Inscrições abertas até hoje para curso em História da África

postado por Cleidiana Ramos @ 1:42 PM
9 de outubro de 2009
O Museu Afro-Brasileiro é uma instituição que tem um acervo informativo sobre cultura com inspiração africana   . Foto: Margarida Neide| AG. A TARDE

O Museu Afro-Brasileiro é uma instituição que tem um acervo informativo sobre cultura com inspiração africana . Foto: Margarida Neide| AG. A TARDE

Desculpem, mas só recebi o material confirmando o período de inscrições hoje pela manhã. Mas ainda dá tempo: até hoje no Colégio Estadual Edgard Santos, que fica no Garcia, a partir das 19 horas, é possível se inscrever para o curso em História da África, Cultura Negra e O Negro no Brasil. Os participantes devem ser indicados por organizações do movimento social.

O curso é dirigido a educadores e é promovido pelo Grupo Cultural Amuleto. As aulas vão ser na Uneb no perído de 15 deste mês até 12 dezembro das 19 horas às 21h30 nas quintas-feiras e nos sábados das 9 às 13 horas. 

O curso tem como principal objetivo fortalecer a aplicação da Lei 10.639/03, que estabelece o ensino de História da África e Cultura Afro-Brasileira. No ano passado a lei foi modificada pela 11.645/08 para incluir também o ensino de História e Cultura Indígenas.


Ilê Aiyê está em silêncio por Mãe Hilda

postado por Cleidiana Ramos @ 2:04 PM
19 de setembro de 2009
Mãe Hilda faleceu às 10h30 de hoje. Foto: Edmar Melo|AG. A TARDE| 25.2.2006

Mãe Hilda faleceu às 10h30 de hoje. Foto: Edmar Melo|AG. A TARDE| 25.2.2006

O grupo cultural Ilê Aiyê está de luto. Faleceu, hoje, às 10h30, sua líder espiritual, Mãe Hilda Jitolu.

Segundo Vovô, Mãe Hilda estava internada desde o último dia 7 por problemas cardíacos e acabou contraindo uma pneumonia.O sepultamento será amanhã no Jardim da Saudade, mas ainda não tem horário confirmado.

Mãe Hilda era a grande incentivadora dos projetos culturais do Ilê Aiyê e tinha um carinho especial pela escola que, não à toa, leva seu nome.

Além da educação formal, os alunos da Escola Mãe Hilda recebem formação artística e de cidadania. A instituição é também uma das referências no ensino de História da África e Cultura Afro-Brasileira.

Era também Mãe Hilda, consagrada a Obaluaê, quem presidia a belíssima cerimônia religiosa antes do desfile do Ilê no sábado de Carnaval.


Doutora Mãe Stella de Oxóssi

postado por Cleidiana Ramos @ 4:44 PM
10 de setembro de 2009
Mãe Stella ao lado do reitor da Uneb, Lourisvaldo Valentim na cerimônia em que recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Uneb. Foto: Claudionor  Junior | AG.  A TARDE

Mãe Stella ao lado do reitor da Uneb, Lourisvaldo Valentim, na cerimônia em que ela recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Uneb. Foto: Claudionor Junior | AG. A TARDE

Uma cerimônia belíssima e emocionante marcou a cerimônia de concessão do título de Doutor Honoris Causa a Mãe Stella de Oxóssi na manhã de hoje. Foi a primeira vez que a Uneb concedeu a sua honraria máxima a uma mulher.

A festa foi marcada por homenagens a Oxóssi, orixá a quem Mãe Stella é consagrada. A canção que embalou a sua recepeção para a cerimônia é uma das usadas para saudar a divindade.

No lugar da beca preta que, geralmente, é usada pelos homenageados em cerimônias deste tipo, Mãe Stella vestiu uma em tom azul-turquesa, assim como a borla (espécie de chapéu) e a pelerine, acessório que lembra um manto. O azul turquesa é a cor de Oxóssi nos candomblés ketu, tradição seguida pelo Afonjá. 

Nos discursos de saudação a  Mãe Stella esteve sempre a lembrança da sua luta pela preservação dos elementos da sua religiosidade e em defesa de outros aspectos da cultura afro-brasileira, além de ações como a instalação da escola Eugênia Anna dos Santos, referência no ensino de Historia da África e Cultura Afro-Brasileira. A escola funciona  no espaço do Opô Afonjá. 

Esta homenagem é a primeira de muitas pela celebração dos 70 anos de iniciação religiosa de Mãe Stella.


Festa para Mãe Stella

postado por Cleidiana Ramos @ 5:00 PM
8 de setembro de 2009
Mãe Stella festeja 70 anos de iniciação no candomblé. Foto: Xando Pereira | AG. A TARDE

Mãe Stella comemora 70 anos de iniciação no candomblé. Foto: Xando Pereira | AG. A TARDE

A comunidade do terreiro Ilê Axé Opô Afonjá está em festa: sua líder religiosa, Mãe Stella de Oxóssi, comemora os 70 anos de iniciação religiosa.

A programação festiva começa na próxima quinta, às 9h30, quando a ialorixá vai receber o título de doutora  honoris causa pela Uneb. Mãe Stella já tem um título deste tipo outorgado pela Ufba.

No sábado pela manhã acontecerá, no terreiro, a inauguração da praça Mãe Stella e à noite uma grande festa para Oxóssi. Os festejos estão sendo organizadas pela Sociedade Cruz Santa do Axé Opô Afonjá, a representação civil do terreiro.

Mãe Stella foi consagrada no candomblé aos 14 anos pela célebre Mãe Senhora de Oxum que comandou o Afonjá por 30 anos. Ela assumiu o terreiro em 1976, sucedendo Mãe Ondina, tornando-se a quinta yalorixá da Casa que no próximo ano vai celebrar o seu centenário de fundação.

O Afonjá foi reconhecido como patrimônio do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Além das suas atividades religiosas, o terreiro desempenha ações sociais com destaque para a escola Eugênia Anna dos Santos, que se tornou referência na aplicação da Lei 10.639/03, que estabelece o ensino de História da África e Cultura Afro-Brasileira. A legislação foi modificada no ano passado pela 11.645/08 para também incluir o ensino de História e Cultura Indígenas.

Mãe Stella tem dividido a sua experiência religiosa no candomblé por meio de livros, como E daí aconteceu o Encanto, escrito em parceria com Cléo Martins, Meu Tempo é Agora, Oxóssi o Caçador de Alegrias, Owé- Provérbios e Epé Laiyé- Terra Viva, lançado este ano e voltado para o público infanto-juvenil.        


Educaxé ganha link em outro blog de A TARDE

postado por Cleidiana Ramos @ 10:24 AM
3 de setembro de 2009
Garotada da escola Barbosa Romeu, em São Cristóvão, uma das instituições pioneiras na aplicação da Lei 10.639/03. Foto: Fernando Amorim |AG.A TARDE

Garotada da escola Barbosa Romeu, em São Cristóvão, uma das instituições pioneiras na aplicação da Lei 10.639/03. Foto: Fernando Amorim |AG.A TARDE

Os navegantes da série Educaxé têm mais uma opção para acessar os textos. Eles estão disponbillizados também no blog do Projeto A TARDE Educação. É uma amostra do sucesso que tem alcançado a Educaxé, idealizada, assinada e gentilmente cedida pelo professor Jaime Sodré  para o Mundo Afro.

Desenvolvido pelo Grupo A TARDE, o Projeto A TARDE Educação  é voltado para o uso pedagógico de reportagens. Vocês podem acessar o blog clicando aqui  ou também na galeria Outros Mundos aí ao lado.


Educaxé- O Negro e a Política- Parte IX

postado por Cleidiana Ramos @ 10:23 AM
3 de setembro de 2009
Uma das apresentações que marcou a solenidade de instalação da aplicação da Lei 10.639/03 em Salvador, há quatro anos. A legislação é tema do Educaxé. Foto: Marco Aurélio Martins| AG. A TARDE

Uma das apresentações que marcou a solenidade de instalação da aplicação da Lei 10.639/03 em Salvador, há quatro anos. A legislação é tema da Educaxé. Foto: Marco Aurélio Martins| AG. A TARDE

Chegamos ao final de mais uma edição da série Educaxé. Esta última parte traz sugestão de bibliografia e filmes sobre o tema O Negro e a Política, que abordamos em oito capítulos,  além de filmes e uma lista de movimentos, cuja história pode ser pesquisada e assim enriquecer o debate em sala de aula.  

O professor Jaime Sodré já está preparando novos textos para a série.

Bibliografia

1.BOBBIO, Norberto et al. Dicionário de política. 12. ed. Brasília: UnB, 2002. 2v.
2.______. Estado, governo, sociedade: para uma teoria geral de política. 14. ed. São Paulo: Paz e terra, 2007. (Coleção Pensamento Crítico, 69)
3.BONAVIDES, Paulo. Ciência política. 14. ed. São Paulo: Malheiros, 2007.
4.DIAS, Reinaldo. Ciências política. 1. ed. São Paulo: Atlas, 2008.
5.HANCHARD, Michael George. O Orfeu e o poder: o movimento negro no Rio de Janeiro e São Paulo (1945-1988). Rio de Janeiro: Eduerj, 2001.
6.LAMOUNIER, Bolivar. (Org.) A ciência política nos anos 80. Brasília: UnB.
7.LANG, Jack. Tradução de Rubia Prates Goldoni. Nelson Mandela – uma lição de vida. São Paulo:  Mundo Editorial. 1. ed. 2007.
8.MALUF, Sahid. Teoria geral do Estado. 29. ed. São Paulo: Saraiva, 2009.
9.MOURA, Clóvis. História do negro brasileiro. São Paulo: Ática, 1989.
10.NASCIMENTO Abdias (Org.) O negro revoltado. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1982.
11.SANT’ANA, Luís Carlos. Breve Memorial do Movimento Negro no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: “Papéis Avulsos”, CIEC/UFRJ, no. 53, 1998.
12.SANTOS, José Antônio dos. Raiou a Alvorada: Intelectuais negros e a imprensa, Pelota (1907-1957). Pelotas: Universitária. 2003.
13.SOARES, Mário Lúcio Quintão. Teoria do Estado. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2008.

Movimentos e personagens sócio-políticos

Balaiada
Revolta da Chibata
Embaixadas africanas
Farrapos
Marcus Garvey
Malcom-X
Guarda Negra
Revoluçaõ Malê
Ku-Klux-Klan
Levante de 1814
François Makandal
MNU
MV. Bill
Abdias Nascimento
Osvaldão
Quilombo dos Palmares
Panteras Negras
Revolta dos Alfaiates
Sabinada
Rainha Nzinga
Sociedade Protetora dos Desvalidos
Toussant L´Ouverture
Desmond Tutu

Filmes Indicados

O Rei da Escócia,  Amistad, Faça a Coisa Certa e Hotel Ruanda

 


Contribuições para a preservação da memória

postado por Cleidiana Ramos @ 12:17 PM
2 de setembro de 2009
Da esquerda para a direita: Claudio Pereira, Silverino Ojú e Ayrson Heráclito: Foto: Divulgação

Da esquerda para a direita: Claudio Pereira, Silverino Ojú e Ayrson Heráclito: Foto: Divulgação

Recebi por e-mail um registro de uma das palestras do projeto Iyá Egbé, que é voltado para o resgate da memória do Ilê Axé Opô Afonjá, uma atividade que  noticiei aqui no Mundo Afro. Aproveito então para contar um pouquinho sobre uma das mesas redondas que ainda consegui assistir.

Isto porque trabalhei no sábado da virada do novo projeto gráfico e editorial do jornal A TARDE e saí daqui meia hora depois do horário em que ia começar a palestra, mas deu para chegar a tempo de participar.  Gente foi muito, muito legal. As palestras foram do artista plástico e professor da UFRB, Ayrson Heráclito e do professor da Ufba e doutor em antropologia, Claudio Pereira, com a mediação de Silverino Ojú, que faz parte do Centro de Documentação e Memória do Terreiro (CDM).  Pela manhã e no início da tarde aconteceram outras palestras.

O projeto, coordenado pelo CDM, é uma das ações preparatórias para as comemorações do centenário do Afonjá no ano que vem. O trabalho do professor Ayrson Heráclito a partir do uso do azeite de dendê é extremamente interessante, instigante e uma festa para os olhos. As fotografias e o vídeo que mostraram as instalações de sua autoria deixaram a platéia fascinada. Em seguida, o professor Claudio Pereira, mostrou mais uma vez a facilidade que possui para falar sobre temas complexos. Com sutileza, ele passeou sobre as definições de cultura, iconografia, iconologia, memória e patrimônio, enfim uma aula perfeita.

Para mim, que estou trabalhando nesta área, inclusive sob a orientação do professor Claudio, foi uma tarde de aprendizagem inesquecível, sem falar do cenário do encontro: a escola Eugênia Anna dos Santos, uma das pioneiras no ensino de História da África e Cultura Afro-Brasileira em Salavador, princípio determinado pela Lei 10.639/03 que foi modificada no ano passado pela 11.645/08 para incluir também o ensino de História e Cultura Indígenas.  Fiquei encantada com a decoração da sala de aula onde aconteceu a mesa redonda: tudo muito lúdico, mas claramente com função pedagógica.

A inciativa do CDM é mais uma ação de resgate da memória e documentação que os terreiros de Salvador e de outras cidades tem feito tão bem, muitas vezes com recursos e esforços próprios e que tem um valor incalculável. Parabéns às comunidades do Afonjá, do Gantois, do Pilão de Prata e do São Jorge da Goméia que são alguns dos terreiros com iniciativas deste tipo já sedimentadas.        


Educaxé em dose dupla

postado por Cleidiana Ramos @ 2:13 PM
28 de agosto de 2009

Hoje tem Educaxé em sessão dupla. O caráter extraordinário é por conta de imprevistos terem me impedido de colocar os capítulos na terça e na quinta-feira. Agora, a dívida está integralmente paga aí abaixo. Aproveitem.


Educaxé- O Negro e a política- Parte VI

postado por Cleidiana Ramos @ 2:12 PM
28 de agosto de 2009
Ruas do Santo Antônio Além do Carmo, onde o professor Jaime Sodré, ainda criança, assistia, com os colegas, o desfile diário de D. Maria Brandão. Foto: Fernando Amorim |  AG. A TARDE

Ruas do Santo Antônio Além do Carmo, onde o professor Jaime Sodré, ainda criança, assistia, com os colegas, o desfile diário de D. Maria Brandão. Foto: Fernando Amorim | AG. A TARDE

Maria Brandão – Negra e comunista

Jaime Sodré

Estávamos no Santo Antonio Além do Carmo, sentados à Rua dos Perdões, nas escadarias do Convento, onde, segundo contavam, o cardeal Da Silva agredira uma feira. Um bairro cheio de estórias e histórias. Os Perdões é a passagem do desfile de 2 de Julho, onde saudávamos os nossos heróis, em especial “os cabocos”.

Subindo regularmente, ia dona Romana, nossa velha baiana de acarajé em direção à Quitandinha do Capim, onde se instalava, após arremessar pequenos acarajés e água, a título de saudar os caminhos e abrir a venda. Naquela mesma artéria, em direção contrária, desfilava garbosa, semelhante à dona Romana, a personagem que conseguia calar as nossas conversas, admirados da sua postura, história e estórias. Era dona Maria Brandão.

Em nossos ouvidos vibrava o que se contava sobre ela: “Ela é Negra e Comunista” ou “Imagine, Negra e Comunista”. Para nós uma figura admirável, soava-nos como símbolo de coragem, tão ao gosto da juventude. Pouco sabíamos sobre ela, alem do rosto redondo e a sua roupa leve, aos ventos da liberdade, a caminho do Corta Braço.

O pouco que sei contarei, relatos como o de Carlinhos Marighela, recomendando-me para aliviar a minha curiosidade, buscar o Sr. Contreiras, esposo da ex-deputada Amabília, além do ex-deputado Fernando Santana. Contarei o que encontrei em publicações escassas. Seguirei pesquisando, prometo-me.

Recordo das palavras de um militante negro, que dizia, evidentemente magoado, sobre as agressões insanas da tortura, onde o que mais ouvira de seus  algozes era a frase: “Já viu negro se meter em política e ainda comunista”. Voltemos a Maria Brandão. Encontro-me nas páginas do livro Mulheres Negras no Brasil.  Monumental trabalho de Shuma Schumaher e Érico Vital Brazil, uma foto exibe D. Maria, mãos ao queixo, pensativa.

Nascida a 22 de julho de 1900 em Rio de Contas. Maria Brandão dos Reis, segundo os autores, “foi um exemplo de mulher negra envolvida na política”. Impressionou-lhe a passagem da Coluna Prestes, avivando o amor pelo Partido Comunista Brasileiro. Idealista, mudou-se para Salvador como destacada liderança. Abriu uma pensão na Baixa dos Sapateiros, (daí o seu deslocamento pela Rua dos Perdões) onde, além de alimentar e hospedar estudantes, caprichava na instrução política destes “filhos adotivos”, ampliando-a para as questões sociais. Piedosa, ajudava aos necessitados.

Em 1947, entrou em ação concreta quando os moradores do Corta Braço foram ameaçados de perderem as suas casas. Ela os ajudou, organizando-os em uma vigília e vibrante passeata de protesto. Como devotada da paz engajou-se na campanha do partido em 1950, encarregando-se da fundação de diversos conselhos em vários municípios. Por sua atitude determinante e incansável, recebeu a indicação de “Campeã da Paz”.

O lado dramático desta história registra-se em um desapontamento imperdoável. Segundo os autores, a premiação pelo seu feito e sua convicção pacificadora, deveria ser realizada em Moscou, onde D. Maria Brandão receberia pessoalmente e merecidamente, o reconhecimento pelo seu idealismo, mas por decisão do partido, ela foi substituída por uma “jovem intelectual”. Esta nem se quer recusou, colaborando com esta desconsideração a uma “senhora negra” de jovens ideias e comprovadas lutas. Mas este fato não passou impune, pois manifestou veementemente a sua revolta frente às lideranças comunistas, registrando para a história desta agremiação política um capitulo menos digno.

Veio o golpe militar de 1964, D. Maria mobiliza-se para escapar da prisão, refugiando-se. De volta a Bahia, em 1965 foi alcançada pela polícia e submetida a interrogatório sobre o seu envolvimento com as idéias comunistas. O inquérito não evoluiu, talvez por reconhecê-la com um verdadeiro agente da paz e que apenas, por sua generosidade, queria um povo feliz, bem alimentado e instruído, conforme demonstram as suas ações naquela pensão, e para isso escolhera a política.

D. Maria Brandão dos Reis, encerrou a sua atividade em nosso mundo em 1965, aguardando o nosso reconhecimento, com o seu nome, quem sabe, nomeando uma das nossas ruas ou na fachada de uma escola?

Em tempo:
Por conta da repercussão desse nosso artigo, publicado na página de Opinião de A TARDE, orgulhou-me a ligação do professor-doutor Luiz Henrique, referencia dos historiadores, que registrou o seu afeto, afirmando tê-la conhecido pessoalmente; agradeço a gentileza da Sra. Consuelo Mascarenhas, oferecendo-nos um livro do seu pai, alusivo a D. Maria; os amigos George Gurgel, do Diretório do PPS-BA, manifestou interesse sobre o tema, e Antonio Codes, solicitou alguns esclarecimentos.

Ebomi Cidália solicitou que registre-se a simpatia da sua mãe D. Maria Santiago Piedade, na época leitora do jornal “O Momento”, admiradora de Carlos Prestes.  O Sr. Enéas Estrela informou o local de nascimento de D. Maria em Rio de Contas, Bahia. Ele conhece os familiares da mesma, os quais necessitam de ajuda. Enéas reafirmou o empenho de D. Maria em proteger perseguidos políticos.  

Perguntas para aprofundar a pesquisa sobre o tema:

Quando surgiu o Partido Comunista do Brasil?

O que foi a Coluna Prestes?

Quais os acontecimentos envolvendo o Partido Comunista durante o Estado Novo?

Qual a diferença entre o Partido Comunista e o Partido Comunista do Brasil?

 

Jaime Sodré é historiador, professor e religioso do candomblé. 


Revolta dos Búzios em destaque

postado por Cleidiana Ramos @ 5:08 PM
26 de agosto de 2009
João Jorge faz palestra hoje à tarde. Foto: Fernando Vivas| AG. A TARDE

João Jorge faz palestra hoje à tarde. Foto: Fernando Vivas| AG. A TARDE

Amanhã, quinta-feira, o presidente do Olodum, João Jorge Rodrigues, faz palestra sobre a Revolta dos Búzios, no Auditório da Secretaria da Fazenda (Sefaz), na Rua da Ajuda, Centro Histórico, a partir das 14 horas.

A palestra é uma promoção da Secretaria Municipal da Reparação (Semur). O Olodum tem realizado várias ações no sentido de tornar mais conhecido o movimento ocorrido em  agosto de 1798. Liderado pelos jovens negros Manoel Faustino dos Santos, João de Deus do Nascimento, Luiz Gonzaga das Virgens e Lucas Dantas,o levante tinha uma avançado programa pregando desde o fim da escravidão até a proclamação da República.

Conhecido também como Revolta dos Alfaiates e Conjuração Baiana, o movimento tinha em suas fileiras artesãos, soldados, alfaiates, médicos, advogados, professores, sapateiros, escravos e ex-escravos. Seus quatro líderes foram condenados à morte quando a rebelião foi sufocada.

Duas mulheres negras também tiveram destaque na luta: Ana Romana e Maria do Nascimento. Na última segunda, o Olodum, através de uma parceria com A TARDE, distribuiu para os assinantes do jornal exemplares de uma cartilha sobre a Revolta dos Búzios. A impressão contou com o apoio da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir).

O sucesso foi tamanho que leitores que adquirem o jornal em banca também cobraram exemplares da cartilha. A TARDE ainda destinou mil exemplares para distribuição em sua loja do Shopping Salvador.

A cartilha, intitulada Revolta dos Búzios- Uma historia de igualdade no Brasil, faz parte da série Olodum Griô. Ela foi pensada para aplicação didática, num momento em que se torna cada vez mais forte o ensino de História da África e Cultura Afro-Brasileira por conta da Lei 10.639/03, modificada pela Lei 11.645/08 para incluir também o ensino de História e Cultura Indígenas.

O objetivo do Olodum, de acordo com João Jorge, é fazer da Revolta dos Búzios um episódio conhecido nacionalmente. Um passo para esta visibilidade já foi dado por meio do projeto de lei 5819/2009.

De autoria do deputado federal Luiz Alberto (PT-BA,) o PL pede a inclusão dos quatro líderes da Revolta dos Búzios no Livro dos Heróis Nacionais. Atualmente, o único negro a integrá-lo é Zumbi dos Palmares, que tem, inclusive, um dia específico para celebrar a sua memória: o 20 de novembro, que, na Bahia, diferentemente de outros estados, como São Paulo, não é feriado.


Educaxé- O negro e a política- Parte V

postado por Cleidiana Ramos @ 5:51 PM
20 de agosto de 2009
As lutas ganharam várias frentes, atualmente, como os quilombos. Foto: Antonio Queirós| AG. A TARDE| 25.6.2004

As lutas ganharam várias frentes, atualmente, como os quilombos. Foto: Antonio Queirós| AG. A TARDE| 25.6.2004

A Frente Negra Basileira

Jaime Sodré

O texto de hoje é um trecho extraído do depoimento de Francisco Lucrécio para o livro Frente Negra Brasileira:
 

“A Frente Negra Brasileira foi fundada em 16 de setembro de 1931 e durou até 1937, tornando-se partido político em 1936. Foi a mais importante entidade de afrodescendentes na primeira metade do século, no campo sócio-político. A Frente Negra foi um movimento social que ajudou muito nas lutas pelas posições do negro aqui em São Paulo.

Existiam diversas entidades negras. Todas essas entidades cuidavam da parte recreativa e social, mas a Frente veio com um programa de luta para conquistar posições para o negro em todos os setores da vida brasileira. Um dos seus departamentos, inclusive, enveredou pela questão política, porque nós chegamos à conclusão de que, para conquistar o que desejávamos, teríamos de lutar no campo político, teríamos de ter um partido que verdadeiramente nos representasse.

A consciência que existia na época eu acho que era muito mais forte que a que existe agora. Quando o negro sente uma pressão, quando qualquer agrupamento humano sente uma pressão, procura um meio de defesa. A pressão era tão forte que muitos jornais publicavam: “Precisa-se de empregado, mas não queremos de cor”.

Havia alguns movimentos também no interior, principalmente nos lugares em que os negros não passeavam nos jardins, mas na calçada. Muitas famílias não aceitavam, inclusive, empregadas domésticas negras; começaram a aceitar quando se criou a Frente Negra Brasileira. Chegou-se ao ponto de exigir que essas negras tivessem as carteirinhas da Frente.

Então, essa consciência era muito mais acentuada do que nos dias atuais. Porque hoje os jovens negros, a meu ver, estão muito acomodados, não sei se por receio ou não. A Frente Negra funcionava perfeitamente. Lá havia o departamento esportivo, o musical, o feminino, o educacional, o de instrução moral e cívica. Todos os departamentos tinham a sua diretoria, e o Grande Conselho supervisionava todos eles. Trabalhavam muito bem.

Dessa forma, muitas entidades de negros que cuidavam de recreação filiaram-se à Frente Negra. E existiam diversas sociedades em São Paulo e pelo interior afora. Por isso a Frente cresceu muito, cresceu de uma tal maneira que tinha delegação no Rio de Janeiro, na Bahia, no Rio Grande do Sul, e, Minas Gerais etc.”

 


Educaxé- O negro e a Política- Parte IV

postado por Cleidiana Ramos @ 3:14 PM
18 de agosto de 2009
Conflitos políticos impedem o desenvolvimento em regiões da África, como a República Democrática do Congo. Foto: Reuters| Antony Njuguna

Conflitos políticos impedem o desenvolvimento em regiões da África, como a República Democrática do Congo. Foto: Reuters| Antony Njuguna

Instabilidade Política 

Jaime Sodré

Hoje destacamos os golpes de Estado ocorridos na África desde a década de 60. Confiram a lista:   

Fevereiro de 1966- Gana: O exército derruba o presidente Kwane Nkrumah que realizava uma visita oficial a Pequim.

Setembro de 1969- Líbia: Um Conselho da Revolução proclama a República na ausência do rei Idriss, que estava recebendo tratamentos médicos na Turquia.

Janeiro de 1971- Uganda: Idi Amín Dada aproveita a ausência do presidente Milton Obote para tomar o poder. O chefe de Estado de Uganda estava em Cingapura, após ter participado de uma conferência da Commonwealth.

Julho de 1975- Nigéria: O exército derruba o general Yakabu Gowon. Gowon estava em Kampala para assistir à cúpula anual da Organização da Unidade Africana.

Junho de 1977- Seychelles: O primeiro-ministro Albert René toma o poder aproveitando-se da visita do presidente James Mancham a Londres para uma conferência da Commonwealth.

Setembro de 1979- República Centro-Africana: O imperador Bokassa, em visita oficial à Líbia, é derrubado. David Dacko, ex-presidente que havia sido deposto por Bokassa em 1966, retoma o poder e restabelece a República.

Dezembro 1984-Mauritânia: O tenente coronel Ould Haidalla, em visita ao Burundi para acompanhar a 11ª. cúpula África-França, é destituído. O coronel Maauiya Ould Taya toma o poder.

Abril de 1985- Sudão: O presidente Gaafar Nimeiry, em visita oficial ao Egito, é derrubado pelo exército.

Setembro de 1987- Burundi: O coronel Jean-Baptiste Bagaza, que estava em Quebec acompanhando a cúpula de países francófonos, é derrubado pelo major Pierre Buyoya.

 Julho de 1994- Gâmbia: O presidente Dawda Jawara, no poder desde 1965, é derrubado por militares dirigidos por Jammeh.

Agosto 1995- São Tomé e Princípe: Miguel Trovoada é derrubado por militares. Retoma o poder uma semana depois, após uma lei de anistia.

Setembro de 1995- Comores: Mercenários dirigidos por Bob Denard derrubam o regime de Said Mohamed Djohar. Uma intervenção militar francesa põe fim ao golpe de Estado.

Janeiro de 1996- Serra Leoa: Valentine Strasser é afastado pela junta que dirigia o país depois de quatro anos.

Janeiro de  1996- Nigéria: Uma junta militar presidida pelo coronel Ibrahim Baré Manassara destitui o presidente Mahamane Ousmane.

Julho de 1996- Burundi: Um golpe de Estado leva ao poder Pierre Buyoya depois da destituição de Sylvestre Ntibantunganya.

Maio de  1997- Zaire: Laurent-Désiré Kabila, à cabeça de uma rebelião após oito meses, se autoproclama chefe de Estado. O Zaire, dirigido depois de 32 anos por Mobutu Sese Seko, se torna República Democrática do Congo. Em janeiro de 2001, Kabila é assassinado por um de seus seguranças. Seu filho, Joseph Kabila, o sucede.

Maio de 1997- Serra Leoa: o presidente Ahmad Tejan Kabbah é derrubado por uma junta dirigida por Johnny Paul Koroma. É restabelecido em suas funções em 1998 depois de uma intervenção de uma força oeste-africana.

Outubro de  1997- Congo-Brazzaville: Denis Sassou Niguesso (1979-1992) retoma o poder depois da vitória de suas milícias sobre as de Pascal Lissouba.

 Abril de 1999-Comores: O exército dirigido pelo coronel Azali Asoumani toma o poder.

 Maio de 1999- Guiné-Bissau: João Bernardo Vieira é derrubado por uma junta em rebelião desde 1998 e dirigida pelo general Ansumane Mané.

Dezembro de 1999-Costa do Marfim: Um motim militar se transforma em golpe de Estado, o primeiro do país. O general Robert Gue  anuncia a destituição do presidente Henri Konan Bédié e a implantação de uma junta.

Março de  2003- República Centro-Africana: O chefe da rebelião, o general François Bozizé, toma o poder após um golpe de Estado enquanto o presidente Ange-Félix Patassé estava fora do país. O avião do governante, que deveria retornar a Bangui procedente de Niamei (Níger), onde havia participado de uma cúpula de chefes de Estado, teve sua frota desviada para Yaundé, capital camaronesa.

Julho de 2003-São Tomé e Príncipe: Uma junta militar liderada pelo major Fernando Pereira derruba o presidente Fradique de Menezes, que realizava uma visita à Nigéria. Após intensas pressões internacionais, o presidente retorna ao seu país e chega a um acordo com os militares para restaurar a ordem constitucional.

Setembro de 2003-Guiné-Bissau: Kumba Yala é afastado por uma junta dirigida pelo general Veríssimo Correia Seabra, morto mais tarde num ataque contra o quartel-general do exército.

Agosto de  2008- Mauritânia: Sidi Ould Cheikh Abdallahi, primeiro presidente democraticamente eleito, é derrubado 15 meses mais tarde pelo general Mohamed Ould Abdel Aziz.

Perguntas para aprofundar a pesquisa sobre o tema:

Quando começaram as lutas pela indpendência dos países da chamada África Negra?

O que é pan- africanismo?

Quais os países da África Negra que, atualmente, convivem com ditaduras?

Sugestão de filme: Hotel Ruanda

Jaime Sodré é historiador, professor e religioso do candomblé.


Sobre apoio pedagógico e generosidade

postado por Cleidiana Ramos @ 3:20 PM
11 de agosto de 2009
Jaime Sodré escreve os textos da série Educaxé aqui no Mundo Afro. Foto: Rejane Carneiro

Jaime Sodré escreve os textos da série Educaxé aqui no Mundo Afro. Foto: Rejane Carneiro

Para os que já acompanham, está aí abaixo mais um capítulo da série Educaxé. Aos navegantes de primeira viagem explico:

Trata-se de uma série de textos produzidos pelo professor Jaime Sodré para servir de apoio pedagógico para o cumprimento da Lei 11.645/08 (mais conhecida pelo número da sua primeira versão- 10.639/03) que estabelece a obrigatoriedade de ensino de História da África, Cultura Afro-Brasileira e História e Cultura Indígenas em todas as escolas brasileiras.

Na primeira parte da série tratamos  do Engenho Velho da Federação, um dos bairros com população predominantemente negra em Salvador, além de ser o endereço de terreiros de candomblé das mais variadas tradições.  O passeio pelo bairro aconteceu, principalmente, via  a história do  Bogum.

Agora nesta segunda parte estamos abordando o tema O Negro e a Política. Cada texto traz perguntas que podem auxiliar a pesquisa de assuntos pertinentes ao que é abordado no capítulo. Portanto, aproveitem este gesto de generosidade de compartilhar conhecimentos, feito pelo professor Jaime. Obrigada mais uma vez e, a benção, mestre!


Educaxé: O negro e a Política- Parte II

postado por Cleidiana Ramos @ 3:19 PM
11 de agosto de 2009
A Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos foi um dos canais de apoio à população negra do período colonial. Foto: Fernando Vivas| AG. A TARDE

A Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos foi um dos canais de apoio à população negra do período colonial. Foto: Fernando Vivas| AG. A TARDE

Formas de Resistência ao Sistema Escravista

Jaime Sodré

Os escravos reagiam de diferentes maneiras diante da violência e da opressão provocadas pelo sistema escravista. Da mesma forma que promoviam fugas e revoltas, aproveitavam a existência de pequenos espaços para a negociação. Espaços que eles próprios conquistaram ao mostrarem aos senhores a necessidade de terem certa autonomia para o bom funcionamento do sistema escravista.

Os senhores conscientes de que dependiam do trabalho escravo – que não raro era especializado – permitiam uma margem para a negociação. Por meio de várias estratégias, que iam desde o enfrentamento direto até a obediência e a fidelidade para com o senhor, encontravam formas para alcançar a liberdade. Uma delas a carta de alforria.

A partir do século XVII, os escravos que sofriam de maus-tratos do seu proprietário, podiam trocar de senhor ou entrar com uma ação judicial de liberdade. Os escravos tomavam também a iniciativa de acionar as autoridades judiciais, muitas vezes com o apoio das irmandades religiosas destinadas aos negros, contra os proprietários que tentavam dificultar a obtenção da alforria.

A alforria poderia ser adquirida gratuitamente ou por meio do pagamento em dinheiro, prestações ou em uma só vez. Outra forma era o depósito de um outro escravo em seu lugar. Contudo, a alforria era sempre revogável. Assim como o proprietário assinava a carta de liberdade, ele poderia anulá-la a qualquer momento. Isso poderia ser feito tendo como justificativa o mau comportamento do escravo.

A maioria das cartas de alforria era onerosa, pelas quais o escravo deveria pagar uma quantia em dinheiro para ressarcir o prejuízo do proprietário ou recompensá-lo indiretamente com a prestação de serviços, permanecendo em sua companhia até a morte, servindo ao cônjuge e  “não ser ingrato ou dar desgosto”.

Essa última condição significava não cometer nenhuma atitude que colocasse em risco a propriedade do senhor ou a sua produção; não atacar física ou moralmente  o proprietário e a sua família e socorrê-lo em caso de doença. Dessa maneira, os proprietários adiavam a liberdade do escravo, pois este deveria primeiramente trabalhar para conseguir pagá-la ou se dedicar aos cuidados do senhor. Apenas uma parcela pequena das cartas de alforria era totalmente gratuita, não exigindo nenhuma contrapartida do escravo.

Assim, o escravo tratava de conseguir dinheiro para comprar sua alforria, obtendo-a como empréstimo ou doação. Para tanto, a rede de solidariedade era fundamental ao cativo. Membros de sua família, amigos, vizinhos, padrinhos, nesse momento contribuíam, de maneira significativa, para o sonho de liberdade tornar-se realidade.

É preciso lembrar que o casamento podia ser considerado uma possibilidade palpável para a obtenção da alforria. Assim, esta raramente aparecia como um projeto individual. Havia, então, o envolvimento do cônjuge, que muitas vezes acabava por libertar seu companheiro. A instituição do casamento tornava-se ainda mais importante para os escravos de origem africana, pois eram estrangeiros em terra de brancos. Tentavam encontrar no matrimônio um apoio, uma segurança.

Um tipo de alforria muito recorrente era aquela apresentada como a última vontade do proprietário, isto é, em testamento. Podia ser incondicional, pela qual o escravo ganhava a liberdade assim que era aberto o testamento, ou condicional, quando ele tinha de cumprir alguma determinação do seu proprietário antes de receber a carta de alforria. Africano de distintos grupos étnicos, crioulo, pardo ou mulato, homem ou mulher, jovem ou idoso, o escravo era lembrado, com frequência, no testamento do seu proprietário.

Recebia recompensas pelos “bons serviços” prestados ao dono e demais parentes da casa, sendo deixado liberto após a morte do senhor. Os escravos que recebiam alforria ainda em vida do seu senhor tinham esse benefício reforçado em testamento.Deve ser esclarecido que o senhor não concedia a liberdade ao seu escravo somente por generosidade. Havia um cálculo político por detrás dessa ação, na medida em que o senhor controlava o comportamento do cativo, através do oferecimento da possibilidade da sua alforria. Dessa maneira, procurava fazer com que esse obedecesse e realizasse os seus serviços de forma satisfatória. Por outro lado, na esperança da recompensa, o escravo cumpria s sua parte no “trato”, visando alcançar a liberdade.

Nota-se que, nos testamentos, as mulheres escravas, além de serem contempladas em número maior com a alforria, apareciam com mais frequência como herdeiras dos bens do proprietário. Em geral, as libertas eram herdeiras de mulheres solteiras ou viúvas. Nesse caso, havia entre a senhora e a escrava um certo vínculo de amizade, poder-se-ia até dizer afetivo. A escrava era sua companheira, com quem contava para seus serviços e seus cuidados. Também as mulheres recebiam com mais frequência a alforria por conta do seu valor menor no mercado em relação aos escravos homens. Dessa forma, a sua substituição custaria menos ao proprietário.

No entanto, após atingirem o seu maior objetivo – a liberdade -, os então libertos tiveram que sobreviver por conta própria e se inserir na sociedade. O preconceito se fazia presente, inclusive na Constituição do Império, que os impedia de adquirir direitos eletivos. Podiam somente participar de eleições primárias. Também não podiam se candidatar, sendo-lhes proibido o exercício de cargos como jurado, juiz de paz, delegado, subdelegado, promotor, conselheiro, deputado, senador, ministro, magistrado ou referentes ao corpo diplomático e eclesiásticos.

Perguntas para aprofundar a pesquisa sobre o tema:

1. O que foi a Revolução dos Búzios?
2. Quais os mecanismos utilizados pelos escravos para a obtenção da alforria no Brasil?
3. Qual o papel das irmandades religiosas negras nas estratégias para a obtenção de liberdade em meio à escravidão?
4. Quando surgiu a Irmande de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos na Bahia e quais as suas principais características?
5. Quando surgiu, na Bahia, a Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte e quais as suas principais características?
6. O que você sabe sobre a Sociedade dos Desvalidos em Salvador?
7. Quais destas associações negras surgidas no período colonial ainda estão em atividade na Bahia?

Jaime Sodré é historiador, professor universitário e religioso do candomblé.    


A seção Educaxé está de volta

postado por Cleidiana Ramos @ 2:57 PM
6 de agosto de 2009

O professor Jaime Sodré coloca  à nossa disposição a segunda parte deste rico, eficiente e solidário auxílio pedagógico chamdo Educaxé.  

Agora os textos disponibilizados estarão tratando da política e suas relações com a questão étnico-racial. O primeiro capítulo já está disponível aí abaixo. Aproveitem. Lembro que os capítulos serão publicados às terças e quintas. 


Educaxé: O negro e a política- Parte I

postado por Cleidiana Ramos @ 2:52 PM
6 de agosto de 2009
Nicolau Maquiavel é o autor do célebre livro "O Princípe". Foto: Reprodução| Arquivo A TARDE

Nicolau Maquiavel é o autor do célebre livro "O Princípe". Foto: Reprodução| Arquivo A TARDE

Jaime Sodré

Entende-se por política, dentre muitas definições, a atividade que resulta em organização, direção ou administração de ações em beneficio de uma comunidade. A grosso modo podemos dividi-la entre política interna e política externa. Em uma sociedade democrática esta atividade pode corresponder às ações dos cidadãos que ocupam cargos públicos, levados ao poder pelo voto, efetivada pelos seus co-cidadãos.

A palavra Política é de origem grega. Os gregos estavam organizados em cidades-estado chamadas Polis, nome do qual se origina a palavra Politike, no sentido geral, e Politikós no sentido de cidadãos.  Para Aristóteles, “o homem é um animal político”.

Em termo de ações básicas, a arte da política implica em gerenciar o modo de governo por meio de uma organização política; aplicar meios adequados e licítos para a obtenção de vantagens, o que, segundo Bertrand Russel seria “o conjunto de meios que permitem alcançar os efeitos desejados”.

Já para Nicolau Maquiavel, no célebre O Príncipe, seria “a arte de conquistar, manter e exercer o poder”, ou seja, o governo. Na época contemporânea, política ganhou novos significados, tais como: ciência do Estado, doutrina do Estado, ciência política ou filosofia política.

A política é exercida pela conquista do poder, que poderá, em síntese, significar o “poder econômico”, ou seja, a posse de certos bens ou fatores de produção. Histórica fonte de poder em relação às classes que detêm a força de trabalho, logo, quem tem fartura de poder econômico poderá determinar o comportamento de quem não o tem, mediante promessa ou concessão de vantagens.

Já o “Poder ideológico” baseia-se na influência que as ideias exercem sobre a visão e conduto de grupos sociais, responsáveis pelas ações e coesão dos grupos. O “Poder político” serve-se de diversos instrumentos, objetivando ações aplicadas a um determinado grupo social, extensiva às ações de força, que a detém, exclusivamente, em relação aos grupos sob a sua influência.

O que a política pretende, em suma, é alcançar por suas ações democráticas a unidade do Estado, garantia de direitos e deveres iguais, estabilidade, o bem-estar coletivo, a prosperidade, a liberdade, os direitos civis e políticos, os direitos humanos, a independência nacional, dentre outros benefícios.

Propomos que vocês observem a aplicação do “exercício político” por parte de “grupos negros”, no decorrer da história do Brasil, África e a diáspora, identificando ações antagônicas ou de coesão, dentro de um mesmo grupo racial ou etnias antagonistas.

Sugerimos também o levantamento dos partidos políticos e seus ideários, principalmente no Brasil, e a relação de políticos negros ou não, comprometidos com os anseios da comunidade afro-brasileira.     

Perguntas para aprofundar a pesquisa sobre o tema: 

1. O que é política?

2. Quem foi Aristóteles?

3. Quais as principais conclusões de Maquiavel em seu livro O Princípe? 

 

Jaime Sodré é historiador, professor e religioso do candomblé
 

 


Edital para promoção da cultura negra

postado por Cleidiana Ramos @ 3:29 PM
4 de agosto de 2009
Zulu Araújo é o  presidente da Fundação Cultural Palmares. Foto: Margarida Neide| AG. A TARDE

Zulu Araújo é o presidente da Fundação Cultural Palmares. Foto: Margarida Neide| AG. A TARDE

Tem edital da Fundação Cultural Palmares para apoiar projetos de promoção da cultura negra.  O financiamento totaliza cerca de  R$ 400 mil. Para concorrer os projetos tem que ter como direção a Lei 10639/03, que detemina o ensino de Históira da África e Cultura Afro-Brasileira, com enfoque em atividades culturais comemorativas ao Dia Nacional da Consciência Negra 2009.

O tema das atividades deve ser Renascimento Africano- Fesman. O Festival de Música e Artes Negras (Fesman), cuja realização prevista para dezembro deste ano acaba de ser adiada (Veja mais aqui sobre o adiamento). Elas devem ser direcionadas para crianças e jovens em idade escolar.  

As inscrições já estão abertas e vão até o dia 14 de setembro. O projeto deve propor ações para todo o mês de novembro em pelo menos uma das seguintes expressões artísticas e sociais: teatro, dança, literatura, música, cinema, moda, design, artesanato, culinária, formação cultural ou seminários com temas políticos e sociais voltadas para a questão negra. 

As propostas podem ser inscritas em duas categorias: Projeto individual, voltado para artistas que desenvolvem trabalhos ligados à cultura negra; e Projeto de Entidades Privadas Sem Fins Lucrativos, que também trabalhem com estes temas e tenham, no mínimo, três anos de fundação.

Cada projeto individual selecionado receberá R$ 20 mil. Até dez projetos podem ser contemplados. Já a categoria de entidades privadas vai premiar cinco propostas com um prêmio de até R$ 40 mil por projeto.

Para acesso à versão on line do edital clique aqui .  Já  neste link você encontra mais informações sobre o processo de seleção.


Primeiro bloco encerrado

postado por Cleidiana Ramos @ 2:08 PM
16 de julho de 2009

Com a publicação do quinto capítulo, o bloco do Educaxé sobre o Bogum está finalizado. O professor Jaime Sodré já prepara uma nova série de textos bem interessantes. A idéia inicial é que ela discuta a participação de militantes negros na política brasileira.

Lembro que os capítulos estão sendo publicados às terças e quintas com o objetivo de fornecer material para o ensino de História da África e Cultura Afro-Brasileira.


Educaxé- Bogum Parte V

postado por Cleidiana Ramos @ 2:00 PM
16 de julho de 2009
Comunidade do Bogum reunida durante visita do ator Danny Gloover em 2003. Foto: Fernando Vivas

Comunidade do Bogum reunida durante visita do ator Danny Gloover em 2003. Foto: Fernando Vivas

 

Respeito e Admiração

As autoridades religiosas do Bogum gozam do respeito da comunidade do povo-de-santo. São citados em reconhecimento os nomes das Donés Emiliana, Ruinhó, Nicinha e Índia, inclui-se a Deré Romaninha de Pó, ekede Santa e os huntós ou ogãs Manoel da Silva, Romão, Amâncio de Melo, Edvaldo, Duarte, Lídio, Sargento Celestino, Gilberto Roque, Antonio Jorge, Jackson, Ailton, Luizinho, Tico, dentre muitos outros.

As suas festas são freqüentadas por centenas e centenas de amigos, simpatizantes e admiradores. O Bogum convive harmoniosamente com os templos vizinhos, a exemplo do Ilê Obá do Cobre, Tanuri Junçara, Casa Branca, Odé Mirim, Unzó Oquinin Bamborucema, Terreiro de Oxumaré, Terreiro do Gantois e outros distantes, incluindo os localizados em outros Estados em especial os do Maranhão (também reduto jeje) e os do Rio de Janeiro. Do ponto de vista internacional existem laços com o Benim e Haiti.

Citada em inúmeras obras, a comunidade jeje do Bogum recebe um bom conceito por suas práticas litúrgicas na etnografia dos cultos afro-brasileiros.

O Zoogodô Bogum Malê Rundó resiste ao tempo e aos desafios através do empenho da Nandoji Índia na manutenção das regras que sempre caracterizaram o povo do Bogum, educando os seus fiéis com valores elevados da sua história e digna resistência.

É um trabalho que necessita do empenho dos seus filhos para a perpetuação da Casa como símbolo de referência da comunidade religiosa afro-brasileira. Com a força dos voduns, apesar dos problemas, decorrentes da condição humana, assim será.

Bibliografia de apoio:
 

Lendas Africanas dos Orixás -Pierre Fatumbi Verger
Orixás- Pierre Fatumbi Verger
Olóòrìsà – Escritos sobre a religião dos orixás- Vários autores
Candomblés da Bahia- Édison Carneiro
Ancestralidade Afro-Brasileira o Culto de Babá Egum- Júlio Braga
A refuge in thunder candomblé andalternative spaces of blackness- Rachel E. Harding
Candomblé – Religião e Resistência Cultural- Raul Lody
O candomblé da Bahia- Roger Bastide
Os orixás – na vida dos que neles acreditam- Maria de Lourdes Siqueira
As Américas Negras-  Roger Bastide


Mais Educaxé

postado por Cleidiana Ramos @ 3:02 PM
30 de junho de 2009

Confiram abaixo mais um capítulo da série Educaxé. O material preparado pelo professor Jaime Sodré tem o objetivo de auxiliar as atividades de aplicação da Lei 11.645/08, que atualizou a 10.639/03.

Esta legislação determina o ensino de História da África e Cultura Afro-Brasileira, além da História e Cultura Índigenas em todas as escolas do País.

A série vai ser publicada aqui sempre às terças e quintas-feiras. Além do texto há uma lista de perguntas. Elas podem servir para aprofundar a pesquisa sobre o tema abordado.  


Educaxé: Bogum- Parte II

postado por Cleidiana Ramos @ 2:56 PM
30 de junho de 2009
 

 

Doné Nicinha comandou o Bogum de 1978 a 1994. Foto: Arquivo A TARDE

Doné Nicinha comandou o Bogum de 1978 a 1994. Foto: Arquivo A TARDE

 

O CLÃ

Jaime Sodré

Dos anos 30 aos anos 50 comenta-se o sacerdócio da Doné Emiliana da Piedade, vodunsi de Ágüe. Seguida por Maria Romana Moreira, Romaninha de Pó, na condição de Deré, assumindo por um breve período os destinos do Bogum, entre 1953 a 1956, fato que não conta com a unanimidade.

A partir de Valentina Maria dos Anjos, a famosa Mãe Runhó, consagrada a Sogbo Adan, de 1960 a 1975, a linha sucessora parece clara e sem contestações.

Segue-se o período glorioso de Evangelista dos Anjos Costa, Lokossi, a sempre lembrada Mãe Nicinha, de Loko. Sua regência, mantendo as tradições mais caras do Bogum, estendeu-se de 1978 a 1994.

Chegamos aos dias atuais e à escolha da seguidora de Mãe Nicinha, cujos feitos memoráveis foram a reforma do espaço sagrado do seu templo e a solicitação da inclusão do Artigo 27o na Constituição Baiana. Os búzios, exaltados pelo Oluwó Agenor Miranda, em 30 de maio de 2002, indicou o nome de Zaildes Iracema de Mello, hieronímio Nandoji, uma filha de Azonsu, conhecida por Mãe Índia, neta da venerável Runhó, assumindo o cargo em 11 de agosto de 2003, com 36 anos de idade e no vigor da sua juventude.

Realizou a ampliação e reformas do sítio religioso do Bogum, (a primeira reforma fora feita na gestão de Gilberto Gil à frente da Fundação Gregório de Mattos e a segunda reforma na gestão do prefeito Antonio Imbassay).

A biografia religiosa de Mãe Índia, ou Nandoji Índia, começa com a sua iniciação pelas mãos de Doné Nicinha, tendo como pai pequeno o humbono Pai Vicente do Matatu, um grande sacerdote do rito jeje, iniciado na vida religiosa por Maria Romana.

Nandoji Índia seria a primeira na ordem iniciática, com a titulação de dofona do seu barco. Filha de uma família que manteve as tradições jeje, tem como pais dona Antonia Firmina de Melo e o sempre lembrado, pelos seus profundos conhecimentos das tradições religiosas jeje, Amâncio Melo.

Dedica-se atualmente à vida sacerdotal, já inaugurando alguns barcos (em torno de três). É difícil elaborar uma listagem completa dos iniciados no Bogum, porém julgamos serem muitos. Calcula-se em, no mínimo, 60 a 100 barcos somando-se os de Doné Runhó, Mãe Nicinha, Emiliana de Ágüe, Romaninha de Pó e Valentina.

Textos-base:

1. Nicolau Parés- A Formação do candomblé- História e Ritual da Nação Jeje na Bahia. Editora Unicamp. Félix Ayoh´omidire. ÀKỌGBÀDÙN – ABC da língua, cultura e civilização iorubanas. Salvador: EDUFBA : CEAO, 2004, p. 85.

Perguntas para aprofundar a pesquisa sobre o tema:

1. O que significa voduns, orixás e inquices?
2. O que são os arará, em Cuba?
3. Qual o papel das mulheres no Candomblé e em outras religiões?
4. Como se organiza a hierarquia do Candomblé?
5.O que é jeje-mahim? 

Jaime Sodré é historiador, professor e religioso do candomblé


Material Didático no Mundo Afro

postado por Cleidiana Ramos @ 1:21 PM
25 de junho de 2009
Jaime Sodré colabora a partir de hoje com a série Educaxé aqui no blog. Foto: Rejane Carneiro| AG. A TARDE

Jaime Sodré colabora a partir de hoje com a série Educaxé aqui no blog. Foto: Rejane Carneiro| AG. A TARDE

O professor Jaime Sodré teve mais umas das suas excelentes idéias: disponibilizar textos que ajudem seus colegas a aplicar a Lei 11645/08 que determina o ensino de História da África e Cultura Afro-Brasileira e de História e Cultura Índigenas nas escolas brasileiras.

A legislação tem uma versão anterior e mais conhecida que é a 10.639/03. A lei ganhou novo número e uma modificação no ano passado para incluir a trajetória cultural dos povos indígenas.

Salvador, em 2005, foi a primeira capital do país a operacionalizar o cumprimento da Lei nas escolas municipais. A iniciativa foi da pedagoga Olívia Santana, hoje vereadora, que na época era a secretária municipal de educação.

Um dos desafios da época e que ainda continua é o pouco material didático disponível ou numa linguagem mais acessível para o ensino fundamental e médio.

Daí que o professor Jaime me perguntou se o Mundo Afro poderia ser um veículo para a divulgação de textos sobre cultura e identidade negras que ele sempre redige.

Respondi que não só o blog estaria aberto como agradeci muito pelo presente, afinal o nosso objetivo é exatamente o de ser útil para o debate sobre estas questões.

A partir de hoje volta e meia vocês encontrarão textos em forma de capítulos. O primeiro é sobre o Engenho Velho da Federação, um dos bairros de Salvador com população majoritariamente negra e também conhecido por reunir terreiros de candomblé de variadas nações.

Jaime decidiu  abordar o bairro com a sua característica de ser endereço de terreiros das religiões afro-brasileiras nas mais variadas vertentes.

Embora o Engenho Velho tenha uma área pequena, ele reúne mais de 20 terreiros das nações angola, ijexá, jeje e ketu do candomblé, mas também de umbanda.

Além disso, os terreiros são considerados quilombos urbanos, ou seja, territórios com área definida onde acontece preservação de cultura e identidade negras.

Nos primeiros capítulos desta série, Jaime conta a história do Bogum, um dos mais conhecidos terreiros do bairro, onde ele ocupa o cargo de oloiê, uma espécie de conselheiro.

Além do texto informativo, Jaime também organizou perguntas e dicas de como usar o material.

Vou também manter o título sugerido por ele: Educaxé e vou seguir a regularidade de publicar dois capítulos por semana, às terças e quintas. 

Educadores, aproveitem!


Projeto Educaxé- Clareando as Mentes

postado por Cleidiana Ramos @ 1:16 PM
25 de junho de 2009
Lei é aplicada nas escolas de Salvador desde 2005. Desafio agora é estender prática a todo o Estado. Foto: Elói Corrêa | AG.  A TARDE

Lei é aplicada nas escolas de Salvador desde 2005. Desafio agora é estender prática para todo o Estado. Foto: Elói Corrêa | AG. A TARDE

Jaime Sodré

Caros Professoras e Professores,

O presente material visa auxiliar-lhes  como elemento básico para as exigências da Lei 11.645/08 (10. 639/03), sobre a História Indígena e Cultura Afro-Brasileira, tendo como conteúdo programático, em relação a este último o estudo da História da África e dos africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas cultural, social, econômica e política, pertinentes à história do Brasil.

Não se trata de “ensinar Candomblé”, mas utilizar a sua trajetória histórica para a compreensão do “ser negro ou afrodescendente” no Brasil. Para tanto propomos:

1. Leia o texto de forma concentrada.
2. Verifique as perguntas abaixo dos textos.
3. Volte a ler o texto, selecionando os assuntos relevantes.
4. Procure responder às perguntas formuladas.
5. Realize um resumo do texto.
6. Elabore uma proposta pedagógica sobre o assunto.
7. Discuta com os seus colegas esta possibilidade.
8. Tente entender outros segmentos religiosos, sob a ótica da participação dos negros ou afrodescendentes, e em relação à contribuição africana.
9. Se possível, aplique a sua proposta pedagógica em sala de aula.

Evidente que outras informações, não constantes deste texto, deverão ser obtidas em pesquisas nas bibliotecas, a exemplo do Ceao, da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, na Ufba, e das Bibliotecas Central e Clemente Mariani, além do Arquivo Público e do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, dentre outras fontes. Incluindo-se também os jornais, hoje facilitados pelo projeto do jornal A TARDE de digitalização do seu acervo, disponível na Biblioteca Central. E, ainda, nesta Biblioteca, o acervo de Waldeloir Rego.

Boa sorte!

Jaime Sodré é professor,  historiador e religioso do candomblé.

 

 


Uma História de Resistência

postado por Cleidiana Ramos @ 1:13 PM
25 de junho de 2009
Interior do barracão do Terreiro Bogum. Foto: Valdir Argolo|Arquivo A TARDE

Interior do barracão do Terreiro Bogum. Foto: Valdir Argolo|Arquivo A TARDE

Jaime Sodré

INTRODUÇÃO

O Engenho Velho da Federação possui, aproximadamente, entre 80 mil a 90 mil habitantes, caracterizados na sua grande maioria como afrodescendentes. Este bairro é considerado como “Quilombo Urbano”, segundo o Decreto nº 4.887, de 20 de novembro de 2003, assinado pelo presidente Lula e, para tanto, foi levado em conta aspectos como a resistência cultural negra instalada em um determinado espaço.

O fato de o Engenho Velho ter em seu território, vários terreiros de candomblé, contribuiu para isto. Comenta-se que este bairro foi resultado de escravos fugitivos, vindos de um engenho na sua proximidade. Sem dúvidas, o Terreiro do Bogum, entre outros, em função da sua história de resistência, deve ter contribuído para a caracterização deste bairro como um quilombo.

Capítulo I – O Jeje

Informa-nos Nicolau Parés do papel desempenhado pelo Jeje no Candomblé. Relata Félix Ayoh’omidire, em ÀKỌGBÀDÙN – ABC da língua, cultura e civilização iorubanas [1], que “a tão procurada etimologia do etinônimo ‘jeje’… só sobreviveu aqui no Brasil, onde se usa como uma referência para a tradição de Candomblé ewe-fon”.

A palavra ‘jeje’ não vem de “àjèjì”, termo iorubano que significa ‘estrangeiro’. O termo ‘jeje’ vem, seguramente, deste oríkì orílè de ìran àjèjè que é uma das linhagens originais que ocuparam a área central da atual República do Benin (antigo Daomé), fruto das primeiras migrações de núcleos iorubanos, que se instalaram no espaço que se estende até Tado, na atual República de Togo.

Segundo ele, os fons foram os últimos a chegar ao espaço geográfico na área que constitui a região central da República de Benin. Além de incorporem a sua língua e cultura, agregaram muitos elementos significativos desenvolvidos pelos seus vizinhos.

Ainda explica Félix, que “um exemplo disso é a presença de muitos voduns que são os paralelos de alguns orixás iorubás, voduns esses cujos nomes ainda refletem a sua origem iorubá. Por exemplo, o vodum Legba é o mesmo Exù Ẹlégbara; enquanto o Ṣàngó dos iorubanos virou Hevioso”.

Quanto ao sistema de adivinhação, embora seja chamado de Ifá entre os iorubanos, “é conhecido simplesmente como Fá entre os ewe-fon”. Em relação ao azeite de dendê, elemento fundamental da culinária religiosa, em especial na Bahia, foram os Aresas os introdutores da técnica de extração do dendê naquela região.

Quanto aos jeje, afirma o autor, são conhecidos em Cuba como arará, termo cuja origem ainda “não foi desvendada pelos historiadores até o momento atual”.

Concluindo, afirma Félix: “a minha tese a respeito da origem dos jeje é que esse povo estava com maior freqüência na sua identidade de ajeje aqui no Brasil, como isso acontece ainda hoje, em meios ioruba-africano… muitas pessoas só preferem citar seu oríle em vez de dar o seu nome próprio ou nome de família”.

O “Jeje”, é assim que o povo se refere, com carinho e reconhecimento, ao Zoogodô Bogum Malê Rundó, instalado no “fim de linha” do Engenho Velho da Federação. Parés testemunha o dinamismo de seus sacerdotes e sacerdotisas, no enriquecimento do patrimônio cultural religioso negro. Atores da resistência deste “modo particular de rezar”, adoçavam este “bom combate” com atos de dignidade.

A comunidade do Bogum expõe a sua particularidade dizendo-se único, embora haja a consciência de íntimas ligações com o jeje-marrim de Cachoeira, a Roça de Cima.

Esta Roça seria a continuidade do Candomblé do Bitedô ou Oba Têdô, localizada na Recuada. Ligado a este templo estaria o sacerdote Kixareme ou Tixarene e a venerável sacerdotisa Ludovina Pessoa da Irmandade da Boa Morte e elo de ligação entre Cachoeira e Bogum.

D. Ludovina seria a iniciadora do clã feminino do Bogum, através da realização dos processos iniciáticos de Maria Emiliana da Piedade, mãe carnal de Maria Luisa Piedade, a venerável Maria Ogorensi ou Angorensi, fundadora do Seja Hundé em Cachoeira, Terreiro contemporâneo da Roça de Cima onde, segundo comenta-se, reduto de concentração jeje, após a extinção da Roça de Cima.

Maria Romana Moreira, iniciada por Ogorensi, conhecida como Romaninha de Possu Betá Poji, desempenhou importante papel tanto em Cachoeira quanto no Bogum, onde assumira o papel de Deré, o segundo cargo jeje mais elevado, tendo apenas como superior o cargo de Doné, no Bogum, ou Gaiaku, em Cachoeira.

A ocupação deste posto se efetivou antes da ascensão de Maria Valentina dos Anjos, a sempre lembrada Doné Runhó, na direção máxima do Bogum.

Este vínculo entre o Bogum e os terreiros jeje-marim de Cachoeira recebe, por vezes, contestações, dividindo opiniões. Alguns mencionam o fato de Ludovina Pessoa ter sido a primeira mãe-de-santo do jeje-marrim, fato que alguns do Bogum contestam, alegando que esta era apenas uma das antigas amigas da Casa.

Lidamos com a falta de registros seguros, o que nos impede de uma posição consolidada, mas podemos optar que, provavelmente, Ludovina seria fundadora da Roça de Cima, em 1860, e teria ligações com o Bogum, no mínimo, como uma figura relevante, ou seja, muito mais que “uma amiga da casa”. Alguns mantêm a opinião que ela fora “uma antiga Mãe de santo jeje”.

Ao que parece, após o tempo de Ludovina, houvera uma marcante interrupção nas atividades do Terreiro, surgindo na memória coletiva o prenome Valentina e a identificação do seu vodum Adaen, como autoridade máxima, dissera certa feita Doné Runhó a pesquisadores do Ceao.

Questões para incentivar a pesquisa em sala de aula:

1. A que se refere o Decreto 4.887, de 20 de novembro de 2003? Esta lei poderia ser usada para uma definição de  quilombos?

2. Por que um terreiro de Candomblé pode ser considerado um elemento que se caracteriza como “resistência cultural”?

3. Que fatores contribuem para uma visão preconceituosa sobre as religiões de matrizes africanas?

4. Que estratégias usaram os sacerdotes do Candomblé para a sobrevivência da sua fé?

5. Como  se organizaram os terreiros, levando em conta a sua procedência africana?

6. Como surgiu o Terreiro do Bogum?

7. Como surgiram outros terreiros?

8. Como é considerado por lei o bairro do Engenho Velho da Federação, e por quê?

9. O que significa a palavra etinônimo?

10. O que seria um Candomblé ewe-fon?

11.  O que você sabe sobre a  República do Benin e a República de Togo?

Textos-base:

 1. Nicolau Parés- A Formação do candomblé- História e Ritual da Nação Jeje na Bahia. Editora Unicamp. Félix Ayoh´omidire. ÀKỌGBÀDÙN – ABC da língua, cultura e civilização iorubanas. Salvador: EDUFBA : CEAO, 2004, p. 85.

 

 


O desafio do ensino das culturas Afro e Indígena nas escolas

postado por Cleidiana Ramos @ 3:45 PM
1 de junho de 2009
Eugênia Ana dos Santos é um exemplo das escolas que conseguem cumprir a Lei 10639/03 com perfeição. Foto: Elói Corrêa | AG.  A TARDE

A Eugênia Anna dos Santos é um exemplo das escolas que conseguem cumprir a Lei 10639/03 com perfeição. Foto: Elói Corrêa | AG. A TARDE

O ensino de História da África e Cultura Afro-Brasileira nas escolas de todo o  país é obrigatorio segundo uma Lei promulgada há seis anos (10639/03).

No ano passado,  a legislação sofreu uma modificação ( Lei 11645/08) e  passou a obrigar também o ensino da História e Cultura Indígenas.

O problema é que a operacionalização continua lenta. Falta de material didático,  professores sem formação para abordar o tema adequadamente, dentre outros entraves costumam ser apontados pelos governos nas três categorias (municipal, estadual e federal) para explicar o não cumprimento da legislação nos moldes em que já devia  acontecer.

Salvador ao adotar,em 2005, a política de cumprimento da Lei foi a primeira capital do país a tomar esta medida. E para tornar realidade a promessa  nas escolas públicas da capital baiana não tem sido fácil. No universo das particulares então tem sido ainda mais vagaroso. Imaginem o desafio de fazer o mesmo em todo o território baiano.

Este assunto foi tema de uma matéria que saiu  no caderno Vestibular encartado na edição de hoje do jornal A TARDE.

A reportagem assinada por Nina Neves traz um apanhado sobre como os alunos enxergam a questão- eles acham positivo aprender a história do Brasil do ponto de visto de outras culturas que não a eurocentrista- e também sobre experiências para aplicação da legislação efetuadas na Bahia.

Como uma das queixas relacioandas ao cumprimento da Lei é falta de material de suporte fica aqui a sugestão de leitura para quem gosta e precisa acompanhar o tema.  


Seção em formato especial

postado por Cleidiana Ramos @ 11:04 AM
30 de abril de 2009

Como vocês vão notar aí abaixo o artigo da nossa seção Balaio de Ideias (desculpem, mas só agora percebi que estava usando a grafia anterior ao famigerado acordo ortográfico e, portanto, com acento, mas já corrigi) está maior do que de costume. A expcepcionalidade é porque o autor do artigo, o professor Jaime Sodré, disponibilizou um texto com base histórica sobre Mãe Menininha e que, como ele mesmo indicou, pode servir de base para conteúdos relacionados à aplicação da Lei 10.639/03.  O final do texto, inclusive, tem referências da origem das informações. Aproveitem então.  


Educadores lançam vídeo sobre Lei 10.639/03

postado por Cleidiana Ramos @ 12:07 PM
29 de abril de 2009
Estréia será amanhã na Sala Walter da Silveira. Foto: Divulgação

Estréia será amanhã na Sala Walter da Silveira. Foto: Divulgação

Amanhã, 30, com sessões às 16 e às 20 horas, estréia, o documentário Práticas Pedagógicas: a diversidade cultural na sala de aula. As exibições acontecerão na Sala Walter da Silveira, localizada no prédio da Biblioteca Pública, Barris. A entrada é gratuita.

    
O documentário foi produzido por educadores da Coordenadoria Regional da Liberdade, com a coordenação da educadora Jô Bahia.  O roteiro e a direção ficaram com o professor Bruno D´Almeida.

O vídeo aborda ações para a aplicação da Lei 10.639/03 que estabelece o ensino de História da África e Cultura Afro- Brasileira nas escolas do País. No ano passado a Lei foi modificada pela 11.645  que incluiu também a obrigatoriedade do ensino da  cultura indígena.

A Coordenadoria da Liberdade engloba 30 escolas municipais e a região é conhecida como a de maior concentração da população negra de Salvador. É também uma das mais efervescentes culturalmente, afinal é o endereço de instituições como o Ilê Aiyê.

       
A escola Mãe Hilda, mantida pelo Ilê, é uma das pioneiras na cidade na inclusão de práticas estabelecidas pela Lei. O vídeo aborda a atuação de professores, como Niclécia Gama, da Escola Municipal Abrigo Filhos do Povo, que por meio de uma atividade sobre as Casas Ndebeles africanas, trabalhou conteúdos de língua portuguesa, geometria, geografia e história com seus alunos.

 
“Ao todo, neste documentário, doze professores realizam atividades para seus educandos, mostrando que o ensino da cultura afro não se limita a atividades festivas, que são muito importantes, mas também em todas as áreas de estudo, habilidades e competências do currículo escolar”, afirma a educadora Jô Bahia.

Segundo Jô Bahia, nenhuma das atividades foi feita exclusivamente para o vídeo.“Tudo foi feito no decorrer do ano letivo, durante o planejamento pedagógico dos professores e da escola, e recuperado para a produção audiovisual”. A experiência animou a equipe. O diretor Bruno D´Almeida conta que já estão em andamento novos projetos.

 
“Este é o primeiro documentário do Núcleo de Produção Audiovisual, que funciona atualmente na CRE Liberdade e já estamos nos preparando para produzir um novo documentário, intitulado Contadores de histórias, mais uma vez com a participação central de professores e educandos da rede escolar”.