Afro Imagem: Lançamento de Obaràyí

postado por Cleidiana Ramos @ 12:31 PM
2 de setembro de 2009
Pai Balbino de Xangô em noite de lançamento da sua biografia. Foto: Ricardo Prado| Divulgação

Pai Balbino de Xangô em noite de lançamento da sua biografia. Foto: Ricardo Prado| Divulgação

Para quem não pôde ir, como eu, está aí um registro do lançamento do livro  Obaràyí- Babalorixa Balbino Daniel de Paula, no último dia 27.  O lançamento da biografia do sacerdote que comanda o Ilê Axé Opô Aganju e tem uma edição de 680 páginas com quase mil fotografias, aconteceu no Palácio da Aclamação.


A benção: Parabéns ao Filho do Rei

postado por Cleidiana Ramos @ 11:34 AM
24 de agosto de 2009
Obaràyí completa, hoje, 50 anos de consagração ao candomblé. Foto: Marco Aurélio Martins| AG. A TARDE

Obaràyí completa, hoje, 50 anos de consagração ao candomblé. Foto: Marco Aurélio Martins| AG. A TARDE

O terreiro Ilê Axé Opô Aganju está em festa. Hoje, o seu babalorixá, Balbino de Xangô, Obaràyí, completa 50 anos da sua consagração religiosa. Na programação dos festejos está o lançamento de sua biografia, numa edição luxuosa, com 680 páginas e muitas, muitas fotos, quase mil. O lançamento será na próxima quinta, às 19 horas, no Palácio da Aclamação.

Na última sexta-feira tive a sorte de fazer uma longa entrevista com Obaràyí, que tem caracteristicas muito próximas daquelas atribuídas a Xangô, orixá a quem é consagrado: a postura de rei, o humor e a energia, próprias da divindade que controla o fogo e é o soberano de Oyó.

Para quem não viu a matéria na edição de domingo vou colocar aqui abaixo só o texto principal. Quem quiser ver o restante pode procurar no primeiro caderno da edição de domingo, página A6:

Festa para o Filho de Xangô

Balbino Daniel de Paula, 68 anos, é filho do orixá que tem posto de rei: Xangô, senhor de Oyó, tão celebrado na Bahia. Não é segredo que os homens e mulheres do candomblé baiano costumam  apresentar em seus gestos, mesmo os mais sutis, traços atribuídos às divindades a quem são consagrados. Neste caso não é diferente. Quando fala e gesticula, Obaràyí, o nome sagrado do babalorixá do Ilê Axé Opô Aganju, transpira a postura de rei. Como monarca seguro dos seus domínios, nada acontece no entorno do Aganju que ele não perceba e comente, mesmo quando parece absorvido nas memórias dos 50 anos de sacerdócio que comemora amanhã. 

A festa que acontece, a partir das 10 horas, no Ilê Axé Opô Aganju, em Lauro de Freitas, é a segunda atividade de uma programação iniciada no sábado com uma missa na Igreja da Conceição da Praia. Na quinta-feira, a partir das 19 horas, no Palácio da Aclamação, tem o lançamento de Obaràyí- Babalorixá Balbino Daniel de Paula, que traz a biografia do religioso.

Esta série de atividades para a celebração dos 50 anos de sacerdócio de Obaràyí  caminha no estilo de Xangô, um orixá que transpira alegria. Suas aparições nos terreiros são marcadas por uma dança frenética, mas cheia da dignidade de quem sabe ser rei, a ponto de seus filhos serem conhecidos como “aqueles que têm pé de dança”. 

Mas Xangô é também o senhor da Justiça, um traço que Balbino diz, com segurança, ter herdado do seu orixá. “Não gosto de injustiça e sou justo. Às vezes tiro coisas de mim para dar para os outros sem esperar recompensa”, conta. Não custa lembrar que os bons líderes, realmente, sabem como equilibrar a autoridade com a generosidade e são lições desse tipo que o babalorixá tem colecionado ao longo de meio século no candomblé.

“Fico pensando sobre o que fiz na minha vida. Se fiz o bem ou se fiz o mal. Mas acho que fiz o bem, pois meu orixá não deixaria ser de outra forma”, diz Balbino.

A sua consagração no candomblé foi conduzida por uma das mais célebres sacerdotisas da Bahia: Mãe Senhora de Oxum, uma das ialorixás que comandaram o Ilê Axé Opô Afonjá.

Respeitada tanto no meio do povo-de-santo quanto nos círculos intelectuais de Salvador, Senhora reinou no Afonjá do final da década de 30 a 1967 quando morreu. “Conviver com ela era maravilhoso. Ela era como uma rainha”, conta Pai Balbino.

No entorno de Mãe Senhora estava alguém que iria marcar de forma especial a vida de Pai Balbino: o etnógrafo e fotógrafo, Pierre Verger. Ao se referir ao francês que  ganhou o sagrado nome de Fatumbi, a emoção toma conta de Balbino:

“Não tem como falar de Fatumbi sem usar o coração. Foi ele que me convenceu a abrir o terreiro, lembrando que eu tinha que manter a minha herança ancestral”. O Ilê Aganju foi fundado em 1972.

Inquietude – A amizade entre Balbino e Pierre Verger, que tinha o posto de mogbá, uma espécie de ministro de Xangô no Aganju, era antiga.

Foi por meio de Verger que Balbino pisou pela primeira vez em uma das terras com as quais a Bahia guarda relações sagradas: o Benim.  Isto por conta do filme Brasileiros da África e Africanos no Brasil, que teve Verger como roteirista e o babalorixá como ator principal. Além do Benim, Pai Balbino visitou, no continente africano, Nigéria, Senegal e Costa do Marfim. Mas foi também a países de outras partes do mundo,  pois o filho de Xangô é inquieto e viaja muito.

Seu lugar preferido, dentre os tantos que visitou? “Aquele onde me tratem bem”, responde, rápido, sem pensar. Aliás, acompanhar o seu ritmo é para quem tem muito pique. Vê-lo tranquilo, sentado numa cadeira, como fez para dar a entrevista para A TARDE e para a TVE, é raridade.

“Eu fiquei aqui uns 15 dias para gravar uma parte do filme e fiquei impressionado com o ritmo dele. Tinha dia que por volta de duas horas da manhã ele ainda estava conferindo as imagens no monitor”, narra o cineasta e diretor do Irdeb, Pola Ribeiro.

Pai Balbino assessorou a equipe de O Jardim das Folhas Sagradas, o novo trabalho de Pola, durante as filmagens no Aganju. Mas, pensando bem não é para ser surpresa tanto ritmo, afinal, outra conhecida atribuição de Xangô é a ciência de dominar a rapidez do raio.