Arquivo da Categoria 'Esporte'


Antropologia e futebol em destaque

postado por Cleidiana Ramos @ 4:34 PM
11 de dezembro de 2014
Jeferson Bacelar assina Gingas e Nós, um dos livros que integram a coleção É Futebo. Foto: Divulgação

Jeferson Bacelar assina Gingas e Nós, um dos livros que integram a coleção É Futebol. Foto: Divulgação

Futebol sob a visão da antropologia é o fio condutor dos livros que serão lançados amanhã, sexta-feira, no auditório Milton Santos do Centro de Estudos Afro Orientais da Ufba (Ceao), a partir das 18 horas. O Ceao fica no Largo 2 de Julho, centro da cidade.

Gingas e Nós. O jogo do lazer na Bahia, de Jeferson Bacelar; Pugnas renhidas. Futebol, cultura e sociedade em Salvador (1901-1924), assinado por Henrique Sena dos Santos e Fazendo gênero e jogando bola. Futebol feminino na Bahia nos anos 80 e 90, de Enny Vieira Moraes, lançados pela Edufba, apresentam um interessante panorama do esporte mais popular do País na Bahia.

No livro assinado por Jeferson Bacelar, por exemplo, está o interessante mundo dos babas, um espaço de sociabilidade tão forte nos bairros da capital baiana.

Os livros fazem parte de uma coleção denominada É futebol. Imperdível.


Força Tinga!

postado por Cleidiana Ramos @ 7:06 PM
13 de fevereiro de 2014
Tinga é mais uma vítima do racismo no mundo do futebol. Episódio ocorreu no jogo de ontem, no Peru, entre Cruzeiro e Real Garcilazo Foto: Karel Navarro

Tinga é mais uma vítima do racismo no mundo do futebol. Episódio ocorreu no jogo de ontem, no Peru, entre Cruzeiro e Real Garcilazo Foto: Karel Navarro

Foto: reprodução

Foto: reprodução

Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

O país está indignado, a CBF mudou as cores da sua logomarca para preto e branco, mas o episódio Tinga vem lembrar mais uma vez que o mundo do futebol precisar parar de fazer de conta que o racismo não existe. Só para lembrar: não foi à toa que tratamos desse tema no nosso especial do 20 de novembro de 2013.


Caderno da Consciência Negra disponibilizado

postado por Cleidiana Ramos @ 3:29 PM
20 de novembro de 2013

 

Especial debate persistência do racismo no mundo do futebol. Foto: Raul Spinassé/Ag. A TARDE

Especial debate persistência do racismo no mundo do futebol. Foto: Raul Spinassé/Ag. A TARDE

O nosso especial deste ano discutiu um tema bem pertinente, principalmente, quando o Brasil prepara-se para sediar a Copa do Mundo de Futebol: o racismo que ainda teima em reinar nos campos e também fora deles. Cliquem aqui para conferir

 

 

 

 


Especial aborda relações raciais no futebol

postado por Cleidiana Ramos @ 12:34 PM
18 de novembro de 2013
Caderno especial discute o racismo no futebol. Foto: Raul Spinassé/Ag. A TARDE

Caderno especial discute o racismo no futebol. Foto: Raul Spinassé/Ag. A TARDE

Da Redação

Em 1947, o jornalista Mário Filho lançou O negro no futebol brasileiro. O livro abordou, de forma pioneira, as  relações raciais no esporte mais popular do país . O caderno  de A TARDE,  comemorativo  ao Dia Nacional da Conceição Negra,  que vai circular na próxima quarta-feira, segue os passos de Mário Filho.
A  inserção dos primeiros negros nos times de futebol e a dificuldade para assumir postos de comando são alguns dos temas abordados.
O caderno será a 11ª edição dos especiais. O do ano passado intitulado Os homens que chamam os deuses pra terra, recebeu, na última segunda-feira, o Prêmio Abdias Nascimento, na categoria mídia impressa.
Criatividade
Para Jaime Sodré,  historiador, professor e religioso do candomblé, os especiais da  Consciência Negra de A TARDE estão consolidados por  trazerem, em linguagem acessível, mas  de forma aprofundada, aspectos importantes da história e cultura do povo negro.
“É muito interessante observar como esses especiais resgatam elementos da história, mas de uma forma completamente contemporânea”, afirma.
Outro acerto dos especiais, na avaliação de Sodré, é o cuidado com a qualidade gráfica e a publicação das dicas pedagógicas que são formuladas pela professora Josiane Clímaco desde 2008.
A ideia das dicas pedagógicas é fornecer conteúdo de auxílio aos professores para aplicação da Lei 10.639/2003 que estabelece o ensino de História da África e Cultura Afro-Brasileira.
Consultor dos dois primeiros especiais (Qual a sua cor? A vida em um mundo racista, 2003,  e África, Povo do Sol, 2004,  o antropólogo Roberto Albergaria aponta três conceitos que, em sua análise, sustentam os cadernos: coragem, criatividade e ousadia.
“Desde o primeiro número é visível a ousadia de tratar  de forma sistemática as relações raciais e racismo, temas que sempre foram abordados  com um certo melindre na Bahia”, aponta Albergaria.
De acordo com ele, isso é feito com criatividade. “É outro ponto interessante conseguir colocar uma discussão cercada de complexidade no formato jornalístico”.
A  ousadia de inaugurar um modelo que sempre segue temas para o antropólogo é outro acerto. “Dessa forma  temos uma possibilidade de explorar várias facetas das questões vinculadas às relações raciais”, diz.
O antropólogo também aponta que A TARDE criou um modelo próprio e  único em todo o país. “Não há outro tipo de iniciativa que dedique o espaço de um caderno inteiro para falar deste temas”, completa o antropólogo.
Novidade
O primeiro especial foi publicado em 2003. A partir de uma pauta sobre a persistência do racismo em Salvador, o caderno intitulado Qual a sua cor ? A vida em um mundo racista mostrou a complexidade das relações raciais na Bahia.
O especial foi finalista do Prêmio Imprensa Embratel. Em 2004 foi a vez de.  África Povo do Sol . A formação de uma classe média negra foi abordada em Gente de Raça (2005).
A herança das religiões africanas e a sua luta contra o preconceito inspirou Sou de Santo e Raça (2006). A organização política foi abordada em Lutas de Ontem e de Sempre (2007).
A variedade de linguagens artísticas  sustentou  Arte da Resistência (2008). Negócios inspirados na cultura afro-brasileira compuseram Produtores de Owó(2009).
Este especial venceu o Prêmio Banco do Nordeste, nas categorias Mídia Impressa Regional I e Nacional. A capoeira foi o tema de 2010 com Ê, Camará.
Em 2011 foi a vez de abordar como o dendê inspira aspectos da vida sócio-cultural baiana com o caderno intitulado Epo Pupa,  finalista do Prêmio Abdias Nascimento em 2012. A saga dos sacerdotes músicos das religiões afro-brasileiras, premiado na última segunda-feira, foi o tema do ano passado.


O que anda acontecendo com o esporte?

postado por Cleidiana Ramos @ 5:50 PM
5 de março de 2012

Juan do Roma: mais uma vítima de racismo no esporte. Foto: EFE/Ettore Ferrari

Oi pessoal: o Mundo Afro anda paradão por conta de falta de tempo mesmo. Mas eis que já estou me acostumando às novas demandas e ele, prometo, vai ser atualizado de forma mais constante.

Uma das razões para estarmos aqui é refletirmos como o crime do racismo continua grassando, mesmo com os avanços que já alcançamos. Em menos de uma semana, ele retorna a todo vapor em um espaço que vive do discurso de que é capaz de quebrar barreiras de credo, nacionalidade, cultura, etc: o esporte.

Na última quarta-feira, dia 29, o jogador de volêi do Sada Cruzeiro e da Seleção Brasileira, Wallace, foi chamado de “macaco” por uma mulher que estava na arquibancada.

Ontem foi a vez de mais uma no futebol internacional. O brasileiro Juan, zagueiro que joga pelo Roma da Itália e um dos melhores na função que já passaram pela Seleção Brasileira,  foi insultado de forma racista.

Aí a gente já se lembra da longa lista: Diego Maurício (várias vezes); Roberto Carlos, Grafite….e o mais terrível disso tudo é que as federações esportivas divulgam notas de repúdio, mas não tomam nenhum tipo de ação efetiva.


Diego Maurício é vítima de racismo no jogo histórico

postado por Cleidiana Ramos @ 5:47 PM
29 de julho de 2011

Diego Maurício foi alvo de insultos racistas. Foto: Fábio Borges/VIPCOMM

Claro que o jogo entre Flamengo e Santos, com vitória para minha alegria do primeiro, depois de uma virada histórica, vai render assunto para muito tempo. Para quem gosta de futebol, com certeza, não é exagero dizer que foi a melhor partida do Campeonato Brasileiro nesta primeira decáda de Secúlo XXI. Mas o que pouca gente tá falando é do episódio de racismo que ofuscou o espetáculo.

Diego Maurício, o jovem atacante do Flamengo, foi insultado de forma racista, por torcedores do Santos enquanto se aquecia. A informação foi passada por um repórter da Globo, durante a transmissão, de quem, infelizmente, não registrei o nome. O tom de voz do repórter expressava sua revolta e ele reiterou várias vezes que eram coisas muito pesadas e desagradáveis, embora não as repetisse.

Ontem o jogador deu uma declaração dizendo que foi xingado de “macaco”. Recentemente, o mesmo Diego Maurício sofreu ofensas racistas quando defendia a Seleção BrasileiraSeleção Brasileira no Sul-Americano Sub-20, em Moquegua, no Peru.

Não é possível que a CBF, os clubes e a Justiça Desportiva façam de conta que esse problema não existe.


Vodun Zo festeja 25 anos de projeto

postado por Cleidiana Ramos @ 8:47 PM
5 de julho de 2011

Projeto de capoeira do Terreiro Vodun Zo completa 25 anos. Foto: Gildo Lima | Ag. A TARDE | 11.11.2010

A partir de amanhã começa o Festival Capoeira Baiana Brasil 2011. O evento comemora os 25 anos do Projeto Vodun Zo Curuzu, sediado no Terreiro Vodun Zo, de tradição jeje, que é comandado pelo doté Amilton Costa.

Às 16 horas tem palestra da professora Sandra Caldas, especialista em História e Cultura Afro-Brasileira, seguida de oficina de ritmo, ministrada pelo professor Careca da CCB-Bahia que organiza o evento; oficina de capoeira regional com o Mestre Tony do Grupo Tempo e roda de boas vindas com os meninos e meninas do Projeto Vodun Zo.

As atividades vão até o próximo domingo com uma festa de batizado, a partir das 15 horas, seguido da partilha de um delicioso caruru.

Festejar essa iniciativa é uma vitória, pois, com muita luta, a oportunidade de praticar capoeira, dentro de um terreiro de candomblé, virou alternativa de interação e crescimento para meninas e meninos da Liberdade, onde está localizado o Vodun Zo. Doté Amilton e a comunidade que ele dirige tem, enfim, motivos de sobra para comemorar. Axé!

Confiram abaixo a programação detalhada e, quem puder, deve ir prestigiar.

O Vodun Zo fica na Rua do Curuzu. Para quem vem pela Lima e Silva fica à esquerda, antes de chegar à sede do Ilê Aiyê. Para quem vem pela San Martin é à direita logo depois de passar pela sede do bloco afro.

Quarta-feira

16 às 17 horaas- Palestra- Professora Sandra Caldas-Especialista em História e Cultura Afro-Brasileira (Projeto Vodun Zo Curuzu)
17 às 18h30- Oficina de Ritmo- Professor Careca (CCCB)
18h30 às 20h- Oficina de Capoeira Regional Mestre Tony- Grupo Tempo (Projeto Vodun Zo Curuzu)
20 horas- Roda de Boas Vindas- Projeto Vodun Zo

Quinta-feira

10 às 12 horas- Palestra Mestre Nenel- Filhos de Bimba Escola de Capoeira
16 às 17 horas- Oficina de Capoeira Regional- Professor Biriba- ECRR
17 às 18h30- Oficina de Capoeira Regional- Mestre Orelha- Associação Kirubê
18h30 às 20 horas- Oficina de Capoeira Regional -Mestre Bamba- Associação de Capoeira Mestre Bimba
20 horas-Roda- Projeto Vodun Zo

Sexta-feira
10 às 12 horas- Palestra- Turma do Bimba
16 às 17 horas- Oficina de Ritmo- Professor Careca- CCCB
17 às 18 horas- Oficina de Capoeira Regional- Mestre Bôbô- Associação Abolição
18 às 19 horas- Oficina de Capoeira Regional- Contra-Mestre Cabeça- ECRR
19 às 21 horas- Festival de Quadras e Corridos- Projeto Vodun Zo

Sábado
10 às 12 horas- Vivência de Capoeira Angola- Mestre Rennê Bittencourt-ACANNE
16 às 17h30- Oficina de Capoeira Regional- Mestre Salário Mínimo- Turma do Bimba
17h30 às 19 horas- Oficina de Capoeira Regional Mestre Saci- Turma do Bimba
19 às 20 horas- Oficina de Capoeira Regional Contra Mestre Jegue- ECRR
20 horas- Roda Projeto Vodun Zo

Domingo
15 às 18 horas- Festa do Batizado
18 horas- Caruru CCCB-Projeto Vodun Zo


Bem vinda Daiane!

postado por Cleidiana Ramos @ 4:12 PM
27 de junho de 2011

Daiane dos Santos voltou em grande estilo. Foto:Bernd Weissbrod|EFE|05.09.2007

Um episódio de pouco mais de um minuto na manhã de ontem me emocionou muito: a apresentação de Daiane dos Santos no Meeting Internacional de Ginástica Artística, realizado em Natal, Rio Grande do Norte.

Daiane, única negra até hoje a conquistar o título mundial da modalidade e chegar a duas finais olímpicas, estava há quase três anos afastada do esporte por complicações que incluíram lesões e doping. Este último problema foi por conta do uso de uma substância para tratamento estético, mas que é proibida para atletas.

Aos 28 anos, a gaúcha mostrou porque já entrou para  a história da modalidade- inclusive dando nome a um movimento, pois, mesmo realizando uma apresentação considerada simples, levou o ouro no solo, seu melhor aparelho, e ainda bronze no salto.

A meta de Daiane é conseguir não só competir nos Jogos Olímpicos do ano que vem, que serão realizados em Londres, como também chegar ao pódio para só então se aposentar.

Mas o que já fez até aqui merece louvores.


Outro caso de racismo no futebol nacional

postado por Cleidiana Ramos @ 3:32 PM
17 de maio de 2011

Zé Roberto disse que foi alvo de racismo. Foto: Márcia Feitosa | VIPCOMM| 01.12. 2009

Mais um jogador brasileiro se queixa de racismo. O meia Zé Roberto, do Internacional, que, inclusive, já defendeu o meu Mengão disse que foi hostilizado com ofensas racistas pela torcida do Grêmio no último domingo na decisão do Campeonato Gaúcho.

Zé Roberto classificou o que sentiu de “asqueroso”. O problema é que, como quase todos os jogadores que já foram vítimas de casos semelhantes, resolveu “deixar pra lá” e jogar a responsabilidade pela apuração e punição na Federação Gaúcha.

Assim os casos vão continuar acontecendo e, pior, tornando-se banais como querem os racistas, assumidos ou não.


O desabafo de Andrade

postado por Cleidiana Ramos @ 4:22 PM
13 de setembro de 2010

Andrade evoca questão racial para o seu desemprego. Foto: Márcia Feitosa| VIPCOMM

O Esporte Espetacular de domingo trouxe uma entrevista com o ex-técnico do Flamengo, Andrade. O ponto central da matéria são as queixas de Andrade por estar desempregado depois de ter levado o Flamengo a conquistar um título  após 17 anos e de ter sido eleito o melhor técnico do Campeonato Brasileiro 2009.

Mas o que chamou mesmo a atenção foi o momento em que Andrade disse que um dos motivos que seus amigos apontam para o seu desemprego é discriminação racial. E completou dizendo que basta analisar: não há um só técnico negro na primeira divisão do Campeoanto Brasileiro. Andrade completou dizendo que não quer acreditar nisso, mas…

O fato é que a suspeita de Andrade ou, como ele disse, de alguns dos seus amigos, não é tão infudada. Como ele disse, realmente, não há negros, ou quem assim se auto afirme, treinando equipes da primeira divisão.

Jogadores negros, talvez, sejam a maioria, mas na hora da função que envolve tática, estratégia, não é difícil imaginar que as engrenagens do preconceito estejam funcionando a mil.

É triste o que acontece, ainda mais com Andrade, que fez parte da geração de ouro do Flamengo e tem um currículo invejável. Detalhe: o início da injustiça foi executado exatamente pelo time com o qual ele é mais do que identificado: o Flamengo.

Lembro, afinal sou torcedora incondicional do Mengão, arrebatador de corações, que Andrade foi demitido com 73% de aproveitamento. No seu lugar entoru um técnico inexperiente, para ser gentil, que só caiu por conta da pressão da torcida.

Engraçado que, com Andrade, um empate do Flamengo era encarado como desastre, inclusive pela mídia especializada. Já com o substituto Rogério Lourenço havia sempre a justificativa de que estava ainda ajustando o time, não tinha reforços, dentre outros.

Ninguém lembrava que Andrade pegou o Flamengo já flertando com a zona de rebaixamento e o fez campeão brasileiro. Sorte não explica isso. Enfim, quem quiser conferir a entrevista de Andrade pode clicar aqui para conferir a matéria do Globo.com. Mas, embora Andrade esteja triste, quem está perdendo mesmo é o futebol por ignorá-lo.


O gol contra de Val Baiano

postado por Cleidiana Ramos @ 2:56 PM
10 de setembro de 2010

Jogador andou falando sobre o que não sabe. Foto: Márcia Feitosa|VIPCOMM

Quem tem acesso a meios de comunicação tem que ter cuidado com o que fala. Passando por um fase ruim, o meu Flamengo anda há seis partidas sem fazer gol. Um dos atacantes mais cobrados é Val Baiano, que já perdeu gols feitos e virou motivo de piada e sinônimo de incompetência na função de artilheiro.

Para piorar ele, que se disse religioso e acreditar em Deus, saiu-se com essa numa reportagem do  portal Globo.com:  “Não gosto de macumba. Se fosse do bem, seria boacumba”. Para ajudar Val Baiano vai aqui o significado da palavra “macumba”, segundo o Dicionário Afro-Brasileiro, de Nei Lopes: “nome genérico, popularesco, e de cunho às vezes pejorativo, com que se designam as religiões afro-brasileiras, notadamente a umbanda e o candomblé”.

Apesar do cunho pejorativo, não significa que macumba é o mal, como adoram fazer crer os intolerantes que atacam o que não conhecem, como sempre.  Val Baiano foi, portanto, além de preconceituoso, agressivo e desrespeitoso com religiões que, com certeza, tem milhares de seguidores na imensa torcida do Flamengo que não à toa é chamada de nação.

Se fosse mais esperto, saberia que falar de religião é para quem sabe. A intolerância neste campo é um dos capítulos mais sangrentos da história da humanidade e continua a fazer barulho, como mostra a última insanidade do pastor Terry Jones, que anda proclamando que vai queimar o Alcorão e assusta o mundo inteiro pela ameaça de reação das comunidades islâmicas mais radicais.

Por isso, o jogador prestaria um melhor serviço ao Flamengo e à sua imensa torcida se fosse cuidar da forma física e tentar fazer gol afinal, presume-se, que é disso que ele depende para ganhar a vida e pelos últimos desempenhos precisa de um plano B.


Até mais, África do Sul

postado por Cleidiana Ramos @ 2:58 PM
11 de julho de 2010

A Copa do Mundo chegou ao fim. Não deu para o Brasil e para nenhuma seleção africana, mas valeu porque a África do Sul conseguiu organizar, a despeito de vários preconceitos e suspeitas, o maior espetáculo esportivo do mundo.

Também vão ficar para sempre registradas a alegria dos Bafana Bafana com suas danças antes de entrar em campo ou na comemoração dos gols, assim como a alegria contagiante da seleção  de Gana.

Para fazer uma homenagem ao país sede vai aqui um vídeo de um concerto feito por Paul Simon no Zimbábue na década de 80 com o belíssimo hino sul africano, cantado nos vários dialetos  do país numa lição de solidariedade e de promessa de jamais voltar a ser a terra de algo tão brutal como o apertheid.


Gana dá adeus à Copa

postado por Cleidiana Ramos @ 7:04 PM
2 de julho de 2010

Seleção ganesa acabou eliminada pelo Uruguai. Foto: AFP Photo / Gianluigi Guercia

Uma pena, mas Gana, a única seleção africana remanescente na Copa, sediada na África do Sul, foi desclassifcada pelo Uruguai.

O jogo em tempo normal terminou em 1X1. Na prorrogação o time ganês ainda perdeu um penâlti aos 16 minutos do segundo tempo. Na disputa dos penâltis perdeu mais dois.


As vuvuzelas celebram Gana

postado por Cleidiana Ramos @ 6:41 PM
26 de junho de 2010

Gana garante a África na Copa. Foto: EFE

O time de Gana garantiu a continuidade da participação africana na Copa. Bem armada, a equipe ganesa superou a do EUA por 2X1.

O gol da vitória veio nos três primeiros minutos da prorrogação. Foi um jogo corrido, com técnica mediana, principalmente por conta do futebol limitado dos americanos, mas bem emocionante.

O time de Gana tem jogadores habilidosos como Ayew,  Gyan, autor do gol na prorrogação, e Appiah. Gyan marcou três gols até agora e está  na lista de liderança dos artilheiros do torneio.

A desclassificação americana acontece num momento em que o futebol está ganhando mais popularidade por lá, irritando setores da direita política, inclusive.

Além disso, os EUA querem levar uma copa novamente para lá e é por isso que o ex-presidente Bill Clinton marcou presença nos dois últimos jogos da equipe americana. Os EUA sediaram o mundial de futebol em 1994 vencido pelo Brasil. Clinton participa de um comitê que defende os EUA como sede.

Não é segredo que a Fifa e a indústria esportiva ligada ao futebol torcem desesperdamente para que o soccer, como o futebol é chamado nos EUA, finalmente ganhe popularidade por lá. Nesta copa o índice de audiência na TV subiu e a classificação americana no último jogo da primeira fase contra a Argélia emocionou uma parte considerável de torcedores.

O próximo compromisso de Gana é contra o Uruguai já em partida das quartas de final na próxima sexta-feira às 15h30.


Racismo no tênis

postado por Cleidiana Ramos @ 1:55 PM
25 de junho de 2010

Júlio Silva acusa tenista austríaco de racismo. Foto: Antonio Saturnino |Ag. A TARDE| 7.9.2001

O tenista austríaco Daniel Koellerer é acusado de racismo. Segundo o tenista brasileiro, Júlio Silva, durante uma partida entre os dois na última terça-feira na Itália, Koellerer, que já se meteu em várias polêmicas, teria dito ao brasileiro para “voltar para a floresta, porque era um macaco”.

Segundo Silva em uma outra partida, o austríaco já teria feito o símbolo de uma banana e coçado a orelha em sua direção.

O brasileiro fez registro em uma delegacia de crime de racismo. A sua queixa para o juiz da partida não foi considerada. Já existem várias tentativas de banir Koellerer do esporte por conta de outras confusões.


Invictus: o esporte como política

postado por Cleidiana Ramos @ 1:44 PM
25 de junho de 2010

Morgan Freeman e Matt Damon protagonizam história real. Foto: Divulgação

Para quem pode curtir férias e feriadão neste período ( e para os baianos na próxima semana tem mais por conta do 2 de julho) sugiro  dar uma olhadinha em Invictus.

O filme conta a história real da trajetória da seleção sul africana durante a Copa do Mundo de Rugby que recebeu em casa logo após a eleição de Nelson Mandela em 1995. Para ele, a vitória da seleção sul africana era essencial para o seu trabalho de selar a paz entre brancos e negros pós apertheid.

O time de rugby era um dos mais firmes símbolos do regime segregacionista e Mandela no lugar de eliminá-lo decide mantê-lo.

O filme é dirigido por Clint Eastwood e Nelson Mandela é vivido pelo ótimo Morgan Freeman. Quem faz o capitão do time, François Pienaar, fundamental para o papel que Mandela desenvolve na história, é Matt Damon.

O filme é bonito, mas  meio água com açúcar  e os diálogos, principalmente os de Mandela, tem alguns momentos que soam como discurso. Não é possível que mesmo o grande Mandiba seja brilhante até no café da manhã.  Mas Morgan Freeman dá um show, o que ele sempre faz, ainda mais com o espaço para ser protagonista.

Uma das cenas mais belas é a que acontece em um ponto de táxi ao mesmo tempo que a partida final é disputada. Cheia de dramaticidade e tensão, numa apologia ao que era o momento político na África do Sul.

A ideia inicial de Eastwood era filmar a biografia de Nelson Mandela, mas como ela era muito rica ele preferiu se apoiar nesse episódio de como Mandela usou o esporte para tentar pacificar o país. Os que têm Sky podem aproveitar para ver o filme  em paper view. Quem não tem pode recorrer às locadoras.


A Costa do Marfim se despediu com honra

postado por Cleidiana Ramos @ 1:35 PM
25 de junho de 2010

A equipe de Drogba se despediu hoje da Copa do Mundo. Foto: AFP Photo / Gabriel Bouys

Era quase impossível mesmo a missão dos Elefantes. Fazer dez gols  na Coreia do Norte e esperar uma vitória do Brasil sobre Portugal era uma missão qause impossível . Digo quase porque no futebol tudo pode acontecer, mas  deu a lógica.

Ainda assim a Costa do Marfim conseguiu ganhar seu último jogo por 3X0. E a turma do belo (tanto na estética como no futebol) Drogba vai mesmo embora. Uma pena!


A África agora é Gana

postado por Cleidiana Ramos @ 5:40 PM
23 de junho de 2010

Seleção de Gana é a única representante africana na copa a partir de agora. Foto: AFP Photo / Gabriel Bouys

Como já era esperado a partir dos primeiros jogos da Copa, Gana é a única seleção africana que segue para a próxima fase. Mesmo perdendo por 1X0 para a Alemanha, Gana segue, pois a Austrália derrotou a Sérvia por 2X1.

Gana agora vai enfrentar os EUA, no próximo sábado às 15h30. A partir de agora quem perder o jogo  já está fora.

O continente anfitrião viu um a um dos seus representantes caírem, inclusive a dona da casa, a África do Sul. A Argélia foi a outra desclassificada de hoje após perder para os EUA por 1X0.


Exposição relata trajetória negra no futebol

postado por Cleidiana Ramos @ 10:48 AM
23 de junho de 2010

Pelé é um dos personagens da exposição. Foto: Arquivo / AG. A TARDE. 16.11.1969

Olha ái um ótimo programa para quem gosta de futebol e está em São Paulo. O Museu Afro Brasil está com a exposição De Arthur Friedenreich a Edson Arantes do Nascimento. O negro no futebol brasileiro.

A mostra engloba imagens, esculturas, objetos, textos e filmes. Tem peças como os desenhos de Miecio Caffé, publicados no jornal A Gazeta Esportiva e do caricuturista Lan, dentre outros preciosidades.

O Museu Afro Brasil fica na Avenida Pedro Álvares Cabral, no Parque do Ibirapuera, funciona de terça a domingo, das 10 às 17 horas e tem entrada gratuita. O telefone é o 11-5579-0593. Para acessar o site da instituição clique aqui.

E para quem se intressa por identidade negra e futebol combinados uma boa dica é o livro O Negro no Futebol Brasileiro de Mário Filho, uma leitura edificante e deliciosa.


Valeu Bafana Bafana!

postado por Cleidiana Ramos @ 6:25 PM
22 de junho de 2010

A torcida da África do Sul vai ficar mais triste com a sua seleção fora da Copa. Foto: Eduardo Martins | Ag. A TARDE

Os Bafana Bafana lutaram, mas estão fora da Copa. Foi uma pena pois a equipe conseguiu vencer por 2X1 a tumultuada equipe da França. É uma pena que a alegria dos sul africanos, um show à parte nestas duas primeiras semanas de copa, agora vai diminuir.

A Nigéria também não conseguiu avançar por conta do empate em 2X2 com a Coreia do Sul. Depois da goleada de Portugal sobre a Coréia do Norte 7X0) vai ficar difícil também para a Costa do Marfim. A Argélia também não tem mais pique e Camarões já foi embora.

Portanto, as chances de representar o continente anfitrião na segunda fase da copa ficaram apenas com Gana que joga  amanhã às 15h30 contra a Alemanha.


Os Leões vão embora da Copa

postado por Cleidiana Ramos @ 5:55 PM
19 de junho de 2010

Camarões é a primeira equipe desclassificada da Copa do Mundo. Os chamados Leões Indomáveis não resistiram diante da Dinamarca e perderam de 1X2.

O inicio da partida deu pinta de que Camarões ia golear, mas a Dinamarca reagiu. A Copa também fica sem o talento de Samuel Eto´o que fez o gol camaronês.

Pela manhã Gana empatou em 1X1 contra a Austrália e ainda respira. Hoje o craque Tostão comentou em sua coluna, que é também publicada em A TARDE, que as seleções africanas perderam a sua espontaneidade e jogo bonito quando começaram a ser treinadas por técnicos europeus.

Amanhã, a outra equipe africana que está jogando melhorzinho, além de Gana, a Costa do Marfim enfrenta o Brasil, às 15h30.

Espero que os chamados Elefantes continuem até para ter representantes africanos na Copa, mas que não resolvam melhorar exatamente contra a equipe brasileira.

Mas jogo para levantar poeira mesmo, vai ser África do Sul X França na terça-feira às 11 horas. Os Bafana Bafana querem a honra de pelo menos vencer uma partida e os franceses estão em crise completa. Até expulsão de jogador (Anelka) por ofensas ao técnico, com sonoros palavrões, pela Federação Francesa de Futebol  já rolou.


A Nigéria perdeu mais uma

postado por Cleidiana Ramos @ 4:17 PM
17 de junho de 2010

A Seleção da Nigéria perdeu mais uma. Foto: EFE/Yuri Kochetkov

Que pena! A Nigéria até ensaiou uma vitória saindo na frente, mas perdeu para a Grécia por 2X1. Desse jeito as esperanças africanas ficam agora com  Gana e  Costa do Marfim. A Argélia, que joga amanhã, às 15h30 horas, contra a Inglaterra também não tem muitas chances.

No caso da Costa do Marfim, espero que ela ganhe a vaga para as oitavas, mas sem atrapalhar o  Brasil.

Confesso que fiquei surpreendida com a regressão do futebol nigeriano nesta Copa. Ele ficou longe de criar entusiasmo, diferente de outras edições. Mas uma surpresa boa do time: o goleiro Enyeama é muito bom, apesar da falha no segundo gol da Grécia, mas isso acontece com os melhores.


Gana e Costa do Marfim são africanas em melhor posição

postado por Cleidiana Ramos @ 6:10 PM
16 de junho de 2010

África do Sul perdeu para o Uruguai. Foto: Eduardo Martins | AG. A TARDE

Não deu para os Bafana, Bafana. Que pena! Levaram 3 da seleção do Uruguai, com expulsão do goleiro e tudo.

Aliás até agora das seleções africanas só Gana e Costa do Marfim, adversário do Brasil, inclusive, mostraram um futebol mediano.

As situações são as seguintes: a África do Sul é a última do grupo A, já na segunda rodada; a Nigéria é a terceira do grupo B; a Argélia é a última do grupo C; Gana é a segunda do grupo D; Camarões é a terceira do grupo E; e Costa do Marfim é a segunda do grupo G, que é o do Brasil.  Estas útlimas posições são ainda da primeira rodada.

Tradicionalmente, em Salvador, a simpatia por seleções do continente africano se junta à torcida pela equipe do Brasil. Domingo vai ser festa dupla, pois a Seleção Brasileira enfrenta a Costa do  Marfim. Na Copa passada, o Brasil enfrentou Gana, nas oitavas de final, com vitória brasileira.

Para quem gosta de torcer pelos irmãos africanos amanhã tem Grécia X Nigéria, a partir das 11 horas.


Gana inaugura vitórias africanas

postado por Cleidiana Ramos @ 1:15 PM
13 de junho de 2010

Gana foi a primeira equipe do continente anfitrião a vencer uma partida na Copa 2010. Foto: AFP

Pronto! Veio a primeira vitória de uma equipe do continente africano, anfitrião desta edição da Copa do Mundo: Gana venceu a equpe da Sérvia, num jogo que só esquentou mesmo a partir dos 15 minutos do segundo tempo. O gol foi de Gyan, num penâlti muito bem batido.

A equipe ganesa é boa. Tá bem armada e tem um nível técnico razoável. Mas confesso que fiquei na dúvida se ela é melhor do que a da África do Sul, pois a Sérvia não jogou o que se esperava dela e o time mexicano que enfrentou os sul -africanos é bem interessante.

O time de Gana joga bem na defesa, característica também da Sérvia, o que fez o primeiro tempo ser bem modorrento. Esta tem sido uma das características de quase todas as equipes de futebol do mundo, o que faz as partidas perderem o brilho de outros tempos. Todo mundo arma os times com jogadores de meio campo mais especialistas em dar combate do que armar jogadas, o que torna os jogos truncados.

Mas em Copa do Mundo, um torneio bem curto ninguém quer se arriscar daí esses resultados bem magros. Até agora só a Coréia do Sul venceu uma partida por mais de um gol (2X0 em cima da Grécia).

A outra equipe africana a entrar em campo hoje foi a Argélia que perdeu para a Eslovênia por 1X0 com o segundo frango da competição. A coisa não anda boa para os goleiros. O da Argélia tomou o seu penoso logo após o mais famoso até agora desta copa: o do goleiro Green, da Inglaterra no empate ontem com os Estados Unidos.

Curioso que eles ainda não botaram a culpa na jabulani. Parece que a bola foi finalmente absolvida.

Amanhã tem mais seleções africanas em campo, cujas torcidas são bem organizadas e fortes em Salvador: Camarões enfrenta o Japão a partir das 11 horas. Os bares do Pelourinho costumam sediar as concentrações para torcer pelas equipes africanas, um hábito mais do que compreensível na mais negra cidade brasileira.


Não deu pra Nigéria

postado por Cleidiana Ramos @ 7:32 PM
12 de junho de 2010

Enyeama foi escolhido o melhor jogador da partida pela Fifa. Foto: AFP / Robeto Schimidt

Embora há quem chame os argentinos de los hermanos, irmãos mesmo dos baianos são os integrantes do time que jogou hoje contra eles: a Nigéria. Afinal, do local de onde hoje está o país vieram maciçamente, principalmente a partir da segunda metade do século XIX, várias etnias: oyós, ketus, ijexás, dentre outras.

Daí que tantos de nós temos ancestrais originários de lá e compartilhamos vários laços culturais. Não é à toa que nagô e ketu são sinônimos para definir um conjunto de tradições do candomblé,  para as quais se usa o termo nação,  que tem o iorubá como língua litúrgica. O nosso acarajé, por exemplo, é comida herdada também destas terras, onde é chamado de acará.

Pena que a Nigéria deixou a Argentina ganhar. De forma magra ( 1X0), mas vitória é vitória e eles é que ficaram com os três pontinhos. Triste pois é mais um alimento para a arrogância revestida do que agora é considerado “irreverência” de Maradona. Eu particularmente continuo a não achar graça nenhuma nas bravatas do ex-jogador e técnico. Soam mal educadas e anti-esportivas as provocações em relação a Pelé,  por exemplo, fruto de um ressentimento do  qual “dom Diego” nunca vai conseguir se curar: Pelé está há anos luz à sua frente em técnica, talento e comportamento esportivo.

Mas vamos ao jogo. A Nigéria desta copa deve muito em relação a equipes que encantaram o mundo como a de 1994. É muito fraca tecnicamente e apática, defeito que geralmente não costuma caracterizar seleções africanas.

O placar poderia ter sido mais elástico para a Argentina se não fossem os erros de finalizações inclusive do queridinho da crônica esportiva mundial: Leonel Messi. Não é implicância minha com os argentinos, mesmo porque eu gosto muito de futebol, mas acho que o rapaz precisa de mais bola para ser esse fenômeno que todos dizem.

Só para ficar em  comparações com jogadores recentes: embora tenha sido escolhido o melhor do mundo, Messi tem menos bola do que Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho em seus melhores momentos.  Acho que ele tem  sorte por conta da atual escassez de brasileiros em grande fase na Europa, pois só quem está lá figura no Prêmio da Fifa, o que considero uma injustiça.

Mas um jogador da Nigéria merece destaque: Vincent Enyeama, o goleiro. Este sim é “o cara” da equipe nigeriana. Agarrou muito no jogo de hoje, impedindo também a goleada argentina.

Não à toa, imaginem, foi eleito o melhor do jogo pela Fifa que privilegiou o jogador que evitou o objetivo principal do futebol: o gol. Ele mereceu e é bom Júlio César ficar de olho, pois este pode ser um adversário na briga pela luva de ouro, embora para isso a Nigéria precise avançar às outras fases, o que não vai acontecer se o time jogar o que jogou hoje contra a Grécia, na próxima quinta-feira, dia 17 às 11 horas.

Amanhã é dia de torcer por Gana, a partir das 11 horas na batalha contra a Sérvia. O Mundo Afro vai tentar ficar a postos.


Por pouco a festa não foi completa

postado por Cleidiana Ramos @ 8:17 PM
11 de junho de 2010

Por pouco os Bafana, Bafana não estrearam com vitória. Foto: Eduardo Martins | Ag. A TARDE

Vejam só o que é futebol.  A Seleção da África do Sul, anfitriã desta edição da  Copa do Mundo e considerada a mais fraca do Grupo A, formado ainda por França, México e Uruguai, lidera o conjunto.

Os Bafana Bafana, como são chamados, por pouco não ganharam o jogo de abertura contra o México, com um gol lindo de Tshabalala feito aos dez minutos do segundo tempo.  Aos 34, Rafa Márquez (que raiva!) empatou para os mexicanos.

No início da partida parecia que os mexicanos iam dar um baile, mas aos poucos os Bafana assumiram a personalidade Parreira de ser que nós brasileiros conhecemos tão bem: defesa, defesa, defesa e contra ataques. E olha que o time joga direitinho.

Pienaar, o número 10, para mim, é um bom jogador na armação das jogadas. Tem uma boa técnica quando comparado ao resto da equipe. Destaque também para o goleiro Khune que em dois passes certeiros colocou os atacantes na cara do gol. Além disso, fez excelentes defesas.

O jogo valeu também por sua importância histórica, afinal marcou a abertura da primeira copa em continente africano. Foi emocionante o momento em que as duas seleções entraram em campo para o delírio das mais de 80 mil pessoas que lotaram o Soccer City. E Desmond Tutu, uniformizado como torcedor, tá uma figura. Hoje ele estava no estádio novamente.

Pena que Nelson Mandela não compareceu por conta de uma tragédia em sua família: uma de suas bisnetas, de apenas 13 anos, Zenani Mandela Junior, morreu em um acidente de carro quando voltava para casa após o show de abertura na madrugada de hoje.

Com o empate em 0X0 entre Uruguai e França no segundo e último jogo do dia, a África do Sul é então a líder do grupo, o que é um bom começo para a torcida de que ela passe à segunda fase do torneio, o que é muito difícil diante das equipes adversárias. França e Uruguai têm tradição e o México chegou cheio de moral depois de ter ganhado um amistoso contra a atual campeã, a Itália, na semana passada, embora hoje só tenha jogado bem nos minutos iniciais do jogo.

Mas olha que os Bafana podem aprontar por aí. Fico aqui na torcida.

Amanhã tem Nigéria e Argentina às 11 horas, o que me faz torcer pelos nigerianos duas vezes, e no domingo, no mesmo horário,  Gana pega a Sérvia. A Unegro está organizando torcidas para as seleções africanas no Sankofa Bar, Pelourinho.


Torcida une Brasil e África

postado por Cleidiana Ramos @ 3:27 PM
10 de junho de 2010

Já estava sentindo falta, mas eis que o pessoal vai manter a tradição: estão organizadas as torcidas também pelas seleções africanas durante a Copa do Mundo. A festa é organizada pela Unegro e vai acontecer em dias de jogos das seleções no Sankofa Bar, Pelourinho. Claro que nos dias de jogos do Brasil também tem torcida.

O lema do evento é Brasil e países africanos- um só desejo, a igualdade racial. Além de celebrar o futebol, o evento também vai colocar em destaque o racismo ainda existente mesmo nos campeonatos esportivos. A primeira concentração será amanhã às 11 horas para o jogo África do Sul X México. Já na terça-feira, após o jogo do Brasil tem baile black.

Na imagem aqui abaixo vocês podem conferir a programação na íntegra.



O jogo que descortinou o Zimbábue

postado por Cleidiana Ramos @ 12:27 PM
4 de junho de 2010

Amistoso disputado pela Seleção Brasileira contra o Zimbábue voltou as atenções para o país africano. Foto: Eduardo Martins | AG. A TARDE

Um dos amistosos mais polêmicos realizados pela Seleção Brasileira nos últimos tempos foi o disputado contra o Zimbábue na última terça-feira. E isto não só pelo hobby nacional de criticar Dunga _ “infrutífero”, “os jogadores podem ter lesão”, etc- mas também pelo adversário, afinal o governo do país é classifcado como ditadura. O presidente de lá, Robert Mugabe, está no poder há 30 anos.

Foi por conta deste amistoso que soube isto e algumas outras coisas sobre o país africano. Cronistas esportivos disseram tudo o que puderam: desde a inflação galopante que ultrapassa a casa dos milhares até um que acha que este é o melhor exemplo da “miséria” africana. A África tem miséria, mas também tem riqueza, ora pois. Infelizmente,  os estereótipos sobre o nobre e antigo continente vão continuar a ser uma tônica destes dias de Copa.

Mas o que mais me fez pensar sobre este amistoso, que do ponto de vista técnico foi apenas um aperitivo do que os amantes de bom futebol continuarão a sofrer nos próximos dias com esta formação da equipe canarinha, é que nós, jornalistas, fazemos de conta que o continente africano não existe.

Até mesmo para criticar as relações diplomáticas do Brasil com uma ditadura foi preciso um jogo de futebol. Do contrário as diatribes de Mutabe que ganhou um gelo do técnico da Seleção Brasileira, impedindo que ele não faturasse mais em cima de um jogo para o qual pagou à CBF uma pequena fortuna- U$ 1,3 milhões, o que dá quase R$ 2,6 milhões — estariam no limbo. Os jogadores não apareceram ao lado do ditador em nenhum momento e Dunga driblou Mutabe, inclusive evitando sua visita à concentração brasileira.

Claro que não estou querendo que o Zimbábue ganhe uma coluna diária dos jornais, mas porque a gente sabe tão pouco de uma diatadura com a qual o Brasil matém relações, mesmo diante do gelo do resto do mundo? Que tipo de intresses circulam em torno deste ponto?

Esse exemplo é apenas uma amostra do desinteresse que mantemos em relação a outros países africanos. Eles só entram na pauta em situações que o mundo inteiro volta as atenções para lá. A África do Sul, por exemplo, só está sendo lembrada por conta do campeonato mundial de futebol organizado pela Fifa.

Mas se esse seria o momento que teríamos para aprofundar a divulgação deste conhecimento sobre um continente que tem países dos quais uma parte significativa da população brasileira herdou parte da sua base cultural, as informações que estão chegando não conseguem fugir do trivial.

Que a África do Sul tem belos parques a gente já sabe. Que a alegria africana é contagiante e a vuvuzela é símbolo disto já está ultrapassando os limites do que é clichê. Que a Copa do Mundo é a chance do país mostrar como está depois do apartheid é óbvio. Ele não investiria tanto em um campeonato se não tivesse razões políticas fortes para tal.

Mas cadê o povo sul africano, seu dia-a-dia, mais detalhes da política pós apertheid, os embates entre religiões oficiais e tradicionais, a condição da mulher, etc? Futebol é cultura exatamente porque é feito e direcionado a pessoas.

Esta Copa do Mundo poderia ser um momento de fazer melhor o pouco que foi feito em relação ao Zimbábue: mostrar um pouco mais de como anda este continente que é mãe da humanidade, mesmo que alguns rejeitem esta maternidade.

Quando Robinho disse que nem sequer sabia pronunciar o nome do país contra cuja seleção disputaria o amistoso ou quando o presidente Lula se assustou com a limpeza das ruas da Namíbia não foram gafes para virar pautas de programas de humor ou provas da irreverência do jogador e da quase impossibilidade do mandatário brasileiro em evitar dizer de pronto o que pensa.

Não são razões para a gente rir, mas se envergonhar por saber tão pouco sobre uma parte do mundo com o qual muitos de nós carrega um parentesco que diz muito do que somos. Tomara que nós, formadores de opinão como adoramos ser chamados, despertemos do trivial ainda a tempo.   Ah sim! O próximo amistoso do Brasil será contra a Tanzânia na segunda-feira. Esperemos, então, notícias de lá.


Fé e Futebol

postado por Cleidiana Ramos @ 5:44 PM
5 de maio de 2010

Para lançar o segundo uniforme da Seleção Brasileira, a Nike escolheu o tema Mandingas e lançou um vídeo  com esse nome que vocês podem conferir aí em cima.

Achei interessante, pois foi a única vez em que vi uma referência, que pode ter vários questionamentos, claro, a elementos das religiões afro-brasileiras de uma forma que não é totalmente jocosa no campo dos esportes.

Uma curiosidade do vídeo é que o jogador Robinho conta que seu avô era pai-de-santo e que previu o seu futuro como atleta. Prestem também atenção no rapper que Luis Fabiano canta no fim.

A mística que cerca a camisa azul da Seleção Brasileira tem base num episódio ocorrido em 1958: pega de surpresa por não ter um segundo uniforme, a delegação teve que improvisar colocando o escudo da amarelinha num conjunto azul. Para justificar e levantar o moral do grupo, o chefe da delegação discursou dizendo que aquela era a cor do manto de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. A seleção ganhou o jogo por 5X2 e sagrou-se campeã mundial  pela primeira vez na até hoje maior goleada em finais de Copa.

O Brasil já tinha jogado de azul em 1938, mas não pegou. Predominava um uniforme branco que foi aposentado após a fatídica derrota para o Uruguai em 1950. A partir daí o amarelo reinou soberano.

Não é de hoje que jogadores utilizam símbolos religiosos no momento que fazem o gol apontando os dedos para cima, por exemplo. Nos últimos anos virou moda as  camisetas dos que são evangélicos com declarações de amor a Jesus.

Mas a Fifa não anda muito satisfeita com tanto fervor religioso. Logo após a última edição da Copa das Confederações, os jogadores brasileiros se uniram no centro do campo para ajoelhados rezarem o Pai Nosso. O gesto não pegou bem, pois países que defendem a laicidade do Estado- e as seleções representam nações- reclamaram, porque temem que o esporte se torne uma arma perigosa de propaganda religiosa e consequentes enfrentamentos.

Uma das confederações que se insurgiu contra a prática dos brasileiros foi a Federação da Dinamarca. Circulou a notícia de que a Fifa chegou a repreender a CBF pedindo menos fervor religioso. Vamos observar o que vai acontecer durante os jogos da Copa.

Eu, particularmente, confesso que fico incomodada, não com a demonstração de fé, pois isso é questão de consciência, mas com o discurso de alguns jogadores que parecem pregação religiosa. Na fala de alguns parece que Deus privilegia determinadas equipes em detrimento das demais.

No ano passado inclusive, uma declaração da mulher do jogador Kaká botou mais lenha nessa fogueira. De acordo com o vídeo que circulou no youtube a moça considerava a venda do marido, uma das maiores da história, um “milagre de Deus”, em tempos de crise. Os dois são da Igreja Renascer. Segundo notícias, a direção do Real Madrid pediiu ao  atleta para ter cuidado com este tipo de associação.

E vocês? O que acham de religião misturada a futebol?


A resistência de Andrade

postado por Cleidiana Ramos @ 6:35 PM
8 de dezembro de 2009
Saudado como primeiro negro a ser campeão brasileiro dirigindo uma equipe. Foto:Divulgação|Vip Comm

Andrade: saudado como primeiro negro a ser campeão brasileiro dirigindo uma equipe. Foto:Divulgação|Vip Comm

Peço desculpas a vocês pela ausência durante estes dias, mas é que tive uma segunda-feira agitada no jornal e ainda estou me recuperando das emoções do último domingo quando o meu Flamengo (desculpem são paulinos, colorados e palmeirenses) ganhou o Brasileirão 2009.  Tinha pensado em evitar o assunto para não dizerem que estou legislando em causa própria, mas como vários comentaristas da área de futebol estão falando sobre o tema acho que o Mundo Afro não deve se omitir.

O técnico do Flamengo, Andrade, está sendo saudado como o primeiro  negro a ganhar um campeonato à frente de uma equipe. O simpático integrante da geração de ouro do Flamengo, que fez um trabalho fantástico sem ser mal educado com a imprensa, sem dar piti à beira de campo e sem fazer pose de salvador do mundo, é também o primeiro a conquistar seis títulos nacionais unindo agora a sua condição de técnico e as  vezes que chegou a estas conquistas como jogador.

A conquista de Andrade é realmente um divisor de águas, pois embora os negros estejam maciçamente presentes dentro de campo poucas vezes vieram à frente para comandar a tática das equipes. Acho que o triunfo  de Andrade é um tapa de luvas na atitude preconceituosa de vários dirigentes, inclusive do próprio Flamengo.  Em entrevistas já após o título Andrade enumerou às vezes que sofreu preconceito  tendo a sua capacidade contestada. No Flamengo era conhecido com um eterno interino e auxiliar até que agora deu a volta por cima.

Resolvi reproduzir aqui um texto sobre o tema assinado por Fabrício Carpinejar, pois acho que diz tudo sobre esta batalha de Andrade. O texto   intitulado O Orfeu das Pranchetas já me  ganhou por citar o livro de Mário Filho- O Negro no Futebol Brasileiro- escrito de uma forma tão competenete e fluente que dá vontade de devorar em poucas horas.

Acho que o texto de Carpinejar diz muito sobre Andrade, que merece todas as homenagens por sua história de luta e resistência. Confiram o texto clicando aqui.