Lançamento do livro de Mãe Valnizia é amanhã

postado por Cleidiana Ramos @ 11:02 AM
11 de outubro de 2011

Amanhã é dia do lançamento do livro de Mãe Valnizia de Ayrá. Foto: João Alvarez/Divulgação

Meire Oliveira

História contada pelas próprias mãos. A premissa é a motivação da yalorixá Valnísia de Aiyrá,que lança o segundo livro, Aprendo Ensinando: experiências num espaço religioso, amanhã, às 18 horas, na Praça de Oxum do Terreiro da Casa Branca,Av. Vasco da Gama, 463.

Dois anos depois de iniciar o registro de sua trajetória em Resistência e Fé: fragmentos da vida de Valnízia de Aiyrá, de 2009, falando sobre pessoas que fizeram parte da sua vida, como a infância e a sua iniciação religiosa, a líder espiritual do Terreiro do Cobre, na nova obra,l ançada no dia do seu odún (data de iniciação), conta seu processo de aprendizagem com os erros, acertos, trocas e observações ao longo da formação e crescimento da família de axé.

A narração detalhada das situações com as dificuldades e êxitos demonstra a segurança de quem sabe e sente o que escreve, típico da experiência adquirida na academia da vida de onde faz questão de ser eterna aluna. Essa transparência é traduzida nas 100 páginas de discurso leve como uma conversa, tornando o leitor um amigo.

Desde o primeiro iniciado, Mãe Val conta a chegada e trajetória decadafilhoqueXangôdelegou a vida espiritual aos seus cuidados até hoje. Depois da primeira publicação, Mãe Val amplia o legado aos seus filhos e religiosos do Terreiro da Casa Branca (o mais o mais antigo terreiro da nação ketu no Brasil), onde foi iniciada.

O fato de conhecer detalhes de sua história por pesquisas antropológicas incomodou a sacerdotisa, que é tataraneta da africana Margarida de Xangô, que se instalou na Barroquinha,e bisneta de Flaviana Bianc de Oxum, que trouxe o Cobre para o Engenho Velho da Federação.

“Quero que meus filhos e os filhos e netos deles conheçam sua ancestralidade e o motivo de estar noTerreiro do Cobre por mim”. Convicta da importância de repensar suas ações, fazer o melhor e mudar no que for necessário,a autora abre espaço para filhos e amigos que expressam opiniões sobre o terreiro e sua líder em poesias e depoimentos. Atitude que revela a consciência do significado do registro na religião, que tem a oralidade e a vivência como meios básicos de repasse de conhecimento,e a consciência de ter muita história para contar.


Novo livro de Mãe Valnizia já está pronto

postado por Cleidiana Ramos @ 5:08 PM
27 de setembro de 2011

Mãe Valnizia lança novo livro no próximo dia 12. Foto: João Alvarez/Divulgação

Mãe é sempre motivo de orgulho e quando elas ultrapassam as nossas expectativas ainda mais. Assim é com a minha mãe espiritual, a ialorixá Valnizia de Ayrá, que não para de supreender.

Quando ainda estamos em festa com o lançamento de sua bela autobiografia intitulada Resistência e fé, eis que ela nós dá outro presente: Aprendo ensinando: experiências num espaço religioso.

No novo livro, ela conta as historias originadas da sua relação com os seus filhos espirituais do Terreiro do Cobre e também da sua vivência na Casa Branca do Engenho Velho, o mais antigo terreiro de nação ketu do Brasil, onde fez sua consagração religiosa.

O lançamento será no dia 12 de outubro, a partir das 18 horas, na Praça de Oxum no Terreiro Casa Branca.

Volto, claro, a falar mais do livro, logo, logo.    


Casa Branca reverencia Ayrá

postado por Cleidiana Ramos @ 6:28 PM
28 de junho de 2011

Casa Branca faz festa, amanhã, para Ayrá. Foto: Fernando Vivas | Ag. A TARDE| 11.03.2005

Amanhã tem uma festa muito especial na Casa Branca: a fogueira de Ayrá.

Senhor da luz, do fogo e membro da família de Xangô, o senhor que veste branco conquista a todos com sua aura de sabedoria, realeza e magnitude.

Quem já viu o Ayrá de Mãe Valnizia, ialorixá do Terreiro do Cobre e filha-de-santo da Casa Branca, sabe de toda a beleza e boas energias que cercam essa festa.

O rito começa às 20 horas e um lembrete importante: o traje é branco.


Okê Arô! Salve o Caçador

postado por Cleidiana Ramos @ 5:55 PM
23 de junho de 2011

Casa Branca é um dos terreiros que começam o calendário saudando Oxóssi. Foto: Fernando Vivas | Ag. A TARDE| 30.11.2004.

Hoje todas as homenagens se dirigem a Oxóssi, o senhor da caça e protetor das matas. Três dos mais tradicionais terreiros da Bahia – Casa Branca, Gantois e Ilê Axê Opô Afonjá – começam seus calendários litúrgicos saudando o orixá que veste azul turquesa.

Tradicionalmente, estas festas acontecem na festa de Corpus Christi. Já perguntei a alguns estudiosos o porquê dessa coincidência de datas. Para alguns, é que, como Corpus Christi é um dia bem solene para os católicos, os africanos e seus descendentes escravizados encontravam maior facilidade para saudar o orixá caçador diante de uma folga na data em que é recomendado o recolhimento.

Mas, lembro de uma explicação que me foi dada pelo historiador Waldir Freitas Oliveira que achei bem pertinente. Segundo ele, na procissão de Corpus Christi em tempos coloniais, o andor de São Jorge, com quem Oxóssi foi associado na Bahia diante do encontro entre catolicismo e candomblé, vinha à frente da procissão que sempre foi cercada de muita solenidade na capital baiana.

Este ano a coincidência é bem bonita por ter caído em um dia de tanta festa e com pratos à base de milho, uma das comidas de Oxóssi.

Portanto, Okê Arô, Senhor Caçador!


Cinquenta anos do Pilão de Prata

postado por Cleidiana Ramos @ 2:22 PM
8 de fevereiro de 2011

Articulista faz registro da história do Pilão de Prata. Foto: Fernando Vivas | Ag. A TARDE

Jaime Sodré

Sentimento de orgulho leva-nos a registrar a trajetória de famílis negras que descendem de núcleos familiares africanos, das mais variadas procedências, todas dignas. À dolorosa situação compulsória na condição de escravos, somava-se a quebra do vínculo comunitário e familiar. Famílias negras, algumas núcleos das religiões de matriz africana, povoaram com dignidade a cidade do Salvador. Entre estas, registramos as famílias Alaketu, Asipá, Alakija. Esta introdução conduz-nos ao nosso assunto: a família Bangbosé, a trajetória do Làjoumim e do Ilê Odô Ogê, que remonta às origens do candomblé no Brasil.

Personalidades como iyá Detá, iyá Kalá e Iyá Nassô implantaram a liderança feminina na formação do culto de base africana em Salvador, associadas a líderes masculinos como babá Asipá, Bangbosé Obitikô (Rodolfo Martins Andrade), que trouxera em sua companhia o seu Òsú em seu Orí, o fundamento do culto a Xangô.

Destacado integrante do reino de Oyó, Bangbosé era o acólito que carregara o oxé, instrumento associado ao poder do orixá Xangô. Conhecedor dos ritos do candomblé, Obitikô era a presença que possuía o embasamento fundamental na consolidação deste culto. Associado aos conhecimentos de iyá Nassô e Marcelina Obatossí entre outras, Bangbosê torna-se um dos patronos do candomblé na nova África-Brasil.

Do Iyá Omin Asé Airá Intilé na Barroquinha, Ilê Asé Nassô Oká, a Casa Branca, nasce o Terreiro Làjoumim, em 1941, cuja direção competente e generosa caberia a Caetana América Sowzer, nobre herdeira da tradição e do axé Bangbosé.

A reverendíssima iyá Caetana, Mãe dos Olhos D´Água, filha de Felisberto Américo Sowzer, Oguntosi, instrutor da sua disciplina religiosa, esta, transmitida por seu bisavô, Làjoumim assumira a continuidade da tradição Bangbosé, tendo como antecessores Maria Andrade Sangôbiyí, a filha dileta de Obitikô, e Felisberto Benzinho, respeitado babalaô. É no terreiro de Felisberto Benzinho, no Luiz Anselmo, que cresce a promissora Làjoumim, a Mãe dos Olhos D´Água, mãe Caetana, com sensibilidade e clarividência nata para elucidação dos enigmas religiosos, por isso muito respeitada. Elegante, em uma nobreza legítima, gosto requintado, refletido em suas roupas, verdadeira “alta costura” do candomblé, e nos objetos que refletem a nobreza típica do seu orixá.

A fertilidade do Terreiro Làjoumim procriou o Ilê Odô Ogê, o Pilão de Prata, tendo na sua lidernça, o gentilíssimo e competente babalorixá Air José de Souza, de Oxaguian, filho de Tertuliana Souza de Jesus, Tibúsè. Sobrinho querido de mãe Caetana, responsável por sua iniciação, pai Air é um legítimo seguidor da família Bangbosê, nos seus ritos e tradição.

Pai Amilton Costa cedeu-lhe o terreno, no qual Pai Air segue a sua missão instalando o Pilão de Prata. Com os estímulos dos irmãos da Casa Branca e o incentivo de mãe Caetana, a direção do Làjoumim ficaria a cargo da sua sobrinha, iyalaxé Haydée, filha dileta de Xangô.

Embora separados pelo espaço geográfico, o Pilão de Prata, situado no Alto do Caxundé, na Boca do Rio, e o Làjoumim, localizado na Rua Xisto Bahia, na Vasco da Gama, formam uma grande família, digna da sua tradição. Pai Air empregou os seus esforços na instalação do Memorial Làjoumim, uma justa homenagem a mãe Caetana no seu primeiro axexê. Localizado no Pilão de Prata, o memorial é composto de objetos refinados, elementos associados ao bom gosto de Mãe Caetana.

Para apoio às virtudes intelectuais dos fiéis do candomblé e da comunidade, pai Air construiu a Biblioteca Làjoumim, inaugurada em 2000, na cerimônia dos sete anos de falecimento de mãe Caetana. Coube também a ele a criação da Sociedade de Presevação do Asé Bangbosé, encarregada da administração do patrimônio material, cultural e religioso do Làjoumim e Pilão de Prata. Reformas no entorno do terreiro culminam com a instalação de um monumento a mãe Caetana. São cinquenta anos de resistência do legado religioso africano. O Ilê Odô Ogê é referência e orgulho do povo da Bahia e do axé.

Jaime Sodré é professor universitário, doutorando em HIstória Social e religioso do Candomblé


Okê Arô!

postado por Cleidiana Ramos @ 1:39 PM
3 de junho de 2010

A Casa Branca é um dos terreiros que inicia hoje seu ciclo de festas. Foto: Arquivo A TARDE

Hoje os terreiros Casa Branca do Engenho Velho da Federação, Gantois e Ilê Axé Opô Afonjá começam os seus ciclos de festas. As homenagens são para Oxóssi, senhor das matas, o rei dos caçadores e, portanto, provedor da sua comuidade e o que proporciona fartura.

Não tenho aqui comigo o calendário das festas, com os seus horários exatos, mas o Afonjá, que fica em São Gonçalo do Retiro, costuma começar o rito mais cedo, ali por volta das 19h30. Casa Branca (Avenida Vasco da Gama) e Gantois (Alto do Gantois, Federação) por volta das 21 horas.

São festas abertas ao público, mas atenção com algumas regras: sempre escolham cores claras para vestir; não é permitido o uso de bebidas alcóolicas e a movimentação dentro do barracão deve seguir as regras das Casas que, normalmente, no caso destas três não permitem registros fotográficos. É de bom tom desligar o celular como, geralmente, se faz em qualquer cerimônia; homens e mulheres ficam em espaços diferentes no barracão. Dúvidas podem ser tiradas com os ogãs que ficam sempre a postos para orientar visitantes.

No mais é apreciar a beleza destas festas e saudações ao grande Oxóssi: Okê Arô!

Tradição— Oxóssi na Bahia foi associado, no encontro entre candomblé e catolicismo, com São Jorge. Não se sabe ao certo porque estas três casas irmãs — o Gantois e o Afonjá foram fundados por sacerdotisas egressas da Casa Branca — iniciam seu calendário festivo com honras a esse orixá. Casa Branca e Afonjá, inclusive, tem com patrono Xangô.

Uma das explicações, formulada pelo professor Valdir Freitas de Oliveira, é que na procissão de Corpus Christi, importantíssima para a cidade e a primeira realizada após a fundação de Salvador, em 1549,  São Jorge tinha um lugar de destaque. O seu andor vinha à frente.

Além disso, esse era um dia, talvez, de razoável folga na labuta de quem era escravo. Por ser um dos mais importantes dias santos (nesta festa os católicos celebram o sacramento da Eucaristia, que acreditam, é a presença do próprio Jesus em forma de comida na hóstia consagrada que desfila pelas ruas levada por um sacerdote) havia, para os escravos e também libertos uma melhor tranquilidade para celebrar na linguagem da crença inspirada na África.         


Liderança feminina no candomblé em destaque

postado por Cleidiana Ramos @ 4:12 PM
26 de maio de 2010

A ialorixá da Casa Branca, Mãe Tatá, é uma das lideranças do candomblé baiano. Foto: Abmael Silva | AG. A TARDE| 15.11.2007.

Pessoal: amanhã das 8  às 18 horas tem a I Oficina de Lideranças Femininas das Religiões de Matriz Africana na Bahia. A ideia do encontro é muito legal: troca de experiências entre essas mulheres que são exemplo de resistência na conservação das tradições afrorreligiosas.

O encontro vai acontecer  no Centro Cultural da Barroquinha, local que tem uma estreita relação com a história de constituição da Casa Branca, que é considerado o mais antigo terreiro de tradição ketu do Brasil.

As interessadas podem comparecer e fazer a sua inscrição, que é gratuita. A programação é extensa, mas as oficinas serão sobre história, com a participação da professora Cecília Soares,  que tem um trabalho maravilhoso sobre a atuação das mulheres negras no século XIX; sobre liderança, dentre outros temas. Também vai acontecer a mostra de filmes.


Exposição aborda decoração da Casa Branca

postado por Cleidiana Ramos @ 4:15 PM
5 de janeiro de 2010
Decoração dos espaços do terreiro Casa Branca durante as festas é tema de exposição. Foto:  Lúcio Távora | AG A TARDE

Decoração dos espaços do terreiro Casa Branca durante as festas é tema de exposição. Foto: Lúcio Távora | AG A TARDE

Um evento interessantíssimo para quem curte fotografia e também se interessa por candomblé: na próxima sexta-feira, a partir das 18 horas, será aberta a exposição intitulada Depois da Festa- Decoração ritual do Terreiro da Casa Branca.

A mostra traz fotografias da decoração litúrgica da Casa Branca feitas por Regina Martinelli Serra. É uma oportunidade de conferir a variação de cores e formatos que tomam o barracão e outros espaços dos terreiros durante as festas. 

Regina Martinelli Serra é membro da comunidade da Casa Branca. Em 2001 ela pediu licença à ialorixá do terreiro, Mãe Tatá, para fazer as fotografias.

“Na Casa Branca não se pode fazer fotografias durante os rituais. Às vezes tinha que esperar um pouco mais, pois havia os erês e na sua presença também não podia registrar nada. Durante dois anos fui fazendo as fotos. Fiz também retratos que pretendo um dia incorporar a esta exposição”, conta Regina.

De acordo com ela, a exposição é também uma forma de mostrar a beleza do trabalho feito pela comunidade da casa, na maioria das vezes com papel, flores e pano. “Tudo muito simples e extremamente belo.  A criatividade do povo de santo conseguia tirar daqueles  elementos um esplendor que até hoje me comove”, completa.

A mostra prossegue até o dia 5 de março.O período de visitas é de segunda a sexta das 9 às 18 horas, no Museu de Arqueologia e Etnologia da Ufba e no Museu Afro-Brasileiro, ambos localizados no prédio da antiga Faculdade de Medicina, no Terreiro de Jesus, Pelourinho.


Iphan disponibiliza informações sobre proteção a terreiros

postado por Cleidiana Ramos @ 1:01 PM
28 de outubro de 2009
O Gantois é um dos terreiros reconhecidos como patrimônio nacional. Foto: Marco Aurélio Martins | AG.  A TARDE

O Gantois é um dos terreiros reconhecidos como patrimônio nacional. Foto: Marco Aurélio Martins | AG. A TARDE

Está sendo finalizado hoje em Salvador o seminário internacional Políticas de Acautelamento do Iphan para Templos de Culto Afro-Brasileiros. Por conta de outras demandas aqui no jornal, relativas à preparação do especial do Dia Nacional da Consciência Negra 2009 ( daqui a alguns dias conto as novidades), não pude acompanhar de perto. 

O objetivo do  encontro é abordar as  políticas existentes para a proteção dos terreiros que vivem o desafio de enfrentar problemas como o avanço em suas áreas devido ao crescimento urbano desordenado.

O primeiro terreiro a receber o título de patrimônio nacional foi a Casa Branca do Engenho Velho, em 1984.  Logo depois foram contemplados o Ilê Axé Opô Afonjá (1999), o Gantois (2002) e o Bate-Folha (2003). A Casa das Minas, localizada no Maranhão, foi reconhecida em 2001.

O encontro contou com a participação da Université Nationale du Bénin; do Institut de Recherche pour le Développément, França;  da Universidade Federal de Pernambuco;  da Universidade Federal do Maranhão e da Ufba.  Para outras informações sobre este assunto vale consultar o site do Iphan. Para navegar por lá clique aqui.    


Feira da Saúde e homenagens na Casa Branca

postado por Cleidiana Ramos @ 6:04 PM
24 de setembro de 2009
Mãe Tatá, ialorixá da Casa Branca, será uma das homenageadas durante evento no terreiro. Foto:  Manu Dias |AG. A TARDE|29.3.2003

Mãe Tatá, ialorixá da Casa Branca, será uma das homenageadas durante evento no terreiro. Foto: Manu Dias |AG. A TARDE|29.3.2003

No próximo sábado, o terreiro Casa Branca do Engenho Velho vai realizar sua feira de saúde e também uma sessão de homenagens a sacerdotisas do candomblé baiano. Estão na lista: Mãe Tatá, ialorixá do terreiro; Mãe Stella de Oxóssi, que acaba de festejar seus 70 anos de iniciação religiosa; Mãe Raidalva; Makota Valdina; Ekede Sinha; Ekede Lurdinha Siqueira e Alaíde do Feijão.

Durante o evento também acontecerá a formação da Rede de Mulheres de Terreiros da Bahia, uma entidade que promete ações significativas, unindo gênero e religiosidade. 

A homenagem será a partir das 17 horas, na Praça de Oxum, mas as atividades da 7ª Feira de Saúde da Casa Branca, começa mais cedo, às 9 horas. 

Serão oferecidos serviços como checagem de pressão arterial e de glicemia, informações sobre doenças sexualmente transmissíveis, distribuição de preservativos, dentre outros. Quem tiver cães e gatos também poderá levá-los para receber vacina. 

Na programação está incluída uma gincana para crianças e jovens a partir do tema “saúde ambiental”. Tem ainda oficinas, mesa redonda, palestras, enfim um programa divertido e ao mesmo tempo educativo para o sábado. Aproveitem. A Casa Branca fica na Avenida Vasco da Gama, Federação.


Okê Arô, Oxóssi!

postado por Cleidiana Ramos @ 10:03 AM
10 de junho de 2009
Casa Branca, Gantois e Afonjá celebram Oxóssi. Fotos: Lúcio Távora e Xando Pereira | AG. A TARDE

Casa Branca, Gantois e Afonjá celebram Oxóssi. Fotos: Lúcio Távora e Xando Pereira | AG. A TARDE

Amanhã,quinta-feira, tem festa para Oxóssi nos terreiros Casa Branca, Gantois e Opô Afonjá.

Estas três casas que tem uma parte da sua história relacionada- Gantois e Afonjá foram fundados por sacerdotisas e sacerdotes ligados à Casa Branca, considerado o mais antigo terreiro de nação ketu do Brasil- iniciam seu calendário litúrgico anual com esta festa.

Não se tem um consenso sobre o porquê da festa de Oxóssi destas Casas acontecer no Dia de Corpus Christi.

Para alguns estudiosos, a solenidade da data dava uma certa liberdade aos escravos ( o candomblé é originado de cultos africanos )  o que lhes permitia, junto aos libertos, fazer uma grande festa.

Em Corpus Christi, os católicos celebram a presença de Jesus na hóstia consagrada, daí o nome da festa que, traduzindo para o português é o dia do “Corpo de Cristo”.

Esta é a única ocasião do ano em que a Eucaristia, outro nome da hóstia consagrada, sai às ruas em procissão. Para os católicos Jesus segue ali no ostensório- aquele objeto que tem ornamentação final que lembra os raios do sol (Jesus é o sol da humanidade para os católicos). Um dos dogmas da Igreja é exatamente o de que ao ser consagrados pelas palavras e imposição das mãos do padre durante a  missa o pão (a hóstia) se torna o corpo de Jesus e o vinho o seu próprio sangue.

Esta minha longa explanação sobre a festa católica é só para mostrar o quanto de solenidade este dia guarda.

Para outros estudiosos, como neste dia o primeiro andor que vinha à frente da procissão de Corpus Christi era o de São Jorge com quem Oxóssi foi associado está  explicada esta relação entre as duas festas.

Oxóssi é rei de Ketu, senhor das matas e dono da arte da caça. Por isto mesmo é o provedor da comunidade que protege. Asism sua festa celebra também a prosperidade o que  não deixa de ter relação com a festa católica, afinal Jesus, nas formas de pão e vinho, é também alimento.  

A festa do Gantois está marcada para as 19 horas, a do Afonjá para as 19h30 e a da Casa Branca para as 21 horas.

Para quem está pensando em ir algumas dicas: é bom chegar um pouco mais cedo, pois são festas que costumam reunir muita gente. Outra coisa: é sempre bom estar atento às regras do terreiro. Cada Casa tem a sua própria tradição, mas algumas coisas são gerais:

1.Vá com uma roupa em tom claro e evite o preto, pois não se usa essa cor em uma cerimônia de candomblé.

2.Na maioria dos terreiros não é permitido registro de imagens do ritual. Na dúvida procure um ogã da Casa e pergunte.

3. Trata-se de uma cerimônia religiosa, portanto desligue o celular ou deixe no modo silencioso ou vibratório. Se precisar realmente falar ao telefone saia do barracão, que é o salão onde é realizada a festa.

4.Um dos pilares do ritual é a distribuição da comida, pois é a forma de partilha da oferta para a divindade com a sua comunidade. Mas você não é obrigado a comer. Se não quiser, recuse gentilmente e se estiver interessado respeite as regras de distribuição que observa critérios como hierarquia (autoridades religiosas, inclusive  de outros terreiros), dentre outros. Aguarde tranquilamente no seu lugar que você vai ser servido ou entre na fila se houver.

5.Não se permite a entrada nos terreiros de bebidas alcoólicas ou de alimentos trazidos de fora. Portanto, nada de cerveja, salgadinhos, pipoca ou outro tipo de petisco.

6.Antes de entrar em qualquer lugar fora do local onde está acontecendo a festa pergunte a alguém da Casa se é permitido.

No mais aproveitem as festas que costumam ser marcadas pela alegria. Saudações ao nobre Oxóssi- okê arô!


Maria Alice sai da Semur

postado por Cleidiana Ramos @ 5:54 PM
14 de maio de 2009
Após quatro meses e meio, advogada deixa Semur. Foto: Fernando Vivas| AG. A TARDE

Após quatro meses e meio, advogada deixa Semur. Foto: Fernando Vivas| AG. A TARDE

Conforme antecipei aqui ontem, a secretária municipal da Reparação, Maria Alice Pereira, deixou o cargo. A exoneração foi publicada no Diário Oficial de hoje. O sub secretário, Ailton Ferreira, vai responder interinamente.

Maria Alice foi a quarta secretária da pasta no governo João Henrique. Além dela passaram pela secretaria: Gilmar Santiago, Antonia Garcia e Sandro Corrêa.

A mudança seria uma manobra do Palácio Thomé de Souza para abrir uma vaga na Câmara para o suplente do PDT, Cristóvão Ferreira Júnior, o Cristovinho. Isso seria possível com a nomeação do vereador Odiosvaldo Vigas (PDT) para a Semur.

Vigas não confirmou a sua indicação, mas afirma que o PDT quer maior espaço na administração municipal. “A exoneração é uma prerrogativa do prefeito. Quanto à questão do PDT, o partido tem dialogado sobre a necessidade de ampliar o seu espaço na administração muicipal. Pode ser a pasta da Reparação ou uma outra”. Segundo Vigas, o presidente do partido na Bahia, o deputado federal Severiano Alves, deve ter um encontro com o prefeito amanhã para discutir o assunto.

Claro que o prefeito tem o direito de mudar o seu secretariado. Mas, numa cidade onde cerca de 85% da população é afrodescendente e já ficou mais do que provado por variados estudos que necessita de políticas públicas específicas em variadas áreas-saúde, educação, dentre outras- estas seguidas mudanças de gestão atrapalham o desempenho da Semur.

Uma amostra é que o período de maior vigor da secretaria foi exatamente durante a titularidade de Gilmar Santiago, o que ficou mais tempo no cargo. Durante este período era possível perceber a atuação da Semur em várias frentes, afinal se tinha um modelo definido de gestão.

Não estou aqui, e reitero isso, comparando as competências dos titulares, mas sabemos que as  pessoas são diferentes e, como tais, imprimem ritmo e prioridades próprias. Além disso, tempo é necessário para tocar projetos. Maria Alice, por exemplo, ficou apenas quatro meses e meio à frente da Semur.

Quando há substituições deste tipo sabemos que muda tudo: assessores e estratégias. Ainda mais se a mudança acontece por uma questão de manobra em relação a uma outra instância, no caso a Câmara Municipal.

E tem mais: a mudança vem num momento em que mais uma polêmica ronda a pasta, que é o nó em torno da proposta de regularização fundiária dos terreiros. Foi por conta disso que a agora ex-secretária Maria Alice foi até a Câmara de Veredadores na última segunda-feira (confiram aqui).

A confusão em torno da proposta de emenda à Lei Orgânica é reflexo de uma outra crise que teve a Semur, de certa forma, nos holofotes: a demolição parcial do terreiro Oyá Unipó Neto por prepostos da Sucom. Na época ficou patente o desencontro de tratamento dado a questões relacionadas à população negra- neste caso a sua religiosidade- dentro da própria administração municipal.

A mesma prefeitura que tinha realizado recentemente um mapeamento dos templos de matriz afro-brasileira na cidade para traçar políticas para eles, especialmente a regularização fundiária, era a mesma que colocava partes de um outro no chão alegando questões de irregularidade na ocupação do terreno.

Sem falar na cobrança de R$ 800 mil por conta de IPTU à Casa Branca, quando existia base legal para a isenção deste tributo. Até resolver tudo o desgaste tanto para o pessoal do terreiro foi enorme. 

Essa troca de secretários, a meu vez, é mais um complicador na relação da prefeitura com as organizações do movimento negro tanto civil, digamos assim, como religioso. Ainda mais diante da explicação para a substituição:um arranjo político por uma cadeira na Câmara.