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Hoje tem afoxé no Centro Histórico

postado por Cleidiana Ramos @ 8:16 AM
14 de fevereiro de 2010

O Fihos de Gandhy durante a passagem pela Praça Castro Alves no Carnaval do ano passado. Foto: Fernando Vivas|AG. A TARDE

Todo mundo sabe a batalha que é para colocar os afoxés na rua, mas apesar das dificuldades eles dão um belo exemplo de resistência.

Hoje a partir das 16 horas uma das mais tradicionais destas agremiações, o Korin Efan, desfila trazendo não só a sua banda mas também o Bumba Boi de São Francisco do Conde e Taiz.

Em seguida é a hora do tapete branco do Filhos de Gandhy ser formado. Antes do desfile tem o tradicional ritual que pede licença às divindades do candomblé para que o Carnaval do afoxé aconteça de forma tranquila.


Uma história de caboclo

postado por Cleidiana Ramos @ 8:17 AM
4 de fevereiro de 2010

Maria Auxiliadora Andrade Pereira

Durante muito tempo ouvíamos falar que o Caboclo não fazia parte dos rituais da religião africana, pois todas as atividades realizadas nos terreiros eram dirigidas aos Orixás.

Contudo, na casa de dona Maria de Lourdes, filha de Oxum, a história é diferente. Dotada de um senso humanístico, mulher lutadora, mãe de seis filhos, essa nobre senhora residia à época no bairro do Garcia.

Certo dia, ela recebeu a ilustre visita do Pai Caboclo Tupinambá. A partir dessa data o Caboclo ensinou a toda a gente que o procurava o amor e a fé. Ensinou também a força das folhas, das matas, e o respeito aos mais velhos.

Hoje tem uma legião de filhos, recebidos pelo amor, não possui riquezas, mas o seu maior tesouro é o amor que dedica aos outros. A todo o momento ela se questiona: que missão é essa que recebi? E conclui com toda experiência e sabedoria que Deus lhe deu: Deus fez seu mundo certo!

Atualmente tem 80 anos, filhos criados, netos no caminho, e o seu protetor continua ali, presente.


Afro Imagem: Odoyá!

postado por Cleidiana Ramos @ 1:47 PM
2 de fevereiro de 2010

Iemanjá ganhou uma festa digna da devoção que conquistou em Salvador. O presente deste ano foi colocado em uma escultura que a representa na cor negra. O clique do repórter fotográfico Lunaé Parracho para o jornal A TARDE mostra o presente que os pescadores da colônia de pesca Z1, localizada no Rio Vermelho, ofereceram para a rainha do mar. Ao lado da escultura está a ialorixá Aíce Santos que cuida da obrigação religiosa da festa.


Festa para a rainha do mar

postado por Cleidiana Ramos @ 3:40 PM
1 de fevereiro de 2010

Dia de saudações para Iemanjá. Foto: Iracema Chequer | AG. A TARDE

Amanhã, todos os caminhos na capital da Bahia levam até Iemanjá, chamada de “a mãe cujos filhos são peixes” e também conhecida como aquela que fez brotar dos seus seios generosos as outras divindades.

Iemanjá costuma sempre ser muito festejada por seus devotos e filhos. É saudada como generosa e protetora, características próprias da maternidade que é uma das suas referências mais conhecidas.

Curioso que é a única das divindades das religiões de matrizes africanas que ganhou uma festa própria sem nenhum tipo de associação com santos católicos.

A festa nasceu de uma devoção dos pescadores da colônia de pesca Z-1, localizada no Rio Vermelho e resiste ano após anos. Se o primeiro presente foi levado numa caixa de sapato, o de agora segue em um barco, acompanhado por uma procissão de outras embarcações.

O agradecimento e pedidos de um grupo de pescadoes, portanto, acabou se transformando em apelos coletivos. E Iemanjá parece ouvir e atender, afinal, ano após anos, são mais e mais balaios para receber os presentes dos outros devotos que enfrentam filas quilômetricas para colocar seu agrado desde as primeiras horas da manhã.

E a festa não começa ali. No ínicio da madrugada, a zelosa Mãe Aíce, que orienta todo o ritual religioso, vai até o Dique do Tororó levar a oferta de Oxum, senhora das águas doces, que não pode e realmente não fica esquecida.

O ritual às margens do Dique é tranquilo, emocionante e completamente silencioso. O por quê? Como várias coisas em candomblé, a resposta é para quem está autorizado e precisa escutá-la. Aos demais fica a lição que se observa e entende aquilo que está ao seu alcance.

Após o agrado a Oxum é hora de levar a oferenda principal para o Rio Vermelho, que fica guardada na chamada Casa do Peso até o meio da tarde quando parte até o local onde  deve ser depositado como agradecimento e prece para que o ano seja farto. E os pescadores, ano após ano, mostram que estão satisfeitos com a sua rainha e a proteção que ela oferece a quem vive parte significativa da vida em seus domínios.

Missão religiosa cumprida, é hora de aproveitar as várias festividades no entorno da praia que não tem o nome específico, mas é conhecida como “aquela do presente de Iemanjá”. As feijoadas são as concentrações mais procuradas. Tem desde as oferecidas na simplicidade das barraquinhas até as servidas nos hotéis luxuosos do Rio Vermelho, sem falar nas chamadas “festas de camisa”, aquelas em que precisa adquirir este tipo de vestimenta para participar.

Com sua leveza e zelando pelo equilíbrio, afinal é a protetora da cabeça, Iemanjá do povo ketu, Mamento Dadá, Dandalunda ou Kayala, divindades com características semelhantes nas nações da família bantu,  ganhou na Bahia o domínio das águas salgadas. 

Portanto, como majestade que é,  recebe honrarias especiais dos seus súditos e filhos. Axé!  


Balaio de Ideias: Sagrada Colina

postado por Cleidiana Ramos @ 2:57 PM
26 de janeiro de 2010
A devoção das chamadas baianas é tema do artigo do professor Jaime Sodré. Foto:  Lúcio Távora | AG. A TARDE

A devoção das chamadas baianas é tema do artigo do professor Jaime Sodré. Foto: Lúcio Távora | AG. A TARDE

 

Jaime Sodré

Chegou o dia. Dona Tidinha pronta, nos seus 67 anos, obediente a iconografia musical de Caymmi, segue a orientação do mestre quanto ao “trajo”: torço de seda, brincos de ouro, corrente de ouro, pano-da-costa, bata rendada, pulseira de ouro, saia engomada, sandália enfeitada, tem. Mas, a bem da verdade, onde consta a palavra “ouro”, leia-se dourado, sinais dos tempos. Tinha graça como ninguém. Dona Tidinha não tinha um rosário de ouro, nem uma bolota assim ou balangandãs. Mas, com as graças de Oxalá, vai ao Bonfim. Jarro enfeitado, branquinho, palma de Santa Rita e Angélica, caule imerso no “amassi”.

Lá vai Tidinha. Segue pela Rua Direita de Santo Antônio, passa pela reforma da Igreja do Boqueirão, benze-se. Vislumbra a Igreja dos Quinze Mistérios, reduto Malê, benze-se. Segue o Pelourinho, dá de frente com a Catedral da Sé, benze-se ao padroeiro de Salvador, São Francisco Xavier. Desce o Elevador, repousa nas escadarias da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, padroeira da Bahia, e aguarda a saída rumo ao padroeiro popular da Bahia, Nosso Senhor Oxalá do Bonfim. Era assim que ela entendia e exercia a sua religiosidade. E toca a esperar… cochila.

No íntimo, agradece ao Capitão-de-mar-e-guerra Theodósio Rodrigues de Faria, a feliz ideia de render graças ao Senhor do Bonfim. A imagem de Nosso Senhor e de Nossa Senhora da Guia, vindas de Portugal, chegaram à Bahia por iniciativa deste capitão, fruto de uma promessa quando enfrentara intempéries marinhas. Em 16 de abril de 1745, a réplica da imagem instalada em Setúbal, terra natal de Theodósio, chega à Bahia.

Com a permissão do bispo D. José Botelho de Matos, é abrigada na Igreja de Nossa Senhora da Penha de França. Após o término da construção da igreja, iniciada em 24 de junho de 1754 e concluída em 1772, as imagens são trazidas para a Sagrada Colina.

Para alguns a lavagem teria sido iniciada em 1773, quando, a mando da irmandade dos leigos, os escravos efetivaram a lavagem do templo para a Festa do Bonfim, no segundo domingo após o Dia de Reis. Informa-nos o brilhante professor Sebastião Heber, que essas lavagens têm as suas raízes na metrópole portuguesa, mas não eram muito do agrado dos senhores bispos. Em 1534 o bispo de Évora teria interrompido este ato, alegando desrespeito aos valores católicos.

Na versão oral, a lavagem vinculada a Oxalá, nos moldes que conhecemos, teria sido uma iniciativa do Babalorixá Bernardino, com filhas de santo e água de cheiro, pagando uma promessa.  Em 1863 fechou-se o adro, colocando-se um gradil, doado pelo ex-juiz J.P. Rodrigues da Costa, contra abusos. Para comemorar o primeiro centenário da Independência da Bahia, em 1923, fora incluída na programação, a venerada Igreja do Senhor Jesus do Bonfim. Para a ocasião cria-se o Hino ao Senhor do Bonfim. A relação da Igreja e música surge em 1839, com as composições do violonista e compositor baiano Damião Barbosa de Araújo para as missas cantadas em latim.

Dona Tidinha acorda do cochilo, começa a romaria. Aos gritos de “Viva o Senhor do Bonfim” a caminhada segue com fé, e todos cantam o “Gloria a ti”, popularizado em uma gravação de Caetano Veloso. Na verdade, o Hino Oficial é de autoria musical de Edgas Muniz de Aragão Pethion de Gueiroz, com letra de Remigio Domenech: “Ao teu lado, sempre unidos, somos o seu povo, Nosso Senhor, Nosso Senhor do Bonfim, salva, protege, alumia pelo sinal desta cruz, o coração da Bahia, que a teus pés, o amor conduz, volve os teus olhos divinos, aos nossos males, oh sim, ouve o clamor desse hino, Nosso Senhor do Bonfim”.

O “Gloria a ti”, como o povo o intitula, foi composto em 1923 para as comemorações do centenário, por João Antônio Wanderlei e Artur de Sales. Artur teve a sua letra escolhida por Wanderlei, na ocasião regente da Banda da Polícia Militar. Dona Tidinha entoa a canção, promove uma alteração na letra, e ao invés de cantar “mansão da Misericórdia” canta “Mãe Santa Misericórdia”, mas tudo vale.

Às 18 horas do mesmo dia, os pés estão na água quente, a roupa, os adereços e fios de contas na cama, e diante do cansaço e esforço comenta o seu filho: “Não sei pra que isso, mamãe, se cansar à toa”. Responde D. Tidinha, retirando o torço: “Não é por mim filho, é pela humanidade”.

Jaime Sodré é professor, historiador e religioso do Candomblé


Promoção do Mundo Afro vai até sexta

postado por Cleidiana Ramos @ 11:45 AM
20 de janeiro de 2010
As quatro melhores histórias vão ganhar livro assinado pelo professor Jaime Sodré. Foto: Rejane Carneiro| Ag. A TARDE

As quatro melhores histórias vão ganhar livro assinado pelo professor Jaime Sodré. Foto: Rejane Carneiro| Ag. A TARDE

A promoção cultural do Mundo Afro prossegue até a próxima sexta-feira. Algumas histórias já chegaram e continuo aguardando as demais. 

Os autores das quatro melhores vão receber, cada um, um exemplar do livro Uma Historinha Africana, dirigido ao público infanto-juvenil e escrito pelo professor Jaime Sodré, com ilustrações de João Victor Dourado.

Para saber como participar da promoção acessem o post anterior clicando aqui.


Maroketu reabre hoje

postado por Cleidiana Ramos @ 9:59 AM
20 de janeiro de 2010
Mãe Cecília Soares assume hoje o Maroketu. Foto: Wilson Militão |Divulgação

Mãe Cecília Soares assume hoje o Maroketu. Foto: Wilson Militão |Divulgação

Hoje é dia da festa de reabertura de um tradicional terreiro de Salvador: o Ilê Axé Maroketu.  A cerimônia começa às 16 horas. A Casa será regida pela ialorixá Cecília Soares, filha de Mãe Pastora e neta da fundadora do terreiro, Cecília do Bonocô. 

O Maroketu foi fundado em 1943, na Ladeira do Bonocô, hoje denominada Rua Antônio Viana, em Cosme de Farias.  Cecília do Bonocô era consagrada a Azoani e filha religiosa de Damiana Oxalafalaqué que por sua vez foi iniciada pela legendária Iya Magebassan.

Segundo o histórico do tereiro os fundamentos do culto a Azoani, uma divindade com características próximas a Obaulaê da nação Ketu, foram preprados pelo célebre Martiniano do Bonfim.

Com referência à nação ketu, o terreiro tem raízes no culto jeje por conta de Azoni, mas também tem forte relação com o orixá Xangô. Cecília Soares vai suceder Mãe Pastora de Iemanjá Ogunté.

Além da sua tradicional herança religiosa, Mãe Cecília é também conhecida por sua carreira acadêmica. Professora da Uefs, é autora de estudos na área de história e antropologia, como o livro Mulher Negra na Bahia do Século XIX.


Cônsul pede desculpas

postado por Cleidiana Ramos @ 3:36 PM
15 de janeiro de 2010
Declarações do cônsul sobre a tragédia no Haiti soaram preconceituosas. Foto: AP Photo|The Canadian Press|Adrian Wyld

Declarações do cônsul sobre a tragédia no Haiti soaram preconceituosas. Foto: AP Photo|The Canadian Press|Adrian Wyld

O cônsul-geral do Haiti em São Paulo, George Samuel Antoine, pediu desculpas e atribuiu suas declarações de caráter preconceituoso não só às religões de matriz africana, mas também aos povos africanos,  ao “seu português ruim” em momentos de tensão. O cônsul está no Brasil desde 1975.

Registrem-se as explicações do cônsul, mas vai ser difícil torná-las convicentes, pois além do áudio tem as imagens. Clique aqui para ver post com o vídeo das declarações de Antoine.


Promoção Cultural do Mundo Afro

postado por Cleidiana Ramos @ 10:14 AM
15 de janeiro de 2010
Blog sorteia quatro exemplares de Uma Historinha Africana. Foto: Fernando Amorim | AG. A TARDE

Blog sorteia quatro exemplares de Uma Historinha Africana. Foto: Fernando Amorim | AG. A TARDE

O Mundo Afro está lançando sua primeira promoção cultural. Vou sortear aqui quatro exemplares do livro Uma Histórinha Africana, de autoria do professor Jaime Sodré, com ilustrações de João Victor Dourado. O professor Jaime, gentilmente, doou os exemplares para este fim.

A edição do livro, dirigido ao público infanto-juvenil, foi vencedor de um edital da Fundação Palmares e faz parte de um projeto de apoio didático para aplicação da Lei 10.639/03, que estabelece o ensino da História e Cultura Afro-Brasileira. Atualmente, a Lei tem o número 11.645/08, por conta da modificação para também incluir o ensino de História e Cultura Indígena.

O projeto contemplou não só a distribuição do livro em escolas, mas também um encontro com a presença da ebomi Cidália Soledade, uma exímia contadora das histórias de trdição africana. Os encontros aconteceram em dezembro nas escolas Mãe Hilda, localizada na Liberdade, São Gonçalo e Mundo dos Sonhos, situadas na Federação.

O livro conta uma história envolvendo Doúm, Alabá e Elegbara e é um ensinamento sobre as muitas verdades que um mesmo fato pode oferecer.

Vamos fazer o seguinte: os quatro melhores relatos sobre histórias de tradição africana levam os exemplares. Podem ser contos relativos a inquices, orixás, voduns e caboclos, mas não vale, por exemplo, escrever igualzinho aos relatos de Pierre Verger ou de Reginaldo Prandi, por exemplo.

Contem como vocês ouviram as histórias de seus avós, pais e tios. Quem sabe não descobrimos outros griots (contadores de histórias) por aí?

História pronta é só enviar via o sistema de comentários do blog, com nome completo, endereço e telefone. Claro que não vou publicar estas duas últimas informações. É só para enviar o livro em caso de vitória.

Leitores de outros estados e países também podem participar. Não se preocupem que tem como fazer chegar o exemplar. O prazo para envio é até o próximo dia 22 (sexta-feira de hoje a oito).  

As melhores histórias além de levar o livro também serão publicadas no blog para a gente socializar as informações. Vamos lá. Estou ansiosa pela participação de vocês.  


Quem tem fé vai a pé

postado por Cleidiana Ramos @ 9:30 AM
14 de janeiro de 2010
Participantes disputam água de cheiro levada pelas baianas. Foto: Thiago Teixeira | Ag. ATARDE

Participantes disputam água de cheiro levada pelas baianas. Foto: Thiago Teixeira | Ag. ATARDE

Milhares de baianos e turistas já estão no adro da Igreja do Bonfim para a lavagem das escadarias. A Lavagem do Bonfim é uma das festas mais populares do calendário do verão de Salvador e mistura fé e muvuca, bem do jeito baiano de ser.

É uma homenagem ao católico Senhor do Bonfim, ou Senhor da Boa Morte, uma devoção iniciada pelo capitão Theodósio Rodrigues de Farias, membro da Armada Portuguesa. Após sobreviver a um naufrágio no século XVIII, o militar resolveu construir uma igreja em agradecimento.

Logo, o templo virou endereço de romaria. O início da lavagem é ainda controversa, mas parece ter começado durante os preparativos para a grande festa em homenagem ao Senhor do Bonfim que acontece no domingo.

Mas o que a gente realmente percebe é um forte simbolismo com as homenagens a Oxalá, divindade do candomblé. O rito realizado nos terreiros  é chamado de Águas de Oxalá, daí a presença das baianas no cortejo da lavagem levando na cabeça as quartinhas cheias de água de cheiro, preparadas com ervas especiais.

Aliás, para os devotos, a obrigação de andar os 7,5 quilômetros da Conceição até o adro da Igreja do Bonfim só está completa quando conseguem convencer uma das baianas a derramar sobre as suas cabeças um pouco de água de cheiro.

E, acreditem, tem até uma história envolvendo esta devoção com a Guerra da Independência da Bahia, ocorrida de novembro de 1822 a julho de 1823.

Este episódio é sempre contado pelo professor e historiador Cid Teixeira: durante o cerco das tropas brasileiras e a crescente tensão que se seguiu, pois os portugueses estavam sitiados em Salvador, o general português, Madeira de Mello, resolveu tirar a imagem da Colina Sagrada e levá-la para um convento no Terreiro de Jesus.

Era uma forma de tentar irritar as tropas brasileiras. A estratégia não deu o resultado que o general português queria e, quando o chamado Exército Libertador entrou na cidade no dia 2 de julho de 1823, uma das primeira providências foi levar a imagem de volta para o Bonfim em meio a uma grande festa.

Daí fica explicado o trecho do hino, que não é o oficial, mas aquele que ganhou a aprovação do povo, composto para comemorar o centenário da Independência:

“Glória a Ti, neste Dia de Glória/ Glória a Ti Redentor que há cem anos/Nossos pais conduziste à vitória, pelos mares e campos baianos”.

Para quem quiser saber mais sobre o lado afro religioso da lavagem vale conferir o livro Águas do Rei, do doutor em antropologia e professor da Ufba, Ordep Serra.


Balaio de Ideias: A força do candomblé

postado por Cleidiana Ramos @ 3:30 PM
11 de janeiro de 2010

Anselmo Santos Minatojy

Fiquei extremamente preocupado com o sensacionalismo midiático que estão tentando proporcionar através de algumas ocorrências pontuais que se sucederam em algumas casas de Candomblé. Primeiramente devemos entender que o Candomblé não tem um porta voz oficial. Cada Sacerdote do Candomblé fala em nome da sua casa e da tradição que representa. Desta forma, todos são importantes para a construção da identidade candomblecista no Brasil.

Estamos participando de transformações sociais em todos os níveis da nossa vida familiar, religiosa, afetiva. O ser humano de nossa geração está passando por um profundo mergulho dentro da sua alma e identificando novos valores ou tentando dar novos valores a hábitos já construídos em nosso dia-a-dia.

Os Terreiros de Candomblé, apesar de conviver em harmonia com a contemporaneidade, ainda são um lugar que, sem nenhuma hipocrisia, tentam salvaguardar os valores étnicos e morais que nos conduziram até o presente momento da vida  em conformidade com a tradição recebida de nossos ancestrais.

Cada sacerdote tem como missão, além de dar manutenção às tradições herdadas de nossos ancestrais africanos,  cumprir o compromisso social com a comunidade onde o Terreiro está inserido. Esta responsabilidade não está situada apenas dentro dos muros dos terreiros, pois hoje eles precisam criar entidades não governamentais que busquem o desenvolvimento de projetos sociais que possam atender a toda a comunidade do seu entorno seja de praticantes de Candomblé (comunidade de terreiro) ou de qualquer outro credo religioso, de qualquer orientação sexual ou de qualquer cor e classe social.

Estas intervenções tão necessárias desenvolvidas pelos Terreiros de Candomblé visam exatamente atender a demanda não contemplada pelo poder constituído que, infelizmente, ainda é ineficiente no atendimento às populações periféricas de baixa renda. Estas, em sua maioria, compõem o grupo de praticantes, simpatizantes e vizinhos dos Terreiros de Candomblé.

Devido à falta de intervenção mais eficaz do poder público nas comunidades periféricas muitas mazelas sociais encontram ali um ambiente propício para o desenvolvimento de diversas ações que atentam contra a dignidade humana e, certamente, o tráfico de drogas é uma das mais influentes devido à agilidade com que as pessoas sem nenhuma formação conseguem se beneficiar financeiramente através destes atos ilícitos.

Podemos caracterizar os problemas citados de forma espetaculosa na mídia local como sendo apenas situações pontuais em comunidades que se constituíram em locais de alta periculosidade  atingindo desta forma cruel toda a comunidade pacata, ordeira e honesta que ali vive e que apesar de nunca ter se envolvido com nenhum ato ilegal  paga muitas vezes com a própria vida pela irresponsabilidade e ganância de alguns membros daquela comunidade que foram acometidos de um envolvimento voraz com a marginalidade.

Como os Terreiros de Candomblé estão em sua grande maioria instalados nas periferias das grandes cidades mantém um convívio mais de perto com  estas situações e trabalha diuturnamente para ajudar a melhorar a realidade das comunidades onde estão inseridas. Logo o Candomblé não foi, não é e nunca será refém de quaisquer manifestações marginais que acometam a comunidade onde ele está inserido.

Cabe ao Sacerdote gerir administrativamente os problemas buscando apoio do poder constituído (polícia civil, militar, secretarias de segurança pública de quaisquer instância de poder)  através de mecanismos próprios para o qual estes  órgãos foram criados. Além disso, deve cuidar religiosamente pedindo a proteção do Nkisi, Orixá,Vodun, Caboclos e todas as energias que compõem um Terreiro de Candomblé.

Nossos espaços de Terreiro sempre foram respeitados pelo papel social que representam na sociedade, pelo acolhimento e pela aceitação do ser humano em sua plenitude. Estes fatos desagradáveis foram fatos isolados que não comprometem o Candomblé como querem alguns sensacionalistas de plantão.

Graças aos nossos Deuses e Deusas o Candomblé ainda encontra respeito e a força das divindades nas quais acreditamos não deverá ser colocada como exemplo de casos isolados num universo de milhares de Terreiros de Candomblé que existem em nosso Estado e que vivem em paz e harmonia em suas comunidades.

Em tempos difíceis, violentos e de tanta inversão de valores, o Sacerdote, certamente além da sua função litúrgica, deverá incorporar o papel de fiscalizador da própria comunidade onde vive e buscar parcerias com instituições que podem e devem prestar um bom serviço de segurança aos cidadãos.

A luz e força das Divindades que nos trouxeram até aqui permaneçam iluminando os nossos caminhos e a mente dos Sacerdotes e Sacerdotisas que têm a imensa responsabilidade de representá-los em nossa sociedade.

Anselmo Santos é tata de inquice do Terreiro Mokambo 


Exposição aborda decoração da Casa Branca

postado por Cleidiana Ramos @ 4:15 PM
5 de janeiro de 2010
Decoração dos espaços do terreiro Casa Branca durante as festas é tema de exposição. Foto:  Lúcio Távora | AG A TARDE

Decoração dos espaços do terreiro Casa Branca durante as festas é tema de exposição. Foto: Lúcio Távora | AG A TARDE

Um evento interessantíssimo para quem curte fotografia e também se interessa por candomblé: na próxima sexta-feira, a partir das 18 horas, será aberta a exposição intitulada Depois da Festa- Decoração ritual do Terreiro da Casa Branca.

A mostra traz fotografias da decoração litúrgica da Casa Branca feitas por Regina Martinelli Serra. É uma oportunidade de conferir a variação de cores e formatos que tomam o barracão e outros espaços dos terreiros durante as festas. 

Regina Martinelli Serra é membro da comunidade da Casa Branca. Em 2001 ela pediu licença à ialorixá do terreiro, Mãe Tatá, para fazer as fotografias.

“Na Casa Branca não se pode fazer fotografias durante os rituais. Às vezes tinha que esperar um pouco mais, pois havia os erês e na sua presença também não podia registrar nada. Durante dois anos fui fazendo as fotos. Fiz também retratos que pretendo um dia incorporar a esta exposição”, conta Regina.

De acordo com ela, a exposição é também uma forma de mostrar a beleza do trabalho feito pela comunidade da casa, na maioria das vezes com papel, flores e pano. “Tudo muito simples e extremamente belo.  A criatividade do povo de santo conseguia tirar daqueles  elementos um esplendor que até hoje me comove”, completa.

A mostra prossegue até o dia 5 de março.O período de visitas é de segunda a sexta das 9 às 18 horas, no Museu de Arqueologia e Etnologia da Ufba e no Museu Afro-Brasileiro, ambos localizados no prédio da antiga Faculdade de Medicina, no Terreiro de Jesus, Pelourinho.


Balaio de Ideias: Um jornal contra o Candomblé

postado por Cleidiana Ramos @ 3:20 PM
5 de janeiro de 2010

 Jaime Sodré

Aquele jornal marcou sua passagem na história da imprensa baiana. No aguardo dos trâmites para a defesa da nossa tese de doutorado sobre a Imprensa e o Candomblé, que pretendemos fazer ainda em 2010, somos impelidos a revelar certos assuntos deste âmbito, para não frustrar os leitores de temas interessantes. O jornal O Alabama foi me apresentado, há tempos, pelo prof. João Reis notificando-me matérias sobre o Terreiro do Bogum.

Luiz Nicolau Parés, em seu imperdível livro “A Formação do Candomblé – História e ritual da nação jeje na Bahia”, recorre a O Alabama. Este jornal, intolerante frente às práticas das religiões de matriz africana em Salvador, ferrenho adversário, ao tempo em que revela o pensamento dos seus editores quis o destino que fosse de utilidade para o registro das atuações persistentes dos líderes religiosos da época.

Os seus redatores chamavam-se de “mulatos e negros”. Ao contrário do pensamento de alguns, o simples fato de “ser da cor” não seria garantia de um tratamento cordial frente aos costumes dos seus iguais. Logo, O Alabama, “periódico crítico e chistoso”, fundado em Salvador, em 1863, era composto por afro-descendentes e pró-abolicionistas, que notificaram o Candomblé como algo da barbárie, superstição e até promiscuidade sexual, atuando com ações sistemáticas de denúncias e pedidos de rigores nas ações repressivas.

Apesar destas ações, as suas páginas nos fornecem informações sobre práticas religiosas, até mesmo presenciadas pelos seus jornalistas, sendo, em acordo com Nicolau, uma fonte documental rica sobre o Candomblé baiano do século XIX.Despertou-me o nome daquele noticioso, Alabama, me remetera a um estado da federação Norte Americana, famoso por sua prática de segregação racial como norma constitucional desde 1819. Lutara na Guerra da Secessão pela manutenção da escravidão, sendo derrotado, mas manteve uma postura de negar direitos aos negros, recusando-se a obediência às Leis dos Direitos Civis, sendo ameaçado de intervenção federal.

Voltemos ao nosso O Alabama: em suas páginas acompanha-se as transformações que consolidaria o Candomblé na forma que conhecemos na atualidade, quando se refere à predominância feminina neste culto, na medida em que se assistia ao declínio de lideranças africanas masculinas. No ambiente escravocrata soteropolitano as mulheres tiveram maior independência econômica e mobilidade social.

Notícias outras nos levam à localização de algumas casas de culto como um Candomblé, nos anos de 1859, na Quinta das Beatas com predominância africana. Em 1862 notifica a existência do Candomblé Pojavá no Distrito de Santo Antônio, com predominância crioula, e em 1866, a crioula Aninha Sapoca exercia suas habilidades na freguesia da Conceição da Praia.

A preferência da ação de O Alabama em relação ao Candomblé, embora se tentasse atingir toda a cidade, ganhava evidência na área da Sé, por estar próximo a sua sede, evidenciando uma quantidade de casas de prática da religiosidade de matriz africana no centro da cidade, situação que mais tarde experimentaria a investida do poder para a evacuação desses “antros no centro da cidade”.

Vale lembrar, como afirma Renato da Silveira, a existência do Candomblé da Barroquinha, matriz da atual Casa Branca. A postura do no. 59, de 27 de fevereiro de 1857, para a alegria de O Alabama, rezava: “Os batuques, danças e reuniões de escravos, estão proibidas em qualquer lugar e a qualquer hora sob pena de oito dias de prisão…” O Alabama não silenciava, e observando o crescimento do Candomblé, atribuía à colaboração de policiais e pessoas do exército e alguns clientes destas práticas. Indignado, imprimia O Alabama: “esta polícia tem uma queda para os candomblés! Permite-os por ordem sua, dentro da cidade e manda apreende-los nos arrabaldes!” Para aquele jornal, esses Candomblés dos arrabaldes eram verdadeiros “esconderijos de escravos fugidos”.

Cruz do Cosme, Engenho Velho, Campinas, Quinta das Beatas, Engenho da Conceição, Matatu, Penha, desfilaram em suas páginas, mostrando-nos a persistência daqueles obedientes apenas às divindades africanas. Nas palavras sábias de Mãe Stella: “Ti ó omi tireé” – “É na presença do inimigo que o algodão floresce”. Que assim seja.


Feliz 2010

postado por Cleidiana Ramos @ 4:02 PM
29 de dezembro de 2009

Caros navegantes do Mundo Afro: agradeço a companhia de vocês durante esse primeiro ano e quatro meses de existência deste blog.

Procurei neste período abrir um espaço para a boa informação e o debate saudável sobe questões que interessam à preservação da  cultura, tradição e ancestralidade negras.

Espero contar com a companhia de vocês no próximo ano. Vou estar de licença até o dia 4, para descansar um pouco da minha  jornada anual que foi bem intensa.

Para celebrar este nosso ano juntos postei acima um vídeo com Mariene de Castro e Gerônimo cantando juntos saudações, principalmente, a Oxum, afinal 2010 já começa sob o signo das águas.

No mais, um ano cheio de paz, saúde e votos de que o racismo e a intolerância religiosa sejam vencidos de uma vez por todas. Axé!


Mãe Stella de Oxóssi esclarece sobre o candomblé

postado por Cleidiana Ramos @ 5:44 PM
27 de dezembro de 2009
Mãe Stella vai dar coletiva para falar sobre princípios do candomblé. Foto: Margarida Neide| AG. A TARDE

Mãe Stella vai dar coletiva para falar sobre princípios do candomblé. Foto: Margarida Neide| AG. A TARDE

Recebi uma mensagem do presidente do Conselho Civil da Sociedade Cruz Santa do Axé Opô Afonjá, Ribamar Daniel, avisando que, na próxima quarta-feira, Mãe Stella de Oxóssi vai dar uma coletiva para falar sobre o episódio de introdução das agulhas em um menino de dois anos.

Fico contente que uma sacerdotisa do candomblé se levante para explicar que este tipo de procedimento nada tem a ver com a prática das religiões de matriz africana.  É uma conclusão óbvia, mas que muita gente não só por ignorância, mas também por preconceito e maldade continua a tentar caracterizar como um ritual ligado ao candomblé, principalmente. 

Ainda  não tinha falado aqui sobre esse assunto, pois diante da sua complexidade preferi apelar para um especialista que já está preparando um material especial para o Mundo Afro.


Aprovado projeto de regularização fundiária de templos

postado por Cleidiana Ramos @ 6:24 PM
21 de dezembro de 2009
O Mansu Dandalungua Kokwazenza é um dos templos que lutam para preservar sua área verde. Foto: Haroldo Abrantes | Ag. A TARDE

O Mansu Dandalungua Kokwazenza é um dos templos que lutam para preservar sua área verde. Foto: Haroldo Abrantes | Ag. A TARDE

Foi aprovado, hoje, por unanimidade, na Câmara Municipal, o Projeto de Lei que assegura a regularização fundiária de templos religiosos instalados em terrenos de propriedade do munícipio.

Em fevereiro, após o recesso legislativo, acontecerá a segunda votação por se tratar de matéria que altera artigo da Lei Orgânica. Se o consenso ocorreu na sessão de hoje, possivelmente acontecerá o mesmo na próxima.

O projeto surgiu, principalmente, para proteger os terreiros das religiões de matriz africana, mas por pressão da bancada evangélica, acabou por incluir outras denominações religiosas. ”Construímos o consenso, reafirmando a tradição do candomblé de rejeitar a intolerância religiosa e apoiar a convivência pacífica e os direitos iguais para todas as religiões”, disse o vereador Gilmar Santiago, que abraçou a causa da regularização fundiária desde a sua gestão como secretário municipal da Reparação, no primeiro governo de João Henrique.

Em abril do ano passado, Gilmar Santiago, já vereador e integrante do PT, partido que rompeu com o prefeito, denunciou, via imprensa, que o projeto para a regularização fundiária dos terreiros enviado pela prefeitura havia desaparecido.

A denúncia virou polêmica quando o Executivo apresentou uma proposta que abrangia outras religiões, alegando o princípio da laicidade do Estado.

O debate sobre o projeto foi um efeito colateral da derrubada parcial do terreiro Oyá Unipó Neto por funcionários da prefeitura em março de 2008.

Agora, o  projeto aprovado pela Câmara pode ser um passo para resolver uma questão que atormenta tantas e tantas comunidades religiosas, principalmente as de matriz africana. Por conta da ocupação desordenada da cidade, elas foram perdendo seus espaços, principalmente, as áreas verdes e fontes que são essenciais para os seus ritos.        


Seminário discute direitos dos povos tradicionais

postado por Cleidiana Ramos @ 5:16 PM
20 de dezembro de 2009

Questões que interessam a comunidades tradicionais, caso do povo de candomblé, estarão em destaque. Foto:

Questões que interessam a comunidades tradicionais, caso do povo de candomblé, estarão em destaque. Foto:

Amanhã, a partir das 14 horas, no Museu Eugênio Teixeira Leal, no Pelourinho, acontece o Seminário O Olhar da Justiça sobre Povos  e  Comunidades Tradicionais. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas no local a partir das 13h30.

O encontro vai debater questões relacionadas a Direito, Urbanismo e Filosofia, envolvendo comunidades quilombolas, de terreiros, dentre outras que formam os chamados povos tradicionais.

O seminário é promovido pelo Institituto Pedra de Raio, em parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza (Sedes), Secretaria de Meio Ambiente, Ministério Público, Semur, Ministério Público do Trabalho, Coordenadoria Ecumênica de Serviço (Cese) e Coletivo de Entidades Negras (CEN).


Sepromi seleciona estagiários para mapeamento de terreiros

postado por Cleidiana Ramos @ 5:20 PM
17 de dezembro de 2009
Mapeamento é oportunidade para auxílio a comunidades de terreiros como o Seja Hundé, situado em Cachoeira. Foto: Marco Aurélio Martins| Ag. A TARDE

Mapeamento é oportunidade para auxílio a comunidades de terreiros como o Seja Hundé, situado em Cachoeira. Foto: Marco Aurélio Martins| Ag. A TARDE

A Sepromi abriu inscrições para a seleção de estudantes que vão trabalhar no projeto Mapeamento dos Espaços de Religião de Matriz Africana nos Territórios de Identidade do Baixo Sul e do Recôncavo. O prazo para se inscrever termina na próxima quarta-feira, dia 23. São 20 vagas com bolsas no valor de R$350, mais diária de R$200. Os concorrentes devem estar matriculados em períodos a partir do 3º semestre e matriculados em instituições de ensino superior devidamente registradas pelo Ministério da Educação (MEC).

Os selecionados vaõ assumir o compromisso de manter o bom desempenho escolar e não podem firmar vínculos empregatícios durante o período de vigência da bolsa. As inscrições podem ser efetivadas na sede da Sepromi (Centro Adminstrativo da Bahia (CAB, Salvador), das 9 às 12 horas e das 14 às 17 horas ou postadas nos Correios (via sedex) para o seguinte endereço: Secretaria de Promoção da Igualdade, Centro Administrativo da Bahia – CAB, 2ª Avenida, 250,  Anexo  B, Blocos A e B, Paralela, CEP – 41745-003 – Bahia – Brasil. No próximo dia 30 sai o resultado da seleção no site da Sepromi(www.sepromi.ba.gov.br) e no Diário Oficial do Estado. No site também estão os detalhes do edital e documentos necessários para a inscrição.

O projeto de mapeamento dos terreiros vai acontecer por meio de uma parceria entre a Sepromi e a Seppir, em conjunto com as prefeituras e organizações da sociedade civil dos municípios envolvidos. Os dados coletados serão disponibilizados em um apublicação impressa e na Internet e vão servir de base para a elaboração de políticas públicas de atendimento às comunidades religiosas.

A  ideia do projeto é traçar o histórico dos terreiros, condições físicas e de infraestrutura; recursos ambientais, trajetórias de luta e resistência; e o perfil das autoridades religiosas (sexo, raça, formação, dentre outras informações).

No Baixo Sul, os municípios incluídos no projeto são Aratuípe, Cairu, Camamu, Gandu, Igrapiúna, Ituberá, Jaguaripe, Nilo Peçanha, Piraí do Norte, Presidente Tancredo Neves, Taperoá, Teolândia, Valença, Wenceslau Guimarães. No Recôncavo o projeto contempla Cabaceiras do Paraguaçu, Cachoeira, Castro Alves, Conceição do Almeida, Cruz das Almas, Dom Macedo Costa, Governador Mangabeira, Maragojipe, Muniz Ferreira, Muritiba, Nazaré, Santo Amaro, Santo Antônio de Jesus, São Felipe, São Félix, São Francisco do Conde, Sapeaçu, Saubara e Varzedo.


Medalha para o mestre

postado por Cleidiana Ramos @ 7:03 PM
16 de dezembro de 2009
Na próxima sexta-feira, Jaime Sodré recebe a medalha Zumbi dos Palmares. Foto: Rejane Carneiro |Ag. A TARDE

Na próxima sexta-feira, Jaime Sodré recebe a medalha Zumbi dos Palmares. Foto: Rejane Carneiro |Ag. A TARDE

A vereadora Aladilce Souza (PCdoB) é autora de um requerimento que, com certeza, teria milhares de assinaturas se fosse preciso: a resolução que outorga a Medalha Zumbi dos Palmares ao historiador, professor e religioso do candomblé, Jaime Sodré. A cerimônia será na próxima sexta-feira, às 9 horas, na Câmara de Vereadores.

Jaime dispensa muitas apresentações, pois quem ainda não o conhece pessoalmente já o viu centenas de vezes na TV, o ouviu no rádio ou leu seus artigos e entrevistas em jornais.

Xicarangoma (sacerdote músico) do Tanuri Junçara e oloiê (uma espécie de conselheiro) do Terreiro do Bogum, fala da sua religião, o candomblé, numa cadência que une a informação, permitida aos que são de fora, com a poesia.

Professor de Engenharia do Ifba, da Uneb e da Faculdade da Cidade tem a generosidade dos grandes mestres para dividir seu conhecimento que transita por tantas e diversas áreas, mas que ele consegue costurar quando é preciso. 

Poeta, também domina a melodia para compor músicas. Seu entusiasmo quando fala das raízes negras do Carnaval conquista discípulos para a sua causa e mais do que merecida foi a homengem da Lira Imperial do Samba, que o homenageou em 2007 com a placa comemorativa Tia Ciata, por conta do seu trabalho em defesa da revitalização das escolas de samba em Salvador.

Artista plástico, já realizou várias exposições e em uma delas recebeu o Prêmio Braniff Internacional. Em 2003, Jaime Sodré foi um dos vencedores do concurso da Funarte com a peça A Revolução Malê.

Além disso tem um humor incrível que reforça ainda mais o carisma desse filho de Oxalá. Enfim, é uma homenagem mais do que merecida.  


Solidariedade ao Ilê Axé Opô Afonjá

postado por Cleidiana Ramos @ 12:11 PM
15 de dezembro de 2009
O vice-prefeito, Edvaldo Brito, foi recebido por Mãe Stella de Oxóssi. Foto: Ascom| Divulgação

O vice-prefeito, Edvaldo Brito, foi recebido por Mãe Stella de Oxóssi. Foto: Ascom| Divulgação

O vice-prefeito de Salvador, Edvaldo Brito, esteve ontem no Ilê Axé Opô Afonjá. O professor Edvaldo, como é mais conhecido por conta da sua carreira na universidade e no âmbito do Direito, foi prestar solidariedade à comunidade do terreiro por conta dos atos de vandalismo contra o Afonjá, ocorridos no último dia 30.

Marginais invadiram o quarto de Oxalá e destruíram as instalações do espaço sagrado. O vice-prefeito, filho de Ogum do Gantois, onde ocupa o posto de Babá Egbé, um dos mais ilustres na hierarquia masculina da Casa, assegurou que a prefeitura vai realizar melhorias no terreiro,como reforço de iluminação em locais de circulação pública e execução de um projeto paisagístico.

Numa praça será colocado o busto de Mãe Anininha, fundadora do Afonjá, que comemora, no próximo ano, o seu centenário de fundação.

O professor Edvaldo foi recebido pela ialorixá do Afonjá, Mãe Stella de Oxóssi, e pelo presidente do Conselho Civil da Sociedade Cruz Santa do Axé Opô Afonjá, Ribamar Daniel.

O gesto do professor Edvaldo é emblemático não só por conta de demonstrar repúdio à agressão contra o Afonjá, mas também de mostrar uma ação do poder público em preservar um patrimônio que tem  o aval do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), mas que também é imaterial.


Biografia de Édison Carneiro será lançada na Assembléia

postado por Cleidiana Ramos @ 3:47 PM
14 de dezembro de 2009
O terreiro Casa Branca do Engenho Velho é um dos protagonistas dos estudos de Édison Carneiro. Foto: Lúcio Távora | AG A TARDE

O terreiro Casa Branca do Engenho Velho é um dos protagonistas dos estudos de Édison Carneiro. Foto: Lúcio Távora | AG A TARDE

Atenção leitores que estão ávidos por lançamentos biográficos: amanhã, a partir das 16h30, na Assembléia Legislativa da Bahia, localizada no CAB, tem o lançamento do livro Édison Carneiro, de Biaggio Talento e Luiz Alberto Couceiro.

Além da biografia de Édison Carneiro serão lançadas também as de Mestre Pastinha, Nelson Carneiro, Dom Timóteo Amoroso e Juarez Paraíso. Os livros fazem parte da coleção Gente da Bahia.

Jornalista, Édison Carneiro, foi um dos mais ardorosos defensores da liberdade para a prática do candomblé . Pesquisador, é autor de estudos que se tornaram clássicos como Negros Bantos e Candomblés da Bahia. 

O livro Édison Carneiro está dividido em duas partes. A primeira traz a trajetória de vida e lutas de Carneiro, escrita pelo jornalista Biaggio Talento. Já a segunda apresenta a análise da obra de Carneiro feita pelo historiador e antropólogo da UFRJ, Luiz Alberto Couceiro.


Fotografias de ialorixás em exposição

postado por Cleidiana Ramos @ 3:34 PM
14 de dezembro de 2009
Imagem faz parte da exposição. Foto: Alberto Lima| Divulgação

Imagem faz parte da exposição. Foto: Alberto Lima| Divulgação

Amanhã, na Biblioteca dos Barris, acontece o lançamento da mostra fotográfica Yalorixás no Século XXI. As imagens são de autoria do fotógrafo Alberto Lima.

A exposição está sendo promovida pelo Núcleo Omi-Dùdú em parceria com a Sepromi. As fotografias fazem parte de um calendário que será distribuído gratuitamente. 

A mostra ficará até o dia 31 e engloba outras atividades como debates e palestras sobre as religiões de matriz africana, reinaguração da Sala Luiz Orlando, mostra de filmes, desfile de moda afro, dentre outras.


Fernando de Tacca- Parte 1

postado por Cleidiana Ramos @ 7:05 AM
12 de dezembro de 2009
Foto:Haroldo Abrantes

Foto:Haroldo Abrantes

“Meu livro é uma investigação, uma espécie  uma reportagem antropológica”

Foi no curso de Ciências Sociais que Fernando de Tacca se aproximou da fotografia. O tempo faria com que estes seus dois interesses acabassem se encontrando para a produção de mais conhecimento, como é o caso do seu livro Imagens do Sagrado- entre Paris Match e o Cruzeiro. Doutor em antropologia e professor da Unicamp, Tacca enriquece o campo de estudos sobre a imagem com uma pesquisa onde o fotojornalsimo é o ponto de partida. A partir da análise da reportagem As Noivas dos Deuses Sanguinários, publicada pela  revista O Cruzeiro, em 1951, ele mostra não apenas a polêmica sobre a descrição detalhada da iniciação de três iaôs no terreiro da mãe-de-santo baiana Risolina Heleonita da Silva, mais conhecida como Mãe Riso. A reportagem e as suas consequências, tanto as reais como as imaginárias presentes no discurso do povo de santo, são o ponto de partida do autor, mas ele revela muito mais. Seu livro traz os  bastidores deste episódio como a disputa de mercado entre O Cruzeiro e a a francesa Paris Match, que meses antes havia publicado uma matéria semelhante a partir de fotografias feitas pelo cineasta Henri-George Clouzout. Um exemplo desta guerra jornalística é uma carta de Leão Gondim, diretor de O Cruzeiro, incitando o fotógrafo José Medeiros a provar que poderia se igualar a Clouzout e ao também francês, Pierre Verger que trabalhava para a revista, mas havia se negado a ceder fotos sobre uma iniciação que possuía. Nesta entrevista à repórter Cleidiana Ramos, Tacca conta detalhes de sua  pesquisa que revela episódios como a publicação em  A TARDE de uma versão traduzida da reportagem da Paris Match intitulada As Possuídas da Bahia.

A TARDE- Como o Sr. tomou contato com as fotos de José Medeiros?

Fernando de Tacca: É uma história longa. Eu fiz Ciências Sociais na USP e durante o curso me tornei fotógrafo. Naquele período não havia uma interlocução entre a área de imagem e ciências socias. Comecei a fazer minhas pequisas, fui encontrando artigos internacionais e me interessando pela área. Quando saí da USP, eu fui fazer um curso de especialização em Goiânia sobre imagem.Este curso foi feito dentro do Instituto Goiano de Pré-História e Antropologia (IGPA) que não tinha vocação para o trabalho com imagem, mas tinha um importante acervo de fotos de filmes de Jesco Von Puttkamer, que fotografou os índios. Eu e mais alguns fotógrafos fomos escolhidos para fazer este curso. Não havia ainda um corpus intelectual no Brasil sobre este tema, mas apenas gente que pesquisva. Foi lá que conheci Micênio Carlos Lopes dos Santos. Ele tinha ligações com o terreiro de Olga de Alaketo e se tornou meu compadre. Micênio tinha o livro Candomblé, de José Medeiros. As imagens chamaram minha atenção. Fiquei me perguntando como ele se relacionou com aquele grupo para conquistar o grau de liberdade para circular e fazer aquelas fotos. Além disso as imagens tinham um caráter bem forte, com sacrifícios de animais e eram de excelente qualidade fotográfica.

AT: A pesquisa começou imediatamente?
FT: Não. Passaram alguns anos e eu fui visitar José Medeiros. Eu  já tinha uma indicação no livro sobre a revista, mas nessa ocasião ele não me mostrou o exemplar de O Cruzeiro.  Também tive algumas informações por meio de Micênio. Como ele circulava no meio do candomblé e eu não sou um especialista em religiões afro-brasileiras, ele me ajudou muito inclusive com as informações sobre as versões que corriam em relação ao episódio.

AT: Até então o Sr. não tinha ainda se aprofundado sobre as fotos do processo iniciático na Paris Match?

FT:Não. A Paris Match apareceu muito mais à fernte, aqui na Bahia. No livro eu conto todo o meu percurso. Ele é também um livro-reportagem, de investigação, uma espécie de reportagem antropológica. Até então a informação que circulava no ambiente do candomblé é que Mãe Riso teria morrido de morte violenta. Mas antes de chegar à Bahia para levantar estas informações várias coisas foram acontecendo na minha vida. Eu fiz um doutorado na USP sobre um assunto completamente diferente: a produção fotográfica e cinematográfica da Comissão Rondon e como se deu a construção oficial da imagem do índio por meio deste trabalho, morei dois anos no Japão e só depois é que me dediquei a este trabalho.

AT: Esta reportagem é publicada com uma aura de sensacionalismo, mas depois as mesmas fotografias foram publicadas no livro Candomblé, de José Medeiros, e aí já são lidas como um trabalho artístico. É curiosa esta mudança.

FT: Realmente, elas passam a ser vistas no livro como uma descrição etnográfica.O texto na revista O Cruzeiro tem uma carga forte, mas é muito bem feito pelo jornalista Arlindo Silva. Acho interessante a história do texto. Ele é mais próximo do verdadeiro do que a descrição do trabalho de Clouzout na Paris Match. As informações da reportagem sobre Clouzout são pejorativas, desqualificatórias, tentando encontrar patalogias como esquizofrenia, quando a gente sabe que isso já havia sido superado por estudos daquele período, como os de Roger Bastide. Mas vale esclarecer que Clouzout não escreveu a reportagem. Ela é feita em terceira pessoa.

AT: Roger Bastide, inclusive, fez críticas contundentes ao texto da Paris Match.

FT:Ele escreveu três textos para a revista Anhembí.  No primeiro artigo Roger Bastide contesta Clouzout, mas em seguida ele descreve o livro de Clouzout e faz uma espécie de redenção do seu  conterrâneo. Clouzout, depois da reportagem da Paris Match, foi execrado na imprensa brasileira, por artigos como o de Alberto Cavalcanti e Édison Carneiro que, embora faça críticas, diz que não se arrepende de ter indicado alguns terreiros a Clouzout quando ele veio para cá. Só que o pai-de-santo do terreiro onde Clouzout foi fotografar não é identificado. O nome Nestor usado na reportagem da Paris Match é fictício. Essa reportagem chegou a ser publicada traduzida em A TARDE em três episódios, mas acho que sem fotos. Tudo isso preparou o terreno para a polêmica e para O Cruzeiro dar a sua resposta. Claudio David, que me auxiliou fazendo a pesquisa em jornais, encontrou os anúncios sobre a chegada de O Cruzeiro. Isso faz parte de um itinerário de mercado. Quando eu percebi isso pedi para ele continuar a pequisa e aí depois encontrei um anúncio da Federação do Culto Afro-Brasileiro convidando a população, os associados e os jornalistas para discutir a polêmica levantada tanto pela revista O Cruzeiro como pela Paris Match .


Fernando de Tacca- Parte 2

postado por Cleidiana Ramos @ 7:04 AM
12 de dezembro de 2009
Foto: Haroldo Abrantes

Foto: Haroldo Abrantes

AT: Como Pierre Verger que era repórter de O Cruzeiro se comportou neste episódio?
FT: Pierre Verger foi sempre muito silencioso sobre esse assunto. Ele era amigo de Medeiros. Mas não creio que se manteve afastado só por isso, mas também porque ele não quis ceder as fotos que ele tinha sobre um processo iniciático. Aliás, ele e Odorico Tavares prepararam uma reportagem para O Cruzeiro, que não foi publicada. Eu encontrei este texto nos arquivos da Fundação Pierre Verger. Ele, Verger, não só transitava bem nesse universo, mas tinha uma relação pessoal com o candomblé e talvez por isso tenha tido essa reserva. Na parte final do livro eu faço um adensamento conceitual dessa história que eu chamo de fricção ritualística. Eu trabalho com um autor norte-americano, da área de semiótica, chamado David Tomas. Ele trata o momento fotográfico como um ritual de passagem. Eu fiz o jogo conceitual trabalhando os ritos de passagem sob o ponto de vista da antropologia. Falo de uma liminaridade existente no processo fotográfico analógico. O negativo que vai ser  processado tem uma imagem latente que não apareceu. Há um recorte, uma separação até a revelação. No caso de Verger essa liminaridade se estica um pouco mais além desse processo. A liminaridade é também a não publicização dessas imagens, uma segunda liminaridade.

AT: Seu trabalho também envolve uma discussão ética. Medeiros chega a confessar que teria pagado para fazer as fotos.
FT: Tem uma carta publicada no livro que foi endereçada a José Medeiros por Leão Gondim da direção de O Cruzeiro. Na carta Gondim instiga Medeiros, que estava na Paraíba. É uma carta provocativa incitando-o a fazer uma reportagem melhor do que a realizada pela  Paris Match. Parece que ele também tinha uma relação com os cultos afro-brasileiros. Uma das coisas que o Medeiros me disse é que depois da reportagem, quando ele vinha para a Bahia, se registrava no hotel com nome diferente com medo de ebó.

AT: Há uma recomendação de Leão Gondim para que José Medeiros mantenha sigilo sobre a pauta não é?
FT:Na carta o Leão Gondim recomenda que ele não comente com ninguém a intenção de fotografar a iniciação, principalmente, com Odorico Tavares e Pierre Verger.Para você ter idéia, Arlindo Silva não conhecia a carta. Eu tentei conversar com ele durante todo o meu processo de finalização da pesquisa e ele se mantinha reticente, não queria me receber. Quando eu falei da carta, aí ele se abriu para me receber. Foi fantástico. Cinquenta anos depois, o sr. Arlindo Silva ficou cinco minutos lendo a carta em silêncio e aí ele disse: “Eu não conhecia essa carta”. Medeiros, segundo Arlindo Silva, não falou para ele sobre a carta. Outra coisa então ficou clara: Medeiros, nunca, nas entrevistas que fiz com ele, se referiu a ter sido instigado a fazer esta reportagem. Ela é cercada de toda uma mística, pois é considerada uma das mais importantes feitas em revistas brasileiras e sempre foi creditada a ele a ousadia de ter ido a um candomblé e ter conseguido fotografar o rito iniciático. A carta é reveladora pois mostra que a redação de O Cruzeiro é que o instigou a ir até lá.


Salve Santa Bárbara, Eparrei Iansã!

postado por Cleidiana Ramos @ 2:48 PM
4 de dezembro de 2009

 

O Largo do Pelourinho durante a missa em louvor a Santa Bárbara hoje. Em seguida teve procissão e distribuição de caruru. Foto: Xando Pereira|AG. A TARDE.

O Largo do Pelourinho durante a missa em louvor a Santa Bárbara hoje. Em seguida teve procissão e distribuição de caruru. Foto: Xando Pereira|AG. A TARDE.

Salvador começou hoje o seu calendário das chamadas festas do verão a partir de uma celebração de inspiração religiosa: o  dia de louvores a Bárbara, santa católica, mas que o encontro entre candomblé e catolicismo fez também ser data de lembrar de Oyá-Iansã do candomblé ketu ou Bamburucema do angola.

Sempre considerei essa associação religiosa uma das mais interessantes entre as muitas que existem. Isto porque a descrição da católica Bárbara é a de uma virgem que passou parte da vida trancada em uma torre pelo pai por conta da sua beleza.

Já passividade não é uma característica de Iansã. Pelo contrário, a divindade é conhecida pelo dinamismo. Não é à toa que tem sob o seu poder o fogo, os raios e os ventos.

Mas eis que vejo lá na história de Santa Bárbara também o exemplo de uma vontade de ferro o que é sinônimo de força. Cristã, preferiu perder a cabeça decepada por uma espada a se curvar à vontade do pai de vê-la casada e deixar a sua fé.

Conta a tradição católica que logo após a morte da jovem um raio fulminou o pai que havia feito a denúncia sobre a crença da filha em uma época que o cristianismo era proibido. Assim lá está a Justiça, uma característica também muito forte de Iansã.

Aliás, os mitos que a cercam são tão fascinantes como seu arquétipo de feminilidade indomável, guerreira e que briga por tudo o que quer e por todos que protege.

Que bela a história em que ela aparece como uma espécie de Prometeu de saias ao desafiar o poder de Xangô e engolir o fogo que ele lhe mandou trazer em uma caixa lacrada.

Daí que, segundo o doutor em antropologia, Vilson Caetano, especializado em culinária afro-brasileira e candomblé, está explicada a sua predileção pelo akará, mais conhecido como acarajé, que só está no ponto certo quando fica da cor do fogo. Iansã é o título que se dá a Oyá, afinal ela consegue percorrer as nove dimensões que os iorubás acreditam formar o universo.

Lembro que uma certa feita ao entrevistar Ebomi Nice da Casa Branca, consagrada a Oyá, perguntei-lhe como ela definiria alguém que é filho desta divindade e ela me deu uma resposta que uniu religiosidade e poesia: “Os filhos de Oyá são como o brilho do raio quando ele desponta no céu”. Para mim é uma definição que une beleza, mas também força, qualidade que fez o culto a Iansã resistir a todas as perseguições e também o de  Santa Bárbara que sobreviveu à sua retirada do calendário litúrgico católico oficial.

Mesmo com sua festa tornada opcional, Santa Bárbara e também Iansã encheram hoje, pedindo licença a Oxalá, as ruas da capital baiana de vermelho e branco. Seus devotos também não ficaram sem o seu tradiconal caruru e claro acarajé.  Assim, salve Santa Bárbara, e   Eparrei, Oyá-Iansã.


Agressão ao Ilê Axé Opô Afonjá

postado por Cleidiana Ramos @ 2:00 PM
1 de dezembro de 2009
Área do Ilê Axé Opô Afonjá foi invadida. Foto: Geraldo Ataide |AG. A TARDE| 31.10.2002.

Área do Ilê Axé Opô Afonjá foi invadida. Foto: Geraldo Ataide |AG. A TARDE| 31.10.2002.

Uma notícia triste: o Ilê Axé Opô Afonjá, comandado por Mãe Stella de Oxóssi, foi invadido na madrugada de domingo por ladrões. Eles não respeitaram nem sequer os espaços sagrados pois reviraram o quarto de Oxalá à procura de objetos valiosos.

“Foi um episódio de vandalismo”, descreveu o ogã Ribamar Daniel para a matéria da minha colega repórter em A TARDE, Helga Cirino, publicada na edição de hoje.  Ribamar Daniel é o presidente da Sociedade Civil Cruz Santa do Ilê Axé Opô Afonjá, a representação civil do terreiro.

O episódio remete à questão de proteção pública para estes espaços. Claro que sabemos da laicidade do Estado, mas estes templos, assim como os de outras religiões, fazem parte do patrimônio material e imaterial do Brasil. O Afonjá é um dos mais conhecidos terreiros baianos, mas não é de hoje os pedidos reiterados da comunidade para a realização de uma obra de contenção que isole o espaço religioso de parte da via pública. Parte do terreno do templo já foi até usado para campo de futebol.  

Na visita que o ministro Edson Santos realizou em outubro a sete terreiros de candomblé da cidade, incluindo o Afonjá, todos os seus líderes fizeram queixas em relação a problemas de infra-estrutura. Por conta da própria expansão desordenada de Salvador, os  terreiros foram sufocados, perdendo a cada dia partes das suas áreas que em alguns casos formaram vários bairros.

É o caso, por exemplo, do Engenho Velho da Federação, que se formou no entorno de casas religiosas como o Bogum e o Cobre. O próprio Afonjá foi fundamental, sem dúvidas, para a expansão de São Gonçalo do Retiro. Tudo que era possível para a comunidade fazer foi feito, como o registro de queixa na polícia. Vamos agora acompanhar que tipo de providências será adotada.          


Morre Mãe Ana Laura de Ogum

postado por Cleidiana Ramos @ 1:57 PM
28 de novembro de 2009

Faleceu, hoje, Mãe  Ana Laura de Ogum, ebomi do Terreiro Oxumarê. Ela era também a ialorixá do terreiro Ilê Axé Araká Togun, localizado na Boca do Rio.

O sepultamento será amanhã, às 10 horas, no Bosque da Paz, localizado na Estrada Velha do Aeroporto.


Mais uma rodada do projeto Respeito aos Mais Velhos

postado por Cleidiana Ramos @ 10:01 AM
25 de novembro de 2009
Mãe Valnizia é uma das participantes da palestra organizada pelo Bando de Teatro Olodum. Foto: Rejane Carneiro| AG. A TARDE

Mãe Valnizia é uma das participantes da palestra organizada pelo Bando de Teatro Olodum. Foto: Rejane Carneiro| AG. A TARDE

Ontem consegui, mesmo em meio à correria característica da minha rotina neste mês de novembro, conferir a segunda parte do ciclo de palestras organizado pelo Bando de Teatro Olodum dentro do seu novo projeto intitulado  Respeito aos mais Velhos.

Foi muito legal a mesa formada pela professora Isabel Reis, pelo professor Jaime Sodré e por Jaime Cupertino, liderança quilombola da Comunidade de Vazante que fica em Seabra, na Chapada Diamantina. 

Antes que digam que não avisei sobre o evento, lembro que o anunciei aqui no Mundo Afro com antecedência. Mas quem quiser conferir ainda dá tempo: hoje, a partir das 19 horas, no Teatro Vila Velha, tem mais uma mesa com a presença de Mãe Valnizia de Ayrá, ialorixá do Terreiro do Cobre, do cineasta Antônio Olavo e da contadora de histórias, Raimunda da Paixão, moradora de Itiúba, localidade do sertão baiano.

O seminário Respeito aos Mais Velhos é uma etapa do projeto homômino que serve de base para a nova montagem do Bando. A estréia está prevista para 2010. A primeira etapa do seminário foi realizada nos dias 17 e 18. 


Festa para Sultão das Matas

postado por Cleidiana Ramos @ 9:48 AM
25 de novembro de 2009
Pai Valdemir comanda o Terreiro Santa Bárbara que no sábado faz festa para os caboclos. Foto: Fernando Vivas| AG. A TARDE

Pai Valdemir comanda o Terreiro Santa Bárbara que, no sábado, faz festa para os caboclos. Foto: Fernando Vivas| AG. A TARDE

As festas para o caboclo Sultão das Matas, no Terreiro Santa Bárbara, situado em Lauro de Freitas, são conhecidas pela fartura e alegria. Após o luto em memória da mãe-pequena da Casa, Mãe Dazinha, neste sábado, a partir das 21 horas, Sultão das Matas volta a ganhar sua festa. 

Segundo Pai Valdemir, que gosta de ver o terreiro cheio nos dias em que realiza seus cultos, vai ter um tapete de frutas em honra de todos os caboclos e um churrasco de dois bois.

A festa deve se prolongar até a metade da manhã de domingo. A celebração é aberta à participação pública e é uma boa oportunidade para quem nunca viu um culto em honra dos caboclos que, em Salvador, acontecem, na sua maioria, no mês de julho . Mais detalhes por meio do telefone 3379-3412.


Afro Imagem: Marcha do povo-de-santo

postado por Cleidiana Ramos @ 1:07 PM
23 de novembro de 2009

Marcha-do-Povo-de-santo

No último domingo aconteceu a realização da 1ª Caminhada Nacional pela Vida e pela Liberdade Religiosa. A marcha que reúne representantes das religiões de matrizes africanas ocorre em Salvador há cinco anos e agora tornou-se nacional. O registro foi feito por Margarida Neide da Agência A TARDE.