Balaio de Ideias: Capoeiristas -uma luta por inclusão

postado por Cleidiana Ramos @ 12:24 PM
3 de julho de 2012

Professor analisa tentativa de controle do ensino da capoeira. Foto: Gildo Lima/ Ag. A TARDE/ 13.11/2010

Gildeci de Oliveira Leite

Quando li o romance O cortiço, ainda na adolescência, fiquei revoltado pela falta de solução do assassinato do capoeirista Firmo. Embebedaram o capoeirista. Aproveitaram de sua boa fé e o corpo fora jogado em um precipício. Há algumas décadas que não me reencontro com o romance de Aluísio de Azevedo. Lembro-me de minha angústia esperando por toda a narrativa que algo fosse feito para solucionar o assassinato de Firmo. Comentei com meus pais sobre a minha tristeza. Meu pai me disse que ele desistiu de aprender capoeira na Pero Vaz por conta da perseguição policial. Ele nunca tinha me dito isso antes, mas a minha tristeza o fez rememorar uma de suas histórias. A capoeira ainda sofre rechaços, mesmo com sua dimensão internacional.

Desde 15 de julho de 2008, a capoeira foi reconhecida como patrimônio cultural brasileiro. Do seu valor nós nunca duvidamos, contudo, o que era para ser somente festa e alegria revelou-nos outro problema. Se antes não aceitavam a capoeira e os capoeiristas, agora com reconhecimento formal, a capoeira ganha espaço e os capoeiristas tradicionais, sem diploma de Educação Física, correm o risco de continuar na exclusão. O interesse das escolas por colocarem em suas atividades extras a nobre arte brasileira aumentou, mas desde que o professor tenha a graduação em Educação Física, desde que seja um capoeirista universitário. Só não entendo qual o motivo de não exigirem o mesmo para professores de karatê, judô, jiu-jitsu, kung fu.

Estamos enfrentando uma nova face da exclusão. É preciso refletir sobre o que é realmente necessário e sobre o que pode se constituir, ainda que sem o propósito, em um artifício para discriminações. O capoeirista pode, se preferir, fazer uma graduação que não seja a Educação Física ou optar por não ter diploma universitário. Mestre Bimba, mestre Pastinha e tantos outros não eram graduados pela universidade. O que está em jogo é a possibilidade de uma neomarginalização, repito, mesmo que não haja o intuito.

Apesar das vitórias obtidas no Congresso Nacional e em demais instâncias, as discussões opositoras aos mestres tradicionais continuam. Os atletas tradicionais da capoeiragem estão recebendo um novo golpe à traição.

Historiadores e romancistas narram que as formas preferidas de assassinar “os capoeiras” eram pelas costas; a tiros; aproveitando-se de distrações e/ou em outros requintes de covardia. Leiam Sete Histórias de Negro, livro de contos do historiador Ubiratan Castro de Araújo. Leiam narrativas amadianas. Leiam O Cortiço. Nessas e em outras obras irão constatar os requintes das covardias. Entretanto, principalmente, não deixem de ler a revolta de quem festejou o reconhecimento da capoeira como patrimônio brasileiro, dia 15 de julho de 2008, e recebe um novo golpe.

Prefiro acreditar em equívocos e em miopia cultural e política, pois como exigiríamos de mestre Bimba, Doutor Honoris Causa pela Ufba post mortem (após sua morte), que frequentasse um curso superior para ter o direito de ensinar o que ele reinventou? Como exigir de outros mestres da capoeira que eles sejam graduados em Educação Física para ensinar capoeira? Estes homens deveriam ser professores nas universidades através de oficinas e de atividades de extensão.

A exigência do curso superior em Educação Física pode ecoar como uma tentativa de diminuir a conquista obtida com o reconhecimento de 15 de julho. Durante muito tempo relegou-se à capoeira a condição de filha bastarda com guardiões tratados como desimportantes (os mestres). Agora, ao permitirem o registro tardio de nossa luta, tirando-a da condição de bastarda oficial, querem excluir aqueles que nunca deixaram a capoeira na orfandade: os mestres tradicionais. A exclusão dos mestres tradicionais da capoeira pode gerar um esvaziamento de conteúdo em nossa nobre arte, além de conduzir e despertar um turbilhão de injustiças e de discriminações. Precisamos entender o potencial das trocas culturais que podem ocorrer entre a tradição e a universidade, sem tratar os capoeiristas tradicionais como meros informantes.

Gildeci de Oliveira Leite é mestre em letras e professor de Literatura Baiana na Uneb


Vodun Zo festeja 25 anos de projeto

postado por Cleidiana Ramos @ 8:47 PM
5 de julho de 2011

Projeto de capoeira do Terreiro Vodun Zo completa 25 anos. Foto: Gildo Lima | Ag. A TARDE | 11.11.2010

A partir de amanhã começa o Festival Capoeira Baiana Brasil 2011. O evento comemora os 25 anos do Projeto Vodun Zo Curuzu, sediado no Terreiro Vodun Zo, de tradição jeje, que é comandado pelo doté Amilton Costa.

Às 16 horas tem palestra da professora Sandra Caldas, especialista em História e Cultura Afro-Brasileira, seguida de oficina de ritmo, ministrada pelo professor Careca da CCB-Bahia que organiza o evento; oficina de capoeira regional com o Mestre Tony do Grupo Tempo e roda de boas vindas com os meninos e meninas do Projeto Vodun Zo.

As atividades vão até o próximo domingo com uma festa de batizado, a partir das 15 horas, seguido da partilha de um delicioso caruru.

Festejar essa iniciativa é uma vitória, pois, com muita luta, a oportunidade de praticar capoeira, dentro de um terreiro de candomblé, virou alternativa de interação e crescimento para meninas e meninos da Liberdade, onde está localizado o Vodun Zo. Doté Amilton e a comunidade que ele dirige tem, enfim, motivos de sobra para comemorar. Axé!

Confiram abaixo a programação detalhada e, quem puder, deve ir prestigiar.

O Vodun Zo fica na Rua do Curuzu. Para quem vem pela Lima e Silva fica à esquerda, antes de chegar à sede do Ilê Aiyê. Para quem vem pela San Martin é à direita logo depois de passar pela sede do bloco afro.

Quarta-feira

16 às 17 horaas- Palestra- Professora Sandra Caldas-Especialista em História e Cultura Afro-Brasileira (Projeto Vodun Zo Curuzu)
17 às 18h30- Oficina de Ritmo- Professor Careca (CCCB)
18h30 às 20h- Oficina de Capoeira Regional Mestre Tony- Grupo Tempo (Projeto Vodun Zo Curuzu)
20 horas- Roda de Boas Vindas- Projeto Vodun Zo

Quinta-feira

10 às 12 horas- Palestra Mestre Nenel- Filhos de Bimba Escola de Capoeira
16 às 17 horas- Oficina de Capoeira Regional- Professor Biriba- ECRR
17 às 18h30- Oficina de Capoeira Regional- Mestre Orelha- Associação Kirubê
18h30 às 20 horas- Oficina de Capoeira Regional -Mestre Bamba- Associação de Capoeira Mestre Bimba
20 horas-Roda- Projeto Vodun Zo

Sexta-feira
10 às 12 horas- Palestra- Turma do Bimba
16 às 17 horas- Oficina de Ritmo- Professor Careca- CCCB
17 às 18 horas- Oficina de Capoeira Regional- Mestre Bôbô- Associação Abolição
18 às 19 horas- Oficina de Capoeira Regional- Contra-Mestre Cabeça- ECRR
19 às 21 horas- Festival de Quadras e Corridos- Projeto Vodun Zo

Sábado
10 às 12 horas- Vivência de Capoeira Angola- Mestre Rennê Bittencourt-ACANNE
16 às 17h30- Oficina de Capoeira Regional- Mestre Salário Mínimo- Turma do Bimba
17h30 às 19 horas- Oficina de Capoeira Regional Mestre Saci- Turma do Bimba
19 às 20 horas- Oficina de Capoeira Regional Contra Mestre Jegue- ECRR
20 horas- Roda Projeto Vodun Zo

Domingo
15 às 18 horas- Festa do Batizado
18 horas- Caruru CCCB-Projeto Vodun Zo


Experiências femininas em Moçambique

postado por Cleidiana Ramos @ 3:47 PM
23 de novembro de 2010

Mestre Janja, em ação com Mestre Paulinha, tem um brilhante trabalho no campo da capoeira. Foto: Gildo Lima| Ag. A TARDE

Mais exemplo do poder de coscientização e mobilização da capoeira: Rosângela Costa Araújo, a Mestra Janja,vai estar nos dias 2 e 4 de dezembro em Maputo, Moçambique, participando do Encontro Capulana Capoeira: experiências femininas em liderança cultural.

Mestre Janja é fundadora, ao lado de Mestre Paulinha e Mestre Poloca, do Instituto Nzinga de Capoeira Angola que tem atuação em Salvador, São Paulo, Brasilia, Maputo, Cidade do México, Londres e Marburg (Alemanha).

O encontro é organizado pelo governo da cidade de Maputo em parceria com o Nzinga e a Balaio Cultura & Arte, uma organização de Moçambique. A atividade vai reunir capoeiristas e mulheres que alcançaram destaque à frente de organizações culturais além de promover o intercâmbio dessas experiências.

Doutora em Educação, Mestre Janja é uma das poucas mulheres a já ter alcançado o título de mestre na capoeira.

Ah sim! A palavra  “capulana” que aparece na denominação do encontro é um termo changana/ronga, um dos idiomas do sul de moçambique que designa uma peça de roupa/pano usado pela mulheres de várias regiões da África. É uma peça que confere prestígio a quem a usa.


Balaio de Ideias: A capoeira conjugada no feminino

postado por Cleidiana Ramos @ 8:45 AM
20 de novembro de 2010

A presença feminina na capoeira é analisada por Marlon Marcos. Foto: Gildo Lima| Ag. A TARDE

Marlon Marcos

“Que gira e faz girar a roda
Da vida que gira…” (Martinho da Vila)

A presença da mulher na cultura afro-brasileira narra as mais significativas histórias que contam os incontáveis exemplos de superação do povo negro no Brasil, originário das mais diversas etnias africanas. Foi a mulher, em seus construtos culturais, a marca fundante para reelaboração das estruturas familiares dos humanos extraídos de suas terras natais; reelaboração essa nascida do sentido religioso, erguido de práticas litúrgicas  que se convencionou  chamar candomblé. Em áreas do Terreiro, a mulher negra quase hegemonicamente ditou regras e formalizou abrigos sócio-familiares que tiraram da esquezofrenia social grande parte deste povo que, aqui, escapou da escravidão.

Além do mais, estas mulheres subvertaram lógicas machistas assumindo a liderança de suas casas, e como sacerdotisas, quituteiras, fateiras, comerciantes, lavadeiras, operárias, prostitutas, muitas delas  mães solteiras, redirecionaram o destino de suas crias, sustentando-as, educando-as, apoiando espiritualmente e oferecendo instrumentos culturais que as fizessem lutar contra as ferocidades do racismo e da pobreza para que hoje, 20 de novembro de 2010, pudéssemos parar o País para relembrar Zumbi e os desdobramentos históricos que pontuam avanços de todas as ordens e atentam para a longa caminhada que ainda devemos seguir para se erguer, se possível, uma sociedade brasileira alicerçada na ética da coesxistência, instrumentalizada pelo respeito e não pela tolerância.

E a mulher na capoeira? Por que ainda fazemos essa pergunta se em tantas áreas de expressão social da cultura afro-brasileira ela sempre esteve e está presente sem feições de figuração?

Há quem diga que as mulheres foram ( e ainda são) secundarizadas nas rodas da capoeira por não terem compleição física para tanto. E outros, mais cuidadosos, dizem que por serem o sexo frágil, devem ser protegidas da violência e da destreza do homem em ação nessa luta-dança que é uma das grandes invenções da cultura negra do Brasil. Os mais crédulos afirmam que as mulheres são co-partícipes desta trajetória e nas rodas elas levam leveza beleza delicadeza e cantam, cantam a favor desta luta que ensina aos homens a mágica da auto-proteção, o talento do belo movimento, o domínio de estratégias espaciais, a sabedoria,  o exercício da paciência e também, coragem e agressividade.

E como e por que ficar fora disso? Muitas mulheres não querem adornar rodas e tão somente cantar enquanto os homens se desenvolvem na prática do seu esporte luta dança cultura. Não querem se  sentir réfens da violência gratuita de muitos homens quando jogam com mulheres. Antes disso, a mulher quer a inteireza do seu aceite no grupo, o direito real e legítimo de se tornarem mestras, de não serem obrigadas a jogar só entre si.

Conquistar a roda da capoeira tem sido um exercício de evolução política e ideológica para a mulher do mesmo jeito que foi ( e ainda é) para os homens conquistarem  as rodas dos xirês nos candomblés tradicionais da Bahia e,  fora do transe, dançarem para seus orixás.

O feminino anda em desconstrução tal igual ao masculino. E nessa conjugação de direitos iguais entre as diferenças, nada mais positivo que deixar a mulher girar na roda também como autora; elas, as mulheres, que são guardadoras de alguns mistérios da vida.

Marlon Marcos é jornalista e antropólogo.

 


Balaio de Ideias: Zum zum zum Capoeira mata um! E preserva a vida de muitos

postado por Cleidiana Ramos @ 8:45 AM
20 de novembro de 2010

Maíra Azevedo salienta a simbologia da capoeira. Foto: Acervo pessoal

Maíra Azevedo

Ao som do berimbau, palmas e uma música que canta saudade e afirmação,  um grupo de jovens, todos eles com vestes brancas e simples, se reúnem em círculo para fazer uma festa e testar os movimentos  do seu corpo.  Essa cena  é atemporal, nos remete às senzalas do Brasil Colônia, mas também a uma cena cotidiana das academias luxuosas  e elitistas, das areias das praias e das ruas dos bairros populares de qualquer lugar do mundo. Assim é a capoeira, democrática por natureza.

Símbolo de resistência e da força do povo negro, a capoeira foi e é responsável pela sobrevivência de milhares de homens e mulheres que ousaram, em uma época não tão distante, desafiar  as leis e continuar seguindo em frente com os movimentos corporais que são definidos como uma mistura de dança e luta. E foi gingando que  derrubaram muitas estatísticas perversas.  Até 1943, a prática da capoeira era proibida no Brasil, considerada  violenta e subversiva. Qualquer um que estivesse em situação suspeita, poderia ser preso. A “alforria”,  chegou quando Mestre Bimba se encontrou com, o então presidente, Getúlio Vargas. Ao fim da apresentação, o presidente estava convecido. A capoeira era o esporte brasileiro.

Mas a capoeira é mais do que um esporte. É  a tradução livre, por meio do corpo,  de sentimentos  de um povo que ficou marcado por suas dores e anseios.  É um golpe profundo naqueles que insistem em nos deixar acorrentados. É uma das facetas da identidade dos milhares de africanos que foram trazidos como mercadoria para o novo continente.E resistiram, tiveram a luta ou dança como arma para sobreviver. Disseram não com as pernas e mãos.  Não vamos  permitir que nos coisifiquem, estamos lutando  e vamos conseguir. A capoeira diz isso. É rasteira nos opressores.

A capoeira se consagrou. Não se pode pensar no Brasil, na Bahia e não imaginar aquelas acrobacias feitas em grupo. São pernas no ar, mas sempre acompanhadas. Não se joga capoeira sozinho, precisamos do outro.  Por isso, é uma grande lição. Não são apenas golpes ao vento, mas uma série de movimentos que atesta que organizados vamos mais longe.  A luta que era crime, se transformou em esporte nacional e é responsável pela sobrevivência de muitos, não só por defender o seu corpo contra algum golpe, mas por preservar a sua história.

Iê, viva meu Deus, camará , Iê, viva meu mestre, camará, Iê, quem me ensinou, camará Iê, a Capoeira que me PRESERVOU camará. Essa também é ladainha.

Salve capoeira!

Maíra Azevedo, coordenadora de comunicação da Unegro, yaô do Ilê Axé Oxumarê e, capoerista do Grupo Gingando Sempre      


Balaio de Ideias:Din, Din, Dão, olha o dobrão na palma da mão, Oxalá !

postado por Cleidiana Ramos @ 8:44 AM
20 de novembro de 2010

Wilson Café destaca a importância da capoeira. Foto: Uran Rodrigues |Divulgação

Wilson Café

Mestres, senhores da natureza humana, sabedorias do gingar de cantos, contos e religiosidades!

Biriba, cabaça, angola, regional, cavalaria, São Bento, benguela, ladainha são acervos e, como sabemos, acervo é o conteúdo mágico e documental dessa grande arte. É o montão e o acúmulo do conjunto e a coleção dos bens de valor “sagrado”.

Capoeira, alma viva, nua e crua que resume, no presente,  o passado e a busca por um futuro digno e justo, da historicidade do desafio de décadas e tradições orais e escritas, contadas por mestres, alabês, estudiosos, pensadores, admiradores, formadores de opinião. Desse modo, entendemos o rito e a liturgia da capoeira como um admirável senso comum de beatificação de propósitos.

Com o tempo, essa arte se transformou em educação e da união entre os povos,raças e culturas do mundo se entrelaçaram – negros, brancos, mulatos, pardos, cafuzos, mamelucos, simbolizando o charme da Nação.

Hoje, quem não joga capoeira, parodiando Dorival Caymmi numa frase, “é ruim da cabeça ou doente do pé”. Modernizada e globalizada por muitos e discriminada por poucos, ela representa uma qualidade de vida usando o corpo e a mente como forma de expressão. Nela são dadas condições de adquirir movimentos através do tempo e do espaço que vão se relacionando e convivendo uns com os outros e com o meio social, muitas vezes em conflitos de interesses.

Para muitos jovens integrantes de comunidades e localidades em risco social e pessoal, a capoeira trabalha a individualidade e a noção do coletivo, melhorando a integração, o relacionamento, a harmonia e a busca pela boa convivência com os seus familiares e o universo ao seu redor, escolas e projetos sociais.

Na EEPI (Escola de Educação Percussiva Integral), por exemplo, que funciona desde 2003 na Estrada das Barreiras, no Conjunto Maestro Wanderley – Cabula II, a partir dos jogos lúdicos da arte da capoeira, vem se aplicando conteúdos didáticos e pedagógicos de forma interdisciplinar nas aulas teóricas e práticas,para a melhoria da aprendizagem nas disciplinas, através de textos e livros, como forma de conhecimento e reconhecimento dos heróis que contribuíram para a historia da resistência afro-brasileira.

Tão nobre e respeitada com suas cores verde, amarelo, azul e branco e com os berimbaus– viola, médio, gunga ou berra- boi–; com os outros instrumentos – pandeiro atabaque e caxixi, a capoeira está na língua de diversos jovens de países de todos os continentes, levando a sua filosofia de amar e respeitar o próximo, independente da condição social e espiritual em que se encontre.

Na roda de capoeira é onde o jogador aprende as maneiras de sobrevivência, ou seja, as táticas do jogo de cintura, de ganhar e perder, principalmente no perder. Porque nem todo mundo está acostumado a perder. Estamos numa sociedade onde fomos levados a aprender a ganhar e quando perdemos entramos em conflito. Portanto, o pensar, o agir e o desenvolver são ferramentas essenciais do fundamento da capoeira, independente de ser regional ou angola.

Lamentavelmente, muita gente usa essa arte como propagadora da violência. Ainda bem que outros benditos a utilizam como terapia ou defesa pessoal. Entretanto, o melhor é que a capoeira se tornou um grande exemplo a ser seguido como simbologia da paz. Os Mestres Pastinha e Bimba deixaram de herança para o Brasil o seu fundamento enquanto filosofia de vida e não como arte marcial.

O mundo gira, a roda é cíclica, viver é uma arte. Hoje a capoeira,  patrimônio cultural do Brasil, representa a alma viva da nação, reconhecida em sua contribuição africana no país.

Viva Bimba ! Viva Pastinha! Que Vivam esses heróis e seus conhecimentos que vem educando e transformando jovens carentes em Mestres e dando empregabilidade e sustento no Brasil e no mundo.

Wilson Café é músico e diretor da Escola de Educação Percussiva Integral (EEPI)


Construindo o caminho

postado por Cleidiana Ramos @ 8:44 AM
20 de novembro de 2010

Ideias circularam amplamente na reuniã preparatória para o caderno. Foto: Gildo Lima

Uma das grandes conquistas dos especiais publicados  no Dia Nacional da Consciência Negra produzidos por A TARDE é a sua faceta de construção coletiva.

Desde 2008 recebemos convidados para trocar ideias sobre a pauta e dessa vez o rendimento, como sempre, foi significativo. 

 Os convidados deste ano foram o Tata de Inquice e conselheiro espiritual do Grupo Nzinga, Tata Mutá Imê; o historiador, xicarangoma e contramestre de capoeira, Jaime Sodré; o Contramestre Tico; o jornalista e antropólogo Marlon Marcos; a jornalista da assessoria de comunicação da Secretaria Estadual de Promoção da Igualdade (Sepromi), Camila França; e a professora e especialista em planejamento educacional Josiane Clímaco que, mais uma vez, elaborou as dicas para usar as reportagens em sala de aula.


Mulheres na roda

postado por Cleidiana Ramos @ 8:44 AM
20 de novembro de 2010

Confiram que belo o vídeo do jogo entre as mestres Paulinha e Janja do Grupo de Capoeira Nzinga. É a força feminina na capoeira.


Ê, Camará!

postado por Cleidiana Ramos @ 6:53 PM
19 de novembro de 2010

Capoeira é tema de caderno especial de A TARDE. Foto: Gildo Llima| Ag. A TARDE

Com muita correria, mas uma dedicação que faz mágica, aprontamos a 8ª edição do caderno da Consciência Negra que sai amanhã encartado no jornal A TARDE. Dessa vez fomos beber na bela fonte da capoeira.

Denominado Ê Camará! o especial passeia pela faceta inclusiva da capoeira, sua história de resistência e luta para vencer a marginalização e o encanto que lançou sobre as várias linguagens artíticas. O nosso destaque é para os mestres Bimba e Pastinha que, ao decodficarem os movimentos, criaram as duas grandes escolas: regional e angola, respectivamente. A relação próxima entre candomblé e capoeira, os intrumentos que formam sua orquestra, a chegada das mulheres, a batalha para conservar a forma tradicional de transmitir conhecimento e toda a riqueza simbólica de um jogo também estão contemplados.

Além disso, o caderno traz dicas de como usar as reportagens em sala de aula, o que configura um reforço para a aplicação da Lei 11.645/08, nova identifcação da Lei 10.639/03, que estabelece o ensino de História da África e Cultura Afro-Brasileira. A modificação foi para incluir também o ensino de História e Cultura Indígenas.

Cada página do especial traz dicas de livros, filmes, mas também de artigos que serão publicados aqui no Mundo Afro para enriquecer a discussão sobre o tema.

Já como aperitivo vão abaixo o destaque para personagens que prestam um grande serviço para a expansão da capoeira, uma criação brasileira que já ultrapassou as fronteiras nacionais. Os textos têm a colaboração de Meire Oliveira.

Fiquem atentos pois no Portal A TARDE On Line e em A TARDE TV tem também cobertura especial amanhã.

 


Mestre Pelé da Bomba

postado por Cleidiana Ramos @ 6:52 PM
19 de novembro de 2010

Foto: Gildo Lima| Ag. A TARDE

Discípulo de Mestre Bugalho, com quem aprendeu capoeira nas rodas realizadas no Mercado Modelo, Mestre Pelé da Bomba sabe tudo sobre instrumentos usados para a acompanhar o jogo. O complemento Bomba é devido a sua passagem poelo Corpo de Bombeiros. É uma figura que conhece todos os campinhos da capoeira angola. Lançou este mês sua autobiografia intitulada Natalício Neves da Silva, O Pelé da Capoeira. Coordena ao lado do seu filho, Mestre Couro Seco, o Grupo de Capoeira Angola Pai e Filho, sediado na Alemanha. Mestre Pelé vende instrumentos, livros e Cds na Associação de Capoeira Angola,no Pelourinho. É também conhecido como Mestre Gogó de Ouro por já ter lançado Cds de samba de roda, samba de viola e de capoeira.


Contramestre Tico

postado por Cleidiana Ramos @ 6:51 PM
19 de novembro de 2010

Foto: Gildo Lima| Ag. A TARDE

Coordenador do Centro Cultural  Capoeira Obírin Dúdú, é um jovem apegado à tradição. Praticante da capoeira regional, o contramestre quer preservar a sabedoria que aprendeu. Foi de uma gentileza e contribuição mais do que preciosas para a elaboração do especial Ê, Camará!.Tudo pelo amor e respeito à capoeira 


Mestre Moraes

postado por Cleidiana Ramos @ 6:51 PM
19 de novembro de 2010

Foto: Rejane Carneiro| Ag. A TARDE| 28.04.2009

Acredita que é necessário viver a capoeira para poder praticá-la. Presidente e fundador do GCAP – Grupo de Capoeira Angola Pelourinho, ele também é professor de inglês, mestre em História Social pela Universidade Federal da Bahia (Ufba) e doutorando em Cultura e Sociedade pela mesma instituição. Discípulo de Mestre Pastinha, mantém o blog http://mestremoraes-gcap.blogspot.com/, onde discute os vários aspectos da arte-luta. Compositor de amplo repertório de música de capoeira, Mestre Moraes foi indicado ao Grammy, em 1984, com o Cd Brincando na Roda.


Mestre Gildo Alfinete

postado por Cleidiana Ramos @ 6:50 PM
19 de novembro de 2010

Foto: Gildo Lima| Ag. A TARDE

Na casa onde reside, Mestre Gildo Alfinete possui o acervo mais completo sobre Mestre Pastinha. A coleção conta com objetos pessoais como bengala, fotografias, o livro de registros dos alunos, a bandeira do Brasil que ficava afixada na parede da academia, vídeos e um painel escrito e pintado pelo Mestre. Dentre as raridades estão dois manuscritos de Mestre Pastinha relatando sua vivência na capoeira, sua história e uma espécie de manual da arte-luta com descrição de golpes em texto e pintura. Da época de aluno, ainda guarda o famoso uniforme amarelo e preto e a carteira da academia.


Mestre Curió

postado por Cleidiana Ramos @ 6:49 PM
19 de novembro de 2010

Foto: Marco Aurélio Martins| Ag. A TARDE| 06.01.2010

“Divagar para o angoleiro ainda é pressa”. É assim que Jaime Martins dos Santos, 73 anos, comanda os alunos que chegam ao Ponto de Cultura Irmãos Gêmeos, no Forte da Capoeira. O local onde ensina é cercado de referências do candomblé. Mestre Curió, que herdou o apelido do avô também capoeirista,é discípulo de Mestre Pastinha e acredita na sensibilidade, respeito e hierarquia como base da prática   que preserva como lhe foi ensinada. Os alunos chegam ao espaço lhe dando Salve!, lhe tomam a bênção e cuidam da limpeza e organização do espaço. Em toda a trajetória da capoeira se orgulha de só ter formado três mestres e dois contramestres.


Mestre Pelé da Bomba lança livro

postado por Cleidiana Ramos @ 4:37 PM
4 de novembro de 2010

Mestre Pelé lança, amanhã, sua autobiografia. Foto: Gildo Lima| Ag. A TARDE

Olha que legal: tem lançamento do livro de Mestre Pelé da Bomba. Leiam aí abaixo um texto sobre o livro elaborado pela repórter Meire Oliveira:

A experiência de 76 anos de vida, sendo 64 deles na capoeira angola, estão registrados na autobiografia Natalício Neves, o Pelé da Bomba, que será lançada amanhã, sexta-feira, às 18 horas, no  Forte de Santo Antônio Além do Carmo, Centro Histórico de Salvador. O primeiro livro do mestre conta sua trajetória desde o nascimento em Cipuá – distrito de Governador Mangabeira, até a  sua trajetória em Salvador onde chegou aos 6 anos . No relato,  ele conta o aprendizado com  Mestre Bugalho, na rampa do antigo Mercado Modelo, as participações nas festas de largo da cidade e  as famosas roda de capoeira, quando ficou conhecido como  Gogó de Ouro.

O apelido  Bomba  veio da época em que lecionava na Polícia Militar e Corpo de Bombeiros, onde chegou a ser membro da corporação. Com a experiência veio a criação de sua academia que hoje conta com uma filial na Alemanha, comandada pelo filho, Mestre Couro Seco, e os convites para a realização de palestras e apresentações em locais como Nova York, Roma, França, Inglaterra e Alemanha.

Com a vida dedicada à capoeira angola, Mestre Pelé da Bomba também aborda no livro a história da capoeira que pratica e o samba de roda na Bahia. No lançamento a obra será vendida por R$ 20 e, depois, pode ser adquirida por R$ 40 na sede da Associação de Capoeira Angola, localizada em frente ao Teatro Miguel Santana, no Pelourinho.


Grupo Calabar faz batizado de capoeira

postado por Cleidiana Ramos @ 8:01 PM
24 de setembro de 2010

Grupo Calabar realiza festa de batizado. Foto: Divulgação

No próximo domingo, das 9 às 14 horas, o tradicional Grupo de Capoeira do Calabar, comandado pelos mestres César e Malvina, realizará o seu XI encontro. Haverá a participação dos seus 150 alunos e a troca de cordão de 60 crianças e adolescentes. O encontro será no Forte Santo Antônio Além do Carmo, conhecido como Forte da Capoeira. O acesso é gratuito.

Este evento ocorre uma vez por ano para celebrar as atividades sócio-educativas realizadas pelo grupo. Receber o cordão é passar a fazer parte, de fato, de um  grupo de capoeira.

Também participarão da festa, o Gangara,com mestre Nau,o Mangangá,com mestre Tonho Matéria, e o Quilombolas, com mestre Dedé.      


Tem Barravento no Forte da Capoeira

postado por Cleidiana Ramos @ 4:30 PM
23 de setembro de 2010

Barravento é atração de projeto no Forte da Capoeira. Foto: Divulgação | Ag. A TARDE

Amanhã,  sexta-feira, às 19 horas, acontecerá a exibição de Barravento, dirigido por Glauber Rocha e lançado em 1961, na Academia João Pequeno de Pastinha que funciona no Forte Santo Antônio, que já é conhecido como o “Forte da Capoeira”.

A exibição do filme é mais uma atividade cultural da agremiação que sempre apresenta filmes ligados à temática afro-brasileira.

Após os filmes, exibidos na última sexta-feira de cada mês, tem o Samba de Botequim, que começa às 21 horas. no Largo do Santo Antônio Além do Carmo.  Bom programa.


Bahia vai sediar seminário de turismo étnico afro

postado por Cleidiana Ramos @ 5:21 PM
5 de agosto de 2010

A festa da Boa Morte em Cachoeira é uma das bases do turismo étnico na Bahia. Foto: Xando Pereira|Ag. A TARDE| 13.08.2003

Quem se interessa por turismo ou quer conhecer mais sobre o chamado turismo étnico tem agora uma oportunidade de ouro. O governo da Bahia está disponibilizando até a próxima segunda-feira as pré-inscrições para participação no I Seminário Nacional Turismo Étnico-Afro.

O evento vai acontecer de 11 a 13 de agosto no Centro de Convenções da Bahia. A organização é da Secretaria de Turismo e da Bahiatursa. A discussão vai envolver o povo-de-santo, capoeiras, organizadores das festas populares e quilombolas.

O público alvo é formado por representantes de empresas de turismo e afins, produtores culturais, comunidades quilombolas, artistas, ativistas do movimento social, religiosos de candomblé,  professores, pesquisadores, estudantes, dentre outros.

Depois da pré-inscrição é só aguardar a confirmação. Para fazê-la é só acessar o site www.bahia.com.br. O evento também vai contar com uma feira de produtos afro que é aberta ao público


Abertas inscrições para o Capoeira de Saia

postado por Cleidiana Ramos @ 4:01 PM
10 de maio de 2010

Programa promove capacitação para mulheres capoeiristas. Foto: Gildo Lima | AG. A TARDE

Atenção mulheres que praticam capoeira: estão abertas as inscrições para o programa Capoeira de Saia 2010/Edição Mundial.

A iniciativa é voltada pra a capacitação de mulheres praticantes de capoeira e de áreas relacionadas. A ideia é auxiliá-las a ministrar palestras em festivais, participar de excursões e de cursos de extensão.

As aulas são ministradas por mestres e vão acontecer no período de 26 a 30 de maio no Forte de Santo Antônio Além do Carmo, localizado no bairro de Santo Antônio Além do Carmo e  conhecido como o Forte da Capoeira.

Segundo a organização do programa,  a palestra de abertura no dia 26, às 19h30, será feita por Mãe Stella de Oxóssi, ialorixá do Ilê Axé Opô Afonjá.

No dia 29, a partir das 16 horas, tem a aula aberta no Farol da Barra. A expectativa dos organizadores é reunir mais de mil participantes.

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