a distribuição da comida, pois é a forma de partilha da oferta para a divindade com a sua comunidade. Mas você não é obrigado a comer. Se não quiser, recuse gentilmente e se estiver interessado respeite as regras de distribuição que observa critérios como hierarquia (autoridades religiosas, inclusive  de outros terreiros), dentre outros. Aguarde tranquilamente no seu lugar que você vai ser servido ou entre na fila se houver.

5.Não se permite a entrada nos terreiros de bebidas alcoólicas ou de alimentos trazidos de fora. Portanto, nada de cerveja, salgadinhos, pipoca ou outro tipo de petisco.

6.Antes de entrar em qualquer lugar fora do local onde está acontecendo a festa pergunte a alguém da Casa se é permitido.

No mais aproveitem as festas que costumam ser marcadas pela alegria. Saudações ao nobre Oxóssi- okê arô!


Mãe Stella lança livro sobre meio ambiente

postado por Cleidiana Ramos @ 7:31 AM
5 de junho de 2009
Ilustração do novo livro escrito por Mãe Stella. Foto:Reprodução| Arquivo A TARDE

Ilustração do novo livro escrito por Mãe Stella. Foto:Reprodução| Arquivo A TARDE

Uma boa novidade literária. Autora de cinco livros, a ialorixá do Ile Axé Opô Afonjá, Mãe Stella de Oxóssi, lança hoje, às 18 horas, no Shopping Iguatemi uma nova produção.

Desta vez, mãe Stella passeia pelo universo infantil, falando da importância do meio ambiente em Epé Laiyé- terra viva.

O livro conta a história de uma árvore que ganha pernas e vai lutar pela construção de um mundo que respeita o meio-ambiente. Em sua trajetória o pesonagem ganha ajuda do orixá Ossain, divindade que domina o conhecimento sobre o mundo vegetal.

A edição está linda, com várias ilustrações!- dei uma olhadinha rápida no exemplar que serviu de base para a matéria da repórter Ceci Alves, publicada na página 5 do Caderno 2 da edição do jornal A TARDE de hoje.

A obra tem ainda prefácios escritos por Nizan Guanes e Jorge Portugal. O lançamento vai contar com sessão de autógrafos de Mãe Stella.  


A Benção: Yá Stella de Oxóssi

postado por Cleidiana Ramos @ 3:04 PM
1 de maio de 2009
Yalorixá faz, amanhã, 84 anos. Foto: Rejane Carneiro | AG. A TARDE

Yalorixá do Afonjá completa, amanhã, 84 anos. Foto: Rejane Carneiro| AG. A TARDE

Amanhã, sábado, 2, Mãe Stella de Oxóssi, a yalorixá do Ilê Axé Opô Afonjá, faz aniversário. Mãe Stella é uma das mais conhecidas e respeitadas sacerdotisas do candomblé.

Filha de Oxóssi transmite, aos 84 anos que vai completar, a energia do rei-caçador nas ações tanto religiosas como de formação e cultura realizadas no terreiro que comanda desde 1976.

A escola Eugênia Anna dos Santos, mantida no Afonjá, foi uma das pioneiras no ensino de História da África e Cultura Afro-Brasileira décadas antes da Lei que tornou esta prática obrigatória em todas as escolas do País.

  
Num contato com Mãe Stella é possível reconhecer características atribuídas ao provedor e bondoso Oxóssi como o porte altivo, a tranquilidade atenta e a preocupação com o bem estar da sua comunidade.

A sabedoria de Mãe Stella continua a manter o Afonjá na lista dos candomblés mais respeitados do Brasil, como foi no tempo das suas antecessoras, principalmente as célebres Mãe Aninha e Mãe Senhora.

Seus pensamentos sobre o mundo, a partir da religião que defendeu por meio de um movimento nos anos 80  para que fosse reconhecida como tal, podem ser mais conhecidos nos livros de sua autoria como E Daí Aconteceu o Encanto (1988), escrito em parceria com a escritora e Agbeni de Xangô do terreiro, Cléo Martins; Meu Tempo é Agora (1993); Òsósi – O Caçador de Alegrias (2006) e Owé – Provérbios (2007).

O Grupo A TARDE preparou um especial sobre ela para a série “Memória da Bahia” que pode começar a ser conferido a partir de amanhã em  A TARDE On Line (www.atarde.com.br). Ele sairá também  na edição de domingo do jornal A TARDE.


Vivas a São Jorge!

postado por Cleidiana Ramos @ 4:23 PM
23 de abril de 2009
Santo ganhou festa hoje em Salvador.  Foto:  João Alvarez | AG. A TARDE

Santo ganhou festa hoje em Salvador. Foto: João Alvarez | AG. A TARDE

 

Hoje é dia de São Jorge, o nobre cavaleiro. Embora ele tenha sua festa tornada opcional pela Igreja Católica na década de 70, seu prestígio não diminuiu. Aqui na Bahia, o santo foi associado ao senhor das matas, o orixá Oxóssi. Saudações a São Jorge!