Balaio de Ideias: Barack Obama – um mensageiro da verdade

postado por Cleidiana Ramos @ 7:24 PM
21 de março de 2011

Elias Sampaio

O quadragésimo quarto Presidente dos Estados Unidos da América esteve entre nós no ultimo final de semana. Além de um momento bastante emblemático – as vésperas do 21 de março – sua visita possui, também, um significado muito importante para o povo brasileiro, os negros em particular.

Com efeito, a chegada de Obama a Casa Branca em 2008, representou um divisor de águas nos debates sobre as relações raciais nos EUA e no planeta. Sua trajetória até ali trouxe uma questão extremamente incômoda para nós brasileiros: como explicar que num país onde os negros são minoria absoluta da população e onde o racismo pode ser explicitado politicamente conseguiu pavimentar de maneira orgânica o percurso de um negro ao posto de maior liderança da nação?

Compreender a importância desse fenômeno aparentemente paradoxal, é condição necessária para se dar um salto qualitativo em tudo que vem sendo historicamente discutido nas relações raciais no mundo e no Brasil, em particular.

Além da noção do racismo como ideologia que estruturou as relações sociais no nosso país, os brasileiros em geral e os negros em particular, devem começar a refletir sobre a necessidade de introduzir no debate e nas suas ações na luta anti-racista, valores que podem – em primeira instância – não ter nada a ver com as questões raciais stricto sensu.

Ou seja, em hipótese alguma devemos associar o fato dos EUA terem um presidente negro a uma súbita conscientização daquele povo quanto ao credo na igualdade racial, na diminuição da intolerância, ou numa tendência a uma maior aproximação da América com o continente africano.

Na verdade, além da perspectiva liberal intrínseca ao pensamento médio do povo americano, a escalada de uma pessoa como Obama ao poder tem a ver com o nível de participação comunitária, político partidária, político eleitoral, na educação, na cultura, nas ciências e nas artes que não foram abstraídas dos objetivos estratégicos da sociedade americana apesar de seu racismo explicito.

Isto é, o exemplo dos EUA nos parece demonstrar que em sociedades multireferenciadas do ponto de vista racial, a apropriação de elementos institucionais diferentes daqueles relacionados às referências étnicas originais dos diferentes grupos sociais, são instrumentos que podem possibilitar uma real disputa contra-hegemônica.

Significa dizer que, a ênfase na identidade racial como mote da disputa política representa apenas um estágio de um complexo processo de luta pelo poder, podendo ou não, trazer vantagens ou ganhos econômicos e sociais de mesma magnitude. Nesse contexto, observamos que as particularidades da formação do povo americano serviram como catalisador para os negros daquele país no sentido da aceleração do seu processo de apropriação dos instrumentos daquilo que, desde os anos de 1930, Gramsci chamou de americanismo e que se tornaria comum a negros e brancos, concorrendo, ambos, para a hegemonização do seu modelo de sociedade para o mundo.

Assim, o fator Obama deve trazer conseqüências mais profundas para os negros do resto do mundo, do que para os próprios negros americanos à medida que, paradoxalmente, o efeito simbólico deste fenômeno se dará de maneira mais forte no inconsciente coletivo das sociedades onde os “valores genuinamente americanos” são menos arraigados.

No caso brasileiro por exemplo, a simples presença de Obama, Michele e suas duas filhas,todos negros, lindos, elegantes e sofisticados, descendo as escadas do Air Force One, um dos símbolos de poder americano mais difundidos no mundo, deve ter causado sentimentos controversos na cabeça do brasileiro médio que ainda insiste em crer numa democracia racial que só tem validade em sua própria cabeça e desde que os negros permaneçam, na sua grande maioria, nos níveis mais baixos da sociedade, servindo-os de preferência.

Só isso nos parece explicar, por exemplo, a reação militante de racistas travestidos de pseudo democratas em criticas e intervenções institucionais com o objetivo de evitar os avanços das políticas públicas anti-racistas e de carater afirmativo que vem avançado no Brasil a partir do governo Lula. Para esses a visita da família Obama apresenta uma verdade com um gosto amargo de uma realidade que pode se aproximar para o Brasil.

Mestre em Economia e Doutor em Administração pela UFBA. Professor de Políticas Macroeconômicas da Uneb. Diretor Presidente da Prodeb.

 

 


Para lembrar que o racismo precisa acabar

postado por Cleidiana Ramos @ 7:19 PM
21 de março de 2011

Hojé é o Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial. A data foi escohida pela ONU para que não fosse esquecido o espisódio conhecido como Massacre de Sahpervillea.

A localidade que fica nos EUA foi o endereço de um protesto conta a Lei do Passe que obrigava negros a portar cartões com o roteiro por onde iriam circular. O movimento reuniu 20 mil pessoas  em 21 de março de 1960.

O exército agiu contra a manifestação deixando 69 mortos e 186 feridos. É pena que ainda tenhamos que marcar um dia para nos lembrar de episódios como esse, o que é mais uma demonstração de como o racismo ainda persiste em todo o mundo.

Leiam acima um artigo escrito pelo economista Elias Sampaio que, a partir da visita do presidente dos EUA, Barack Obama, ao Brasil analisa a questão étnico-racial brasileira. Aproveitem para ler mais sobre o tema na edição de amanhã de A TARDE, na editoria Salvador. 


Lá vem Obama!

postado por Cleidiana Ramos @ 5:35 PM
17 de março de 2011

Obama faz a sua primeira visita ao Brasil. Foto: Alex Wong/Getty Images/AFP

Finalmente, o presidente dos EUA, Barack Obama, vem para a sua visita ao Brasil. Tem desde a agenda formal em Brasília,  no sábado, até uma espécie de comício no Rio, no domingo.

Até o meu amado Flamengo prepara uma homenagem especial, pois parece que o helicóptero de sua excelência vai fazer um pouso na Gávea. Obama vai fazer uma visita a outra nação (risos).

Mas, falando sério, essa visita é emblemática,. Não à toa, logo após a passagem do presidente tem agenda do Japper (o Plano de Ação Brasil-EUA para o Combate ao Racismo) em andamento.

Essas atividades também terão extensão em Salvador no próximo dia 23, mas, infelizmente sem a presença de Obama. É uma pena, pois a presença do primeiro presidente negro na mais negra das cidades americanas seria um grande acontecimento, no mínimo, do ponto de vista simbólico.


Conexões internacionais

postado por Cleidiana Ramos @ 12:11 AM
18 de maio de 2010

Caros amigos do Mundo Afro:  o blog ficou sem atualização estes dias, mas foi por um bom motivo. Estava me dirigindo para os EUA. Estou em Washington, compondo um grupo de jornalistas brasileiros convidados pelo governo dos EUA, e daqui sigo para Atlanta onde vou acompanhar mais uma rodada do Plano de Ação  Brasil-EUA para o Combate da  Discriminação Racial e Étnica.

A última reunião aconteceu em Salvador, em outubro do ano passado. Os dois países assinaram esse acordo em  2008 e ele prevê ações em áreas como educação e saúde. Foi um passo importante, pois, pela primeira vez, Brasil e EUA se unem, como Estados para combater o racismo.

Vou tentar na medida do possível atualizar o Mundo Afro com os acontecimentos em relação ao acordo, mas de antemão adianto que estou encantada com Washington e a forte presença  dos afro-americanos aqui, claro que, nitidamente, em melhores condições sócio-econômicas do que nós, afro-brasileiros.

Mas o acordo entre os dois  países é exatamente no sentido de compartilhar as experiências positivas.  Pena que por conta dos compromissos que preciso participar não deu para ver o Museu Africano daqui. Logo, logo trago mais novidades. 


Obama ganha Prêmio Nobel da Paz

postado por Cleidiana Ramos @ 2:45 PM
9 de outubro de 2009
Barack Obama ganha o Nobel da Paz. Foto:  EFE |Jason Szenes

Barack Obama ganha o Nobel da Paz. Foto: EFE |Jason Szenes

O presidente dos EUA, Barack Obama, foi anunciado hoje como o ganhador do Prêmio Nobel da Paz. A indicação, segundo o comitê responsável pelo prêmio, foi por conta dos seus esforços para promover a paz mundial e reduzir os estoques de armas nucleares. 

Obama venceu 205 indicados entre pessoas e organizações. Ele é o terceiro presidente americano em exercício a ganhar o Nobel. Os outros foram Theodore Roosevelt e Woodrow Wilson.


Angela Davis- Parte I

postado por Cleidiana Ramos @ 6:34 PM
10 de agosto de 2009

Angela-Davis-03

“Quando Obama visitar o Brasil, vai aprender algumas lições”

Aos 65 anos, Angela Davis continua a mostrar por que se tornou um ícone do movimento negro norte-americano nos anos 1970. Bastam minutos de conversa com a hoje pesquisadora e professora da Universidade da Califórnia, em Santa Cruz (EUA), para perceber a sua facilidade em expor, numa linguagem clara, linhas de raciocínio complexo, fruto do aprofundamento que marca sua produção acadêmica. Um exemplo é quando explica a visão que tem do feminismo, para além do embate de gênero. A jovem ativista de outrora continua também a fascinar a juventude. Este segmento foi o público mais constante nas palestras que ela realizou, na última semana, em Salvador, como convidada da XII Edição da Fábrica de Ideias, programa anual sediado no Centro de Estudos Afro-Orientais da Universidade Federal da Bahia (Ceao/Ufba ). Coordenada pela doutora em sociologia Ângela Figueiredo e pelo doutor em antropologia Lívio Sansone, a Fábrica oferece treinamento para jovens pesquisadores em estudos étnicos. Angela Davis, inclusive, discorda de quem costuma apontar a juventude do mundo atual como apática, do ponto de vista político. Para ela, cada geração tem sua forma própria de atuação. “A minha postura é a de aprender com os jovens, porque sempre são eles que provocam as mudanças radicais”, afirma. Nesta entrevista concedida à repórter Cleidiana Ramos, com o auxílio da tradutora Raquel Luciana de Souza, Angela Davis falou, dentre outros assuntos, sobre as lições que o governo brasileiro pode oferecer a Barack Obama, em relação a uma política de maior aproximação com a África.

A TARDE – É a segunda vez que a senhora vem à Bahia. O que notou sobre a questão racial e de gênero aqui?
Angela Davis – O termo feminismo é ainda bastante contestado, como também é contestado nos EUA. Mas, eu descobri que há mulheres ativistas que estão fazendo um trabalho bastante semelhante. Então, nesse sentido, não faz diferença como uma pessoa se identifica. Tem mulheres que estão trabalhando nessas questões de violência contra a mulher, assistindo vítimas dessa violência e, ao mesmo tempo, pensando em formas de se erradicar um fenômeno que é uma pandemia por todo o mundo. São questões que eu acredito que perpassam as fronteiras nacionais. Acredito que ativistas nos EUA podem aprender muito com ativistas aqui do Brasil.

AT – Ao que a Sra. atribui a resistência ao termo feminismo?
AD- Há essa resistência ao termo feminismo porque pressupõe-se que se adotem posições vazias. Há posições antimasculinas, anti-homem. Quando feministas brancas formularam pela primeira vez essa noção de direitos das mulheres, elas estavam somente prestando atenção à questão de gênero e não prestavam atenção à questão de raça e de classe. E nesse processo elas racializaram gênero como branco e colocaram uma questão de classe como uma classe burguesa, mas as feministas negras argumentaram que você não pode considerar gênero sem considerar também a questão de raça, a questão de classe e a questão de sexualidade. Então isso significa que as mulheres têm de se comprometer a combater o racismo e lutar tanto em prol de mulheres como de homens.

AT – É uma visão bem diferente daquela que a maioria das pessoas tem sobre feminismo.
AD- O tipo de feminismo que eu abraço não é um feminismo divisivo. É um feminismo que busca a integração. Mas, como disse anteriormente, estou mais preocupada com o trabalho que as pessoas fazem e o resultado que alcançam do que se estas pessoas se denominam feministas ou não. Muito do trabalho histórico tem descoberto tradições e legados feministas de mulheres que nunca se denominaram feministas, mas nós as localizamos dentro de uma tradição feminista. Eu já vi trabalhos que falam sobre Lélia Gonzalez no Brasil denominando-a feminista e eu não sei se ela se considerava feminista. Tem também mulheres contemporâneas como Benedita da Silva. Eu não sei se ela se identifica como feminista.

AT- A senhora pensa em escrever algo sobre as suas impressões em relação à Bahia?
AD- Eu acho que sim. Mas eu teria de voltar aqui e passar um pouco mais de tempo fazendo uma pesquisa substantiva. Estou bastante impressionada com o ativismo das mulheres em Salvador e, em geral, aqui é um lugar maravilhoso.


A guerra do ídolo contra a sua cor

postado por Cleidiana Ramos @ 7:07 AM
26 de junho de 2009
Algumas das tramutações do astro pop. Foto: AP Photo

Algumas das transmutações do astro pop. Foto: AP Photo

Confirmada a morte de Michael Jackson no ínicio da noite de ontem, volta e meia me econtro pensando nele com uma certa tristeza. Fico imaginando o quanto deve ter doído possuir uma vida interior tão atormentada. Digo isso porque não imagino ter sido de outra forma o dia-a-dia de alguém que não conseguiu aceitar a imagem que via no espelho desde criança. Sempre tive uma curiosidade, que nunca ficou totalmente satisfeita, de saber o que ele realmente pensava sobre a sua cor de pele.

As imagens que estão passando nas TVs a todo o momento mostram claramente a sua determinação em embranquecer ao longo do tempo. E este “branqueamento”  ultrapassa o  termo que é usado no Brasil para falar da decisão de mulheres negras em alisar seus cabelos via métodos químicos e pranchas numa busca de adequação ao padrão de beleza mundial: cabelos lisos, esvoaçantes.

Michael Jackson foi muito além dos cabelos. Sua pele não tinha mais nenhum tom de ação da melanina. É certo que ele disse certa vez que sofria de vitiligo, um distúrbio que cria uma descoloração da pele. A justificativa para o tom cada vez mais claro do rosto seria então maquiagem para uniformizar as marcas deixadas pelo vitiligo. Difícil acreditar nesta explicação pois além do clareamento da pele, o nariz, a boca e os cabelos mudavam constantemente.

Mas o rei do pop não falava sobre o que o  motivava a esta busca desenfreada para mudar seu fenótipo. Intrigante é que se tentava desesperadamente transmutar a aparência nata, na sua arte estavam lá os traços da música negra. Basta ouvir suas canções ou observar os passos da sua dança. Não à toa resolveu sair dos EUA para vir a Salvador gravar com o Olodum, um dos grupos que surgiram na esteira dos movimentos negros organizados brasileiros para o combate ao racismo. É certo também quem em Black or White ele brincou com as suas transformações. 

Michael Jackson é cidadão do país que tem uma das mais emblemáticas lutas contra as práticas racistas. É a terra de Rosa Park, Martin Luther King e que recentemente elegeu Barack Obama, um negro, com nome muçulmano, para comandar o país.

O maior ídolo pop de todos os tempos não tinha obrigação de fazer militância, porque isto é escolha política e da liberdade de consciência. Mas poderia ter convivido pacificamente com sua cor como é o caso de tantas outras celebridades norte-americanas: Denzel Washington, Samuel L. Jackson, Oprah Winfrey, Morgan Freeman, Whoopi Goldberg, Hale Barry, Lionel Richie, Stevie Wonder e outros mais.

Muita piada se fez sobre esta sua incansável batalha “para ficar branco”. Lembro que quando Barack Obama venceu as eleições circulou uma montagem fotográfica pela Internet mostrando, além do presidente eleito, Denzel Washignton, um dos mais influentes atores de Hollywood, o inglês Lewis Hamilton, o primeiro negro a vencer o campeonato de Fórmula Um e outros. No final tinha a foto de Michael Jackson já na versão embranquecida com a frase “Se arrependimento matasse…”

É  pena que esta sua enloquecida confusão de identidade vai ficar na história como  excentridade de uma estrela pop.  Talvez se ela fosse aprofundada poderia servir para a gente entender melhor o quanto esta questão de cor de pele ainda é um tormento para tantos.

Isto quase meio milênio depois que os homens inovaram na questão da escravidão: antes escravo era quem perdia a guerra. Com a corrida pela conquista da América, cor de pele virou, com produção de ciência para sustentar este pensamento, inclusive,  sinônimo de não humanidade, deixando sua marcas complexas e desiguais até hoje.


O elegante Obama

postado por Cleidiana Ramos @ 12:15 PM
16 de junho de 2009

 

 

Em todas as situações, Obama tem esbanjado estilo. Foto: AP Photo|Charles Dharapak

Em todas as situações, Obama tem esbanjado estilo. Foto: AP Photo|Charles Dharapak

Barack Obama está mesmo impossível no mundo pop. O seu novo feito é derrotar Brad Pitt e outras celebridades no quesito estilo.

O presidente venceu uma pesquisa quando comparado a 3 mil homens por seu bom gosto para se vestir. Pitt ficou em segundo.

O terceiro colocado é o jogador de futebol David Beckham. Obama surpreendeu por ser o único “homem de política” na lista dos dez mais estilosos, afinal esta categoria, segundo estilistas, não costuma se destacar em questões de moda.

Com todo respeito aos outros colocados, não é só neste quesito que Obama coloca para trás os outros concorrentes. Quando ele abre aquele sorriso tudo se ilumina.  


Sonhos de uma manhã de futebol

postado por Cleidiana Ramos @ 6:26 PM
14 de junho de 2009
Iraque e África do Sul abriram a Copa das Confederações. Foto: AFP PHOTO | ALEXANDER JOE

Iraque e África do Sul abriram a Copa das Confederações. Foto: AFP Photo | Alexander Joe

Sou daquelas que enxergam num jogo de futebol muito mais do que 20 homens correndo atrás de uma bola, dois tentando fazer que ela fique longe deles e três tentando colocar ordem no palco da peleja que é o gramado.

Naqueles 90 minutos que dura a partida costumo ter sentimentos contraditórios- raiva, desespero, frustração, alegria, esperança, leveza e tantas outras manifestações da paixão humana.

Mas sobretudo gosto de futebol pelo simbolismo de que algumas partidas se revestem. Nos gramados acontecem encontros felizes e triunfos quase impossíveis de acontecer na vida real. E digo isso ainda atordoada pela pancada de 5 X 0 que o Coritiba, chamado de Coxa, imaginem só!, aplicou no meu pobre e bagunçado Flamengo.

Ainda bem que, hoje pela manhã, antes de assistir ao vexame do meu adorado rubro-negro, pude presenciar um destes acontecimentos cheios de simbolismo do futebol durante a partida entre África do Sul X Iraque pela abertura da Copa das Confederações.

Claro que já passei da idade de ver apenas a poesia nas coisas e sei muito bem que o futebol é um centro do capitalismo mais feroz, movimentando milhões e dono de uma força política na maioria das vezes usada para o mal em seu sentido mais puro. Não é por bondade que a Fifa escolheu a África do Sul como país anfitrião desse torneio e para sede da milionária Copa do Mundo no ano que vem.

Mas o futebol também proporciona mesmo que por apenas 90 minutos coisas que o mundo fora dos estádios paga caro por não ver acontecer.

Assim, nesta manhã, estava no gramado um time sul-africano formado por dez jogadores negros e apenas um branco. Ali estavam eles representando um país onde a minoria branca oprimiu por décadas a maioria negra via o vergonhoso sistema de apertheid racial.

Aqueles rapazes de uniformes e calçados com chuteiras compunham a representação do resultado de uma luta digna e sofrida de muitos, dentre os quais Nelson Mandela, que é um guerreiro sobrevivente.

Um time sul-africano formado maciçamente por negros era algo impossível de acontecer há apenas alguns anos. Mas hoje eles estavam ali para mostrar que a irracionalidade acabou de forma oficial e a gente fica na torcida para que desapareça de fato.

 Do outro lado estavam os representantes de um povo não menos sofrido, por conta dos desmandos do seu ditador local, agora morto, mas também em consequência da loucura de George W. Bush que achava que podia mandar no mundo, sem limites, ao sentar no trono do governo americano.

Na era Bush, que já parece passado distante diante da histórica vitória de Barack Obama, o povo iraquiano viu cair sobre si a pecha do “mal maior” que amedronta o mundo ocidental, quando na verdade é mais uma vítima dos meandros da disputa de poder.

Por isso que os homens que hoje entraram em campo me comoveram. Eles não ganham milhões como os astros brasileiros das chuteiras Kaká e Robinho. Não atraem os astronômicos patrocínios das empresas esportivas. Além disso mostraram uma técnica anos luz distante da genialidade possível de um Pelé ou Garrrincha.

Apesar disso eles emocionaram esta pobre sonhadora a quilômetros de distância e me fizeram viajar na idéia de que a igualdade sul-africana é realmente possível.

Ela está provando ser capaz de ensinar a nós brasileiros, que convivemos com um apertheid racial, embora camuflado, principalmente para as suas maiores vítimas e por isso tão perverso.

Ali também eu vi que é possível imaginar que o povo iraquiano vai sobreviver ao horror que lhe persegue há anos se ainda há espaço para apostar nesta nostalgia que o esporte dá.

É por isso que gosto tanto de futebol. Ele, às vezes, ao menos nos faz lembrar que a humanidade pode corrigir as bobagens que apronta contra si mesma.

Em tempo: Para quem se interessa por este aspecto do futebol como geopolítica tanto do ponto de vista positivo como negativo, sugiro o documentário intitulado O Dia em que o Brasil Esteve Aqui

O  filme de Caíto Ortiz mostra o chamado jogo da paz entre a Seleção Brasileira e a do Haiti, realizado em 2004. Vi na HBO, mas é possível que esteja disponível também em locadoras.


Faça Obama dançar

postado por Cleidiana Ramos @ 9:20 AM
15 de maio de 2009
 

 

Obama continua sendo personagem do universo pop. Depois de figurar em HQ, protagoniza joguinho. Foto: DC Comics | Reprodução

Obama continua sendo personagem do universo pop. Depois de figurar em HQ, protagoniza joguinho. Foto: DC Comics | Reprodução

Para descontrair, neste dia de pré-descanso para alguns vai aqui mais uma amostra da Obamania. O Uol apresentou um joguinho  intitulado Dance com Obama

É uma brincadeira inspirada no show de dança que o presidente americano deu ao lado da primeira dama Michelle no baile comemorativo à sua posse.

Para jogar apertem as setas do teclado do computador na mesma direção em que elas vão aparecendo no lado direito da tela. É necessário muita rapidez para marcar pontos e ver o show de Obama. 


A bela Michelle Obama

postado por Cleidiana Ramos @ 4:41 PM
30 de abril de 2009
Primeira dama é uma das mais 100 mais belas, segundo a People. Foto: AP Photo|Evan Vucci

Primeira dama é uma das mais 100 mais belas, segundo a People. Foto: AP Photo|Evan Vucci

A primeira dama dos Estados Unidos, Michelle Obama, é uma das 100 pessoas mais belas listadas pela  revista norte-americana de celebridades People.

A relação dos mais belos é uma das muitas que os americanos adoram fazer e a edição anual da People é super badalada.  Michelle aparece ao lado de astros do cinema como Robert Pattinson, o novo queridinho das adolescentes por sua participação no romântico filme sobre vampiros  Crespúsculo.

  
A atriz Christina Applegate, que ganhou a admiração dos americanos quando anunciou publicamente estar com câncer de mama também faz parte da lista.

Mostrando que a elegância não se resume ao porte e ao seu guarda-roupa, Michelle deu uma declaração interessante sobre a sua inclusão pela primeira vez na lista:

 
“Tive um pai e um irmão que me achavam bonita e que me faziam sentir assim todos os dias”. E ela ainda disse mais:

“Cresci com modelos masculinos muito fortes que me achavam inteligente, ágil e divertida, então ouvi isso muito. Sei que há muitas garotas que não ouvem esses elogios. Mas eu tive sorte.”

A lista apontou outros nomes próximos a Obama na seção intitulada “Beldades de Barack”: o chefe-de-gabinete da Casa Branca, Rahm Emanuel, o secretário do Tesouro, Timothy Geitner, dentre outros.

 
Da turma de celebridades foram também relacionados George Clooney, Angelina Jolie, Brad Pitt e Halle Berry.

Fonte: Uol e Reuters