Arquivo da Categoria 'Consciência Negra 2009'


Mais sobre o prêmio

postado por Cleidiana Ramos @ 5:26 PM
16 de junho de 2010

Cerimônia ocorreu em Fortaleza na noite de segunda-feira. Foto: Júlio Lucena/ Divulgação

Como prometi em post anterior vão aqui mais alumas informações sobre o Prêmio BNB: o caderno Produtores de de Owó ganhou o regional I e o nacional na categoria Mídia Impressa. Ao todo, 139 trabalhos concorreram ao prêmio.

A minha felicidade em relação a esta conquista é que, desde 2003, A TARDE vem produzindo esses especiais. Eles cresceram e amadureceram com o tempo.

Para vocês terem ideia, há dois anos criamos uma espécie de conselho consultivo antes de produzir o caderno. Convidamos representantes de movimentos sociais e pesquisadores que trabalham com questões de identidade e religiosidade negras para discutir a pauta conosco.  Os resultados dessa conversa têm sido ótimos para a qualidade dos especiais.

Portanto, este caderno virou um tipo de trabalho bem participativo. Além disso, cada reportagem vem com um indicativo para aproveitamento em sala de aula.

Por todos esses avanços a gente tem muito o que comemorar.


Produtores de Owó ganha prêmio Banco do Nordeste

postado por Cleidiana Ramos @ 12:14 PM
9 de junho de 2010

Caderno especial ganhou prêmio regional. Foto: Haroldo Abrantes| AG. A TARDE

Pessoal: hoje é dia de muita festa. O caderno especial Produtores de Owó, publicado no dia 20 de novembro do ano passado é um dos ganhadores da categoria Regional I do Prêmio Banco do Nordeste de Jornalismo. Para nós que batalhamos para mostrar os vários aspectos desta vasta herança negra tão forte na Bahia é um reconhecimento e tanto. Para conferir o especial, cliquem aqui, que agora já corrigi  o erro da postagem anterior.


Consciência Negra 2009: Conversa sobre empreendedorismo

postado por Cleidiana Ramos @ 6:30 PM
30 de novembro de 2009
Mário Nelson Carvalho durante a entrevista em um dos estúdios de A TARDE FM. Foto: : João Alvarez |AG. A TARDE

Mário Nelson Carvalho durante a entrevista em um dos estúdios de A TARDE FM. Foto: : João Alvarez |AG. A TARDE

Estou postando agora o último áudio do conteúdo integrado do especial Produtores de Owó. É uma entrevista feita por Meire Oliveira com o empresário Mário Nelson Carvalho.

Mário Nelson é diretor de relações institucionais da Associação Nacional dos Coletivos de Empresários e Empreendedores Afro-Brasileiros (Anceabra) e membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República (Cedes).  

A conversa girou em torno da importância do empreendedorismo, as dificuldades para montar este tipo de negócio e mantê-lo, dentre outros assuntos. Para ouvir  a primeira parte clique aqui.   Já para conferir a segunda clique aqui.

 


Consciência Negra 2009: A luta das mulheres

postado por Cleidiana Ramos @ 4:30 PM
27 de novembro de 2009

Estou postando aí abaixo um artigo da doutora em antropologia Cecília C. Moreira Soares sobre o empreendedorismo das mulheres negras. A professora Cecília tem um belíssimo livro sobre o tema intitulado Mulher Negra na Bahia no Século XIX.

O livro mostra a trajetória das mulheres negras no contexto da escravidão e as suas estratégias para conseguir a liberdade e o seu sustento. Eram comerciantes, principalmente, de gêneros alimentícios.

O texto da professora Cecília é mais um complemento do especial Produtores de Owó e pode ser usado como apoio didático para aplicação da Lei 10.639/03.


Consciência Negra 2009: Trabalho e Sociabilidade

postado por Cleidiana Ramos @ 4:27 PM
27 de novembro de 2009
Cecília C. Moreira Soares

Cecília C. Moreira Soares fala sobre o empreendedorismo de mulheres negras em Salvador. Foto: João Alvarez | AG. A TARDE

Cecília C. Moreira Soares

A escravidão estabeleceu diversas formas de exploração do africano na condição de escravo. Muitas dessas pessoas eram mulheres, que independente da condição de gênero foram exploradas e obrigadas a criarem estratégias de sobrevivência nas ruas de Salvador, cujas práticas são ainda observadas no cotidiano da cidade, principalmente para a maioria pobre e inserida no trabalho informal.

As ruas da cidade eram ocupadas por negras escravas e libertas que comercializavam diversos produtos de primeira necessidade.

Já as mulheres libertas experimentavam uma situação no ganho diferente das escravas, pois no seu trabalho não interferiam os senhores e os produtos da venda lhes pertenciam totalmente. As libertas comercializavam produtos como hortaliças, verduras, peixes, frutas, comida pronta, fazendas e louças. Haviam certas posições nesse pequeno comércio cuja margem de lucro era bastante generosa, a exemplo das negras peixeiras.

Além de circularem com tabuleiros, gamelas e cestas habilmente equilibradas sobre as cabeças, as ganhadeiras ocupavam ruas e praças da cidade destinadas ao mercado público e feiras livres, onde vendiam de quase tudo. Em 1831, foram destinadas ao comércio varejista com tabuleiros fixos as seguintes áreas urbanas: o campo lateral da igreja da Soledade, o campo de Santo Antonio em frente à Fortaleza, o largo da Saúde em frente à roça do Padre Sá, o campo da Pólvora, O largo da Vitória, o largo do Pelourinho, o Caminho novo de São Francisco, a praça das Portas de São Bento, largo de São Bento, largo do Cabeça, a praça do Comércio, o Caes Dourado. Para peixe e fatos de gado e porco foram unicamente destinados o campo em frente aos currais, no Rosarinho, ou Quinze Mistérios, a praça de Guadalupe, a praça de São Bento, o largo de São Raimundo e a rua das Pedreiras, em frente aos Arcos de Santa Bárbara.

É esse o cenário que se repete nos dias atuais onde encontramos mulheres negras inseridas no pequeno comércio, em pontos fixos ou ambulantes, disputando as duras penas, um lugar digno e capaz de prover o sustento. São muitos os doutores, economistas, administradores, comerciantes, descendentes de famílias de quitandeiras, quituteiras e vendedoras, que conseguiram criar condições para que seus filhos superassem os estigmas da escravidão e de uma sociedade que resiste à inclusão de negros e negras, em lugares historicamente ocupados por não-negros.

Cecília C. Moreira Soares é doutora em antropologia


Consciência Negra 2009: Reflexões sobre História e Educação

postado por Cleidiana Ramos @ 3:34 PM
24 de novembro de 2009
Josiane Clímaco e Ubiratan Castro durante entrevista nos estúdios de A TARDE FM. Foto: Haroldo Abrantes| AG. A TARDE

Josiane Clímaco e Ubiratan Castro durante entrevista nos estúdios de A TARDE FM. Foto: Haroldo Abrantes| AG. A TARDE

Mais um áudio muito bom. Eu e Meire Oliveira conduzimos o bate-papo com o doutor em História e presidente da Fundação Pedro Calmon, Ubiratan Castro, e a especialista em planejamento educacional, Josiane Clímaco.

A conversa girou sobre história da escravidão, a especialidade do professor Ubiratan, e os acertos e desafios para aplicação da Lei 10.639/03, tema dominado pela professora Josiane.

Aproveitem. É mais um conteúdo integrado do nosso especial Produtores de Owó.  Cliquem aqui para confeirir a primeira parte da entrevista.  Para conferir o complemento, cliquem aqui.  


Consciência Negra 2009: Boxe sob um novo aspecto

postado por Cleidiana Ramos @ 1:06 PM
24 de novembro de 2009

Tem um texto muito legal escrito por Hamilton Borges Walê aí abaixo que analisa o boxe sob um ponto diferente do que a gente está acostumado a ver.

É também um chamado para o torneio da modalidade esportiva que acontece no dia 27, ás 16 horas, na Praça Municipal.


Consciência Negra 2009: Consciência Negra no punhos e mentes

postado por Cleidiana Ramos @ 1:05 PM
24 de novembro de 2009
Hamilton Borges mostra aspecto cidadão da prática do boxe. Foto: Fernando Amorim| AG. A TARDE

Hamilton Borges mostra aspecto cidadão da prática do boxe. Foto: Fernando Amorim| AG. A TARDE

Hamilton Borges Walê

(…) Norman levaria alguma coisa consigo, esperando não ser demasiadamente ambicioso. Pois o boxe peso pesado é quase totalmente negro, tão negro como os bantus.  De modo  que o boxe se tornou mais uma chave para revelações sobre o negro, mais uma chave para emoção negra, a psicologia  negra, o amor negro”  (Norman Mailer, A luta- Companhia das Letras, 1975,pag.42)

O Boxe é considerado um esporte olímpico, uma das maiores expressões esportivas do Brasil e, particularmente, do Estado da Bahia. Infelizmente, não tem a  visibilidade,  apoio  e reconhecimento que o faz um dos esportes mais premiados no mundo. Prêmios, títulos e glórias conquistadas ficam imediatamente esquecidos,o que leva atletas de peso a defenderem bandeiras de outros estados da federação.

Até os anos de 1980, era normal, num dia de luta, vermos o Ginásio Antônio Balbino (O Balbininho) receber mais de 5000 pessoas (público pagante) para espetáculos de boxe com ampla narração e cobertura da grande impressa esportiva. O boxe  é uma realidade social que atinge toda tessitura do território de Salvador. Em cada bairro e região existe uma academia de treino e competição, a maioria nacionalmente premiada.

Boxe sempre fez parte da vida e identidade cultural dos moradores de Salvador. Seja nos desafios orquestrados nos anos 20, entre capoeiras e pugilistas, seja na busca por profissionalização, o que resultou na ascenção de grandes atletas olímpicos e profissionais que até hoje nos presenteiam com prêmios, medalhas e honrarias dignas da “Nobre Arte”.  No entanto, temos conhecimento das péssimas condições de funcionamento das academias que tem formado atletas de ponta para disputarem  títulos nacionais e internacionais com países  com alto grau de investimento neste  esporte, destacando-se  Cuba, EUA, Rússia e Japão.

O treino na laje, a falta de alimentação adequada dos atletas, a falta de recursos e patrocínio podem ser os piores adversários deste segmento esportivo. No que tange sua prática, o Boxe, por suas regras severas garante um baixo nível de letalidade, estando atrás até de esportes como o futebol.

O Torneio Zumbi dos Palmares de Boxe, vem como um simples instrumento para dar visibilidade a esta prática desportiva, criar um espaço de debate e diálogo sobre o boxe, fazer constar na agenda política local informações sobre esse esporte que carrega a marca da luta, da garra e da esperança, como legados do Herói Negro Zumbi dos Palmares.

A data proposta para a realização do Torneio Zumbi dos Palmares de Boxe  revela ainda outra questão de grande importância para nossa atual busca de reparação histórica e humanitária. Temos uma hipótese, não agradável é certo, de que a prática do boxe exercida por atletas em sua maioria negros e negras das classes  populares  carrega um estigma, uma marca histórica de racismo que resulta na falta de apoio para uma parcela significativa da população da cidade. Por isso apresentamos de forma inaugural para esse debate sobre superação de desiguldades raciais um intrumento de Reparação.

O boxe é um instrumento sócio-educativo de grande importância no combate a violência instalada nas comunidades pobres e periféricas, sobretudo, e que atinge preferencialmente a juventude. A prática do boxe tem servido ao propósito de direcionar  esta juventude a uma alternativa de cidadania plena e responsável.

O Torneio Zumbi dos Palmares de Boxe, vai acontecer no dia 27 de Novembro de 2009, na Praça Municipal em frente ao Elevador Lacerda. Ao tempo em que celebra a consciência negra em nosso município, busca dar visibilidade à pratica esportiva do boxe e o reconhecimento aos atletas do passado que deixam seu legado de luta e resistência.Os propósitos deste torneio são sociais e pretendem criar espaços de diálogos intersetoriais  para o fortalecimento desse esporte, já vitorioso em nosso município e Estado.

Nesse mês  em que  celebramos a consciência negra tendo Zumbi dos Palmares como símbolo, parece que nós, praticantes do Boxe pedimos ao poeta Limeira um verso emprestado, é que a cada rodada de lutas que  fazemos  Palmares  se reinventa, Palmares surge  novamente de novo, e novo é entender que por dentro da dor instalada pela violência a juventude negra e pobre de Salvador vai criando alternativas pelo esporte, pela luta.

Hamilton Borges Walê,militante do Movimento Negro e praticante de Boxe

 


Afro Imagem: Marcha do povo-de-santo

postado por Cleidiana Ramos @ 1:07 PM
23 de novembro de 2009

Marcha-do-Povo-de-santo

No último domingo aconteceu a realização da 1ª Caminhada Nacional pela Vida e pela Liberdade Religiosa. A marcha que reúne representantes das religiões de matrizes africanas ocorre em Salvador há cinco anos e agora tornou-se nacional. O registro foi feito por Margarida Neide da Agência A TARDE.


Consciência Negra 2009: Especial na íntegra

postado por Cleidiana Ramos @ 8:09 AM
23 de novembro de 2009
Caderno Especial Produtores de Owó traz dicas para aplicação da Lei 10.639/03. Foto: Haroldo Abrantes|AG. A TARDE

Caderno Especial Produtores de Owó traz dicas para aplicação da Lei 10.639/03. Foto: Haroldo Abrantes|AG. A TARDE

Para quem perdeu o caderno especial Produtores de Owó,que circulou no jornal A TARDE na última sexta-feira em comemoração ao Dia Nacional da Consciência Negra e, especialmente, para quem está fora da Bahia aqui está a chance de conferi-lo na íntegra.

O Grupo A TARDE está disponibilizando todo o conteúdo.  Boa leitura e façam suas críticas e sugestões:


Consciência Negra 2009: Material didático sobre organização

postado por Cleidiana Ramos @ 8:08 AM
23 de novembro de 2009

Pessoal: abaixo tem mais um artigo complementar ao material didático do caderno especial Produtores de Owó. É um texto do antropólogo Renato da Silveira sobre a importância política das irmandades negras religiosas e o seu múltiplo papel social. A ideia da publicação continuada deste material é oferecer apoio didático para a aplicação da Lei 10.639/03.


Consciência Negra 2009: Irmandades negras e poder político

postado por Cleidiana Ramos @ 8:07 AM
23 de novembro de 2009
Renato da Silveira destaca o importante papel político das irmandes negras. Foto: Haroldo Abrantes|AG. A TARDE

Renato da Silveira destaca o importante papel político das irmandes negras. Foto: Haroldo Abrantes|AG. A TARDE

Renato da Silveira

O advento da irmandade negra brasileira tem sido interpretado por muitos estudiosos  influentes como instrumento de conservação da ordem escravista, mero recurso de enquadramento da massa escrava pela política estatal e eclesiástica. Na década de 1940 pesquisadores prestigiosos criaram e nas décadas seguintes outros tantos caucionaram a versão ainda predominante: as irmandades afro-brasileiras teriam assumido um caráter étnico porque assim foram organizadas pela Igreja para facilitar a catequese e pelo Governo para aplicar uma máxima maquiavélica: dividir para reinar.

Os colonialistas portugueses teriam sido, além do mais, beneficiados pela ingenuidade política dos africanos escravizados, entretendo-os com solenidades pomposas e cargos fictícios em associações lançadas em competição umas contra as outras, impedindo a possibilidade de sua união contra a ordem escravista e assegurando a dominação da população branca minoritária: esta é a paupérrima interpretação oficial de uma riquíssima parte da nossa história.
Ora, tais irmandades eram integradas pelos “leigos”, pelos civis, diríamos hoje. Brancos, negros e mestiços, nobres e plebeus, todos tinham suas irmandades particulares; ao todo, no início do século XIX a cidade da Bahia contava com uma centena de irmandades, sendo trinta e seis integradas exclusivamente por negros, africanos e crioulos, escravos e libertos.

Ou seja, a quase totalidade da população urbana colonial pertencia a uma irmandade, verdadeira instituição do Antigo Regime, com numerosas funções sociais importantes. Considerada contudo como “instrumento”, a irmandade vê depreciado o seu caráter institucional, sua natureza complexa, seu papel de fundamento social durante séculos, em todas as sociedades cristãs, propondo-se em seu lugar um conceito de instituição como ferramenta, algo monolítico e estático que poderia ser manipulado pelos poderosos ao bel-prazer.

Entretanto, nas três últimas décadas uma reação vem sendo esboçada contra tal caricatura, bons pesquisadores de diversas origens têm trazido fartas contribuições para o conhecimento da sociedade escravista brasileira em todos os seus níveis. Assim, teorias mais avançadas reconhecem que, ao entrar em uma irmandade, o africano estava integrando-se a uma organização oficial talhada para a plebe negra discriminada, participando sem dúvida de modo subalterno da vida política da colônia, porém enquanto sujeito ativo, podendo tornar-se dirigente de uma organização capaz de tomar iniciativas imprevisíveis, deixando portanto essa sua participação de ser interpretada como prova incontestável de apatia e subserviência.

Movimentação Cívica

Sabemos hoje que a famosa “divisão” por etnias foi na verdade muito mais complexa do que tal interpretação artificiosa pretende. Em meados do século XIX a Irmandade do Rosário dos Pretos das Portas do Carmo (hoje Pelourinho), considerada angolana, tinha integrados ao seu quadro social membros provenientes de pelo menos oito grupos étnicos africanos; na Irmandade do Rosário de João Pereira os benguelas do sul de Angola, no ato de fundação, instituíram uma divisão do poder com os jejes da África Ocidental, que nem sequer eram seus vizinhos em território africano; já a Irmandade do Senhor Bom Jesus das Necessidades e Redenção da paróquia da Praia (Cidade Baixa), fundada pelos jejes e oficializada em 1752, tornou-se posteriormente uma aliança entre os fundadores e os luandas da África Central, pluralizando-se em seguida, inclusive com a divisão do poder entre todos os participantes, brancos e negros, africanos e crioulos, para voltar a ser exclusivamente controlada pelos jejes em meados do século XIX.

Ou seja, a documentação revela uma movimentação cívica muito intensa da parte dos africanos, alianças entre grupos étnicos que só aqui travaram conhecimento, revela reservas de poder intituídas por grupos fundadores segundo critérios próprios, muito distantes portanto da divisão étnica obrigatória da versão oficial, imposta de cima para baixo. Porém, mesmo com a versão oficial cada vez mais desacreditada, alguns desencontros ainda podem ser flagrados nas teorias recentemente surgidas.

Por um lado temos a fragmentação das disciplinas científicas e os recortes promovidos pelos programas de pós-graduação, que separam arbitrariamente o que, no movimento da realidade, está indissoluvelmente ligado, empurrando para campos de estudo diferentes aquilo que na vida social é complementar. Por exemplo, importantes pesquisas recentes sobre o sistema imperial português têm priorizado o que a filosofia política clássica chama de “esfera da política”, ou seja, o Estado, o governo, os partidos políticos e as instituições da administração pública; e a Igreja, com toda uma gama de funções político-jurídico-administrativas imprescindíveis naquele contexto.Por essa pista grandes avanços foram realizados: hoje sabemos com detalhes do funcionamento, dos limites e das múltiplas contradições internas das organizações centrais do Estado….

Mas nesse campo de estudos nenhuma atenção tem sido dada à relação dessas instâncias com as organizações segmentadas da população, particularmente com as “nações” africanas e as irmandades negras, que são algumas das bases políticas da sociedade escravista. Quando se sabe que, para alguém tentar uma carreira política, tinha de dar prova de competência como juiz de alguma irmandade, é um pedaço significativo do sistema político que é negligenciado.

Por outro lado o estudo das irmandades desenvolvido sob a etiqueta da cultura, com ênfase na festa africana no Brasil colonial, bem como a antropologia das religiões afro-brasileiras, salvo honorabilíssimas exceções, pouca ou nenhuma atenção têm dado à irmandade leiga enquanto aspecto fundamental da estrutura política do Império Português, precursora da organização burocrática moderna, antecipadora do que chamaríamos hoje de sociedade civil, lugar privilegiado para a formação de lideranças plebéias e legitimação das instâncias básicas de exercício dos poderes.

Na sua longa trajetória através da história da Europa a irmandade de leigos, sempre mantendo a forma de culto sagrado, preencheu diversas funções sociais importantes, funerárias e assistenciais, sindicais e recreativas, econômicas e financeiras, funções mantidas nas sociedades coloniais fundadas no Novo Mundo.

A importância de tal instituição vinha sem dúvida do seu caráter plurifuncional, sem o apoio que fornecia às necessidades básicas das massas urbanas, naquela época a vida em sociedade seria simplesmente inviável. Mas se ela foi, durante séculos, uma das principais organizações de reprodução da sociedade oficial, podendo por isso ser considerada uma instituição conservadora, por outro lado envolveu-se historicamente em vários tipos de conflito político, ficando cada vez mais claro que estamos tratando não só de um modo de enquadramento da base social antiga, mas também de uma retaguarda orgânica do movimento social, base operacional onde eram geradas lideranças alternativas, reivindicados direitos, reprocessada a cultura diaspórica africana, mantida uma ativa vida semiclandestina, e portanto uma organização potencialmente de contestação da ordem estabelecida.

Dessa maneira observada a irmandade negra ajuda a compor um quadro mais dinâmico e interessante do nosso passado, desmistificando, de quebra, outro estereótipo depreciativo ao enfatizar a trajetória de lutas do povo brasileiro.

Renato da Silveira é doutor em antropologia e professor da Ufba.


Consciência Negra 2009: Apoio pedagógico

postado por Cleidiana Ramos @ 1:27 PM
21 de novembro de 2009

Tem novidades sobre conteúdo integrado. Aí abaixo vocês podem conferir artigo do professor Vilson Caetano sobre a culinária afro-brasileira.

Os empreendimentos que giram em torno dela foi um dos temas abordados no especial Produtores de Owó que circulou no jornal A TARDE, ontem, em comemoração ao Dia Nacional da Consciência Negra.

O meu objetivo em continuar publicando artigos relacionados ao caderno especial é para auxiliar professores na aplicação da Lei 10.639/03 que prevê o ensino de História da África e Cultura Afro-brasileira em todos as escolas brasileiras.


Passeio pela história da comida afro-brasileira

postado por Cleidiana Ramos @ 1:26 PM
21 de novembro de 2009
Vilson Caetano Júnior fala sobre as delícias da cozinha afro-brasileira. Foto: - Fernando Amorim | AG. A TARDE

Vilson Caetano fala sobre as delícias da cozinha afro-brasileira. Foto: - Fernando Amorim | AG. A TARDE

Vilson Caetano

Africanos e africanas desde cedo influenciaram a economia da cidade de Salvador e Recôncavo baiano. Um trabalho realizado nos arquivos da cidade de Cachoeira, por exemplo, foi capaz de nos revelar ocupações variadas. Certo é que muito antes da economia entrar em declínio no século XIX, homens e mulheres negras transitaram nas cidades com gamelas e tabuleiros, verdadeiros altares andantes onde iguarias africanas alternavam-se o tempo todo com comidas, ora de origem indígena,  portuguesa, ora moura, africanizadas pelos sentimentos e modos de preparar que faziam referência a um passado que a escravidão não foi capaz de apagar.

Autores como Pierre Verger e Roger Bastide nos legaram trabalhos bastante ilustrativos sobre a importância da arte de mercar e do mercado para os diversos grupos que nos constituíram. Mercado este, atravessado de sacralidade, fato que levou alguns autores à confusão entre a comida ritual e as vendidas nas ruas. É bem certo que muito antes da constituição dos cultos descritos a partir do século XIX, as ruas sempre conheceram “comidas africanas”.

O professor de grego Vilhena, nas suas famosas cartas, nos informa sobre algumas destas iguarias, pena que poucas delas permaneceram no tabuleiro, não cedendo espaço aos modismos e invenções que na atualidade acompanham a cozinha afro-brasileira.

Como esquecer das chamadas “carambolas”, mulheres citadas por Vilhena que regulavam senão a economia,  parte dela, impondo seus preços aos peixes comercializados numa das portas da cidades?  Chamadas de atravessadoras, estas libertas foram motivo de atenção.

E como não falar sobre as mulheres que vendiam nas suas gamelas carnes como mocotó, fato, sarapatel e outras iguarias ainda hoje condenadas pelo “nutricionismo”, ora amparado pelo discurso higienista, ora pela busca de comidas mais saudáveis?

Gosto muito de uma tela de Debret que retrata a venda nas ruas da cidade antiga do Rio de Janeiro. Vale a pena contemplar os tachos de angu justapostos, denotando que tal iguaria já havia caído no gosto popular. E o vatapá aclamado nas mesas parisienses, segundo Câmara Cascudo? Outro exemplo de iguaria afro-brasileira no mundo.

Não podemos deixar de citar o velho Gilberto Freyre que atento chamou a atenção para os doces dos tabuleiros que nas ruas de Recife rivalizavam com os que saiam dos conventos. Falando em doces, onde foi parar a “amoda”? Será que as doceiras “perderam o ponto”, ou a mistura de rapadura com farinha de mandioca e gengibre não sobreviveu aos novos gostos? E o aberém? Segundo Manuel Querino, transformado em refresco.

Este sim, ainda podemos encontrar em alguns terreiros de candomblé como comida litúrgica. Talvez a sua permanência  se explique por fazer parte de iguarias que ninguém tem acesso à sua feitura que não se vê nem a panela, nem o fogo e muito menos a  fumaça. É comida sobre a qual ninguém fala, ou não está autorizado a falar pelo “segredo”.Aberém também já foi comida de rua.

Hoje a moda é o akarajé, não o akará bem parecido com os que ainda hoje podem ser encontrados nas ruas de algumas cidades africanas, mas o semelhante ao hambúrguer, acompanhado com o refrigerante de cola. Resguardadas as criticas, que bom que ele permaneceu, juntamente com o abará, a passarinha e o bolinho de estudante. Até a pimenta ficou menos picante, respeitando a exigência da demanda turística.

Não podemos deixar passar as “mulheres do mingau”. Mingaus de milho, tapioca, carimã que continuam presentes dando “sustança” aos  fregueses, sem falar no mungunzá e no cuscuz de tapioca que nunca deixaram de ser itinerantes. Hoje transitam nos carrinhos empurrados pelos “meninos”, resistindo a todo e qualquer “discurso higienista” que insiste sobre os perigos da contaminação através das “comidas de rua”.

Bom mesmo foi que estas comidas deram visibilidade nos últimos anos à inserção do homem negro e da mulher negra na economia da cidade de Salvador, os tirando do anonimato e da classificação na maioria das vezes preconceituosa do mercado informal, o que para nós é excelente, pois traz a memória de Maria de São Pedro, Cecília do Bonocô, Aninha e tantas outras mulheres que através do comércio de elementos rituais ou iguarias reforçaram os laços entre partes do Continente Africano, a Ásia e o Brasil.

Estas “mulheres de saia” merecem mesmo o título de “mulheres do partido alto”, ou “homens de elite” como Martiniano Eliseu do Bonfim e Felisberto Sowzer, exímio conhecedor de inglês, conhecido como Benzinho, descendente direto da família Bangboxé.

Homens e mulheres com seus balangandãs, que acumularam riquezas, retraçaram a própria cidade, que mesmo estigmatizados nos legaram a maior fortuna; o orgulho de nos sentirmos seus descendentes quando descobrimos que somos negros.

Vilson Caetano é pós-doutor em antropologia e professor da Ufba


Consciência Negra 2009: Moda afro na área

postado por Cleidiana Ramos @ 11:23 PM
20 de novembro de 2009
A partir da esquerda, no sentido horário: Madá Preta, Saraí Reis, Meire Oliveira e Jaime Sodré. Foto: João Alvarez|AG. A TARDE

A partir da esquerda, no sentido horário: Madá Preta, Saraí Reis, Meire Oliveira e Jaime Sodré. Foto: João Alvarez|AG. A TARDE

Tem mais conteúdo integrado sobre o caderno especial Produtores de Owó, produzido pelo jornal A TARDE em comemoração ao Dia Nacional da Consciência Negra.

Neste áudio o bate-papo é sobre moda com a participação das estilistas Madá Preta, Saraí Reis e do professor Jaime Sodré.

Para os que conhecem apenas a faceta de Jaime como historiador é a oportunidade de ouvi-lo falando sobre uma das suas formações: design. Neste campo, claro, ele também dá show. É só clicar aqui para ouvir a primeira parte da entrevista e aqui para escutar a segunda. 


Consciência Negra 2009: A experiência de Juliana em A TARDE

postado por Cleidiana Ramos @ 11:37 AM
20 de novembro de 2009

 

Juliana Dias realizou reportagens para o especial Produtores de Owó que circula hoje em A TARDE. Foto: Haroldo Abrantes

Juliana Dias realizou reportagens para o especial Produtores de Owó que circula hoje em A TARDE. Foto: Haroldo Abrantes

No primeiro dia em que estive na redação do jornal A TARDE tive a confirmação sobre minha vocação: ser repórter de jornal impresso. A notícia de que fui selecionada para a participar da produção do Caderno Especial da Consciência Negra (Produtores de Owó), representando o Instituto Mídia Étnica (IME), me deixou muito feliz, seja pelo fato de que seria o momento em que eu colocaria em prática o que aprendi na faculdade dentro do veículo de maior circulação na Bahia ou pelo fato de puder divulgar as informações que recebi na militância negra.

Esse momento dentro do jornal foi muito gratificante para mim, na condição de mulher negra e jovem. Foi deslumbrante para mim participar desse projeto e acessar um espaço de grande disputa entre os estudantes, sobretudo por atuar no Caderno Especial da Consciência Negra, uma experiência exitosa que tem sido exemplo para jornais impressos em todo o país, mostrando a população negra em locais de destaque e não apenas nas páginas policiais.

Na redação aprendi como funciona o processo de produção, edição e fechamento de um caderno. Na apuração das minhas pautas conheci pessoas fantásticas que não apenas me concederam entrevistas, mas torceram pelo meu sucesso e ficaram felizes pela minha vitória.  Espero que essa ação seja repetida nos próximos anos e outras estudantes de jornalismo possam ter a oportunidade de vivenciar essa fantástica experiência.


Consciência Negra 2009: As mãos de Célia

postado por Cleidiana Ramos @ 11:35 AM
20 de novembro de 2009
Célia Damascena Souza gerencia dois boxes no Mercado Modelo. Foto: Haroldo Abrantes

Célia Damascena Souza gerencia dois boxes no Mercado Modelo. Foto: Haroldo Abrantes

O caderno especial Produtores de Owó, que traça o panorama do empreendedorismo negro na capital da Bahia, já está circulando na edição de hoje do jornal A TARDE. Aqui no Mundo Afro vocês sempre vão estar encontrando complementos sobre o conteúdo que abordamos no especial.

Conheçam agora, portanto, a dona das mãos que aparecem na capa do caderno e também na primeira página de A TARDE:  Célia Damascena de Souza. De funcionária de um dos boxes do Mercado Modelo,ela se tornou proprietária de dois estabelecimentos situados no local e que comercializa esculturas e jóias inspiradas na cultura afro-brasileira.


Consciência Negra 2009: EUA parabeniza o Brasil

postado por Cleidiana Ramos @ 11:23 AM
20 de novembro de 2009
No mês passado Salvador sediou mais uma reunião do acordo entre o Brasil e os EUA para combater a discriminação racial. Na foto o representante do Departamento de Estado americano, Thomas Shannon e o ministro Edson Santos. Foto: Lúcio Távora| AG. A TARDE

No mês passado Salvador sediou mais uma reunião do acordo entre o Brasil e os EUA para combater a discriminação racial. Na foto o representante do Departamento de Estado americano, Thomas Shannon e o ministro Edson Santos. Foto: Lúcio Távora| AG. A TARDE

Brasília, 19 de novembro de 2009 – O Departamento de Estado dos EUA distribuiu hoje a seguinte declaração:

O governo dos Estados Unidos e o povo americano congratulam o povo brasileiro pela comemoração, no dia 20 de novembro, do Dia da Consciência Negra, também conhecido como Dia de Zumbi dos Palmares. A vida de Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares, e sua luta sem trégua contra a escravidão constituem um símbolo eterno de liberdade e justiça.

Hoje, tanto o Brasil quanto os Estados Unidos reconhecem as importantes contribuições de afro-descendentes em nossas sociedades e o imperativo de combater a discriminação, que impactou de modo negativo os dois países.

No mês passado, nossos governos, em parceria com a sociedade civil e nossos setores privados, reuniram-se pela primeira vez em Salvador da Bahia no histórico Plano de Ação Brasil-EUA para Promoção da Igualdade Étnica e Racial.

Celebramos juntos a diversidade de nossa herança e estamos desenvolvendo e compartilhando melhores práticas para garantir oportunidades iguais para afro-descendentes e, na verdade, para todos os cidadãos de nossas nações. Neste importante dia, felicitamos o povo do Brasil e esperamos uma longa e frutífera parceria, pois, juntos, proporcionamos liderança e exemplos de democracia, diversidade e justiça social para o nosso continente e para o mundo.


Balaio de Ideias : Entre o passado e o futuro

postado por Cleidiana Ramos @ 6:11 PM
19 de novembro de 2009
Sérgio São Bernardo: reflexões sobre identidade. Foto: Walter de Carvalho| AG. A TARDE

Sérgio São Bernardo: reflexões sobre identidade. Foto: Walter de Carvalho| AG. A TARDE

Sérgio São Bernardo

Somos um rosto com identidades multi-facetadas, algumas faces aparentemente mais visíveis que outras. E isso nos levou a uma busca frenética por modelos filosóficos e jurídicos, com forte apelo etnocêntrico, como a salvação do mesmo e da negação do outro, ou a sublimação do outro no eu, o que acarretou a hibridez física e a hegemonia ideológica e material no Brasil.

O movimento negro baiano tem se reunido para vários motivos e interesses. Uma nova etapa tem surgido, sem que saibamos ao certo se isso tudo é fruto do que se pretendeu no passado ou se é um desvio programático do que se pretendia para o futuro. No entanto, é preciso lembrar que somos cria de nosso tempo e não apresentamos apenas dados e reclamamos utopias. A ocupação de espaços já é uma realidade presente. Mas, paradoxalmente, a ausência de espaços parece existir para nos lembrar de um passado que nos remete a uma luta incansável.

O Novembro Negro é um lugar de presença, não de utopia. A utopia é um não lugar. Os africanos não nos legaram a utopia. A presença é fundada num passado que se constrói em espirais que se reinventam como futuro. O futuro nasce de lutas que se afirmam na existência do aqui e agora. Esta é uma passagem que nos ajuda na afirmação como diferentes e que se projeta na luta pela igualdade.

O esforço de parte expressiva da inteligência brasileira tem sido no sentido de provar a generosidade do colonizador e a inferioridade, ou o atraso, dos povos colonizados e escravizados. Enquanto isso, uma nova narrativa histórica surge dos movimentos sociais negros. A segregação material e simbólica desses segmentos da população brasileira acusa uma invisibilidade construída à luz de uma doutrina de simulação do mesmo em relação ao outro.

A formação do pensamento no Brasil serviu a propósitos colonizatórios e a criação autoritária do Estado português logrou uma deliberada conformação societária composta de negros e indígenas enquanto “coletivo humano inferior”, segundo Kabenguele Munanga . Valem ser destacadas, algumas práticas sociais projetadas negativamente e criminalizadas pelo poder de Estado, a partir dos processos estruturantes da colonização, da escravidão e do racismo institucionalizado. Mesmo assim, o ideário da identidade negra perpetua-se enquanto projeto de poder e resiste baseado nos valores de igualdade dentro da racionalidade moderna e até mesmo de identidade numa perspectiva pluralista de justiça.

O outro nunca existiu como eu mesmo para o eu eurocêntrico. O outro é uma invenção do eu próprio. E este “eu” reificado funda a nacionalidade e a brasilidade. Mas, só serei reconhecidamente o outro radical se me assumir enquanto eu em minha integralidade onto-social, dirá Husserl. Essa tradição filosófica e jurídica se assenta fielmente ao modelo europeu de vida social e de organização estatal de uma mesmidade com atributos padronizados de cor, sexo e origem. É desse modo que se configura nosso ethos original – a cidadania é negra e indígena nos momentos de afirmação cultural, mas nossa cidadania é perversamente européia e branca nos momentos de afirmação da cidadania através dos mecanismos de obtenção e exercício dos direitos, oportunidades e condições de vida.

O espectro do estado democrático de direito, do qual o Brasil é corolário, encontra graves contradições em sua pretensão democrática e identitária. Enquanto isso, Tais Araújo, que protagoniza uma personagem negra da novela das oito, apanha, confirmando a desconfiança de muitos de qual é o lugar da mulher negra na teledramaturgia brasileira. Temos muito a fazer: reconstruirmos nosso próprio sonho até que velhas narrativas sejam recontadas para que os novembros não mais existam e tenhamos o ano todo! 

Sérgio São Bernardo é advogado, professor da Uneb, presidente do Instituto Pedra de Raio

 


Consciência Negra 2009: Detalhes de um saboroso negócio

postado por Cleidiana Ramos @ 5:58 PM
19 de novembro de 2009
Além do tempero, Dadá se destaca pela alegria. Foto: Haroldo Abrantes| AG. A TARDE

Além do tempero, Dadá se destaca pela alegria. Foto: Haroldo Abrantes| AG. A TARDE

A conhecida espontaneidade de Dadá e a análise do pós-doutor em antropologia e professor da Ufba, Vilson Caetano, renderam um bate-papo super gostoso, e a palavra é aqui bem apropriada, sobre negócios relacionados à culinária baiana. Para conferir o aúdio clique aqui para ver a parte 1 e aqui para ouvir a parte 2. 

Dentro da cobertura especial e multimídia que o Grupo A TARDE está realizando por conta do Dia Nacional da Consciência Negra estamos disponibilizando no Mundo Afro entrevistas em áudio todos os dias. A TARDE FM veicula spots desse material. Fiquem também ligados nas reportagens especiais da Web TV. Daqui a pouquinho vai estar no ar uma delas. Vocês podem encontrar  os links para todo este material acessando www.atarde.com.br    

Amanhã circula, encartado no jornal A TARDE, o caderno especial Produtores de Owó. Ele conta  a trajetória dos  negócios negros na economia de Salvador. São empreendimentos marcados pela criatividade e destinados a atender a população afrodescendente e quase sempre gerenciado por seus representantes.

O caderno mostra essa presença na moda afro, culinária, artigos religiosos, turismo étnico, mas também a exclusão no milionário negócio do Carnaval. Todas as reportagens são acompanhadas por um texto pedagógico preparado pela especialista em planejamento educacional, Josiane Clímaco. Este material auxilia no cumprimento da Lei 10.639/03.

Ao longo desta semana estarei disponibilizando aqui no Mundo Afro artigos sobre os temas abordados no caderno. É mais uma forma de fortalecer o material didático. Hoje vocês já encontram aqui um texto assinado pelo presidente do Instituto Pedra de Raio, Sérgio São Bernardo.     

Outra novidade deste especial foi a parceria de A TARDE com o Instituto Mídia Étnica.  Por meio desta cooperação o instituto indicou estudantes de jornalismo para trabalhar conosco. A escolhida, via um processo de seleção, foi Juliana Dias, que realizou reportagens para o nosso caderno. Amanhã ela conta aqui no Mundo Afro como foi esta experiência. Esse passo foi muito importante, pois estamos agora também fazendo escola na cobertura que para nós já é especializada nos temas relacionados à identidade negra.

No processo de elaboração do caderno repetimos a bem sucedida experiência do ano passado de discutir a sua pauta com representantes de órgãos públicos e de organizações da sociedade civil que participam da luta contra o racismo. Da edição deste ano participaram a secretária estadual de Promoção da Igualdade, Luiza Bairros; o secretário municipal da Reparação, Ailton Ferreira; Sérgio São Bernardo, presidente do Instituto Pedra de Raio; Paulo Rogério, diretor do Instituto Mídia Étnica; Mércia Lima, representante da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza (Sedes)  Juci Machado, jornalista da assessoria de comunicação da Sepromi e Josiane Climaco.

Aproveitem bem o material e não se esqueçam da agenda movimentada que teremos na cidade amanhã, com vários atos políticos e culturais acontecendo. Um bom dia da Consciência Negra para todas e todos e viva a nosso herói Zumbi, que se renova em muitos de nós ainda hoje.  

         


Consciência Negra 2009: Salvador em festa

postado por Cleidiana Ramos @ 5:45 PM
19 de novembro de 2009

Presidente Lula participa das comemorações ao 20 de novembro em Salvador.Foto: AP Photo|Riccardo De Luca

Presidente Lula participa das comemorações ao 20 de novembro em Salvador.Foto: AP Photo|Riccardo De Luca

Passeio pela História

A partir das 11 horas de amanhã, no Palácio Arquiepiscopal (Praça da Sé) estará sendo inaugurada a exposição Para que não esqueçamos: o triunfo sobre a escravidão. A exposição foi doada à Fundação Pedro Calmon pela Unesco/ONU. A cerimônia terá a participação da banda Tambores da Raça, do compositor Adailton Poesia, da Banda Erê do Ilê Aiyê e do Grupo de Dança São Gonçalo.

A mostra é formada por 32 painéis ilustrativos com textos em português e inglês onde são retratadas imagens do povo negro e também as atrocidades cometidas pela escravidão.

A Fundação Pedro Calmon acrescentou à exposição a relação das 31 rebeliões escravas ocorridas na Bahia, no período que vai de 1807 a 1837, reveladas nas pesquisas do historiador João José Reis.Também será possível conferir a localização das comunidades remanescentes de quilombos espalhadas pela Bahia.

A exposição segue até o dia 4 do próximo mês e a entrada é gratuita. O objetivo do projeto é receber estudantes de escolas públicas de Salvador. No local serão realizadas palestras, exibição de filmes e atividades recreativas na Biblioteca Móvel. Uma equipe de bibliotecárias e arte educadoras vão estar orientado os trabalhos. A parceria da Fundação com o Ceafro possibilitou a participação de 18 estudantes cotistas da Ufba como monitores da exposição.

Lavagem aos pés de Zumbi

A partir das 13 horas, também na Praça da Sé, a Unegro, Olodum,  Male De Balê,  Muzenza,  Grucon e Associação das Baianas de Acarajé, Vendedoras de Mingau e Similares (Abam) realizam um ato público. A manifestação está sendo chamada de I Lavagem da Imagem de Zumbi dos Palmares.

O objetivo é chamar a atenção dos poderes públicos para adotar melhores cuidados com o monumento a Zumbi. Da Praça da Sé, o grupo segue para o Campo Grande onde vão ser apresentadas, em forma de manifesto público, as reivindicações de entidades do movimento negro baiano.

Marchas

Atenção quem vai participar das duas mais tradicionais marchas das da Consciência Negra:  a organizada pela Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen) sai do Campo Grande às 14 horas.

Já a patrocinada pelo Fórum de Entidades Negras sai da Liberdade às 15 horas. Todas as duas se dirigem para a Praça Castro Alves onde a partir das 14 horas acontece o ato público organizado pela Seppir, que vai contar com a participação do presidente Lula.

O presidente vai receber, durante a cerimônia, a Medalha Zumbi dos Palmares, condecoração da Câmara Municipal de Salvador. A homenagem foi proposta pela Conen e acolhida pelos vereadores.